A importância dos mestres na igreja

Vivemos em dias quando a evangelização das multidões interessa mais que a sã doutrina e a busca dos tesouros da Palavra por meio de uma exegese exata da mesma. Mas a experiência prova que não é possível chegar a formar igrejas (e grupos de igrejas) estáveis se o trabalho do evangelista não é seguido pelo ensinamento dos mestres e cuidado dos pastores (Ef 4:11-15).

Quando míngua o natural entusiasmo que se desperta ao ver como as almas confessam ao Senhor (algumas com coração sincero e outras levadas por excitação carnal), sobreveem os problemas da vida cristã, que se desenvolve em meio a circunstâncias adversas e enganos deste mundo. Se então não há quem dê de comer aos recém nascidos, primeiro "leite" da Palavra e depois "manjar sólido", o fogo do entusiasmo se torna na fumaça acre de confusões, divisões e mau testemunho de muitos que ainda tomam o nome do Senhor em seus lábios.

Faz falta a disciplina e o treinamento em justiça que só se consegue pela Palavra ensinada no poder do Santo Espírito, por servos de Deus dotados para esse ministério, e que sejam respeitados e ouvidos pelas crianças e neófitos (2Tm 3:14-17; 2:2,11).

Ai das igrejas que carecem de mestres, ou que, tendo-os, desprezam seu ministério!

Ernest Trenchard.
In: Normas de interpretación biblica.
Tradução livre: CincoSolas

As probabilidades de Deus

Você está jogando pôquer com seus amigos e um deles, o Fred, tira Ás, Rei, Dama, Valete e Dez de espadas – um Royal Flush, a mão mais alta do jogo – cujas chances são de 650 mil para 1. Como esse Fred é sortudo! Na próxima rodada, ele tira as mesmas cinco cartas. Certo, isso é pouco comum, mas vocês se conhecem desde a infância. Mas aí ele tira de novo, e depois mais uma vez. Certo, vocês foram padrinhos um do outro em seus casamentos, mas isso não evita seus sentimentos homicidas. Quando ele tira as mesmas cartas novamente, você vai atrás de uma arma.

Quando algo incrivelmente improvável ocorre, é muito difícil acreditar que é por acaso. Fred está roubando, é óbvio. Ele vai jurar que não está, mas é quase impossível acreditar. Mas vamos pensar. Há algumas propriedades físicas básicas do Universo, como a carga dos elétrons, a força precisa da gravidade, a velocidade da luz etc., e cada uma poderia ter um número infinito de valores. A gravidade (por exemplo) poderia ser um pouco mais forte, muito mais forte, ou um pouco mais fraca. Se alguma dessas propriedades fosse mesmo só um pouco diferente, então nosso Universo poderia não ter existido – com seus planetas, estrelas, vida e nós, seres conscientes, racionais e morais.

As chances contra todas essas propriedades terem ao mesmo tempo o valor necessário preciso para esse Universo existir são literalmente astronômicas. Mesmo assim, aqui estamos. Se você pegou seu revólver quando Fred tirou seu quinto Royal Flush, talvez devesse pegá-lo agora também, porque, quando algo incrivelmente improvável ocorre, é muito difícil acreditar que possa ocorrer por acaso. E não há nada tão incrivelmente improvável como o próprio Universo, entre todos os possíveis universos que poderiam ter existido.

Haveria obviamente só um ser capaz de embaralhar essas cartas. Se é provável que Fred esteja roubando, então é mais do que provável que Deus exista e seja responsável por este Universo.

Andrew Pessin
In: Filosofia em 60 Segundos

Pode o crente perder a sua salvação?

Uma verdade bíblica que tem ficado cada vez mais esquecida em muitos púlpitos, e consequentemente, nos corações de muitos crentes, é a doutrina bíblica de que uma vez que alguém foi salvo por Cristo, foi salvo para sempre, e nada neste mundo é capaz de fazer com que a pessoa perca sua salvação.

Em João 10.28 e 29, o Senhor Jesus declara: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebata da minha mão. Aquilo que o meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”. E ainda em Romanos 8.35, o apóstolo Paulo declarou divinamente inspirado: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?”. Muitos outros textos bíblicos nos dão base para crermos que uma vez salvos por Cristo, somos (muito mais do que simplesmente “estamos”) salvos para sempre. De perdidos pecadores fomos transformados em herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Romanos 8.17).

Quando digo que creio que uma vez salvo estou salvo para sempre, imediatamente sou lembrado pelo Espírito Santo de que fui salvo para viver em santidade de vida (cf. Efésios 1.3 e 4) e não para viver libertinamente em pecado. Quem foi salvo por Cristo delicia-se com a nova vida que recebeu em Cristo e tem vontade de estar cada vez mais longe do pecado.

