Creio que deva ler

Pela falta de tempo, optei por não resenhar a obra, limitando-me a listar alguns motivos pelos quais considero sua leitura recomendável e certamente proveitosa.

1. O tema em si

O tema do livro é importante e necessário, especialmente nos dias de hoje em que a doutrina cristã goza de pouca estima e até mesmo sofre de antipatia em muitos círculos evangélicos. Entre os evangélicos, o Credo dos Apóstolos sofre de preconceito histórico, por ser “reza católica”. Recentemente, porém, esse símbolo tem sido objeto de publicações evangélicas que vale a pena serem lidas. A obra do Franklin Ferreira é uma delas.

2. Os subsídios históricos

O livro traz vários subsídios históricos relacionados ao Credo e aos temas nele tratados. O autor recorre e cita com frequência os pais da igreja, os reformadores e outros personagens e situações não tão conhecidos, indicando fontes onde um estudo mais aprofundado pode ser feito. Vale destacar o apêndice com várias versões do Credo encontrados na história.

3. A linguagem utilizada

A linguagem do livro não soa acadêmica. Aliás, o livro parece ter sido pregado, não redigido. Por isso alguns irão notar repetições e reafirmações que talvez pareçam desnecessárias, uma vez que sempre se pode voltar as páginas, se necessário recapitular. Mas outros, como é o meu caso, a leitura parece mais leve e até mesmo mais pessoal. Além disso, fica evidente o tom devocional e a reverência no estudo da Trindade.

4. A contextualização
O autor não se limita ao estudo do Credo no contexto em que foi formulado. Faz aplicações modernas do mesmo. E isso resulta em críticas a várias práticas e ênfases doutrinárias da igreja moderna. Obviamente a pertinência das críticas e a concordância com elas dependerá de cada leitor, mas é interessante pelo menos pensar sobre elas.

5. A referência a minha pessoa

Por último, foi uma grata surpresa ver meu nome estampado na obra. Não na dedicatória ou nos agradecimentos, mas no texto do livro e na companhia de grandes vultos da história! Ficou curioso? Leia o livro e depois pesquise sobre o Clóvis mencionado.

FERREIRA, Franklin. Credo dos Apóstolos. São José dos Campos, SP: Fiel, 2015. 280p

Soli Deo Gloria

A importância dos mestres na igreja

Vivemos em dias quando a evangelização das multidões interessa mais que a sã doutrina e a busca dos tesouros da Palavra por meio de uma exegese exata da mesma. Mas a experiência prova que não é possível chegar a formar igrejas (e grupos de igrejas) estáveis se o trabalho do evangelista não é seguido pelo ensinamento dos mestres e cuidado dos pastores (Ef 4:11-15).

Quando míngua o natural entusiasmo que se desperta ao ver como as almas confessam ao Senhor (algumas com coração sincero e outras levadas por excitação carnal), sobreveem os problemas da vida cristã, que se desenvolve em meio a circunstâncias adversas e enganos deste mundo. Se então não há quem dê de comer aos recém nascidos, primeiro "leite" da Palavra e depois "manjar sólido", o fogo do entusiasmo se torna na fumaça acre de confusões, divisões e mau testemunho de muitos que ainda tomam o nome do Senhor em seus lábios.

Faz falta a disciplina e o treinamento em justiça que só se consegue pela Palavra ensinada no poder do Santo Espírito, por servos de Deus dotados para esse ministério, e que sejam respeitados e ouvidos pelas crianças e neófitos (2Tm 3:14-17; 2:2,11).

Ai das igrejas que carecem de mestres, ou que, tendo-os, desprezam seu ministério!

Ernest Trenchard.
In: Normas de interpretación biblica.
Tradução livre: CincoSolas

As probabilidades de Deus

Você está jogando pôquer com seus amigos e um deles, o Fred, tira Ás, Rei, Dama, Valete e Dez de espadas – um Royal Flush, a mão mais alta do jogo – cujas chances são de 650 mil para 1. Como esse Fred é sortudo! Na próxima rodada, ele tira as mesmas cinco cartas. Certo, isso é pouco comum, mas vocês se conhecem desde a infância. Mas aí ele tira de novo, e depois mais uma vez. Certo, vocês foram padrinhos um do outro em seus casamentos, mas isso não evita seus sentimentos homicidas. Quando ele tira as mesmas cartas novamente, você vai atrás de uma arma.

Quando algo incrivelmente improvável ocorre, é muito difícil acreditar que é por acaso. Fred está roubando, é óbvio. Ele vai jurar que não está, mas é quase impossível acreditar. Mas vamos pensar. Há algumas propriedades físicas básicas do Universo, como a carga dos elétrons, a força precisa da gravidade, a velocidade da luz etc., e cada uma poderia ter um número infinito de valores. A gravidade (por exemplo) poderia ser um pouco mais forte, muito mais forte, ou um pouco mais fraca. Se alguma dessas propriedades fosse mesmo só um pouco diferente, então nosso Universo poderia não ter existido – com seus planetas, estrelas, vida e nós, seres conscientes, racionais e morais.

