Mostrando postagens com marcador Avivamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Avivamento. Mostrar todas as postagens

Avivamento verdadeiramente enviado pelo Espírito


Talvez, a minha maior proximidade com um verdadeiro avivamento tenha acontecido na Romênia. Eu comecei a viajar para lá nos anos 80. Eu era um pastor na Alemanha quando fui para a Romênia e vi algo que nunca havia vistro antes. Eu fui para a cidade de Oradea. Lá, estavam alguns crentes que tinham sido aprisionados pela fé. Eu fui pregar numa igreja lá e Deus operou. Eu tinha um grupo de cantores comigo e nós chegamos cerca de duas horas antes do culto começar para arrumarmos o som. Por toda a igreja havia pessoas orando, clamando e chorando baixinho nos bancos. Conforme eu entrei na igreja, eu tive a nítida sensação de que Deus estava ali! Quando o culto começou, não havia espaço para todo mundo. Eles ficaram ao redor do púlpito e fora da igreja para ouvir a Palavra de Deus.


Em 1984, eu voltei para a mesma igreja e preguei lá. O lugar estava lotado; pessoas sentando nos corredores. Muitos conheceram a Cristo naquela noite. Após o culto terminar, um dos líderes da igreja veio a mim e disse: "Irmão Sammy, o Senhor operou?" Eu perguntei: "O que você quer dizer com ‘o Senhor operou’? Por que você está me perguntando isso? Você não viu quantas pessoas estavam na igreja? Você não viu o que aconteceu? Muitos vieram a Cristo! Por que você está perguntando se o Senhor operou?" Ele disse: "Ah, você não sabe. Eu não estava no templo. Eu estava numa outra sala com 100 homens e nós estávamos orando por todo o tempo que você estava pregando. Havia uma outra sala com 100 mulheres e elas também estavam orando enquanto você pregava." Até aquele momento, eu nunca tinha estado em nenhum lugar onde houvesse 100 homens e 100 mulheres orando enquanto eu pregava. 

Ele disse que houve um pastor que foi naquela igreja e ensinou o povo a orar. Ele fez duas coisas: ele ensinou as pessoas a orarem e pediu por arrependimento. Na Romênia, Europa Oriental, os crentes são chamados de "arrependedores". A mensagem do pastor foi: "Os arrependedores devem se arrepender!". A igreja, na verdade, fez uma aliança de arrependimento. Eles se arrependeram pelos pecados que haviam na vida deles e por pecados da igreja. Eles foram quebrantados perante Deus e fizeram uma aliança de arrependimento. 

Então, eles começaram a orar e houve uma explosão; uma ‘dunamis’ dominou o lugar. Dentro de 6 meses, 200 foram batizados. Na Europa Oriental, nos dias do comunismo, ser batizado era muito perigoso. Quando Deus começou a mover, a igreja começou a crescer. Um grande avivamento aconteceu. Ele se espalhou por todo o quadrante nordeste da Romênia. 

O pastor ensinou aquelas pessoas a orarem de uma maneira incomum. Ele disse para orarem para que um dia eles fossem para os grandes estádios da Romênia e proclamassem o Evangelho de Jesus Cristo. Disse para orarem para que um dia, através do rádio e de todos jornais, eles proclamassem o Evangelho de Jesus Cristo. Orem, orem, orem. E eles oraram, oraram, oraram. E, quanto mais eles oraram, mais tenebroso ficou e pior se tornou. Deus estava preparando as pessoas. 

Em 1988, eu estava indo para a Romênia. O trem parou e uns soldados vieram e me tiraram do trem. Me mantiveram sob guarda. Eu fui deportado do país e eles disseram que eu nunca mais colocaria meus pés em solo romeno novamente. 

Meu coração se quebrou, porque eu amo os romenos. Eu tinha um relacionamento tão maravilhoso com eles! Mas, eu sabia que, apesar dos comunistas terem me deportado, eles não podiam deportar o Espírito Santo e, também, não podiam deportar as orações do povo de Deus. Eu recebi uma mensagem, de um dos meus amigos, que simplesmente dizia: "Sammy, continue orando. Lembre-se: a glória de Deus vem do sofrimento. Continue orando". 

Em dezembro de 1989, eu estava visitando minha mãe, na época do Natal, e meu filho veio de onde ele estava assistindo tv e disse: "Pai, você precisa ver o que está passando. Alguma coisa está acontecendo na Romênia". Ao de investigarmos, soubemos que um pastor evangélico havia sido preso. Os crentes de todas as igrejas foram ao apartamento dele e fizeram um círculo ao redor, tentando evitar que o pastor fosse preso pela polícia secreta. A polícia secreta começou a incendiar a multidão, matando homens, mulheres e crianças inocentes. 

Quando o sangue dos mártires começou a correr nas ruas de Timisoara, houve um derramamento da ira de Deus sobre o maligno regime de Ceausescu e um derramamento da glória de Deus sobre Seu povo. Cerca de 200.000 pessoas reuniram-se na praça principal. Eles eram todos ateístas. Eles foram ensinados no ateísmo científico desde o jardim de infância até o doutorado universitário. Eles foram ensinados de que não havia Deus. O pastor da Primeira Igreja Batista ficou de pé perante a multidão e começou a pregar. Conforme ele pregava sobre a cruz de Jesus Cristo, uma dunamis tomou conta do lugar. 

Um amigo meu de Ohio ficou discando 16 horas, tentando falar com Titus, um amigo meu na Romênia. Finalmente, ele conseguiu falar com Titus e ele perguntou: "Titus, você está bem? E sua família? O que está acontecendo?" 

A única coisa que Titus falava era: "A glória de Deus veio sobre meu povo! A glória de Deus veio sobre meu povo! Diga ao Sammy que o que ele vinha orando a tanto tempo finalmente aconteceu! Diga que ele deve voltar!" 

Eu larguei tudo que estava fazendo, peguei um avião e fui para Viena, na Áustria. Uns amigos me buscaram lá e dirigimos pela Hungria até a fronteira romena. Oramos por todo o trajeto, porque sabíamos que meu nome estava no computador. Antes da revolução, a primeira pergunta que eles faziam na fronteira era: "você está trazendo Bíblias? E, se você tivesse carregando Bíblias, estaria com sérios problemas. 

