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Os deveres missionários do cristão


Você já teve ter ouvido a expressão “todo crente é um missionário ou um impostor”. Não é apenas uma frase de efeito, é uma verdade a ser considerada com seriedade. Também é possível que você tenha ouvido dizer “tudo o que a igreja faz é missões”. Essa frase, porém, é enganosa e serve de pretexto para que a igreja faça muita coisa que não tem nada a ver e que não contribui com nada ou muito pouco com a obra missionária. “Se tudo é missões, nada é missão”, já foi dito em resposta a essa afirmação. O texto que hoje iremos considerar reafirma a primeira afirmação e serve de base para questionarmos a segunda. Eis o texto:
“Depois disto, o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir. E lhes fez a seguinte advertência: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho.” (Lucas 10.1–4)

Jesus faz uma advertência

O “depois disto” aponta para o início do capítulo 9 onde Jesus dá instrução aos doze apóstolos e os envia “a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos” (Lucas 9.2). Além dos doze, “o Senhor designou outros setenta”. No capítulo final ele ordena a todos “que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lucas 24.47). A partir do doze, Jesus amplia o número dos que devem anunciar o evangelho, para incluir todos “aqueles que creem” (Mc 16:15-18). Mas a expressão “depois disto” também pode ser referir aos versículos 57-62 do capítulo precedente, onde Jesus testa os que querem lhe seguir, terminando com a advertência “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lucas 9.62).

A advertência feita aos setenta é que “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Passados vinte séculos e tendo o evangelho avançado muito além da Palestina nesse período, a advertência continua válida para a igreja de hoje. A tarefa continua gigantesca. Há muitos povos ainda não alcançados e línguas para as quais a Escritura ainda não foi traduzida. Há muitos lugares no mundo onde Cristo ainda não foi anunciado, onde o povo em trevas sem saber aguarda o cumprimento da promessa “hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito” (Romanos 15.21). Apesar do tamanho da tarefa, “os trabalhadores são poucos”. A igreja tem sido omissa em prover ao mundo obreiros para completar a tarefa de proclamar a Cristo em todo o mundo. Os crentes investem muito pouco de seus recursos na obra missionária e poucos se dispõe a ir aonde o evangelho ainda não chegou.

O que podemos fazer

Está claro que estamos sob o dever de anunciar a salvação ao mundo e não precisamos nos estender em demonstrar essa obrigação. Mas o que podemos fazer efetivamente? Jesus nos apresenta a mais necessária das tarefas, a oração. “Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”. Aí está algo que todo crente pode fazer. Uma irmã que tinha muito desejo de se dedicar a obra de Deus sofreu um acidente, ficando paralítica. Ao lamentar-se com seu pastor de que não mais poderia trabalhar na seara do Senhor, ouviu dele que poderia orar pelos missionários. Assim ela passou a orar todas as manhãs pela obra missionária num dos hemisfério, e à tarde, pelo outro hemisfério do mundo. Você pode estar orando pela obra missionária. Mas pode orar mais, e orar mais intensamente. E deve orar especificamente para que Deus levante novos missionários, apresentando-se em oração como alguém que Ele pode enviar, se assim o quiser. Que “eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6.8) também seja sua oração.

Se essa for sua oração, talvez você ouça de Jesus “Ide! Eis que eu vos envio”. Há muitas formas do evangelho chegar em terras longínquas. O rádio e a televisão têm se mostrado efetivos para veicular a mensagem do evangelho em lugares de difícil acesso. Mais recentemente, a Internet tem alcançado pontos impensáveis e tem sido uma ferramenta útil. Porém, nada substitui a presença física do missionário. A proclamação do evangelho é a principal atividade do esforço, mas não é tudo. Atender necessidades locais, plantar igrejas, formar líderes nativos, tudo isso requer o envolvimento pessoal do missionário. Portanto, o ide não é um imperativo supérfluo hoje, mas uma necessidade real. E o fato dos missionários serem enviados “como cordeiros para o meio de lobos” não deve arrefecer a disposição de ir.

A terceira tarefa, na qual toda a igreja deve se envolver é o sustento missionário. Jesus não afirma isso categoricamente no texto, mas fica explícito quando Ele diz “Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias” (Lucas 10.4). Um missionário não deveria ter que se preocupar com seu sustento, a igreja deve encarregar-se disso. Como missionário, Paulo não buscava ofertas e donativos, mas a igreja de Filipos tomava a iniciativa de enviar-lhe o necessário, e até mais que isso. “Recebi tudo e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (Filipenses 4.18). A igreja da Galácia, por sua vez, recebe o testemunho de seu missionário “de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar” (Gálatas 4.15). Infelizmente, há igreja que gasta mais com copos plásticos no bebedouro que com missionários no campo e outras que faz um grande esforço para instalar ar condicionado no templo enquanto missionários sofrem carências básicas.

Eu quero acreditar que você ora por mais missionários e em favor deles e que tem contribuído generosamente para o sustento deles. De fato, sou movido a dar graças a Deus pela sua dedicação nessa causa. Porém, será que não podemos fazer um pouco mais? Andar a segunda milha? Dedicar mais um pouco do seu tempo de oração para os missionários espalhados pelo mundo? Abrir mão de algo supérfluo ou que poderia ser adiado e enviar uma oferta especial para um missionário que esteja necessitando? A secretaria de missões pode te orientar sobre isso.

O que podemos esperar

Voltando ao primeiro versículo, lemos que “o Senhor designou outros setenta; e os enviou”. No verso seguinte descobrimos que o Pai é “Senhor da seara”. Logo, os enviados são arautos de Jesus, que levantam seu estandarte e em Seu nome estendem os limites do Seu reino aqui na terra. E os que o apoiam com oração e sustento estão envolvidos na causa do Senhor. Não há maior honra que proclamar o nome do Senhor onde Ele ainda não foi invocado e nenhuma outra causa na terra é tão nobre quanto o Seu reino. O Senhor está realizando Sua missão no mundo e para todo crente é um privilégio único fazer parte de Seu projeto para as nações. Missões não é uma parte importante da nossa vida cristã, nossa vida inteira deve fazer parte da missão de Deus.

Além disso, temos uma promessa que deve nos animar em nosso esforço pela causa de Cristo no mundo. Jesus “os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir”. Os missionários são arautos, que tocam trombetas para preparar a chegada do grande Rei. Onde o missionário proclama o evangelho, Jesus se faz presente. “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...e eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28.19–20). O êxito do empreendimento missionário não depende de nossa oração, de nosso serviço e nem de nossas ofertas, embora Deus use tudo isso como meio. A garantia que temos é que o próprio Senhor se apresentará e fará frutificar o trabalho missionário. Disso advém a certeza de que “quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (Salmo 126.6).