Se fosse possível mesmo perdermos a salvação, eu gostaria de saber qual o pecado que eu viesse a cometer seria o causador de tamanha calamidade. Será que uma mentirinha seria suficiente para me mandar para o inferno? Ou seria preciso um assassinato? Bem, mas, essa não é a questão principal que eu quero tratar aqui.

O que eu quero tratar é: porque será que as igrejas que pregam essa verdade (uma vez salvo, salvo para sempre) dessa forma, não são “populares”, não estão cheias de gente, enquanto que igrejas que pregam o contrário, a saber, que é possível perder a salvação estão abarrotadas de pessoas? Para ser honesto tenho de admitir que essa não é a única causa para esse fenômeno, mas, que é um fator crucial isso ninguém pode negar.

Matutando aqui chego a seguinte conclusão: quando alguém crê que pode perder a salvação está dando provas claras de que sua confiança está em si mesmo e não em Deus, ao passo que quem confia que está salvo para sempre descansa no poder e promessa de Deus.

Isto posto, quem crê que é possível perder a salvação também crê que basta voltar a trás e pedir perdão a Deus e tudo estará resolvido, e assim, essa pessoa se sente no controle da situação. Sua vida ainda é “sua”. E isso faz coro com as filosofias humanistas que encharcam as igrejas colocando o homem no centro de tudo. Ao passo que aquele que crê que está salvo para sempre porque Deus é fiel e poderoso para guardá-lo seguro até o fim (leia Judas v.24 e 25), aprende o quanto antes a confiar (entregar) sua vida aos cuidados de Deus, e, assim, sabe que o controle da sua vida está nas mãos de Deus. E admitamos, essa mensagem não é nem um pouco agradável aos ouvidos dessa geração que foi iludida com a mentira de que ela está no comando de seu destino.

Muito mais do que falar sobre as heresias pregadas por muitas igrejas hoje, o que eu quero é chamar a sua atenção para essa preciosa verdade de que ter a certeza da salvação inclui ter firmeza no propósito de obedecer aos mandamentos de Deus. Na linguagem bíblica: “Grande paz têm os que amam a Tua Lei; para eles não há tropeço” (Salmo 119.165).

Não tropece nas heresias. Confie plenamente sua vida aos cuidados do Deus que é imutável, e que em Sua soberania determinou que aqueles a quem Ele quis salvar vivessem confiantes em Sua Graça a qual os capacita plenamente a viverem de acordo com a Sua vontade.

Numa coisa estão certos os que creem que é possível perdermos a salvação: se você pecar, mas, arrependido buscar o perdão de Deus você será perdoado e voltará a desfrutar da comunhão com Ele. Para nós que cremos que é impossível perdermos a salvação, também é verdade que quando pecamos trazemos à nossa comunhão com Deus sérios prejuízos, porém, ao confessarmos nosso pecado, e arrependidos buscarmos o Seu perdão teremos restaurada a nossa comunhão com Ele.

Não permita que sua comunhão com Deus seja interrompida. Se porventura isso acontecer, corra para Deus, busque o Seu perdão e confesse o seu pecado a Ele, pois “…onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5.20).

Rev. Olivar Alves Pereira

Por que não devo me tornar um calvinista?

Um artigo publicado pelo irmão Everton Edvaldo procura apresentar as razões pelas quais uma pessoa não deve se tornar calvinista. Depois de reconhecer que “o interesse pelo calvinismo tem crescido bastante”, causando um “aumento do número de adeptos inclusive por irmãos de igrejas pentecostais”, ele lista os motivos para se rejeitar “os cinco pontos da soteriologia reformada”. São eles:

1. Ele alega que o calvinismo não é uma doutrina bíblica. Mas ele começa esse ponto negando que “esteja afirmando que não haja nada no calvinismo que não seja bíblico” e dá como exemplo a doutrina bíblica da depravação total. Poucas linhas antes, porém, ele citou a depravação total como um dos pontos característicos da soteriologia reformada! Ele também diz que na defesa dos seus cinco pontos o calvinismo utiliza-se de “muitas passagens”, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Em seguida ele se propõe demonstrar eleição incondicional como exemplo de falta de apoio bíblico. Ele admite que os calvinistas usam tanto passagens do Antigo como do Novo Testamento para apoiá-la. Ele diz que a maioria dos textos do Antigo Testamento que tratam de eleição não se refere a eleição para a salvação. Mas reconhece que “no Novo Testamento eles não encontram muita dificuldade para sustentar sua visão da eleição”.