Chegamos na fronteira naquela noite. A revolução ainda estava em processo. Estava frio, escuro e nevando. Nós éramos o único carro no local. Os soldados vieram até o carro. Eles disseram: "Saiam". Nós saímos. Eles fizeram a seguinte pergunta: "Vocês são cristãos?" Meu coração começou a disparar. Eu olhei para aquele soldado e disse: "Sim, senhor, somos cristãos". 

Meu amigo Titus estava esperando no prédio da alfândega. Ele ?. Ele veio e me abraçou e, no mesmo lugar onde me disseram que eu nunca, nunca mais, iria colocar meus pés em solo romeno, nós ajoelhamos e demos a glória, honra e louvor a Jesus Cristo! 

Nós entramos na Romênia e meus olhos viram coisas que eu nunca sonhei que iriam ver. A última vez que estive lá, quando nós íamos na casa de um cristão, nós tínhamos que estacionar o carro longe, bem tarde da noite, e dar uma boa volta, para despistar o lugar para onde estávamos indo para comer. 

Ao caminhar pelas ruas, pessoas que não me conheciam, mas viam que eu era do ocidente, muitas dessas pessoas (não pessoas da igreja, mas pessoas na rua), se juntavam ao meu redor e começavam a gritar: "Deus existe! Deus existe! Deus existe!" O hino dos dias da revolução era uma canção sobre a segunda vinda de Jesus Cristo. Não que todo país tinha se convertido, mas houve uma visita de Deus sobre a nação na qual o espírito do ateísmo, em um momento divino, foi lançado fora do país. 

Sammy Tippit

O avivamento que precisamos

Somos abençoados quando nos aproximamos de Deus através da oração. Sentimos tristeza ao perceber que muitas igrejas demonstram tão pouca importância à oração coletiva. De que maneira receberemos alguma bênção, se nos mostramos negligentes em pedi-la? Podemos aguardar um Pentecostes, se jamais nos reunimos uns com os outros, a fim de esperar no Senhor? Irmãos, nossas igrejas nunca serão melhores, enquanto os crentes não estimarem intensamente a reunião de oração. Mas, estando reunidos para oração, de que maneira devemos orar? Tenhamos cuidado para não cair no formalismo, pois estaremos mortos, imaginando que possuímos vida. Não duvidemos, motivados por incredulidade, ou estaremos orando em vão. Oh! que tenhamos fé imensa, para com ela apresentarmos a Deus grandes súplicas! Temos misturado o louvor e a oração como um precioso composto de especiarias, adequado para ser oferecido sobre o altar de incenso por intermédio de Cristo, nosso Senhor. Não poderíamos agora apresentar- Lhe uma súplica especial, de maior alcance? Parece a mim que deveríamos orar em favor de um verdadeiro e puro avivamento em todo o mundo.

1. Um avivamento genuíno e duradouro. Regozijo-me com quaisquer evidências de vida espiritual, ainda que sejam entusiásticas e temporárias, e não sou precipitado em condenar qualquer movimento bem-intencionado. Contudo, tenho bastante receio de que muitos dos chamados avivamentos, em última análise, causaram mais danos do que benefícios. Uma espécie de loteria religiosa tem fascinado muitos homens, trazendo-lhes repúdio pelo bom senso da verdadeira piedade. Não desejo menosprezar o ouro genuíno, ao desmascarar as falsificações. Longe disso. Acima de tudo, desejamos que o Senhor envie-nos um verdadeiro e duradouro avivamento espiritual. Precisamos de uma obra sobrenatural da parte do Espírito Santo, trazendo poder à pregação da Palavra, motivando com vigor celestial todos os crentes, afetando solenemente os corações dos indolentes, para que se convertam a Deus e vivam. Se este avivamento acontecesse, não seríamos embriagados pelo vinho do entusiasmo carnal, mas cheios do Espírito. Contemplaríamos o fogo dos céus manifestando-se em resposta às fervorosas orações de homens piedosos. Não podemos rogar que o Senhor, nosso Deus, revele seu poderoso braço aos olhos de todos os homens nestes dias de declínio e vaidade?

2. Antigas doutrinas. Queremos um avivamento das antigas doutrinas. Não conhecemos uma doutrina bíblica que, no presente, não tenha sido cuidadosamente prejudicada por aqueles que deveriam defendê-la. Há muitas doutrinas preciosas às nossas almas que têm sido negadas por aqueles cujo ofício é proclamá-las. Para mim é evidente que necessitamos de um avivamento da antiga pregação do evangelho, tal como a de Whitefield e de Wesley. As Escrituras têm de se tornar o infalível alicerce de todo o ensino da igreja; a queda, a redenção e a regeneração dos homens precisam ser apresentadas em termos inconfundíveis.

3. Devoção pessoal. Necessitamos urgentemente de um avivamento da devoção pessoal. Este é, sem dúvida, o segredo do progresso da igreja. Se os crentes perdem a sua firmeza, a igreja é arremessada de um lado para o outro. Quando eles permanecem firmes na fé, a igreja continua fiel ao seu Senhor. O futuro da igreja, nas mãos de Deus, depende de pessoas que na realidade são espirituais e piedosas. Oh! que o Senhor levante mais homens genuinamente piedosos, vivificados pelo Espírito Santo, consagrados ao Senhor e santificados pela verdade! Irmãos, cada um de nós precisa viver, para que a igreja continue viva. Temos de viver para Deus, se desejamos ver a vontade do Senhor prosperar em nossas mãos. Homens consagrados tornam-se o sal da sociedade e os salvadores da raça humana. 

4. Espiritualidade no lar. Necessitamos profundamente do avivamento da espiritualidade no lar. A família cristã era o baluarte da piedade na época dos puritanos; mas, nesses dias maus, centenas de famílias chamadas cristãs não realizam adoração no lar, não estabelecem restrições, nem ministram qualquer disciplina e ensino aos seus filhos. Como podemos esperar que o reino de Deus prospere, quando os discípulos de Cristo não ensinam o evangelho a seus próprios filhos? Ó homens e mulheres crentes, sejam cuidadosos naquilo que fazem, sabem e ensinam! Suas famílias devem ser treinadas no temor do Senhor, e sejam vocês mesmos “santos ao Senhor”. Deste modo, permanecerão firmes como uma rocha no meio das ondas de terror que surgirão e da impiedade que nos assedia.

