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A importância dos mestres na igreja

Vivemos em dias quando a evangelização das multidões interessa mais que a sã doutrina e a busca dos tesouros da Palavra por meio de uma exegese exata da mesma. Mas a experiência prova que não é possível chegar a formar igrejas (e grupos de igrejas) estáveis se o trabalho do evangelista não é seguido pelo ensinamento dos mestres e cuidado dos pastores (Ef 4:11-15).

Quando míngua o natural entusiasmo que se desperta ao ver como as almas confessam ao Senhor (algumas com coração sincero e outras levadas por excitação carnal), sobreveem os problemas da vida cristã, que se desenvolve em meio a circunstâncias adversas e enganos deste mundo. Se então não há quem dê de comer aos recém nascidos, primeiro "leite" da Palavra e depois "manjar sólido", o fogo do entusiasmo se torna na fumaça acre de confusões, divisões e mau testemunho de muitos que ainda tomam o nome do Senhor em seus lábios.

Faz falta a disciplina e o treinamento em justiça que só se consegue pela Palavra ensinada no poder do Santo Espírito, por servos de Deus dotados para esse ministério, e que sejam respeitados e ouvidos pelas crianças e neófitos (2Tm 3:14-17; 2:2,11).

Ai das igrejas que carecem de mestres, ou que, tendo-os, desprezam seu ministério!

Ernest Trenchard.
In: Normas de interpretación biblica.
Tradução livre: CincoSolas

Os ofícios na igreja

Cremos que os ministros da palavra de Deus, os presbíteros e os diáconos devem ser escolhidos para seus ofícios mediante eleição legítima pela igreja, sob invocação do nome de Deus e em boa ordem, conforme a palavra de Deus ensina [1].

Por isso, cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício por meios ilícitos, mas deve esperar a hora em que é chamado por Deus, a fim de ter, assim, a certeza de que sua vocação vem do Senhor [2].

Quanto aos ministros da Palavra, eles têm, onde quer que estejam, igual poder e autoridade, porque todos são servos de Jesus Cristo [3], o único Bispo universal e o único Cabeça da igreja [4].

Além disto, a santa ordem de Deus não pode ser violada ou desprezada. Dizemos, portanto, que cada um deve ter respeito especial pelos ministros da Palavra e presbíteros da igreja, em razão do trabalho que realizam [5]. Cada um deve viver em paz com eles, tanto quanto possível, sem murmuração, contenda ou discórdia.

1 At 1:23,24; At 6:2,3. 2 At 13:2; 1Co 12: 28; 1Tm 4:14; 1Tm 5:22; Hb 5:4. 3 2Co 5:20; 1Pe 5:1-4. 4 Mt 23:8,10; Ef 1:22; Ef 5:23. 5 1Ts 5:12,13; 1Tm 5:17; Hb 13:17.

Confissão de Fé Belga
Artigo 31

O governo da igreja

Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada conforme a ordem espiritual, que nosso Senhor nos ensinou na sua Palavra [1]. Deve haver ministros ou pastores para pregarem a Palavra de Deus e administrarem os sacramentos [2]; deve haver também presbíteros [3] e diaconos [4] para formarem, com os pastores, o conselho da igreja [5]. Assim, eles devem manter a verdadeira religião e fazer com que a verdadeira doutrina seja propagada, que os transgressores sejam castigados e contidos, de forma espiritual, e que os pobres e os aflitos recebam ajuda e consolação, conforme necessitam [6].

Desta maneira, tudo procederá, na igreja, em boa ordem, quando forem eleitas pessoas fiéis [7], conforme a regra do apóstolo Paulo na carta a Timóteo [8].

1 At 20:28; Ef 4:11,12; 1Tm 3:15; Hb 13:20, 21. 2 Lc 1:2; Lc 10:16; Jo 20:23; Rm 10:14; 1Co 4:1; 2Co 5:19,20; 2Tm 4:2. 3 At 14:23; Tt 1:5. 4 1Tm 3:8-10. 5 Fp 1:1; 1Tm 4:14. 6 At 6:1-4; Tt 1:7-9. 7 1Co 4:2. 8 1Tm 3.

Confissão de Fé Belga
Artigo 30

As convicções da pregação bíblica

Para realizar a árdua tarefa de serem pregadores da Bíblia, homens e mulheres no ministério precisam estar comprometidos com certas verdades. 