Em resumo, ele admite que pelo menos num ponto os calvinistas são totalmente bíblicos e que para os outros contam com várias passagens bíblicas para apoiá-los, inclusive diz que na eleição incondicional não tem muita dificuldade em sustenta-la, ao contrário dos arminianos que precisam fazer uma exegese e interpretação de cada uma das muitas passagens. Agora, voltemos o argumento contra a posição dele. Que ele nos apresente uma lista de passagens bíblicas que declarem de forma expressa ou das quais se possa extrair, com boa exegese, a doutrina do livre-arbítrio, da graça preveniente, da fé como condição prevista para a eleição e da distinção entre salvo-eleito, precedida de uma clara definição de cada termo e então poderemos pesar o valor de seu motivo para rejeitar o calvinismo.

2. Ele afirma que o calvinismo não é conhecido pelos pais da igreja. A premissa do autor é que quanto mais antigo for um teólogo, mais pura é sua doutrina. Ledo engano. Apelar aos pais apostólicos, os mais antigos dos pais, é dar um tiro no pé. Quem de fato os leu percebe que distorceram a soteriologia paulina. Eu li, mas para que não fique somente a opinião de um calvinista, os arminianos Roger Olson e Justo González, para ficar apenas com dois deles, chegam a essa mesma conclusão.

Reconheço que os pais apostólicos e os pais apologistas não tomaram conhecimento do calvinismo. O mesmo ocorre em relação ao arminianismo. É anacrônico afirmar o contrário. Mas nada impede que os arminianos venham a endossar a soteriologia dos pais apostólicos, se ficam à vontade com desvios doutrinários. Que disputem com os católicos a posse dos pais apostólicos como precursores de sua teologia. Estamos bem servidos com Agostinho, a quem nenhum dos que o precederam faz sombra.

3. Ele acusa o calvinismo de ser historicamente propagador de intolerância. A acusação começa com Calvino, tendo como prova uma única citação de uma obra no mínimo questionável. E logo passa a acusar “os seus discípulos”, colocando Gomarus e Spurgeon no mesmo banco de réus. E fecha o caso com a “incontestável” prova de sua experiência, pela qual, afirma que de “cada dez calvinista que conheço, seis ou sete são intolerantes”. Abro mão de apresentar uma defesa das pessoas citadas, pois isso é irrelevante. O que o jovem afirma é que calvinismo leva à intolerância. Então, argumentos ad hominen à parte, quais das cinco doutrinas tem como implicação a intolerância? Se o autor afirma que o calvinismo propaga intolerância, então que apresente a lógica pela qual as doutrinas da graça produz intolerantes e, em contraposição, mostre como os pontos distintivos do arminismo contribuem para formar crentes mais tolerantes.

4. Ele informa que o calvinismo não é a única alternativa teológica para a mecânica da salvação. E isto e um fato. Aliás, sequer o cristianismo é a única alternativa. Há outros sistemas, cristãos e não cristãos, que se propõem a explicar como o homem pode ser salvo. Porém, os sistemas não podem estar todos certos, na verdade, a maioria deles descamba no inferno. O arminianismo é um sistema aceitável, ainda que falho. O calvinismo não é apenas uma alternativa, mas é a que reflete com mais fidelidade o evangelho de Jesus Cristo. Mesmo assim, ninguém precisa ser ou declarar-se calvinista. Basta que leia e creia no que a Bíblia diz. Esse é o conselho que tenho dado por vários anos.

Na sua conclusão, o autor diz que ninguém se torna calvinista lendo a Bíblia. A base de sua afirmação? Sua “longa e inquestionável” experiência. Eu conheço alguém creu na depravação total, na chamada eficaz, na segurança da salvação lendo apenas a Bíblia. E quando leu uma lição da escola dominical que explicava a doutrina da eleição, foi conferir na Bíblia e descobriu a eleição soberana. Isso antes de ter ouvido a palavra calvinismo, que aliás, quando ouviu foi de forma negativa e pensou que nunca seriam um.

Mas sim, há razões para você não ser um calvinista. A primeira delas é que terá que defender doutrinas desagradáveis aos ouvidos da maioria das pessoas. Um Deus que decide quem será salvo, que detém o controle de todas as coisas e que faz Sua vontade contra a vontade dos homens e que ainda assim pedirá contas de todas as suas criaturas não é algo que soe bem aos ouvidos delicados dos homens. A segunda delas é que você terá que mudar a visão otimista que tem das pessoas, a começar por você mesmo. Deverá reconhecer sua total incapacidade e absoluta dependência de Deus para cada detalhe de sua vida. A terceira, decorrente das primeiras, é que você nunca mais poderá se orgulhar de suas conquistas e vitórias, pois a glória por todas as suas realizações, grandes e pequenas, públicas ou particulares, deverá ser dada unicamente a Deus, além de ter que receber de bom grado todo mal que lhe ocorrer como vindo de Deus. Mas há uma única razão para que você seja um calvinista (embora jamais precise se denominar assim): o amor pela verdade.

Soli Deo Gloria