5. Intenso e consagrado poder. Desejamos um avivamento de intenso e consagrado poder. Tenho suplicado por verdadeira piedade; agora imploro por um de seus mais nobres resultados. Precisamos de santos. Precisamos de mentes graciosas, experimentadas em uma elevada qualidade de vida espiritual resultante de freqüente comunhão com Deus, na quietude. Os santos adquirem nobreza por meio de sua constante permanência no lugar onde se encontram com o Senhor. É aí que adquirem o poder na oração que tanto necessitamos. Oh! que o Senhor levante na igreja mais homens como John Knox, cujas orações causavam à rainha Maria mais terror do que 10.000 soldados! Oh! que tenhamos mais homens como Elias, que através de sua fé abriu e fechou as janelas dos céus! Esse poder não surge por meio de um esforço repentino; resulta de uma vida devotada ao Deus de Israel. Se toda a nossa vida for pública, teremos uma existência insignificante, transitória e ineficaz. Entretanto, se mantivermos intensa comunhão com Deus, em secreto, seremos poderosos em fazer o bem. Aquele que é um príncipe com Deus ocupará uma posição nobre entre os homens, de acordo com a verdadeira avaliação de nobreza. Estejamos atentos para não sermos pessoas dependentes de outras; nos esforcemos para descansar em nossa verdadeira confiança no Senhor Jesus. Que nenhum de nós caia numa situação de infeliz e medíocre dependência dos homens! 

Desejamos ter entre nós crentes firmes e resistentes, assim como as grandes mansões que permanecem, de geração em geração, como pontos de referência de nosso país; não almejamos crentes semelhantes a casas de saibro, e sim a edifícios bem construídos, capazes de suportar todas as intempéries e desafiar o próprio tempo. Se na igreja tivermos um exército de homens inabaláveis, firmes, constantes e sempre abundantes na obra do Senhor, a glória da graça de Deus será claramente manifestada, não somente neles mesmos, mas também naqueles que vivem ao seu redor. Que o Senhor nos envie um avivamento de poder consagrado e celestial! Pregue por intermédio de suas mãos, se você não pode pregar por meio de seus lábios. Quando os membros de nossas igrejas demonstrarem o fruto de verdadeira piedade, imediatamente encontraremos pesso- as perguntando qual a árvore que produz esse fruto. A oração coletiva dos crentes é a primeira parte de um Pentecostes; a conversão dos pecadores, a outra.

Começa somente com “uma reunião de oração”, mas termina com um grande batismo de milhares de convertidos. Oh! que as orações dos crentes se tornem como ímãs para os pecadores! E que o reunir-se de homens piedosos seja uma isca para atrair os homens a Cristo! Venham muitas pessoas a Jesus, porque vêem outros correrem em direção a Ele. “Senhor, afastamos nosso olhar desses pobres e tolos procrastinadores e buscamos a Ti, rogando-Te que os abençoes com o teu onisciente e gracioso Espírito. Senhor, converte-os, e eles serão convertidos! Através de sua conversão, rogamos que um avivamento comece hoje mesmo. Que este avivamento se espalhe por todas as nossas casas e, depois, pela igreja, até que todos os crentes sejam inflamados pelo fogo que desce dos céus!”

Charles Haddon Spurgeon
In: Revista Fé Para Hoje

Pentecostalismo e Calvinismo: alguma relação possível? - II

Este post é parte de um artigo maior. Se ainda não o fez, clique aqui para ler a primeira parte.

O que é pentecostalismo

Visto de forma isolada, o Movimento Pentecostal é o fenômeno religioso de maior destaque do século XX (REID, 199; MENZIES, 2002). Em 1900, o movimento não existia. Cem anos depois, em conjunto com os renovados, o grupo é maior que todos os outros evangélicos somados, ficando atrás apenas da Igreja Católica Romana em números absolutos (BARRET, 1982). Ao invés de se deixar ser tomado pelo triunfalismo, muitos pentecostais reconhecem que a sua influência não tem correspondido ao crescimento numérico, o que tem trazido perigos e desafios. 

Como movimento, o pentecostalismo encontra sua origem no trabalho do evangelista da santidade e pregador de cura divina, Charles F. Parham. Enquanto dirigia uma pequena escola bíblica em Topeka, Kansas, Parham instruiu seus alunos a lerem o livro de Atos em busca de uma evidência bíblica do batismo com o Espírito Santo. A pesquisa chegou a um espetacular resultado quando, no primeiro dia do ano de 1901, uma estudante, Agnes Ozman, falou em línguas (REID, 1990). Embora haja relatos de pessoas falando em línguas antes de 1901 e a terminologia batismo com o Espírito Santo tenha sido usada por evangélicos tradicionais antes disso, o ocorrido em Topeka é significativo por estabelecer a ligação entre batismo com o Espírito Santo como revestimento de poder e a evidência associada ao falar em línguas (MENZIES, 2002). 

Pouco anos depois um pregador negro do movimento de santidade, William J. Seymour foi convencido da experiência pentecostal e passou a pregá-lo em Los Angeles, onde finalmente estabeleceu uma missão pentecostal na Rua Azusa, na qual negros e brancos cultuavam juntos. Devido a localização estratégica de Los Angeles para viagens internacionais e a divulgação pela imprensa local do que acontecia nos cultos da igreja, muitos tiveram conhecimento e contato com a experiência pentecostal, que se espalhou pelo globo, embora manifestações pentecostais tenham surgido em várias regiões do mundo sem uma influência direta de Azusa (MENZIES, 2002).

O movimento pentecostal se distingue de outros ramos do protestantismo por dois pontos doutrinários: a crença no Batismo com o Espírito Santo como experiência distinta da conversão e na atualidade dos dons espirituais, especialmente o falar em línguas. Em geral, os pentecostais adotam uma soteriologia arminiana, são credobatistas, aceitam a cura divina e advogam uma escatologia premilenar. Contudo, tais convicções vieram do contexto onde o pentecostalismo surgiu e não são essenciais à pneumatologia pentecostal.