Soli Deo Gloria

A importância dos mestres na igreja

Vivemos em dias quando a evangelização das multidões interessa mais que a sã doutrina e a busca dos tesouros da Palavra por meio de uma exegese exata da mesma. Mas a experiência prova que não é possível chegar a formar igrejas (e grupos de igrejas) estáveis se o trabalho do evangelista não é seguido pelo ensinamento dos mestres e cuidado dos pastores (Ef 4:11-15).

Quando míngua o natural entusiasmo que se desperta ao ver como as almas confessam ao Senhor (algumas com coração sincero e outras levadas por excitação carnal), sobreveem os problemas da vida cristã, que se desenvolve em meio a circunstâncias adversas e enganos deste mundo. Se então não há quem dê de comer aos recém nascidos, primeiro "leite" da Palavra e depois "manjar sólido", o fogo do entusiasmo se torna na fumaça acre de confusões, divisões e mau testemunho de muitos que ainda tomam o nome do Senhor em seus lábios.

Faz falta a disciplina e o treinamento em justiça que só se consegue pela Palavra ensinada no poder do Santo Espírito, por servos de Deus dotados para esse ministério, e que sejam respeitados e ouvidos pelas crianças e neófitos (2Tm 3:14-17; 2:2,11).

Ai das igrejas que carecem de mestres, ou que, tendo-os, desprezam seu ministério!

Ernest Trenchard.
In: Normas de interpretación biblica.
Tradução livre: CincoSolas

Fundamentos da Missão: Amor

“Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos? Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Marcos 12.28–31)
Missões existem por causa da adoração. Por que há no mundo quem não adora a Deus, a obra missionária existe e permanece uma tarefa urgente. No texto que vamos considerar hoje essa verdade não é declarada imediatamente, mas pode ser inferida quando examinada mais de perto.

Um homem pergunta a Jesus qual é o principal mandamento da Lei. Os mestres judeus identificaram e classificaram 613 mandamentos, sendo 365 proibições e 248 ordenanças, que eles associaram aos dias do ano solar e ao número de ossos ou partes do corpo humano, respectivamente. Grande parte do debate residia na ordem de importância de cada um dos mandamentos listados. Daí a pergunta do escriba: “Qual é o principal de todos os mandamentos?” (Mc 12.28).

Antes de citar o mandamento em si, como Moisés já havia feito em Dt 6:4, Jesus apresenta a base, o fundamento sobre o qual se podia dizer que era o mais importante: “Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!” (Mc 12.29)”. Sem considerar este fundamento, o mandamento expresso perde sua força e sua importância fica dependente da ideia romântica que o homem tem do amor. E sua relação com as missões não é percebida.

Quando Jesus assentou este fundamento, ele estabeleceu que o teísmo bíblico é a verdade sobre Deus, excluindo todos os sistemas rivais ao cristianismo. A palavra “Deus” pressupõe sua existência e exclui o ateísmo. Ao dizer que Ele é “único” destrói o politeísmo. Ao chama-lo “Senhor”, associando-o a Jeová e Pai de Jesus, elimina o deus maometano. Ao dizer que é “nosso” revela sua pessoalidade e refuta tanto o deísmo como o panteísmo. Resta então a crença no Deus vivo, único e verdadeiro, Criador dos céus e da Terra, soberano sobre tudo e sobre todos! O que era, que é e que há de vir!

Há aqui uma implicação útil à nossa compreensão de missões. A primeira delas é que Deus, assim descrito, tem todo o direito de exigir e ordenar a adoração e obediência de todo homem, sendo justo ao condenar aquele que se recusa a dobrar joelhos e confessar o seu nome. Portanto, todos os que não o reconhecem como Senhor estão perdidos.

Continuando sua resposta, Jesus então expressa sua resposta: “Amarás, pois” (Mc 12:30a). Do que Deus é, decorre que devemos amá-lo. O amor a Deus não é um sentimento que brota naturalmente em nosso coração. Ele resultada do conhecimento de quem e como Deus é. E na medida em que compreendemos melhor o que Deus revela de Si, vai ficando claro como devemos amar esse Deus inigualável. E esse progresso é pessoal: “o Senhor, teu Deus” (Mc 12:30b).

“De todo o teu coração” (Mc 12:30c), ou seja, em perfeita sinceridade. “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o” (1Rs 18.21). “De toda a tua alma” (Mc 12:30d), com fervor, paixão, emoção! “Bendize, ó minha alma, ao Senhor” (Sl 103.22). “De todo o teu entendimento” (Mc 12.30), vale dizer, com pleno uso da razão iluminada pelo Espírito. A fé não é irracional, nem cega. Finalmente, “De toda a tua força” (Mc 12.30), com toda a energia do nosso ser. O amor a Deus não é um sentimento passivo, mas algo que deve dominar todas as faculdades do homem.

Então o Senhor fala do segundo mandamento principal, mesmo que o interrogador tivesse perguntado apenas pelo primeiro. “O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.31). E aqui temos um mandamento mal compreendido, especialmente quanto a expressão “como a ti mesmo”.

Primeiramente, devemos considera-lo em oposição ao que foi dito sobre o amor devido a Deus. Não devemos amar a nós mesmo de todo coração, de toda nossa alma, de todo nosso entendimento e com todas as nossas forças. Só Deus deve ser amado assim. Portanto, temos aqui um mandamento contra a idolatria. Por outro lado, sabemos que justa condenação recai sobre os que não adoram a Deus nesses termos. E não queremos isso para nós. Desejamos, antes, a felicidade eterna na glória. Então, adoramos a Deus. Este é o amor que devemos ter a nós mesmos.

Compreendido o que significa amar a si mesmo, podemos entender o que significa “amarás o próximo como a ti mesmo”. Da mesma forma como desejamos para nós a felicidade eterna e queremos evitar o sofrimento eterno, devemos desejar o mesmo para nosso próximo. Isso é amar o próximo. Não endeusamos o próximo, criatura como nós, mas queremos o seu bem.

Juntando os dois mandamentos podemos relacionar isso com nosso dever missionário. Se amamos a Deus, vamos desejar que Ele seja adorado em todo lugar e por todos os homens. Se amamos aos homens como a nós mesmos, não vamos querer que sejam condenados por negar a Deus ou por não o glorificarem como Ele realmente é.

E considerando como devemos amar a Deus, compreendemos como deve ser nossa dedicação na pregação do evangelho no mundo todo. Devemos colocar nossos corações, almas, mentes e esforços naquilo que fazemos no Reino. Com isso, missões não será um programa ou um departamento da igreja, mas a vida normal da igreja e de todo crente. 

