A Igreja Pentecostal é Protestante?

Por que o pentecostalismo não pode ser colocado como um grupo marginalizado do protestantismo? A resposta está nos “cinco solas”, ou seja, nas máximas latinas que definem a essência de uma Igreja Protestante. 

1) Uma igreja protestante não é definida pela liturgia. A Igreja Anglicana tem uma liturgia muito diferente da Igreja Congregacional. 2) Não é definida pela arquitetura. Os templos clássicos presbiterianos são bem diferentes das igrejas reformadas emergentes como a Mars Hill Church. 3) Não é definida pelo regime de governo. A Igreja Batista é congregacional, enquanto a Igreja Metodista é normalmente episcopal. 4) Não é definida pelas doutrinas secundárias. A Igreja Presbiteriana é calvinista, enquanto que os metodistas são arminianos. 

Então, o único ponto de toque entre todas as denominações protestantes são os “cinco solas”. E, por isso, as principais igrejas pentecostais são herdeiras legítimas da Reforma. O pentecostalismo não é deuterorreformacional, mas está ligada intimamente às ideias a seguir:
  • Sola fide (Somente a fé);
  • Sola scriptura (Somente a Escritura);
  • Solus Christus (Somente Cristo);
  • Sola gratia (Somente a graça);
  • Soli Deo gloria (Glória a Deus somente).
Quer um exemplo? Vejamos o Sola fide (Somente a Fé). As principais igrejas pentecostais trabalham com a doutrina da justificação pela fé. Vejamos o que a Confissão de Fé das Assembleias de Deus diz: 
Cremos... No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor (At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26 e Hb 7.25; 5.9).
A Confissão de Fé da Igreja O Brasil para Cristo diz:
Cremos que o homem, havendo caído em pecado, foi destituído da glória de Deus, e que todos foram sujeitos à mesma condenação, para que unicamente por Jesus Cristo, desde de que em arrependimento e fé geradora de obras, fossem restaurados a Deus. E que, para tanto, necessitam os homens do novo nascimento, o que ocorre segundo o poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus. Que o homem, nascido de novo, já tem seus pecados perdoados para não viver mais segundo o poder do pecado, mas segundo a salvação presente e eterna justificação provida graciosamente por Deus segundo a fé no sacrifício de Jesus Cristo em seu favor (Rm 3:23; At 3:19; 2:38; Jo 3:5-7; Rm 5:1,2; Tt 3:4-7). 
E um parênteses: Acho totalmente errado usar o termo “reformado” para designar somente calvinistas. Acho errado, mas uso o termo nesse sentido na maior parte das vezes. Infelizmente, o conceito já se consolidou. É errado porque “reformado”, como disse acima, está relacionado aos Solas e não à TULIP. 

Portanto, reforço o post anterior e manifesto o meu protesto para aqueles que esquecem do pentecostalismo como uma Reforma continuada. Era Calvino que dizia: “Igreja reformada, sempre se reformando”?

Gutierres Siqueira

65 comentários:

  1. Clovis,
    A priori o texto parece apelativo. Quando ele diz que a reforma está baseada nos 5 Solas e não na tulip parece até que a tulip não é consequência irremediável dos 5 Solas. Para exemplificar exponho o seguinte: Os pentecostais não defendem o Sola Scriptura quando as "experiências espirituais" ganham valor equiparado à inspiração bíblica". Parece mais estar próxima do catolicismo com sua fé na tradição + Escrituras que foi um dos motivos da reforma e para a criação da tese Sola Scriptura.

    Espero que essa iniciativa recente do pentecostalismo de formular ou sistematizar sua teologia possa de fato definir as coisas para que não se apoie tanto na tradição, mas apenas nas Escrituras de fato!

    O que acha?

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    1. A questão é: o que define um cristão reformado? A tese esposada pelo Gutierres e defendida por mim que um reformado, ou protestante, é o que acredita e aceita os Cinco Solas.

      É evidente que os Cinco Solas irão inevitavelmente desbocar nos Cinco Pontos, porém muitos irmãos vão afirmar os Cinco Solas e negar a TULIP. Penso haver aí uma inconsistência, e não uma negação ou anulação dos princípios da Reforma.

      O outro ponto é se o pentecostalismo implica afirmação ou negação do Sola Scriptura. No meu entender, o princípio Sola Scriptura tem como "consequência irremediável" a atualidade dos dons espirituais.

      Enfim, o ponto é o seguinte: são os arminianos e pentecostais reformados? Acredito que sim, se reformado e protestantes forem sinônimos. Minha "classificação" é: Teísta, Cristão, Protestante, Calvinista, Continuísta e Pentecostal, sendo que, exclusivamente falando:

      Teísta: excluí ateístas e agnósticos
      Cristão: exclui os pagãos
      Protestantes (reformados): exclui católicos romanos e outros ritos
      Calvinista: exclui arminianos e outros não tulipanos
      Continuísta: exclui cessacionistas
      Pentecostal: exclui os que negam o batismo com o Espírito Santo como experiência distinta da conversão.