O Batismo com o Espírito Santo é definido como a experiência definitiva, subsequente à salvação, na qual a terceira pessoa da Divindade vem sobre o crente para ungir e conceder poder para o serviço (DUFFIEND, 1983). A experiência é relatada no Novo Testamento como o Espírito “caindo sobre”, “vindo sobre” ou sendo “derramado sobre” o crente, de forma repentina e sobrenatural. Os cristãos tradicionais enfatizam o aspecto soteriológico da obra do Espírito Santo (com o que os pentecostais concordam), e consideram o batismo com o Espírito Santo como experiência inseparável da regeneração, definindo-o como o ato do Espírito de Deus que coloca os crentes no Corpo de Cristo, a Igreja (KARLEEN, 1987). Os pentecostais enfatizam a separalidade e, não raro, a subsequência do batismo com o Espírito Santo em relação à experiência da conversão, recorrendo aos relatos de Atos para demonstrar que os que receberam o batismo com o Espírito Santo eram crentes, tinham se arrependido e entrado numa nova vida com Cristo antes disso (HORTON, 1996).

Apesar do Batismo com o Espírito Santo e o falar em línguas estarem relacionado entre si, expressando a singularidade da origem do movimento pentecostal (MENZIES, 2002), são questões separadas. Há quatro posições possíveis relacionadas ao Batismo com o Espírito Santo e com o falar em línguas como sinal (HORTON, 1996). Já nos referimos aos tradicionais que consideram o Batismo com o Espírito Santo indistinto da conversão, para estes não há evidência inicial, como o falar em línguas. Para os Unicistas, que também consideram o Batismo com o Espírito Santo como parte da conversão, o falar em línguas é evidência inicial obrigatória (JACKSON, 1984). Há os grupos que consideram o Batismo com o Espírito Santo usualmente como posterior à conversão, mas que nem sempre são acompanhadas do falar em línguas, como a Igreja O Brasil Para Cristo (CONVENSUL, sd). Finalmente, há os que defendem o Batismo com o Espírito Santo geralmente após a regeneração e sempre acompanhado do falar em línguas, posição das igrejas Assembléias de Deus (CPAD, sd). Mesmo estes últimos admitem outras evidências do Batismo com o Espírito Santo, como o fruto do Espírito, várias manifestações carismáticas e o poder dinâmico do Espírito Santo na vida do crente (HORTON, 1996). De qualquer modo, os pentecostais em geral creem na atualidade do dom de falar em línguas, seja como sinal inicial, seja como evidência contínua. 

O dom de línguas é o dom do Espírito Santo que consiste em habilitar uma pessoa para falar num idioma que não é seu (LOCKWARD, 2003). A exata natureza do dom de línguas é matéria controversa. Para os primeiros pentecostais, tratava-se de hetero-glossolália, a capacidade de falar idiomas desconhecidos por quem fala, mas compreensíveis para os ouvintes. Agnes Ozman falou o idioma chinês e outros alunos falaram em cerca de outros 20 idiomas diferentes. Para a maioria dos pentecostais, contudo, o dom de línguas é glossolália, a capacidade de falar num idioma desconhecido, tanto para quem fala quanto para quem ouve, daí a necessidade do dom de interpretar (DEIROS, 1997). O dom de línguas é utilizado para expressar adoração a Deus ou para pronunciar mensagens proféticas, neste último caso, por poucas pessoas e sucessivamente, sempre se fazendo acompanhar do dom de interpretação.


Precisamos de um Reavivamento


A maior necessidade de nossos dias é esta: Reavivamento. Precisamos do item real - o despertamento que desça sobre nossas congregações, que jazem no sono da morte, e coloque-nos de joelhos diante do Deus vivo.

A palavra Reavivamento evoca diferentes idéias a diferentes povos. No Sul dos Estados Unidos, onde vivo, significa uma semana de encontros na igreja, dirigida por um poderoso evangelista. Cada um destes reavivamentos tem como prioridade alcançar os ímpios para Cristo.

Tudo isto é ótimo. Mas é Reavivamento? Evangelismo não é Reavivamento. É regeneração. Reavivamento é o fortalecimento dos crentes na igreja. Alcançar os não-salvos é o subproduto do Reavivamento. Este é o trabalho soberano de Deus em seu próprio povo, trazendo completo fervor espiritual aos corações dormentes. J.I. Packer define Reavivamento como a visitação de Deus que traz vida aos cristãos dormentes. Somente o Reavivamento restaura-nos o profundo senso da presença e da santidade de Deus. Tão somente este movimento do Espírito, reaviva o senso de pecado e o profundo exercício do arrependimento no coração de cada crente. Também reaviva a adoração e o amor com transbordamento evangelístico.

Stephaen Olford escreve: “Reavivamento é aquele trabalho extraordinário e soberano de Deus, onde Ele visita as pessoas - restaurando, reanimando e libertando-as com suas completas bênçãos". Tal intervenção acarretará em evangelismo. E o trabalho de Deus entre os crentes, individualmente.

Um trabalho soberano e misterioso de Deus.Exatamente como o novo nascimento. Não pode ser coagido ou manipulado. É trabalho sobrenatural de Deus em sua igreja restaurando sua pureza perdida, devoção e poder. O Reavivamento restaura a saúde da vida espiritual da Igreja. É o trabalho de renovação, purificação e reabastecimento do Espírito Santo na vida da Igreja.

Na realidade, Reavivamento é o momento da visitação divina. E uma invasão do céu que manifesta a presença e o poder de Deus na Igreja. Acarreta uma renovação da consciência quanto à espantosa santidade do Senhor que produz santidade na Igreja.

Steven J. Lawson
Alerta Final


A necessidade da presente hora


Atualmente o mundo precisa de novo, desesperadamente, de um avivamento espiritual. Esta é a única esperança para a sobrevivência da raça humana.

Em meio aos problemas sem fim que o mundo enfrenta, os cristãos estão estranhamente silenciosos e impotentes, quase vencidos pelas ondas do secularismo. Mas os cristãos devem ser o "sal da terra" (Mt 5:13), protegendo o mundo em decadência de mais podridão. Eles devem ser a "luz do mundo" (Mt 5:14), iluminando a escuridão que o pecado produz, servindo de guia para um mundo que se perdeu do caminho. Nós devemos ser: "Filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo" (Fp 2:15).