Soli Deu Gloria

O Espírito Santo e a obra missionária



1. A presença pessoal de Deus, ativo na igreja e no mundo. É a terceira pessoa da Trindade. Não se deve pensar dEle como uma força influência ou fluido, mas como um ser plenamente pessoal. No Antigo Testamento o Espírito Santo foi dado a indivíduos particulares para levar a cabo tarefas especiais. Mas no Pentecostes, Jesus Cristo deu o Espírito Santo a cada crente, e Jesus tem estado presente com seu povo mediante Seu Espírito Santo desde então. Segundo a Fraternidade Teológica Latinoamericana, "a natureza pessoal do Espírito é como o 'Deus intermediário', que procede do Pai em nome do Filho. Eles são uma Triunidade, uma comunidade de amor, na qual o Espírito é o poder pessoal que torna possível a unidade e a missão de Deus. O amor que flui da comunidade divina se revela na criação e se completa na redenção. A redenção leva a uma nova criação onde o reino de Deus se revela definitivamente quando todas as coisas forem reconciliadas com Seu Criador. O Espírito é Deus que realiza Sua missão; o Espírito Santo é quem leva a cabo a vontade e os propósitos de Deus. O Espírito dá continuamente testemunho na ordem criada e na história e dá testemunho redentor na tarefa de reconciliação de Jesus Cristo no mundo".

2. CLADE I reconhece que o Espírito Santo "é quem dá os dons à igreja, capacita o evangelista, dá testemunho de Cristo ao ouvinte, ilumina-o, convence do pecado, da justiça e do juízo e de eterna perdição; o converte em nova criatura e faz dele parte da igreja e colaborador com Deus na evangelização. Quando não se reconhece essa iniciativa do Espírito Santo, a evangelização se torna mero empreendimento humano". Segundo o Pacto de Lausane, "o Pai enviou o Seu Espírito para dar tstemunho de Seu Filho; sem o testemunho dEle nosso testemunho é vão... o Espírito Santo é um Espírito missionário, e por Ele a evangelização deve brotar espontaneamente de uma igreja que está cheia do Espírito. A igreja que não é missionária é em si mesma uma contradição, e apaga o Espírito. A evangelização mundial somente será uma possibilidade real quando o Espírito renovar a igreja em sabedoria, fé, santidade, amor e poder".

Pablo Deiros
In: Diccionario Hispano-Americano de la misión
Trad. Cinco Solas

O profundo anelo da igreja por crescimento numérico

O anelo pelo crescimento numérico se origina em várias passagens importantes das Escrituras: a intenção universal de Deus no Antigo testamento, a Igreja como assembleia no Novo Testamento, a busca da ovelha, da moeda e do filho perdidos (Lucas 15), a edificação da igreja até a plenitude de Cristo e as figuras retóricas de crescimento. Tudo isso indica algo da natureza da igreja que anela ardentemente a incorporação de mais pessoas. Há muitas metáforas bíblicas sobre a igreja, as quais sugerem este desejo sincero pelo crescimento e numérico da mesma. Quando se considera a Igreja como povo de Deus, o novo Israel, o redil, a plantação, o edifício ou o corpo, sempre há uma energia orgânica dentro dela para o crescimento. A Igreja sempre tem expressado sua natureza ao "anelar" incorporar mais e mais homens e mulheres dentro da graça de Deus. É um movimento, um espírito, um avanço da igreja desde o Pentecostes até o presente. Sua vida e influência no mundo sempre está se ampliando, se exteriorizando e se estendendo. Este elemento de anelar encontra-se em Isaías 55:11-13; 56:8. A Palavra de Deus promete:

“assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.Em lugar do espinheiro, crescerá o cipreste, e em lugar da sarça crescerá a murta; e será isto glória para o SENHOR e memorial eterno, que jamais será extinto... Assim diz o SENHOR Deus, que congrega os dispersos de Israel: Ainda congregarei outros aos que já se acham reunidos.”

O anelo dos cristãos por crescimento numérico envolve uma atitude da Igreja, seu lugar na missão de Deus e seu papel no mundo. É a atitude que Paulo mostrou quando disse: “porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne” (Romanos 9.3). Newbigin expressou: "qualquer um que conheça a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador deve desejar ardentemente que outros compartilhem do mesmo conhecimento e deve regozijar-se quando o número desses se multiplica. Onde este desejo e este regozijo estão ausentes, deveríamos nos perguntar se algo anda mal na vida da Igreja".

De certa forma este conceito novo é a manifestação concreta dos quatro atributos do credo. A una e sola Igreja anela incorporar mais e mais pessoas e unir a tudo e a todos aos pés de Jesus Cristo (Colossenses 1). A Santa Igreja anela ver que a santidade de Deus transforme a vida de toda a humanidade pecaminosa. A igreja católica (universal) anela ampliar sua comunhão universal de crentes cheios de amor para incluir a todos aqueles que crerão em Jesus Cristo. A Igreja apostólica anela ir e fazer discípulos de todos os povos, porque ali, em todas as nações, Cristo prometeu estar presente.

Esta igreja anelante sabe que tem sido reunida para servir e portanto reúne outros para que sirvam ao mundo junto com ela. Estes discípulos vivem cheios de esperança, orando, desejando e anelando que aqueles que ainda não pertencem ao Povo de Deus cheguem a experimentar o gozo de ser o Povo de Deus (1 Pedro 2:9–10). Este anelo é a característica básica da Igreja, a qual dá surgimento ao seu apostolado.

Charles Van Engen
O povo missionário de Deus

O missionário e a providência divina

Há consenso entre teólogos de diferentes tradições eclesiásticas a respeito de que a providência divina significa a obra pela qual Jeová preserva e governa a obra de Suas mãos. A preservação e o governo se entrelaçam e se complementam entre si na ação providencial de Deus. Ele preserva a criação governando-a e a governa preservando-a. Também temos mencionado que existe convergência entre a ação providencial de Deus e Seu reino. Esta convergência se faz notória, especialmente, quando destacamos o governo, o domínio, de Jeová sobre a criação. Revela-se então que Ele, e não o ser humano, é o Rei de tudo que foi criado.
 
O ensinamento bíblico quanto à providência divina é muito diferente da ideia grega de casualidade, ou de sorte. Segundo as escrituras judaico-cristãs, a providência não é uma força impessoal, mas a ação de um Deus pessoal que, sem renunciar a Sua soberania, confere ao ser humano liberdade de pensamento, decisão e ação, e permite que os processos naturais sigam seu curso. Além do mais, concede a homem e à mulher o privilégio de participar da preservação e do governo da criação.
 
A providência divina é diametralmente oposta ao fatalismo. Este sustenta que "todas as coisas ocorrem de acordo com um plano fixo, no qual não entram para nada as causas externas" (William N. Clarke). "Tudo acontece de maneira inexorável, por determinação de um processo cego (não racional) que deixa de fora a liberdade dos seres humanos. Ao contrário, o cristianismo ensina que a vontade de Deus, a qual controla os acontecimentos, é racional e boa" (Robert E. D. Clark). O fatalista pode cair numa resignação estéril diante da vida e as possibilidades que ela oferece de progresso pessoal e social. O missionário cristão deve procurar entender esta atitude negativa e apresentar com humildade e respeito o evangelho, a mensagem positiva e poderosa que pode nos livrar de tudo aquilo que nossa culpa nos impede de viver uma vida abundante.
 
