Resumindo a posição do calvinismo sobre os grandes problemas da religião

Resumindo o resultado de nossa investigação até aqui, eu posso expressar minha conclusão como segue. Em cada um dos quatro grandes problemas da religião, o Calvinismo tem expresso sua convicção em um dogma apropriado e cada vez tem feito aquela escolha que mesmo agora, após três séculos, satisfaz a procura mais ideal e deixa o caminho aberto para um desenvolvimento sempre mais rico. Primeiro, ele considera a religião, não no sentido utilitário ou eudomístico, como existindo por causa do homem, mas por Deus e para Deus somente. Este é seu dogma da Soberania de Deus. Secundariamente, na religião não deve haver nenhuma intermediação de qualquer criatura entre Deus e a alma, - toda religião é a obra imediata do próprio Deus no coração interior. Esta é a doutrina da Eleição. Em terceiro, a religião não é parcial mas universal, - este é o dogma da graça comum ou universal. E, finalmente, em nossa condição pecaminosa, a religião não pode ser normal, mas deve ser soteriológica, - esta é sua posição no duplo dogma da necessidade de Regeneração, e da necessitas Sola Scripturae.

Abraham Kuyper 
In: Calvinismo

A exaltação do Salvador

51. Qual é o estado de exaltação de Cristo? 

O estado de exaltação de Cristo compreende a sua ressurreição, ascensão, o estar sentado à destra do Pai, e a sua segunda vinda para julgar o mundo. 

1Co 15:4; Lc 24:51; Ef 4:10; 1:20; At 1:11. 

52. Como foi Cristo exaltado na sua ressurreição? 

Cristo foi exaltado na sua ressurreição em não ter visto a corrupção na morte (pela qual não era possível que Ele fosse retido), e o mesmo corpo em que sofrera, com as suas propriedades essenciais (sem a mortalidade e outras enfermidades comuns a esta vida), tendo realmente unido à sua alma, ressurgiu dentre os mortos ao terceiro dia, pelo seu próprio poder, e por essa ressurreição declarou-se Filho de Deus, haver satisfeito a justiça divina, ter vencido a morte e aquele que tinha o poder sobre ela, e ser o Senhor dos vivos e dos mortos. Tudo isto fez Ele na sua capacidade representativa, corno Cabeça da sua Igreja, para a justificação e vivificação dela na graça, apoio contra os inimigos, e para lhe assegurar sua ressurreição dos mortos no último dia. 

At 2:24; Sl 16:10; Lc 24:39; Rm 6:9; Ap 1:18; Jo 2:19; 10:18; Rm 1:4; 8:33-34; Hb 2:14; Rm 14:9; 1Co 15:21-22; Ef 1:22-23; Rm 4:25; Ef 2:5-6; 1Co 15:20,25-25; 1Ts 4:14. 

53. Como foi Cristo exaltado na sua ascensão? 

Cristo foi exaltado na sua ascensão em ter, depois da sua ressurreição, aparecido muitas vezes aos seus apóstolos e conversado com eles, falando-lhes das coisas pertencentes ao seu reino, impondo-lhes o dever de pregarem o Evangelho a todos os povos, e em subir aos mais altos céus, no fim de quarenta dias, levando a nossa natureza e, como nosso Cabeça triunfante sobre os inimigos, para ali, à destra de Deus, receber dons para os homens, elevar os nossos afetos e aparelhar-nos um lugar onde Ele está e estará até à sua segunda vinda no fim do mundo. 

At 1:2-3; Mt 28:19; Hb 6:20; Ef 4:8,10; At 1:9; Sl 68:18; Cl 3:1,2; Jo 14:2-3; At 3:21. 

54. Como é Cristo exaltado em sentar-se à destra de Deus? 

Cristo é exaltado em sentar-se à destra de Deus, em ser Ele, como Deus-homem, elevado ao mais alto favor de Deus o Pai, tendo toda a plenitude de gozo, glória e poder sobre todas as coisas no céu e na terra; em reunir e defender a sua Igreja e subjugar os seus inimigos; em fornecer aos seus ministros e ao seu povo dons e graças e em fazer intercessão por eles. 

Fl 2:9; At 2:28; Jo 17:5; Ef 1:22; Mt 28:18; Ef 4:11-12; Rm 8:34. 

55. Como faz Cristo a sua intercessão? 

Cristo faz a sua intercessão apresentando-se em nossa natureza continuamente perante o Pai no céu, pelo mérito da sua obediência e sacrifício cumpridos na terra, declarando ser a Sua vontade que seja aplicado a todos os crentes respondendo a todas acusações contra eles; adquirindo-lhes paz de consciência, não obstante as faltas diárias, dando-lhes acesso com confiança ao trono da graça e aceitação das suas pessoas e serviços. 

Hb 9:24; 1:3; Jo 17:9,20,24; Rm 5:1-2, 1Jo 2:1-2; Hb 4:16; Ef 11:6; 1Pe 2:5. 

56. Como há de ser Cristo exaltado em vir segunda vez para julgar o mundo? 

Cristo há de ser exaltado na sua vinda para julgar o mundo, em que, tendo sido injustamente julgado e condenado pelos homens maus, virá segunda vez no último dia com grande poder e na plena manifestação da sua glória e da do seu Pai, com todos os seus santos e anjos, com brado, com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus, para julgar o mundo em retidão. 

At 3:14-15; Mt 24:30; Lc 9:26;  1Ts 4:16; At 17:31.