Por que não somos "sal" e "luz", como deveríamos? Por que não estamos fazendo muito mais para levar o reino de Deus aos corações e às vidas das pessoas? Sem dúvida temos muitos exemplos de cristãos que foram tocados por Deus e estão, por sua vez, tocando a vida de outros para levá-los a Cristo. Mas para cada exemplo destes há muito mais cristãos que vivem derrotados e sem alegria. Não têm vitória sobre o pecado nem sucesso no testemunhar. Causam pouco impacto sobre os que vivem ao seu redor, quanto ao Evangelho.

Então, se a maior necessidade no nosso mundo é sentir os efeitos de um avivamento, a maior necessidade da Igreja de Cristo no mundo todo hoje é experimentar o toque do Espírito Santo, trazendo "reavivamento" e "renovação" verdadeiros à vida de incontáveis cristãos.

Billy Graham
O poder do Espírito Santo

Senhor, envia-nos avivalistas!

Atualmente, as nações do Ocidente estão quebradas, quebradas financeira, moral e espiritualmente. Se tivéssemos a metade da espiritualidade que achamos que temos, iríamos à casa de Deus em pano de saco com um punhado de cinzas para ungir nossas cabeças indignas. 

Porém, preferimos brincar de igreja. Ainda temos prazer em pregações rasas e oferecemos orações mais rasas ainda. Nosso pano de saco e cinzas seriam menos notáveis do que quando Isaías andou despido e descalço (como escravo) por três anos como sinal. 

Jeremias lamentou o pecado do povo. Sua recriminação da iniquidade deles lhe custou um tempo na prisão, no tronco e no fundo de um poço de lama. Mas ele sabia que não valia a pena dizer “paz, paz”, quando não haveria paz. Só ele sabia como seria o iminente juízo de Deus sobre a nação. Precisou permanecer sozinho por causa da ira de Deus (Jr 15.17). 

Que Deus nos dê homens que esperem no Senhor, que ouçam sua voz, que recebam um batismo de poder do alto e a autoridade de entregar a mensagem divina a uma igreja doente e um mundo moribundo. 

Temos batalhado na carne por tempo demais. Temos interpretado o sucesso em termos de ganho material – prédios maiores para nossas igrejas, multidões maiores para nos ouvir, ofertas maiores como provas do favor divino. Há muito, temos pregadores fracos – que Deus nos dê gigantes! Tivemos muitos promotores de vendas; que o Senhor nos dê avivalistas. Temos feito o evangelismo com centenas de truques: que Deus nos dê, nesta hora escura da História humana, alguns João Batistas para arder e brilhar, alguns homens como Knox que digam: “Dá-me Escócia, ou Inglaterra, ou Brasil, senão eu morro!”

Leonard Ravenhill, 1907-1994

Avivamento ou Reforma? 2Cr 34:1-35:1

Nós precisamos de um avivamento ou de uma reforma? A pergunta induz ao erro de pensarmos que as duas coisas são alternativas independentes ou até mutuamente excludentes. Mas reforma e avivamamento estão tão intimamente ligados que fica difícil estabelecer os limites entre eles e é impossível anelar por um sem querer experimentar a outra. Pois reforma começa com avivamento interior e avivamento sem reforma não é avivamento. Portanto, avivamento e reforma são quase que intercambiáveis.

Estou entre os que anseiam por um verdadeiro avivamento e estou ciente de que isso não se dará à parte de uma nova reforma. Podem ocorrer simultaneamente, ou então de forma sucessiva, mas certamente ocorrerão interligadas. O resultado de uma reforma é avivamento e o teste do verdadeiro avivamento é haver reforma. Pois avivamento da perspectiva de Deus é o céu invadindo a igreja e tornando-a consciente da presença do Senhor. Da perspectiva humana, reconhecer a presença de Deus é voltar ao primeiro amor por Jesus e consequentemente, à mudança de vida. Isso o que ocorreu nos dias de Lutero, e bem antes dele, nos dias do rei Josias.

Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, Na Alemanha. Era filho de um mineirador de prata, de classe média. Estudou para ser advogado, mas tornou-se monge agostiniano. Descobriu a justificação pela fé na Carta aos Romanos e isso o colocou em rota de colisão com a Igreja Romana e sua venda de indulgências. Em 31 de outubro de 1517, fixou as conhecidas 95 Teses na porta da Igreja em Witenberg, marcando o início do movimento que passaria à história como Reforma Protestante, da qual comemoramos hoje 494 anos.

Josias foi o 16o rei de Judá, neto Manassés e filho do ímpio Amon. Era de se esperar que um garoto colocado no trono aos oito anos de idade viesse a seguir o caminho mau de seus antecessores. Mas aos 16 anos “sendo ainda moço, começou a buscar o Deus de Davi, seu pai” e aos 20 “começou a purificar a Judá e a Jerusalém” (2Cr 34:3) expurgando o falso culto e reestabelendo a verdadeira adoração ao único Deus vivo e verdadeiro. Em comum, Josias e Lutero tem o encontro com um livro que estava perdido: a Bíblia Sagrada. Da experiência deles, tiramos lições para o avivamento e reforma necessários.

A reforma de Josias começou com a descoberta da Lei do Senhor. "E, tirando eles o dinheiro que se tinha trazido à casa do SENHOR, Hilquias, o sacerdote, achou o livro da lei do SENHOR, dada pela mão de Moisés" (2Cr 34:14). Não quero alegorizar, mas chama atenção que o livro estivesse escondido sob montes de dinheiro e vejo um paralelo com nossa época, em que o dinheiro tem levado muitos a esconder a Palavra do povo. Nos dias de Lutero, fazia-se o comércio de indulgências, arrecadando-se dinheiro para construir a basílica de São Pedro. E proibia-se o livre exame das escrituras.