Por outro lado, tal como diz João Calvino, "quando se fala da providência de Deus, esta palavra não significa que Deus está ocioso e considera desde os céus o que acontece no mundo, mas que é mais como o piloto de um navio, que governa o timão para ordenar tudo quanto há de acontecer".
 
Emilio Núñez
In: Hacia una misionología evangélica latinoamericana
Tradução: Cinco Solas

A universalidade da soberania de Deus e as missões

A universalidade da soberania de Deus é um dos temas mais preponderantes em todo o saltério. Quando o salmista exclama “Pois o SENHOR Altíssimo é tremendo, é o grande rei de toda a terra” (Salmo 47.2, RA) e continua dizendo “Deus é o Rei de toda a terra; salmodiai com harmonioso cântico. Deus reina sobre as nações; Deus se assenta no seu santo trono. Os príncipes dos povos se reúnem, o povo do Deus de Abraão, porque a Deus pertencem os escudos da terra; ele se exaltou gloriosamente” (Salmo 47.7–9, RA), está afirmando que Ele é o dono absoluto de toda a criação e Deus de todos os reinos humanos, o Criador por excelência.

Este tipo de exclamação de júbilo de parte dos poetas tem levado a alguns estudiosos dos salmos a sugerir que o tema teológico central, que de alguma maneira une e entrelaça todos os salmos é "Jeová Reina" (Yhwh malak). Esta pequena frase, cuja tradução é muito debatida, declara que Jeová não somente reina, mas que é o dono de tudo o que existe e, portanto, tem direito absoluto sobre a terra e seus habitantes. 

Este conceito é realmente revolucionário para o mundo antigo. Os deuses das distintas nações vizinhas de israel são deuses que estão limitados em termos geográficos. Seus poder e jurisdição não vão além dos limites geográficos que delimitam uma nação. A declaração de que há um Deus cujo poder não está restrito por fronteiras humanas é, em si mesma, uma afirmação missiológica radical. A soberania e senhorio de Jeová que reina é absoluta e abrange toda a criação. Isto tem pelo menos duas implicações significativas. Em primeiro lugar, o Deus de Israel, o povo do pacto, não é patrimônio exclusivo de Israel. Se bem que é verdade que Jeová decidiu usar o povo de Israel como instrumento de bênção para todas as nações, Israel não pode reclamar direitos absolutos sobre a deidade. Em segundo lugar, isto indica que tudo o que Deus significa, isto é, tudo o que Ele é, está ao alcance de todas as nações. Deus, através de Sua soberania universal, se converte em um recurso inesgotável para toda a criação.

Esta realidade articulada nos Salmos tem uma repercução missiológica notável, em especial se se considera a frase do poeta quando declara que os líderes dos distintos povos se reúnem com o povo do Deus de Abraão para enalter ao único Deus. O fato de que Deus, em sua soberania absoluta, seja Deus dos imperios da terra sugere fortemente que isto deve ser proclamado a todo aqueles que ainda não o sabem ou não o entendem.

É aqui, então, que é importante introduzir de que maneira essa soberania universal produz ou gera esperança. O poeta diz, em outro contexto, que em Deus “está o manancial da vida; na tua luz, vemos a luz” (Salmo 36.9, RA). Aqui temos outra declaração que define a realidade tal como tem sido explicado anteriormente à luz da proposta de Mowinckel. A vida não provém de uma casualidade cósmica, nem de outros deuses cujas jurisdições estão limitadas por fronteiras geográticas. A vida provém de Deus criador de todas as coisas, cuja soberania é absoluta e universal. Esta vida articulada nos Salmos pelos poetas hebreus é o que oferece mais esperança ao nosso mundo contemporâneo. Em termos de uma proposta missiológica, sugerimos a proclamação de um Deus que é fonte, autor e gerador de toda a vida representa, talvez, a mensagem mais poderosa e relevante para um mundo que está empenhado em destruir a vida.

A pos-modernidade na qual estão imersas as sociedades deste mundo define a realidade de maneira que a vida, a esperança, o ideal, a utopia já não existem. Como parte dessa definição de realidade, o importante é sobreviver em termos individualistas, sem nenhum tipo de preocupação "pelo outro", nem tampouco "por Deus".Este marco teórico conduz a uma frustração e a um vazio carente de esperança e vida. O poeta hebreu, por outro lado, define a realidade em termos de vida uma vida e uma esperanças entregues, dadas por um Deus que não pode ser manipulado nem controlado por interesses humanos que intentam definir a realidade em termos que não conduzem à vida. Esta alternativa poetizada pelos hebreus oferece uma menagem relevante que todo crente deve abraçar com o propósito de fazer missão. Quem encarna esta definição da realidade poderá unir-se ao poeta e proclamar a todo ser humana que “Com tremendos feitos nos respondes em tua justiça, ó Deus, Salvador nosso, esperança de todos os confins da terra e dos mares longínquos” (Salmo 65.5, RA).

Padilla, Catalina R.
In: Bases bíblicas de la misión: perspectivas latinoamericanas.
Tradução: Cinco Solas

O Espírito dá poder aos crentes

A primeira vista, é surpreendente que Jesus tenha dito que os discípulos estariam melhor depois que ele os deixasse (16:7). Mas os homens seriam capazes de fazer coisas mais grandiosas por Deus quando o Espírito Santo viesse e habitasse nos discípulos do que poderiam fazer com a presença física de Jesus no meio deles; pois a vinda do Espírito significou a infusão de um novo poder divino. É à luz deste fato que devemos compreender a declaração de que os discípulos de Jesus deveriam realizar obras maiores do que as dele, "porque eu vou para o Pai" (14:12). 

Tais obras maiores, com toda a certeza, localizam-se na esfera espiritual, e não na esfera física. Nenhuma pessoa pode realizar uma obra maior, na esfera física, do que ressuscitar os mortos, como Jesus fez com Lázaro, que já estava morto havia quatro dias. As "obras maiores" consistem da transformação de vidas, operada pelo Espírito Santo, como um resultado da pregação do evangelho. Inclui-se, nesta fase, o ministério, que resulta no perdão dos pecados (João 20:23). Jesus, antecipando o Pentecostes, prometeu, aos seus discípulos, a outorga do Espírito Divino, pelo qual eles deveriam ser engajados no ministério de pregar o evangelho. Aqueles que aceitassem a mensagem deles experimentariam o perdão dos pecados; mas aqueles que os rejeitassem não obteriam esse perdão. Somente à medida que o representante de Cristo for dotado pelo Espírito de Deus pode engajar-se com sucesso, nesse ministério de fazer com que os homens abandonem seus pecados. E digno de nota o fato de que João nada diz a respeito das manifestações de êxtase ou de maravilhas com relação à vinda do Espírito. A missão primária do Espírito é exaltar a pessoa de Jesus e interpretar a obra realizada por ele para a salvação dos homens.