1) A Bíblia é a Palavra de Deus. Como Agostinho o coloca: “Quando a Bíblia fala, Deus fala". Essa e a convicção de que se eu posso realmente entender uma passagem em seu contexto, então o que eu sei é o que Deus quer dizer (eu não penso que muitos evangélicos, assim como muitos liberais, acreditem nisso).

2) Toda a Bíblia é a Palavra de Deus. Não apenas Romanos ou Levítico, não apenas Efésios ou Ester. Não apenas as passagens "quentes", mas também as "frias".

3) A Bíblia é auto-atestatória. Se pessoas podem ser expostas a um entendimento das Escrituras de maneira regular e constante, então elas não precisam de argumentos a respeito da veracidade das Escrituras. Portanto, um ouvinte ou leitor não precisa aderir totalmente à ideia dos dois primeiros compromissos para que Deus possa trabalhar na vida dessa pessoa por meio de sua Palavra.

4) Isso conduta uma abordagem da pregação do tipo: “Assim diz o Senhor”. Não estou me referindo a um método homilético aqui, mas a um desejo de abrir as Escrituras de modo que a autoridade da mensagem se apoie na Bíblia (isso funciona contra o espírito contrário à autoridade de nossa sociedade). 

5) O estudante da Bíblia precisa tentar chegar à intenção do autor bíblico. A primeira questão é: “O que o autor bíblico queria dizer ao leitor da Bíblia? Por quê?”. A teoria da Reação do Leitor adotada por muitos estudiosos literários hoje em dia não funciona no estudo da Bíblia. Posto de maneira simples: “A Bíblia não pode significar o que não significou”.

6) A Bíblia é um livro sobre Deus. Ela não é um livro religioso de conselhos sobre as respostas que precisamos para um casamento feliz, sexo satisfatório, para o trabalho ou para perder peso. Embora as Escrituras reflitam muito a respeito dessas questões, elas são, acima de tudo, sobre quem Deus é e o que Deus pensa e quer. Eu entendo a realidade unicamente se tenho apreciação por quem ele é e o que deseja para sua criação e de sua criação.

7) Nós não “tornamos a Bíblia relevante”, mas apenas mostramos sua relevância. A verdade é tão relevante quanto a água para a sede, e a comida para a fome. A publicidade moderna cria necessidades que de fato não existem para vender a mercadoria.

Haddon Robinson
In: A arte e o ofício da pregação bíblica

1 Timóteo 6:11



Moisés e a solução de problemas pastorais

Exercício interessante que fazemos em nossos cursos é pesquisar na Bíblia problemas enfrentados por alguns dos líderes mais proeminentes e a atitude que eles demonstraram. Um dos casos pesquisados foi o de Moisés. No decorrer da pesquisa, foram levantados sete problemas e a “resposta” de Moisés a cada um deles.

Veja o leitor a experiência de nosso “colega” Moisés, “pastor” da maior igreja que já existiu neste mundo: a congregação de Israel (a Qahal), em pleno deserto, e que foi alvo do seu ministério por quase quarenta anos: 

Problema 1:Incapacidade de comunicação, timidez (Êx 3.11-4.13).
Solução: Consciência do problema; aceitação da provisão de Deus: Arão; submissão e obediência.

Problema 2: Liderança centralizada (Êx 18.13-27) – Moisés liderava e julgava sozinho.
Solução: Aceitou assessoria; buscou a Deus; pôs em prática o conselho de Jetro (seu sogro e assessor) e delegou responsabilidade com autoridade.

Problema 3: Confrontação e contestação dos liderados – Rebeldia dos líderes mais próximos (Nm 12.1-16).
Solução: Manteve-se confiante em Deus e dependente de Deus; exercitou paciência e longanimidade; manteve-se convicto de seu chamado. E Deus cuidou de defendê-lo.

Problema 4: Idolatria do povo e desvio da fidelidade ao Senhor – Momento extremamente frustrante de seu ministério (Nm 32.1-36).
Solução: Santa indignação, intercessão pelo povo e identificação com ele. A disciplina veio de Deus. O líder não precisou explicá-la com as próprias mãos.