As chances contra todas essas propriedades terem ao mesmo tempo o valor necessário preciso para esse Universo existir são literalmente astronômicas. Mesmo assim, aqui estamos. Se você pegou seu revólver quando Fred tirou seu quinto Royal Flush, talvez devesse pegá-lo agora também, porque, quando algo incrivelmente improvável ocorre, é muito difícil acreditar que possa ocorrer por acaso. E não há nada tão incrivelmente improvável como o próprio Universo, entre todos os possíveis universos que poderiam ter existido.

Haveria obviamente só um ser capaz de embaralhar essas cartas. Se é provável que Fred esteja roubando, então é mais do que provável que Deus exista e seja responsável por este Universo.

Andrew Pessin
In: Filosofia em 60 Segundos

Pode o crente perder a sua salvação?

Uma verdade bíblica que tem ficado cada vez mais esquecida em muitos púlpitos, e consequentemente, nos corações de muitos crentes, é a doutrina bíblica de que uma vez que alguém foi salvo por Cristo, foi salvo para sempre, e nada neste mundo é capaz de fazer com que a pessoa perca sua salvação.

Em João 10.28 e 29, o Senhor Jesus declara: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebata da minha mão. Aquilo que o meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”. E ainda em Romanos 8.35, o apóstolo Paulo declarou divinamente inspirado: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?”. Muitos outros textos bíblicos nos dão base para crermos que uma vez salvos por Cristo, somos (muito mais do que simplesmente “estamos”) salvos para sempre. De perdidos pecadores fomos transformados em herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Romanos 8.17).

Quando digo que creio que uma vez salvo estou salvo para sempre, imediatamente sou lembrado pelo Espírito Santo de que fui salvo para viver em santidade de vida (cf. Efésios 1.3 e 4) e não para viver libertinamente em pecado. Quem foi salvo por Cristo delicia-se com a nova vida que recebeu em Cristo e tem vontade de estar cada vez mais longe do pecado.

Se fosse possível mesmo perdermos a salvação, eu gostaria de saber qual o pecado que eu viesse a cometer seria o causador de tamanha calamidade. Será que uma mentirinha seria suficiente para me mandar para o inferno? Ou seria preciso um assassinato? Bem, mas, essa não é a questão principal que eu quero tratar aqui.

O que eu quero tratar é: porque será que as igrejas que pregam essa verdade (uma vez salvo, salvo para sempre) dessa forma, não são “populares”, não estão cheias de gente, enquanto que igrejas que pregam o contrário, a saber, que é possível perder a salvação estão abarrotadas de pessoas? Para ser honesto tenho de admitir que essa não é a única causa para esse fenômeno, mas, que é um fator crucial isso ninguém pode negar.

Matutando aqui chego a seguinte conclusão: quando alguém crê que pode perder a salvação está dando provas claras de que sua confiança está em si mesmo e não em Deus, ao passo que quem confia que está salvo para sempre descansa no poder e promessa de Deus.

Isto posto, quem crê que é possível perder a salvação também crê que basta voltar a trás e pedir perdão a Deus e tudo estará resolvido, e assim, essa pessoa se sente no controle da situação. Sua vida ainda é “sua”. E isso faz coro com as filosofias humanistas que encharcam as igrejas colocando o homem no centro de tudo. Ao passo que aquele que crê que está salvo para sempre porque Deus é fiel e poderoso para guardá-lo seguro até o fim (leia Judas v.24 e 25), aprende o quanto antes a confiar (entregar) sua vida aos cuidados de Deus, e, assim, sabe que o controle da sua vida está nas mãos de Deus. E admitamos, essa mensagem não é nem um pouco agradável aos ouvidos dessa geração que foi iludida com a mentira de que ela está no comando de seu destino.

Muito mais do que falar sobre as heresias pregadas por muitas igrejas hoje, o que eu quero é chamar a sua atenção para essa preciosa verdade de que ter a certeza da salvação inclui ter firmeza no propósito de obedecer aos mandamentos de Deus. Na linguagem bíblica: “Grande paz têm os que amam a Tua Lei; para eles não há tropeço” (Salmo 119.165).

Não tropece nas heresias. Confie plenamente sua vida aos cuidados do Deus que é imutável, e que em Sua soberania determinou que aqueles a quem Ele quis salvar vivessem confiantes em Sua Graça a qual os capacita plenamente a viverem de acordo com a Sua vontade.

Numa coisa estão certos os que creem que é possível perdermos a salvação: se você pecar, mas, arrependido buscar o perdão de Deus você será perdoado e voltará a desfrutar da comunhão com Ele. Para nós que cremos que é impossível perdermos a salvação, também é verdade que quando pecamos trazemos à nossa comunhão com Deus sérios prejuízos, porém, ao confessarmos nosso pecado, e arrependidos buscarmos o Seu perdão teremos restaurada a nossa comunhão com Ele.

Não permita que sua comunhão com Deus seja interrompida. Se porventura isso acontecer, corra para Deus, busque o Seu perdão e confesse o seu pecado a Ele, pois “…onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5.20).

Rev. Olivar Alves Pereira