George E. Ladd
In: Teologia do Novo Testamento.

O que é exatamente o evangelho?

Que é propriamente o Evangelho? E, embora nossos pais tivessem dessa maneira, nos escritos dos profetas, o Evangelho, pelo qual alcançaram a salvação em Cristo pela fé, contudo, o que se chama propriamente “Evangelho” são as notícias alegres e felizes pelas quais, primeiro por João Baptista, depois por Cristo, o Senhor, e depois pelos apóstolos e seus sucessores, se anunciou aos homens que Deus já realizou o que ele prometera, desde o princípio do mundo, e nos mandou, ou melhor nos deu o seu único Filho e nele a reconciliação com o Pai, a remissão dos pecados, toda a plenitude e a vida eterna. Portanto, a história apresentada pelos quatro evangelistas, explicando como isso foi realizado ou cumprido por Cristo, o que Cristo ensinou e praticou, e que aqueles que crêem nele têm toda a plenitude, e exatamente o que se chama “Evangelho”. A Pregação e os escritos apostólicos, nos quais os apóstolos nos expõem como o Filho nos foi dado pelo Pai, e nele tudo o que diz respeito à vida e à salvação, são também o que se chama corretamente “doutrina evangélica”, de modo que ainda hoje, se sinceramente pregada, não perde o direito a tão preclara designação.

Do espírito e da letra. Essa mesma pregação do Evangelho é também chamada pelo apóstolo “o espírito” e “o ministério do espírito”, porque pela fé ela se torna eficaz e viva nos ouvidos, ou melhor, nos corações dos crentes iluminados pelo Espírito Santo (II Co 3.6). A letra, que se opõe ao Espírito, significa tudo o que é externo, mas especialmente a doutrina da Lei, que, sem o Espírito e a fé, produz ira e excita o pecado nas mentes daqueles que não têm uma fé viva. Por isso o apóstolo chama a isso «o ministério da morte». Aqui é pertinente a palavra do apóstolo: “A letra mata, mas o Espírito vivifica”. Falsos apóstolos também pregavam um Evangelho corrompido, misturando-lhe a Lei, como se sem a Lei Cristo não pudesse salvar.

As seitas. Assim, afirmavam os ebionitas, descendentes espirituais do herege Ébion, e os nazaritas, que anteriormente eram chamados mineus. A todos estes nós condenamos, e pregamos ao mesmo tempo o puro Evangelho, ensinando que os crentes são justificados só pelo Espírito, e não pela Lei. Uma exposição mais detalhada deste assunto virá sob o título de “justificação”.

O ensino do Evangelho não é novo, mas muito antigo. Embora o ensino do Evangelho, comparado com o dos fariseus sobre a Lei, tenha parecido ser uma nova doutrina quando pregado por Cristo a primeira vez, o que também Jeremias profetizou a respeito do Novo Testamento, contudo, ele, na realidade não só era como ainda é, uma velha doutrina (que hoje ela é chamada nova pelos papistas, quando comparada com a doutrina agora recebida entre eles), mas na verdade é a mais antiga de todas no mundo. Com efeito Deus predestinou desde a eternidade salvar o mundo por Cristo, e manifestou ao mundo, através do Evangelho, esta sua predestinação e o seu conselho eterno (II Tim 2.9 ss). Disso é evidente que a religião e a doutrina evangélica, entre quantas já existiram, existem e virão a existir, é a mais antiga de todas. Por isso, afirmamos que todos os que dizem que a religião e a doutrina evangélica é uma fé surgida recentemente, e que não tem mais que trinta anos de existência, erram vergonhosamente e falam coisas indignas do conselho eterno de Deus. A eles se aplica a palavra de Isaías, o profeta: “Ai dos que ao mal chamam bem, que fazem da escuridade luz, e da luz escuridade; põem o amargo por doce, e o doce por amargo!” (Is 5.20).

Jesus nos confiou Sua obra

Pesquisei os quatro evangelhos para observar como Jesus se preparou para a nova fase da liderança, e se nota uma tendência: durante os três anos de seu ministério, Jesus foi cada vez mais entregando sua obra para os discípulos. De início, ele realizava todas as curas, exorcismos, ministério e evangelização. Mas, à medida que o momento da sua morte ia se aproximando, ele se concentrava cada vez mais em treinar aqueles que ficariam para trás. Alguns acontecimentos primordiais se destacam.

"Eu os estou enviando como cordeiros entre lobos", disse Jesus, ao alertar um dos primeiros grupos de seguidores a partir em seu nome (v. Lc 10.1-24). Dessa forma, ele começou a confiar tarefas sagradas a um heterogêneo grupo de 72 principiantes. Não obstante os severos alertas, todos alcançaram um grande sucesso em sua missão. Eles, exuberantes, relataram: "Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome". Jesus reagiu com um entusiasmo sem igual — não conheço nenhuma outra situação que o mostre tão cheio de alegria. Ele irrompe em orações e então pronuncia estas sonoras palavras: "Pois eu lhes digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vocês estão vendo, mas não viram; e ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram". As obras do Reino tinham avançado, mas daquela vez isso ocorreu enquanto o próprio Jesus estava atuando em um papel indireto. Suas exclamações enfatizaram a importância daquele passo.

Mais tarde, já no fim da vida na terra, Jesus deu mais um passo: entregou toda a missão. A transferência ocorreu em uma reunião, a última ceia, que não possui paralelo no Novo Testamento, no que diz respeito a sua intensidade emocional. Naquela noite, Jesus disse: "E eu lhes designo um Reino, assim como meu Pai o designou a mim" (Lc 22.29). Daquele momento em diante, ele passou a se valer principalmente da "saída"; a forma indireta de operar por intermédio das "células" humanas.

Phillip Yansey 
In: À imagem e semelhança de Deus.

A eleição presumida e objetada

Devemos bem esperar acerca de todos. E, embora Deus conheça os que são seus, e nalgum lugar se faça menção do reduzido número dos eleitos, devemos, contudo, bem esperar acerca de todos, e não julgar apressadamente nenhum homem como rejeitado. São Paulo diz aos filipenses: “Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós” (ora, ele fala de toda a Igreja dos filipenses), “pela vossa cooperação no Evangelho... Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fil 1.3-7).

Sobre se são poucos os eleitos. E, quando perguntaram ao Senhor se eram poucos os que seriam salvos, ele não respondeu que poucos ou muitos seriam salvos ou condenados, mas antes exortou todo homem a “esforçar-se por entrar pela porta estreita” (Luc 13.24). É como se dissesse: “Não vos compete inquirir com muita curiosidade acerca dessas questões, mas antes esforçar-vos por entrar no céu pelo caminho estreito”.