O livro encontrado não foi exposto como uma relíquia, mas lido, inclusive aos ouvidos do rei. "Além disto, Safã, o escrivão, fez saber ao rei, dizendo: O sacerdote Hilquias entregou-me um livro. E Safã leu nele perante o rei" (2Cr 34:18). Nunca os crentes tiveram tanta disponibilidade de Bíblias como hoje. São traduções e versões para os mais variados gostos, sem contar as inúmeras Bíblias de Estudo e as disponíveis eletronicamente. Porém, a leitura devocional e o exame cuidadoso das Escrituras tem sido negligenciado. A formação espiritual de nosso povo é feito à base de louvores com a profundidade de um pires e chavões de vendilhões do templo.

Mas, se lida, a Escritura produz resultados e um deles é o quebrantamento do coração, o primeiro sinal do avivamento iminente. “Sucedeu que, ouvindo o rei as palavras da lei, rasgou as suas vestes” (2Cr 34:19). A Bíblia é a ferramenta que o Espírito utiliza para trazer convicção do pecado “porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4:12) e para levar ao arrependimento e confissão dos pecados “porque grande é o furor do SENHOR, que se derramou sobre nós; porquanto nossos pais não guardaram a palavra do SENHOR, para fazerem conforme a tudo quanto está escrito neste livro” (2Cr 34:21).

Lutero percebeu isso. Ele disse certa vez: “simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus; não fiz mais nada... a Palavra fez tudo”. Se os pregadores de hoje tão somente pregassem a Palavra de Deus, com ardor e fidelidade, o povo seria conduzido ao arrependimento e estaria pronto para o avivamento.

Uma vez a Bíblia redescoberta e lida, precisa ser obedecida. Primeiro, Josias proclamou a Palavra: “Então o rei mandou reunir todos os anciãos de Judá e Jerusalém. E o rei subiu à casa do SENHOR, com todos os homens de Judá, e os habitantes de Jerusalém, e os sacerdotes, e os levitas, e todo o povo, desde o maior até ao menor; e ele leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro da aliança que fora achado na casa do SENHOR” (2Cr 34:29-30). Importante notar que a Palavra foi anunciada a todos, independente de classe social, ofício, sexo, faixa etária. E não deve passar despercebido que foram anunciadas “todas as palavras do livro”. Toda Escritura anunciada a todas as pessoas, este é o objetivo dos ministros do evangelho.

Com isso, o povo é levado a renovar a sua aliança com o Deus de seus pais. “E pôs-se o rei em pé em seu lugar, e fez aliança perante o SENHOR, para seguirem ao SENHOR, e para guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o seu coração, e com toda a sua alma, cumprindo as palavras da aliança, que estão escritas naquele livro. E fez com que todos quantos se achavam em Jerusalém e em Benjamim o firmassem; e os habitantes de Jerusalém fizeram conforme a aliança de Deus, o Deus de seus pais” (2Cr 34:31-32). O compromisso foi renovado. Tinham voltado ao primeiro amor, estavam dispostos a serem fiéis, e o foram, pelo menos durante o reinado de Josias.

Consequentemente, a verdadeira adoração foi purificada. Josias retirou do culto, tudo aquilo que estava errado. “E Josias tirou todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos de Israel; e a todos quantos se achavam em Israel obrigou a que servissem ao SENHOR seu Deus. Enquanto ele viveu não se desviaram de seguir o SENHOR, o Deus de seus pais” (2Cr 34:33). Ao mesmo tempo, restaurou o que era certo e estava esquecido. “Então Josias celebrou a páscoa ao SENHOR em Jerusalém; e mataram o cordeiro da páscoa no décimo quarto dia do primeiro mês” (2Cr 35:1). Josias promoveu a maior limpeza em todo o reino, mas não fez apenas a destruição da idolatria, restabeleceu o verdadeiro culto a Deus, como Ele havia prescrito em Sua Palavra.

O que Deus fez nos dias de Josias e também nos dias de Lutero, pode fazer nos dias de hoje. Mas assim como Ele fez através de pessoas como Josias e Lutero, quer fazer através de nós. É claro que não precisa de nós, como não precisava de Josias e Lutero. Mas Ele decidiu não agir diretamente, mas através de instrumentos fracos como nós. Os passos que devemos dar estão bem delineados: primeiro, buscar a Deus em nossos corações, segundo ler e deixar-se influenciar por Sua Palavra e terceiro, estar disposto a obedecer a qualquer custo o que ele nos manda fazer. Quando isso for feito, o avivamento virá, ou talvez seja melhor dizer, já terá vindo.
Soli Deo Gloria

Ministérios opostos ou complementares?

Há algo que vem me intrigando ao longo destes anos. Ao observar vários ministérios com um carisma atuante, especialmente no que se refere à cura e expulsão de demônios, noto que estes não demonstram profundidade no conhecimento e no ensino da Palavra. As mensagens que expõem são sempre as mesmas e em torno da prática de seu próprio ministério, cuja ênfase é a salvação e não raramente inclui o dinheiro como um assunto central. Na mesma proporção, os que expõem a palavra demonstrando deter um conteúdo profundo são, por vezes, vazios quanto a agir em favor de cura de enfermidades e de expulsão de demônios.

Sei que devo aceitar de antemão que o Espírito Santo distribui de maneira diferente seus dons, conforme lhe apraz e, evidentemente, não seria benéfico ao corpo que uma só pessoa acumulasse todos os dons. Daí a necessidade de os ministérios agirem de maneira complementar. No entanto ambos caminham com uma atitude de menosprezo ao outro e agem como se se bastassem a si mesmos. Por não compreenderem a falta que têm um do outro, evidencia-se o prejuízo dessa caminhada dicotômica, pois os praticantes do ministério de cura e libertação estão, de uma maneira geral, resvalando em exageros, apelando ao sincretismo religioso brasileiro, em detrimento do embasamento bíblico. Já aqueles que exercem o “ministério da Palavra” tornam-se tão acadêmicos que a fé parece ser absolutamente teórica, alimentando-se apenas de discursos (perfeitamente alicerçados na Bíblia), fazendo parecer que o Reino de Deus é algo dissociado dos eventos terrenos.

Não bastasse o desprezo de um pelo outro, não são raras as vezes em que se digladiam em acusações mútuas e públicas, criticando, de um lado, o show e, de outro, o discurso vazio, sem qualquer contribuição para o Reino de Deus, além de lançar ainda mais confusão entre os não convertidos.