Catecismo Maior de Westminster
Semana 16

Presciência pervertida

A. W. Pink
Que controvérsias têm sido engendradas por este assunto no passado! Mas que verdade das Escrituras Sagradas existe que não se tenha tornado em ocasião para batalhas teológicas e eclesiásticas? A deidade de Cristo, Seu nascimento virginal, Sua morte expiatória, Seu segundo advento; a justificação do crente, sua santificação, sua segurança; a Igreja, sua organização, oficiais e disciplina; o batismo, a ceia do Senhor, e uma porção doutras preciosas verdades que poderiam ser mencionadas. Contudo, as controvérsias sustentadas não fecharam a boca dos fiéis servos de Deus; então, por que deveríamos evitar a disputada questão da presciência de Deus porque, com efeito, há alguns que nos acusarão de fomentar contendas? Que outros se envolvam em contendas, se quiserem; nosso dever é dar testemunho segundo a luz a nós concedida.

Há duas coisas referentes à presciência de Deus que muitos ignoram: o significado do termo e o seu escopo bíblico. Visto que esta ignorância é tão amplamente generalizada, é fácil aos prega dores e mestres impingir perversões deste assunto, até mesmo ao povo de Deus. Só há uma salvaguarda contra o erro: estar firme na fé. Para isso, é preciso fazer devoto e diligente estudo, e receber com singeleza a Palavra de Deus infundida. Só então ficamos fortalecidos contra as investidas dos que nos atacam. Hoje em dia existem os que fazem mau uso desta verdade, com o fim de desacreditar e negar a absoluta soberania de Deus na salvação dos pecadores. Assim como os seguidores da alta crítica repudiam a divina inspiração das Escrituras e os evolucionistas a obra de Deus na criação, alguns mestres pseudo-bíblicos andam pervertendo a presciência de Deus com o fim de pôr de lado a Sua incondicional eleição para a vida eterna.

Quando se expõe o solene e bendito tema da pré-ordenação divina, e o da eterna escolha feita por Deus de algumas pessoas para serem amoldadas à imagem do Seu Filho, o diabo envia alguém para argumentar que a eleição se baseia na presciência de Deus, e esta "presciência" é interpretada no sentido de que Deus previu que alguns seriam mais dóceis que outros, que responderiam mais prontamente aos esforços do Espírito e que, visto que Deus sabia que eles creriam, por conseguinte, predestinou-os para a salvação. Mas tal declaração é radicalmente errônea. Repudia a verdade da depravação total, pois defende que há algo bom em alguns homens. Tira a independência de Deus, pois faz com que seus decretos se apóiem naquilo que Ele descobre na criatura. Vira completamente ao avesso as coisas, porquanto ao dizer que Deus previu que certos pecadores creriam em Cristo e, por isso, predestinou-os para a salvação, é o inverso da verdade. As Escrituras afirmam que Deus, em Sua soberania, escolheu alguns para serem recipientes de Seus distinguidos favores (Atos 13:48) e portanto, determinou conferir-lhes o dom da fé. A falsa teologia faz do conhecimento prévio que Deus tem da nossa fé a causa da eleição para a salvação, ao passo que a eleição de Deus é a causa, e a nossa fé em Cristo, o efeito.

A. W. Pink
In: Os Atributos de Deus

A humilhação do Salvador

46. Qual foi o estado da humilhação de Cristo? 

O estado da humilhação de Cristo foi aquela baixa condição, na qual, por amor de nós, despindo-se da sua glória, Ele tomou a forma de servo em sua concepção e nascimento, em sua vida, em sua morte e depois até à sua ressurreição. 

Fl 2:6-8; 2Co 8:9. 

47. Como se humilhou Cristo na sua concepção e nascimento? 

Cristo humilhou-se na sua concepção e nascimento, em ser, desde toda a eternidade o Filho de Deus no seio do Pai, quem aprouve, no cumprimento do tempo, tornar-se Filho do homem, nascendo de uma mulher de humilde posição com diversas circunstâncias de humilhação fora do comum. 

1Jo 1:14,18; Lc 2:7. 

48. Como se humilhou Cristo na sua vida? 

Cristo humilhou-se na sua vida, sujeitando-se à lei, a qual perfeitamente cumpriu, e lutando com as indignidades do mundo, as tentações de Satanás e as enfermidades da carne, quer comuns à natureza do homem, quer as procedentes dessa baixa condição. 

Gl 4:4; Mt 5:17; Is 53:2-3; Hb 12:2-3; Mt 4:1; Hb 2:17-18. 

49. Como se humilhou Cristo na sua morte? 

Cristo humilhou-se na sua morte porque, tendo sido traído por Judas, abandonado pelos seus discípulos, escarnecido e rejeitado pelo mundo, condenado por Pilatos e atormentado pelos seus perseguidores, tendo também lutado com os terrores da morte e os poderes das trevas, tendo sentido e suportado o peso da ira de Deus, Ele deu a sua vida como oferta pelo pecado, sofrendo a penosa, vergonhosa e maldita morte da cruz. 

Mt 27:4; 26:56; Is 53:3; Mt 27:26; Lc 22:44; Mt 27:46; Is 53:10; Mt 20:28; Fl 2:8; Gl 3:13. 

50. Em que consistiu a humilhação de Cristo depois da sua morte? 

A humilhação de Cristo depois da sua morte consistiu em ser ele sepultado, em continuar no estado dos mortos e sob o poder da morte até ao terceiro dia; o que, aliás, tem sido exprimido nestas palavras: Ele desceu ao inferno (Hades). 

1Co 15:3-4; Mt 12:40.

Catecismo Maior de Westminster
Semana 15