O que deve ser condenado nesse caso. Por isso, não aprovamos as afirmações ímpias de alguns que dizem: “Poucos são os eleitos, e, como eu não sei se estou no número desses poucos, não me privarei dos prazeres”. Outros dizem: “Se sou predestinado ou eleito por Deus, nada me impedirá da salvação, já certamente determinada, seja o que for que eu fizer. Mas, se estou no número dos rejeitados, nenhuma fé ou arrependimento poderá valer-me, visto que a determinação de Deus não pode ser mudada. Portanto, todas as doutrinas e advertências são inúteis”. Mas o ensino do apóstolo contradiz estes homens: “O servo do Senhor deve ser apto para instruir... disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento ... livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele, para cumprirem a sua vontade” (II Tm 2.24-26).

William Booth e a evangelização

Fonte: Mero Cristianismo
William Booth nasceu em Nottingham, Inglaterra, em 10 de abril de 1829. Vinha de uma família pobre e foi o primeiro de sua família a se converter a Cristo. Foi recebido numa Igreja Metodista. Casou com Catarina Mumford. No seu casamento não houve festa nem flores. Oficiado por um pastor, participaram da cerimônia o ministro oficial e as testemunhas. 

William foi designado para dirigir diversas campanhas evangelísticas. Numa delas contou com um auditório de mais de duas mil pessoas. O tesoureiro de uma igreja escreveu para uma revista: “O Senhor Booth é um homem extraordinário. Jamais passei, em toda a minha vida, seis semanas como as últimas”.

William e Catarina começaram o trabalho com pessoas de rua, bêbados, prostitutas, crianças abandonadas. No meu livro “Vidas Poderosas”, escrevi: “A tormenta se desencadeou na Conferência Anual. E assim foi decidido em 1857, por 44 votos contra, que William cessasse sua obra de evangelização. Uma acalorada controvérsia que durou cinco horas, precedeu essa decisão. O homem, cuja paixão era a salvação de almas e que estava divinamente chamado para isso, não deveria ir mais de pessoa a pessoa, nem de cidade em cidade. Deveria assentar-se e servir calmamente a uma pequena e pobre congregação”.

No final da discussão ficou assentado que o casal não poderia trabalhar com os marginais, com os pobres, prostitutas, limpar o vômito dos bêbados, isso não recomendaria bem a uma igreja cujo status não se ajustava a uma igreja de pessoas de boa formação. E o casal foi expulso da Igreja Metodista. Uma vez cortado da comunhão de sua querida igreja, William, de mãos dadas com a esposa, bateu no bolso e disse se retirando: “Sem níquel e sem amigos”. Uma vez desligado da sua amada denominação, o casal começou seu grande e maravilhoso trabalho nas ruas de Londres com as pessoas marginalizadas e ganhou milhares para Jesus.

E o trabalho foi crescendo, passou de Londres para toda a Inglaterra e chegou a diversas partes do mundo como o conhecido e respeitado Exército da Salvação. Uma organização, com hierarquia, disciplina e ordem à semelhança do Exército da terra. E todos os que compõem a organização trabalham com amor e carinho, socorrendo os pobres, transformando prostitutas e bêbados e prestando um trabalho com todas as classes das sociedade, não se esquecendo das crianças de ruas.

E qual seria a verdadeira razão dessa bênção que se mantém no mundo há quase dois séculos? Eles eram obreiros CHEIOS DO ESPÍRITO. William, dez anos antes da sua morte, perdeu a visão. Ao chegar a casa disse a seu filho Bramwell: “Meu filho, trabalhei anos com minha visão perfeita, agora cego, continuarei a servir o meu Mestre querido”. E perto da morte disse: “Oh! a salvação das gentes!"... E dirigindo-se ao filho: "Ó Bramwell, cuida dos desamparados". Suas últimas palavras audíveis foram: “As promessas de Deus são certas”. 

Foi promovido à glória no dia 20 de agosto de 1912.

Enéias Tognini
In: Você é cheio do Espírito Santo?

O evangelho moderno e o de Jesus

Considere a apresentação típica do evangelho que se faz em nossos dias. Verá que se roga o seguinte aos pecadores: “aceite a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal”, “convide Jesus a entrar no seu coração”, “convide a Cristo para que entre em sua vida’ ’, ou “faça uma decisão por Cristo’ ’. É provável que você esteja tão habituado a ouvir tais frases que fique surpreso ao saber que nenhuma delas tem base em terminologia bíblica. Elas são o resultado de um evangelho diluído, que não é o evangelho segundo Jesus.

O evangelho que Jesus proclamava era um chamado ao discipulado, um chamado a segui-Lo em obediência submissa, e não um mero apelo a que se fizesse uma decisão ou uma oração. A mensagem de Jesus libertava as pessoas de sua escravidão do pecado, ao mesmo tempo em que confrontava e condenava a hipocrisia. Ela era uma oferta de vida eterna e perdão a pecadores arrependidos, mas também era uma censura aos religiosos de fachada, cujas vidas exibiam a verdadeira justiça. Era um alerta aos pecadores, para abandonar o pecado e abraçar a justiça de Deus. Em todos os sentidos, a sua mensagem eram boas novas. Porém, não era de modo algum uma fé fácil.

As palavras de nosso Senhor sobre a vida eterna vinham invariavelmente acompanhadas de alertas àqueles que pudessem ser tentados a encarar a salvação com leviandade. Jesus ensinava que o custo de segui-Lo é alto, que o caminho é estreito e que poucos o encontram. Disse Ele que muitos que O chamam de Senhor serão proibidos de entrar no reino dos céus (Mt 7.13-23).

O evangelicalismo moderno, de modo geral, ignora tais alertas. A visão predominante do que seja a fé salvadora continua a tornar-se mais aberta e mais superficial, enquanto que a apresentação de Cristo na pregação e no testemunho pessoal torna-se mais e mais impreciso. Qualquer um que se declare cristão poderá encontrar evangélicos dispostos a aceitar a sua profissão de fé, sem considerar se o seu comportamento demonstra ou não alguma evidência de rendição a Cristo.

John McArthur
O evangelho segundo Jesus

Os pagãos vivem de acordo com a luz que tem?

Tem luz, mas vivem de acordo com essa luz? Paulo rechaça com desdém essa ideia, na arrazadora acusação de Romanos 3:9-19: “todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado... não há justo, nem um sequer... não há quem busque a Deus... não há quem faça o bem...não há temor de Deus diante de seus olhos”. De fato, os jejuns e as peregrinações são uma confissão silenciosa de que não são merecedores. As palavras de Horácio, "vejo um caminho melhor, sigo o pior", nos lembram o angustioso clamor de Paulo: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.” (Romanos 7.15,19).