Minhas reservas aumentam na medida em que assisto na televisão aos espetáculos de cura e libertação, mas não ouso cerrar fileira com os críticos, por uma simples razão: não possuo uma alternativa para resolver os problemas daqueles pobres angustiados que, depois de muito peregrinarem em busca de uma solução, encontram no sobrenatural um alívio para suas aflições e, pelo que me parece, de forma satisfatória a eles. Imagino o que deve significar alguém se livrar de um demônio que por anos a fio se apossou de seu corpo. Em minha perplexidade, não poucas vezes senti-me tentado a buscar explicação teológica na psicologia ou parapsicologia para aquilo que eles chamam de fenômenos. Afinal não há como negar que os mesmos ministros que são usados para operar sinais e maravilhas também cometem desvios grosseiros à sã doutrina.

Fico embevecido quando leio ou ouço pessoas, igualmente cheias do Espírito Santo, discorrerem sobre o propósito eterno de Deus, apresentando sua atuação na história e conduzindo a explanação com segurança, tornando compreensível o papel que nos cabe cumprir em dado momento. Se o assunto é comunhão com Deus, as palavras ficam ecoando em meu coração e me acompanham aonde quer que eu esteja. Mas, de repente, encontro, como ocorreu com Pedro e João na porta do Templo chamada Formosa, alguém que necessite da manifestação do Reino de Deus não apenas em palavras, mas também em poder; a frustração, então, toma conta, e fico perguntando a Deus: até quando sofreremos?

Quando João Batista mandou perguntar a Jesus se era ele mesmo que haveria de vir ou se deveria esperar outro, Jesus respondeu que os doentes eram curados, demônios expulsos e o evangelho pregado. Tanto em Jesus como nos apóstolos havia uma integralidade entre o ministério da Palavra e a cura e expulsão de demônios. Não se tratava de escolher entre isto ou aquilo, mas de um e outro juntos: pregação e sinais, andando de mãos dadas.

Não há dúvidas de que o ministério da palavra precisa, novamente, andar junto com o de cura e libertação. Isso tanto evitará desvios aos que praticam a cura e a libertação como também fará com que o ensino da palavra deixe de ser insosso. Mas, para isso acontecer, será necessária uma dose de humildade, sabendo que a teologia não explica tudo e que, ao mesmo tempo, se não houver visão, o poder se corrompe.

O desprezo e o combate de um ao outro só tem exacerbado ainda mais as deficiências e os erros. Alguém precisa dar o primeiro passo ao encontro do outro. Isso será mais proveitoso do que tentarmos estigmatizar a ênfase oposta, com atitudes como proibir alguém de atuar no ministério porque não anda conosco ou porque não pensa como nós. Que maravilhoso seria ver os cristãos realmente sentindo necessidade uns dos outros e tendo a oportunidade de usar dons tão diferentes, mas tão importantes, para se complementarem e não para competirem! Seria demais sonhar e orar para isso acontecer?

Pedro Arruda

Revestimento de poder


Nesta seção consideraremos os seguintes fatos concernentes à dotação de poder: seu caráter geral, seu caráter especial, sua evidência inicial, seu aspecto continuo, e a maneira de sua recepção.

As seções anteriores trataram da obra regeneradora e santificadora do Espírito Santo; nesta seção trataremos de outro modo de operação: sua obra vitalizante. Esta última fase da obra do Espírito é apresentada na promessa de Cristo: "Mas recebereis a virtude do Espírito, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas" (Atos 1:8).

1) A característica principal dessa promessa é poder para servir e não a regeneração para a vida eterna. Sempre que lemos acerca do Espírito vindo sobre, repousando sobre, ou enchendo as pessoas, a referência nunca é à obra salvadora do Espírito, mas sempre ao poder para servir.

2) As palavras foram dirigidas a homens que já estavam em relação íntima com Cristo. Foram enviados a pregar, armados de poder espiritual para esse propósito (Mat. 10:1); a eles foi dito: "os vossos nomes estão escritos nos céus" (Luc. 10:20); sua condição moral foi descrita nas palavras: "Vos já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado" (João 15:3); sua relação com Cristo foi ilustrada com a figura: "Eu sou a videira, vós as varas" (João 15:5); eles conheciam a presença do Espírito com eles (João 14:17); sentiram o sopro do Cristo ressuscitado e ouviram-no dizer: "recebei o Espírito Santo" (João 20:22). Os fatos acima mencionados demonstram a possibilidade de a pessoa estar em contato com Cristo e ser seu discípulo, e, contudo, carecer do revestimento especial mencionado em Atos 1:8. Pode-se objetar que tudo isso se refere aos discípulos antes do Pentecoste; mas em Atos 8:12-16 temos o caso de pessoas batizadas em Cristo que receberam o dom do Espírito alguns dias depois.

3) Acompanhando o cumprimento dessa promessa (Atos 1:8) houve manifestações sobrenaturais (Atos 2:1-4), das quais, a mais importante e comum foi o milagre de falar em outros idiomas. Que essa expressão oral, sobrenatural, acompanhou o recebimento do poder espiritual é declarado em dois outros casos (Atos 10:44-46; 19:1-6) e infere-se de mais outro caso. (Atos 8:14-19.)

4) Esse revestimento é descrito como um batismo (Atos 1:5). Quando Paulo declara que somente há um batismo (Ef 4:5), ele se refere ao batismo literal nas águas. Tanto os judeus como os pagãos praticavam as lavagens cerimoniais, e João Batista havia administrado o batismo nas águas para arrependimento; mas Paulo declara que agora somente um batismo é válido diante de Deus, a saber, o batismo autorizado por Jesus e efetuado em nome da Trindade — em outras palavras, o batismo cristão. Quando a palavra "batismo" é aplicada à experiência espiritual, é usada figurativamente para descrever a imersão no poder vitalizante do Espírito Divino. A palavra foi usada figuradamente por Cristo para descrever sua imersão nas inundações de sofrimento. (Mat. 20:22.)

5) Essa comunicação de poder é descrita como ser cheio do Espírito. Aqueles que foram batizados com o Espírito Santo no dia de Pentecoste também foram cheios do Espírito.

