Os arminianos desvalorizam a regeneração

A doutrina da eleição é um fato bíblico para arminianos e calvinistas. Eles podemo divergir se essa eleição é condicional ou incondicional, individual ou corporativa. Mas se alguém nega a doutrina da eleição, nega um ensinamento claro das Escrituras, pois os termos eleição, eleitos e escolhidos ocorrem quase uma centena de vezes na Bíblia, boa parte relacionada a uma escolha feita por Deus, na eternidade. Portanto, um cristão não pode afirmar crer na Bíblia e rejeitar a doutrina da eleição, nem dizer que é arminiano.

Outro ponto em que há acordo entre arminianos e calvinistas é quanto à perseverança final dos eleitos. Nenhum arminiano que queira ser consistente em suas convicções sobre a eleição de Deus estará disposto a admitir que um eleito não irá perseverar na fé até o final. Aliás, a eleição condicional requer isso, pois Deus elege aqueles que desde a eternidade Ele anteviu que iriam crer e perseverar na fé. Portanto, a doutrina da perseverança dos eleitos é um ponto pacífico entre arminianos e calvinistas.

Espere aí, em que então discordam calvinistas e arminianos quanto à perseverança? De fato, uma parte dos arminianos concordam com os calvinistas nesse ponto, porém, outra parte, talvez a maioria deles, não hesitam em afirmar que um crente que está salvo hoje pode perder a sua salvação amanhã. O ponto de discórdia entre arminianos e calvinistas não é quanto a se um eleito pode perder a salvação, e sim se um regenerado a pode perder. Para os arminianos que rejeitam a segurança eterna, um crente regenerado pode cair da graça e perder sua salvação. Assim, é a graça da regeneração que pode ser perdida.

A conclusão inevitável é que no esquema arminiano a regeneração é inconsistente com a eleição e com a perseverança dos santos. Todo eleito será infalivelmente regenerado,mas nem todo regenerado foi eleito. E embora todos os que alcançarão a salvação final tenham sido regenerados, nem todos os regenerados perseverarão até o fim e serão salvos. Assim, a regeneração não é prova da eleição, tampouco garantia de perseverança. Disso tudo resulta que o novo nascimento não é algo assim tão importante no arminianismo.

Soli Deo Gloria

12 comentários:

  1. Clóvis, só uma dúvida: tenho visto muito se falar em perseverança dos santos. Mas, só por curiosidade, qual o texto base de sustentação para a parseverança? Ou melhor, qual o texto das Escrituras que afirma que o "eleito" tem que perseverar até o fim para ser salvo?

    Graça e paz!

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    1. Segue algumas passagens bíblicas que ensinam a necessidade de perseverança por parte daqueles que foram chamados por Jesus:

      Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. Mt 10:22

      Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. Mt 24:13

      Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. Mc 13:13

      É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma. Lc 21:19

      Despedida a sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, e estes, falando-lhes, os persuadiam a perseverar na graça de Deus. At 13:43

      A vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade. Rm 2:7

      Se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará. 2Tm 2:12

      Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Hb 10:36

      Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. Tg 1:12

      Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai. Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada. Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos. Ap 13:10

      Em Cristo,

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  2. Que estranho... A regeneração não tem importância, apenas porque a regeneração não é prova de perseverança final? A regeneração só seria importante se ela não pudesse ser desprezada? É uma declaração e tanto...

    Sinceramente, acho que ela ganha toda a importância do mundo (dos eleitos, neste caso :)) justamente por causa das mais macabras advertências feitas na Escritura sobre queda de regenerados.

    Cheguei a discutir ardorosamente, já faz um bom tempo, sobre as passagens de alerta na missiva de Hebreus. E as interpretações geralmente oferecidas a ela pelos 'perseverantistas' acabam detonando o próprio texto bíblico. Por exemplo:

    * afirmar que os apóstatas foram iluminados fracamente, que participaram apenas 'de fachada' do Espírito da Graça, seria admitir exatamente o mesmo para os leitores originais da carta;
    * afirmar que eles apenas 'sentiram o gostinho' de uma 'graça comum' seria dizer que Jesus apenas 'sentiu o gostinho' da morte.
    Entre outras tentativas, como a de Grudem, que foca mais na parábola agrícola que nas palavras mais claras e medonhas descritas antes dela.

    E mesmo a interpretação molinista que o Craig dá, de uma perseverança 'contingente mas sempre real', não explica o fato que há descrições claras de pessoas que caíram da graça regeneradora. O caso mais claro, depois desses de Hebreus, é o dos falsos mestres de 2Pedro 2:20-22.

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  3. A paz Clóvis.

    Bom texto, sempre relacionei a regeneração à Graça Irresistível e nunca a Perseverança dos Santos, mesmo estando em mente que uma vez regenerados sempre regenerados.

    .::::Bryan::::.

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    1. Parando para pensar um pouco: tecnicamente a perseverança do santo é um ponto à parte. Pensando somente no U e no I da TULIP, não se deduz o P.
      Afinal, Deus tem toda a soberania (onipotência) para regenerar um não-eleito e depois 'des-regenerá-lo'. A única coisa que impediria isso é uma promessa feita por Ele mesmo.

      Mas, agora que está no caso: o que diferenciaria um regenerado de um falso regenerado? Se possível, base bíblica para contraste...

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    2. André R. Fonseca8 de agosto de 2012 19:31

      John Piper responde: http://www.youtube.com/watch?v=YtZx1wrRVJI

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    3. A argumentação do Piper foi ótima.
      E agora crédulo?

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    4. Ah, inglês falado... Alguém cura minha preguiça com o transcrito?

      Até lá, em suspenso.

      Gosto do carisma do Piper, mas não das dissonâncias cognitivas dele. Logo, nem vou emitir opinião.

      P.S.: se, por acaso, a resposta for algo do gênero 'perseverança final', infelizmente não rola. 2Pedro 2:20-22 não me deixa muita alternativa...

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  4. André, Neto

    Tem o vídeo do Piper em português?

    Se não tiver, de-nos uma vista da resposta...

    Márcio (ignorante no inglês)

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    1. Márcio, estou com planos de traduzi-lo, de tão bom que é!

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  5. Neto, se vc traduzir acredito que ganhará mais um dia na vida eterna!

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"Se amássemos mais a glória de Deus, se nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a nos engajar em uma controvérsia necessária, quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordenança apostólica é clara. Devemos “manter a verdade em amor", não sendo nem desleais no nosso amor, nem sem amor na nossa verdade, mas mantendo os dois em equilíbrio (...) A atividade apropriada aos cristãos professos que discordam uns dos outros não é a de ignorar, nem de esconder, nem mesmo minimizar suas diferenças, mas discuti-las." John Stott

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