Depois de uma vida de experiência no paganismo na China, o missionário Hudson Taylor afirmou que jamais havia encontrado um chinês, fosse erudito ou lavrador, que por um instante pretendera ter vivido de acordo com a luz que possuía. Em sua perversidade haviam deificado pedaços de madeira e pedra e adorado a coisas criadas, desde o Sol até a baratas, ao invés do Criador. Retraíam-se da luz e deleitaram-se no crime, no pecado e na concupiscência. Se não devemos julgá-los por nossa luz sobrenatural, serão julgados pela sua própria luz.

"Há algum pagão que tenha vivido de acordo com suas próprias normas morais, suas normas de bem e de mal?", perguntou o doutor A. T. Pierson, ex-editor do The Missionary Review of the World (Revista Missionária do Mundo). "Respondemos: 'não! todos pecaram'. Não haveria alguma pagão que tenha vivido de acordo com as suas próprias normas? Por que todos pecaram e em consequência são culpados? Nossa resposta seria: 'pela mesma razão que nos países chamados cristãos todos tem pecado'. Por natureza, 'não há um justo, nem um sequer'. Qual é a razão? Por que somos uma raça caída e nascemos no mundo com uma tendência ao pecado que nos predispõe e inclina para o mal". Como disse Davi, 'em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe'. Este pecado 'original' não consiste em seguir a Adão (como alguns falsamente pretendem), mas na corrupção da natureza humana com que todo descendente de Adão aparece no mundo; uma corrupção na qual o homem está muito longe da justiça original e por sua própria natureza está inclinado ao mal continuamente. E devido a esata corrupção da natureza humana no pagão, igual a daqueles nascidos em terra evangelizadas, o pecado intrínseco assume a supremacia, dominando a vontade, capturando e escravizando a alma; de modo que se bem que os homens aprovem o bem, farão o que eles mesmos declaram ser mal. E não há exceção alguma a esta regra, fora da graça salvadora de nosso Senhor Jesus Cristo."

Longe de viver de acordo com a luz que tem, os pagãos tanto quanto os outros homens, tem violado suas próprias consciências ao fazer o que eles mesmos sabem ser errado e isto os torna responsáveis por suas ações.

J. Oswald Sanders
Están Perdidos?
Tradução livre por Cinco Solas


Missões e Adoração


As missões não são o alvo fundamental da igreja. A adoração é. As missões existem porque não há adoração. A adoração é fundamental, não as missões, porque Deus é essencial, não o homem. Quando esta era se encerrar e os incontáveis milhões de redimidos estiverem perante o trono de Deus, não haverá mais missões. Elas são uma necessidade temporária. A adoração, porém, permanece para sempre.

A adoração é, portanto, o combustível e a meta das missões. É a meta das missões porque, nelas, simplesmente procuramos levar as nações ao júbilo inflamado da glória de Deus. O alvo das missões é a alegria dos povos na grandiosidade de Deus. “Reina o SENHOR. Regozije-se a terra, alegrem-se as muitas ilhas” (Sl 97.1). “Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos. Alegrem-se e exultem as gentes” (Sl 67.3-4).

Mas a adoração é também o combustível das missões. A paixão por Deus em adoração precede o oferecimento de Deus por meio da pregação. Você não pode recomendar o que não aprecia. Os missionários jamais exclamarão: “Alegrem-se os povos”, se não puderem dizer de coração: “Eu me alegrarei no Senhor... Alegrar-me-ei e exultarei em ti; ao teu nome, ó Altíssimo, cantarei louvores” (Sl 104.34; 9.2). As missões começam e terminam com a adoração.

Se a busca da glória de Deus não for colocada acima da busca do bem humano nas afeições do coração e nas prioridades da igreja, o homem não será bem servido e Deus não será devidamente honrado. Não estou pleiteando uma diminuição de missões, mas a exaltação de Deus. Quando a chama da adoração arder com o calor digno de Deus, a luz das missões brilhará para os povos mais remotos da terra. Eu anseio pela chegada desse dia! Onde a paixão por Deus for fraca, o zelo pelas missões será fraco. As igrejas que não estão centradas na exaltação da majestade e da beleza de Deus raramente se inflamam por um desejo fervente de “anunciar entre as nações a sua glória” (Sl 96.3). Até os leigos sentem a disparidade entre a ousadia de nossa reivindicação das nações e a brandura do nosso compromisso com Deus.

John Piper
Alegrem-se os povos, Cultura Cristã

O chamado do evangelho é universal

O chamado do evangelho precisa ser entregue a todas as pessoas. A Bíblia não deixa dúvida sobre isso. Na Grande Comissão, Jesus disse aos seus discípulos e à igreja de todas as eras: "Vá e faça discípulos de todas as nações". Ainda que as igrejas de persuasão reformada têm afirmado a doutrina da eleição incondicional (de que Deus tem escolhido seu povo graciosamente desde antes da criação do mundo) e a expiação limitada (que Cristo expiou os pecados daqueles que foram escolhidos como seu povo), essas igrejas têm também — com exceções ocasionais — afirmado que a oferta do evangelho deve ser entregue a todos os ouvidos do mundo.

A Escritura claramente ensina que o evangelho precisa ser pregado a todos. Se podemos ajustar isso com a eleição particular, é outra questão. Mas a regra para nossa pregação deve ser a vontade de Deus revelada. Em última análise, cabe a Deus harmonizar o predeterminado resultado da pregação do evangelho com a oferta geral da salvação. Somos limitados aos meios que Deus prescreveu para conduzir pessoas à salvação. E o meio mais importante é a pregação do evangelho.

A vocação evangélica pode ser definida assim: a oferta da salvação em Cristo a pessoas, junto com um convite para vir a Cristo em arrependimento e fé, para que recebam o perdão dos pecados e a vida eterna.

Anthony Hoekema
In: A vocação do Evangelho



Um par de sandálias usadas

Lema Morávio
"Nosso Cordeiro Venceu: vamos seguí-lo!"

No dia 13 de agosto de 1727, Deus derramou um profundo avivamento sobre um grupo de checos refugiados, na Saxônia, atual Alemanha, chamado de Morávios. Com o Conde Nikolaus Zinzendorf (retrato) à frente daquela comunidade que vivia no vilarejo de Hernhut, nasceu ali uma obra missionária sem precedentes desde os primeiros séculos. Dali, saíram centenas de crentes apaixonados por Jesus. Foram enviados para a Espanha, Itália, África do Sul, São Tomé e Príncipe e até para o Brasil, além de tantas outras regioes. Impactaram sociedades, plantaram igrejas e certamente fizeram muito mais do que a história conseguiu registrar.

Já no fim desse movimento missionário, Zinzendorf se sentiu desafiado a enviar um missionário para alcançar os esquimós no Alasca. Ele relatou que certa noite sonhou com Jesus, e que nesse sonho o Senhor o instruía a enviar o oleiro. O oleiro era um homem de meia-idade, crente no Senhor Jesus, mas de personalidade pacata e que não demonstrava capacidade de liderança até então.