Myer Pearlman
In: Conhecendo as Doutrinas da Bíblia

A promessa do batismo com o Espírito Santo

“Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” At 2:39

O batismo com o Espírito Santo como experiência separada da conversão é uma doutrina distintiva do pentecostalismo. Como muitos não pentecostais admitem a atualidade dos dons espirituais, inclusive os de expressão verbal e o de cura, a separalidade do batismo com o Espírito Santo passa a representar o principal ponto que identifica um pentecostal. Neste artigo, vamos nos ocupar dessa doutrina, a partir da declaração de Pedro destacada acima.

A tese a ser defendida aqui é que a promessa referida pelo apóstolo é o batismo com o Espírito Santo. Uma vez demonstrado este ponto, argumentaremos em favor de sua separalidade em relação à conversão e da sua disponibilidade para os crentes de hoje. Evidentemente, no espaço que dispomos não será possível um tratamento com a profundidade necessária, mas pretendemos, mais que fazer uma apologia, esclarecer que a fé pentecostal funda-se em argumentos bíblicos e não em meras experiências. 

Que a promessa de At 2:39 é o batismo com Espírito Santo é facilmente demonstrável a partir do contexto imediato, ou seja, o próprio discurso de Pedro. O versículo imediatamente anterior à declaração acima diz “arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38). A promessa é o recebimento do Espírito Santo. Mais uns versos atrás Pedro havia dito que Jesus “tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis” (At 2:33). O prometido era o Espírito Santo. E voltando para o início do discurso, temos a referência à promessa feita através do profeta Joel, que continha as palavras “e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão” (At 2:18). 

Entretanto, Pedro não aduzia apenas à promessa feita pelo profeta Joel, haja vista que ele sabia que o ocorrido era o cumprimento da promessa feita pelo próprio Jesus Cristo. Lucas registra que Jesus “estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1:4-5). O próprio Lucas havia registrado as palavras de Jesus “eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24:49). A mesma promessa fora dada anteriormente pelo ministério de João Batista: “eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo” (Mc 1:8). 

Da consideração das passagens bíblicas acima resulta que a promessa do Pai feita através do profeta Joel e reafirmada por Jesus era o batismo com o Espírito Santo. E que quando Pedro fez referência à promessa em seu discurso, estava falando da experiência do batismo com o Espírito Santo. 

Tendo estabelecido que a promessa do Pai é o batismo com o Espírito Santo, convém agora analisar a sua natureza, especialmente quanto ao aspecto de ser ele uma experência distinta e logicamente posterior à conversão. Embora este ponto também seja evidente nos textos apresentados, ele representa a principal dificuldade para aceitação do batismo com o Espírito Santo pelos não pentecostais, mesmo os continuístas. Talvez na origem dessa rejeição esteja um mal entendido quanto à regeneração, que precisa ser esclarecido. 

Os pentecostais não crêem que no batismo com o Espírito Santo a pessoa recebe o Espírito pela primeira vez, o que implicaria uma regeneração sem a operação sobrenatural da terceira pessoa da Trindade, o que nenhum pentecostal acredita. Embora a maioria deles creiam que a fé precede a regeneração, isso se deve ao arminianismo que predomina no meio pentecostal, e não por causa do batismo com o Espírito Santo. O fato é que os pentecostais crêem que a regeneração é uma obra do Espírito Santo e que desde o momento que crê, o crente passa a ser morada do Espírito Santo. 

No batismo pentecostal o Espírito Santo não é recebido como poder salvífico, o que ocorre na regeneração, e sim como poder capacitante para o serviço. Ou seja, o batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder, visando a obra a ser feita. “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (At 1:8) foi dito em conexão com a promessa do batismo com o Espírito Santo. 

Que o batismo com o Espírito Santo não se confunde com o novo nascimento fica claro quando consideramos que a promessa foi feita a crentes, ou seja, pessoas que já haviam sido regeneradas: “vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15:3), já haviam experimentado a “lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3:5) quando receberam a ordem “ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24:49). O derramamento do Espírito Santo veio sobre crentes, pois “todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos” (At 1:14) quando a promessa se cumpriu. Sendo assim, o batismo com o Espírito Santo foi uma experiência distinta da conversão, o que pode ser dito também de outras ocorrências em Atos dos Apóstolos. 

Finalmente, resta-nos analisar se o batismo com o Espírito Santo no Pentecostes é um evento histórico único ou recorrente até os dias de hoje. Se olharmos para a palavras de Pedro colocadas em epígrafe, a conclusão inevitável é que o batismo com o Espírito Santo, como promessa do Pai, não se limita àquele dia em Jerusalém. “A promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” foram as palavras de Pedro. Uma promessa mais inclusiva, impossível. Incluía os que estavam naquele dia em Jerusalém, os filhos deles, alguns provavelmente tendo ficado em suas cidades de origem, os que não estavam presentes, enfim a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar”, vale dizer, todos os crentes em todos os lugares a partir daquele momento! 

Isto é reforçado por dois fatos. A duração dos “últimos dias” e os relatos posteriores de Atos dos Apóstolos. O período denominado “últimos dias” compreende do dia de Pentecostes até a volta do Senhor. Os sinais preditos por Joel e repetidos por Pedro não se cumpriram na sua totalidade, havendo detalhes que somente ocorrerão imediatamente antes ou no momento da vinda do Senhor: “e farei aparecer prodígios em cima, no céu; e sinais em baixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor” (At 2:19-20). Portanto, ainda nos encontramos nos “últimos dias”, nos quais o batismo com o Espírito Santo ocorreria. Além disso, há relatos de outros “pentecostes” no próprio livro de Atos, o que desfaz o argumento de um único evento histórico, mesmo quando se considera que os eventos seguintes foram desdobramentos do primeiro. 

Mais poderia ser dito sobre o batismo com o Espírito Santo como promessa aos crentes de todas as épocas. Mas seria alongar o artigo que já ficou muito maior que o recomendável. Mesmo assim, coloco-me a disposição para complementar o que foi dito acima com argumentos bíblicos que expandem e aprofundam o que já foi exposto. 

Soli Deo Gloria