Problema 5: Oposição e resistência do adversário – no caso, Faraó (Êx 5-12).
Solução: Perseverança na missão, submissão ao Senhor e prontidão em fazer sua vontade e obedecer às suas ordens.

Problema 6: Problemas familiares – relutância em circuncidar o filho, separação da esposa e dos filhos que estiveram durante um tempo com o sogro (Êx 4.24-27).
Solução: Disposição de obedecer à Lei; ajuda do sogro e aceitação da esposa e dos filhos, de volta à sua tenda.

Problema 7: Sucessão do líder (Dt 31.1-8) – Sua própria sucessão.
Solução: Aceitou com humildade o fim da sua liderança; aproveitou e provisionou a pessoa certa que estivera junto dele desde o começo da jornada.

Dr. Irland Pereira de Azevedo
In: Quando a teologia faz diferença

Pastores são diferentes de outras pessoas?

Um membro de nossa igreja recentemente me encontrou numa loja de figurinhas de baseball. Sua saudação para mim foi “Então, é isso o que você faz com nosso dízimo?”. Realmente! Não foi a primeira vez que algo parecido aconteceu comigo. 

Uma vez uma mulher de nossa igreja ficou surpresa ao me ver no departamento de jardinagem do supermercado. Eu estava “com roupa suja de sábado”, mas não foi o que ela viu primeiro. “Pastor Kinnaman” deixou escapar com surpresa enquanto ficava parada à frente do meu santo lugar, “nunca tinha visto suas pernas antes!” (Acho que ela queria dizer, “Esta é a primeira vez que o vejo de bermuda.”). 

E certa vez uma amiga veio ver nossa nova casa. Quando parou em frente ao banheiro principal, gritou para mim, “Então é aqui que o homem de Deus toma banho!”. Estava apenas brincando, mas aquilo realmente passou por sua cabeça. Você pensaria nisso? Quero dizer, quando fosse à casa de um amigo, e pedisse para usar o banheiro, pensaria sobre ele usando-o? Provavelmente não. Nem pensaria duas vezes quando visse um amigo numa loja de figurinhas de baseball ou de bermuda no supermercado. Todos sabem que o homem de Deus não usa o banheiro, nem compra desodorante, nem usa bermuda em público, certo?

Aqui vai mais uma: Os membros do ministério não fazem sexo. O muito conceituado “Leadership Journal” (Jornal da Liderança) pediu que pastores contassem histórias de coisas ridículas que lhes aconteceram no ministério. Um clérigo e sua esposa tinham vários filhos adotivos. Quando esse fato chamou a atenção de uma querida anciã, ela sussurrou delicadamente ao seu pastor um dia, “É realmente melhor quando os ministros têm filhos dessa forma”. 

A ideia de que pastores e outros no ministério vivem de forma diferente sua rotina diária é uma das “falsas crenças espirituais” que me deixa louco: se Deus é um ser espiritual que se comunica conosco num nível espiritual, então os que representam a Deus deveriam se comunicar inicialmente com outros no nível espiritual. 

“Ah, Pastor Gary, você é tão humano!” tenho ouvido isto dúzias de vezes. Porque as pessoas dizem isso? É anormal que um pastor seja humano? Ou estão deduzindo que “espiritual” e “humano” são essencialmente incompatíveis? Em outras palavras, quanto mais espiritual eu for menos humano serei, e quanto mais humano eu for menos espiritual serei? Quando as pessoas me dizem que sou muito humano, digo-lhes que não faço ideia de como poderia ser diferente. E lhes falo sobre Jesus, que foi totalmente humano. Deus tomou a forma humana. E fazendo isso, na pessoa de Jesus, Deus se tornou humano. É a isso que nos referimos quando falamos da doutrina da Encarnação, um termo teológico derivado do latim que quer dizer “em carne”. A Encarnação foi Deus se “tornando carne”. Além do mais, quando Deus levantou Jesus da morte, não foi somente uma ressurreição espiritual. Seu corpo físico levantou-se da tumba e mais tarde subiu aos céus. Exatamente agora Jesus está assentado à direita do Pai. Deus, então, não somente se tornou carne por trinta e três anos da vida de Jesus, como teve de volta seu corpo humano para sempre. 

Gary Kinneman
Crendices de crentes

Como John Piper reagiu a uma ameaça de morte