Zinzendorf o chamou e lhe expôs seu sonho e sua preocupação com os esquimós. Antes que o oleiro se manifestasse, o conde acrescentou que, se aquele desafio fosse aceito por ele, infelizmente ele não poderia contar com uma equipe para acompanhá-lo, pois não dispunha de outros missionários. Não haveria também meios de sustentá-lo financeiramente, pois tinha usado todos os recursos para o sustento de outros obreiros. Por fim, cria que talvez nem voltasse, já que o Alasca no século XVIII certamente era uma das regiões mais isoladas e inacessíveis do planeta. Em outras palavras, ele deveria ir só, sem sustento e sem a garantia de voltar. Sem dúvida, esse foi um convite missionário desprovido de atrativos.

Aquele oleiro permaneceu em oração por dois minutos e, por fim, levantou o rosto e respondeu: “Se o senhor conseguir me dar um par de sandálias usadas, amanhã cedo eu partirei”. O conde lhe deu as sandálias.

A história não relata, mas aquele homem certamente não possuía calçados.

No outro dia, Zinzendorf foi à casa dele procurá-lo. Mas chegou tarde, o oleiro já havia partido logo bem cedo, para jamais voltar.

Hoje, de todos os esquimós da Terra, mais de 50% são convertidos ao Senhor Jesus. Isso porque um homem, do qual nem sequer sabemos o nome, pediu apenas um par de sandálias usadas para seguir a Jesus e espalhar o evangelho até o distante Alasca.

Autor Desconhecido

Um apelo ao pecador

"Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção". 1Co 1:30
Seja o que for que pensem, é a coisa mais desarrazoada no mundo deixar de crer em Jesus Cristo, a quem Deus enviou. Por que amigos, por que vocês hão de morrer? Por que não querem vir para Ele, a fim de terem vida? Ah, todos vocês que têm sede, venham às águas da vida e bebam gratuitamente; venham, comprem sem dinheiro e sem preço. 

Se aqueles privilégios abençoados que nosso texto menciona pudessem ser comprados com dinheiro, vocês poderiam dizer: somos pobres, e não podemos comprar; ou se fossem outorgados somente a pecadores de tal categoria ou posição social, vocês poderiam dizer: como poderão pecadores, tais como nós, esperar que sejam tão altamente favorecidos? Entretanto, Deus dá esses privilégios gratuitamente aos piores pecadores. Foram dados a nós, diz o apóstolo — a mim, um perseguidor, a vocês, coríntios, que eram impuros, beberrões, cobiçosos, idolatras. Por isso, cada miserável pecador pode perguntar: por que não a mim, então? Cristo teria uma só bênção para dar? E que dizer se Ele já abençoou a milhares de pessoas, ao desviá-las das suas iniqüidades? 

Todavia, Ele continua o mesmo. Ele vive para sempre a fim de interceder, e, portanto, abençoará a vocês, mesmo a vocês também. Embora, de modo semelhante a Esaú, vocês tenham sido profanos, e até agora tenham desprezado a primogenitura proveniente do seu Pai celestial, mesmo hoje, se crerem, Cristo Se tornará da parte de Deus para vocês "sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção".

George Whitefield
In: Cristo: sabedoria, justificação, santificação, redenção

A Palavra de Deus não está presa

O impacto da Reforma Protestante para o avanço missionário do cristianismo foi muito grande. Podemos dimensionar isso a partir do aspecto teológico. O combate a uma soteriologia enferma e corrompida e a defesa do ensino da Palavra de Deus, que estabelece graça de Deus, acessada pela fé, como critério único e definitivo para a salvação (Efésios 2.8), jogaram por terra as heresias que ameaçavam prender a Salvação ao juízo de Roma. Isso foi determinante na construção da mensagem, bem como da ação missiológica na Europa e, a partir daí, em todo o mundo.

Por outro lado, é muito importante dar à Reforma, mais especificamente a Lutero, o crédito da extraordinária obra de colocar a Bíblia nas mãos das pessoas, o que ele conseguiu fazer ao traduzir as Escrituras, das línguas originais, para o alemão. Até então, o texto mais próximo do entendimento estava em latim (a Vulgata), mas Lutero foi ao hebraico, ao aramaico e ao grego e traduziu a Bíblia para o alemão. Agora o povo podia ler e entender, pela ação do Espírito Santo, o significado da mensagem de Deus. O impacto deste fato em Missões é imensurável.

Apenas estes dois aspectos já bastam para que entendamos o impacto da Reforma Protestante em Missões, pois a um só tempo, a Reforma combateu e derrubou a heresia que ameaçava aprisionar a graça salvadora de Deus ao critério do interesse econômico de Roma e libertou as Escrituras Sagradas do seu monopólio eclesiástico.

Roma arvorou-se guardiã da soteriologia e das Escrituras e de sua hermenêutica. De guardiã, Roma tornou-se controladora, manipuladora, passando até a faturar financeiramente em cima da suposta autoridade que fazia crê que tivesse para dizer quem seria perdoado ou não. Obviamente que, para manter esta pretensa e falsa soberania espiritual, precisou acorrentar a Bíblia à exclusividade sacerdotal e, em muitos casos, exclusivamente papal.

A Reforma cuidou de remover estes grandes obstáculos, facilitando assim o avanço da obra missionária, pregando a salvação pela graça, por meio da fé, a partir do exame pessoal e livre das Escrituras Sagradas, que hoje já está traduzida para centenas de línguas em todo o mundo.

Pr. Lécio Dornas

Deu tudo


Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito. Hb 11.24-26

No final do século passado, na Inglaterra, Charles Studd, um dos maiores desportistas, herdou uma fortuna para a época: 29 mil libras esterlinas. Mas ele não quis. Ficou com medo que esse dinheiro viesse a atrapalhar a sua vida. Resolveu investi-lo nas coisas de Deus. Enviou 5 mil libras para Hudson Taylor, na China; 5 mil para William Booth, fundador do Exército da Salvação e 5 mil para Moody, para que iniciasse o Instituto Bíblico Moody. Studd doou ainda outras importâncias, assim, ficara com somente 3400 libras, com que presenteou a esposa no dia do casamento.

Quando sua esposa recebeu o dinheiro, disse:

- Jesus pediu ao jovem rico que desse tudo.

Então enviaram o restante anonimamente ao General Booth. Depois Charles Studd disse:

- Agora nós nos achamos na privilegiada situação de poder dizer que não "possuímos nem prata nem ouro" (At 3.6).

Tempos depois, Deus chamou Charles Studd para ser missionário na China, e depois na África. Ele fundou a Cruzada de Evangelização Mundial, que hoje tem mais de mil missionários em todo o mundo. Ele foi, como missionário, beneficiado pelo próprio dinheiro que doara.