      Em Cristo,

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    2. Irmão Clóvis, Concordo plenamente com você e o amado amigo Gutierres Siqueira. Se fossemos abarcar a definição de protestante com a TULIP, nem Lutero poderia ser considerado um Reformado, pois eles tinha muitas distinções (ainda que periféricas) de João Calvino e sucessores.

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  2. Bem, eu não acho correto dizer que Batista e Pentecostal sejam Reformados, quando esses pensam no sistema desenvolvido pelo calvinismo posterior.

    Não é possivel ser Batista e reformado, nem Pentecostal e Reformado - seria melhor dizer Batista calvinista...antigamente no exclusivismo (e hoje em alguns cantos) os batistas faziam questão de destacar 'não somos protestantes'...


    A tradição firmou o termo Protestante a todos não católicos, do movimento do século XVI. É verdade, Reformados seriam todos esses...


    Olhando bem para os termos, estão todos errados, quando pensam em sua origem etimológica. Mas acho que é uma injustiça não olhar para o Pentecostais como 'protestantes'. Embora não são protestantes históricos, mas decorrem deles. O Pentecostalismo tentou avivar o protestantismo, mas em muitos casos, saiur desse ideal e se tornou mistico. Hoje já se tem que falar em 'pentecostalismo tradicional-histórico'.

    Pela graça de Deus, o essencial do cristianismo está ali. Como também o está nas igrejas protestantes históricas...quanto aos 5 solas, tenho do que o potencial pentecostalismo pode rejeitar, na prática, o Somente as Escrituras...

    Mas pode ser apenas uma desconfiança.

    M

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  3. Luciano,

    A questão que lhe faço, para que possamos avançar nesse instigante tema é: o que define um reformado?

    Em Cristo,

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  4. Clóvis, eis a questão. Temos vários problemas para 'sintonizar-nos'.

    1. Reformado, na atualidade, refere-se aos que tem ligação histórica com as Confissões Reformados.

    2. Calvinismo, na atualidade, não raro se refere aos cinco pontos de Dort.

    Sei que os termos são intercambiáveis, para a maioria de nós que estamos abertos para a aplicações genéricas. Talvez praticamos mais o sinédoque.

    Por fim, meu irmão, prefiro ficar o mais perto da seguinte sugestão: Reformados são os que subscrevem as Confissões Calvinistas em sua totalidade. Ou pelo menos, ainda que tenham reservas quanto a um ou outro ponto, não abrem mão da confessionalidade.

    Penso assim...

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    1. Luciano,

      A primeira afirmação é razoável, mas arbitrária. Além de pecar pelo anacronismo. Alguns reformadores ficariam de fora do arraial reformado.

      Quanto à intercambialidade entre os termos calvinista e reformado, sendo aquele definido em termos de soteriologia de Dort, então temos que um pentecostal que aceita a TULIP é calvinista e portanto reformado.

      Acredito que o ponto de convergência são os Cinco Solas. O reformados podiam discordar entre si, mas concordavam quanto à autoridade da Escritura, a salvação unicamente pela graça mediante a fé, a mediação única de Cristo e a glória devida unicamente a Deus.

      Portanto, a expressão que identifica todos os reformados é o Cinco Solas.

      Em Cristo,

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  5. Por direito, um presbiteriano jamais será batista, acho que por direito, um batista e pentecostal, jamais poderia se classificar Reformado...

    E se calvinismo significar 5 pontos, aí entendo que o termo é mais coerente...

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  6. Luciano Sena

    Gostaria de saber o porque dos arminianos não poderem ser considerados reformados?Por não seguirem os 5 pontos do calvinismo?


    Rafael

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  7. Deixando na visão do Mauro Meister o que é ser reformado:

    O que penso sobre ser reformado? (sem ser exaustivo)
    1. Em primeiro lugar, ser reformado é ser crente (fide) em Cristo (Christus), salvo pela graça (gratia), amante das Escrituras (Scriptura) e viver de maneira que agrade a Deus (Deo Gloria).
    2. Segundo, é entender bem na Escritura a diferença entre lei e graça a ponto de não descartar a lei, mas viver pela graça, sem legalismo.
    3. É não confundir a Reforma Protestante com uma mera tradição humana e mais uma forma de religiosidade no grande shopping center das religiões.
    4. É não identificar o que a Escritura ensina com usos e costumes de uma época ou uma geração, mas, ao amar o que nos foi ensinado por nossos pais, não cultuar o seu modo vida naquilo que se confundiu com a cultura do seu tempo.
    5. Ser reformado é amar a Igreja na manifestação da sua própria geração a ponto de lutar por ela e contra ela fim de cooperar na obra de Cristo, de apresentá-la diante de Deus sem mancha, ruga ou mácula.
    6. É ser livre para a adoração a Deus dentro daquilo que a Escritura prescreve, sem rejeitar a tradição por conta de um espírito moderno e, ao mesmo tempo, não abraçar a tradição por conta do meu espírito tradicionalista.
    7. É amar a Missio Dei e entender que dela procede toda a missão do povo de Deus, sem abraçar um conceito reducionista de missões e sem abandonar a missão em nome da conveniência.
    8. Ser reformado é amar a vida na terra, amar o céu e amar a vida no novo céu e na nova terra. Ser reformado bíblico exige de mim uma esperança que vai além do horizonte humano e se encrava na eternidade presente e futura.
    9. Ser reformado é ter uma convicção bíblica tal, que me confundo com a reforma, de modo que não preciso falar que sou reformado todos os dias, em todos os lugares e em todos os meu pronunciamentos. Aliás, aprendi de um grande professor que posso ensinar toda doutrina reformada sem jamais me referir a ela, porque ela não é distinta da doutrina bíblica.



    Rafael

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  8. Isso o que o Mauro disse pode ser, até certo ponto, aplicado aos pentecostais.

    Apesar disso - Reformado para um clara distinção, são apenas os que adotam as confissões reformadas.

    Se Reformado for aplicado ao que é cristão, protestante, evangélico, pentecostal, então qualquer coisa pode ser dita de tudo e de todos... os termos devem ser interpretados no tempo em que estão sendo usados.

    Afinal, protestante no tempo de Lutero teve tb identificação política... ou não?

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  9. Pentecostalismo, perdoem-me os irmãos pentecas, é montanismo, gente, vocês não enxergam isso? É não gozar de noção alguma da Bíblia, sobretudo a respeito da - eu diria - ontologia de cada livro bíblico, para tentar encaixar o neomontanismo penteca em uma tradição genuinamente protestante e cristã, seja a mesma reformada ou não.

    Penso que o Pentecostalismo torna qualquer debate cristão rizível.


    JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

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  10. João Emiliano, cuidado por "ver demais"... não nivele por baixo.

    Outra coisa, dizer que uma debate sobre o Pentecostalismo 'é rizível', foi muito infeliz. Pelo menos não sei se pensa nos pentecostais mais sérios leia por exemplo algum livro de Teólogos e de Teologia Pentecostal, para não dizer um absurdo chocoso desse.

    Esequias Soares, Myer Pearlman, poderia de ofercer uma posição melhor do que seria uma pentecostalismo maduro, entre outros.

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  11. Como um pentecostal segue por exemplo o Sola Scriptura, se sua teologia sobre o batismo e do dons do Espírito, como o de línguas como evidência, é inconsistente com toda a estrutura textual neotestamentária? E a razão por se criar essa teologia pentecostal, não foi primeiramente as Escrituras e sim as experiências de tais, que por acreditar que elas eram autênticas, precisavam harmoniza-las com a teologia reformada, que por essência era erudita. Como um arminiano pode seguir o sola gratia, se ele concebe em seu entendimento, que o homem possui em algum nível capacidade de escolher seu destino espiritual, se a graça é um conceito de não-merecimento, como também não-capacidade? São questões retóricas que apenas exemplificam alguns detalhes, dentre outros.

    Se ser reformado fosse apenas seguir as 5 solas, então pentecostal, não poderia requerer ligação ao termo. Mas como não é, então o pentecostalismo é apenas um movimento oriundo do protestantismo, a reforma, que se caracteriza não como reformados, mas somente como pentecostal, assim como os arminianos.

    O que parece é uma briga por herança, onde o bastardo que ter os mesmos direitos do filho legítimo! É ilegal!!

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    1. Leonardo Marinheiro, onde é que eu assino? ;)

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    2. pode assinar um cheque...kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    3. *Como um arminiano pode seguir o sola gratia, se ele concebe em seu entendimento, que o homem possui em algum nível capacidade de escolher seu destino espiritual, se a graça é um conceito de não-merecimento, como também não-capacidade? *

      Então um católico pode ser considerado um seguidor do Sola Gratia? Estranho isso...

      Afinal, o que você escreveu sob a pecha de 'arminiano' define, 'em algum nível', o semi-pelagianismo, condenado pelo Concílio de Orange, enquanto o Concílio Trentino tem muita coisa acerca da incapacidade e do 'não-merecimento'.

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    4. Oh Anônimo "Arminiano"...

      Um católico pode ser considerado um seguidor do Sola Gratia? Estranho é essa pergunta!

      Catolicismo é por essência arminiana ou pelagiana, como vc quizer!

      E um católico, seguidor do Sola Gratia é discrepância paradoxal!

      E o assunto aqui é se um pentecostal pode ser considerado protestante, já um católico seria uma outra discussão, tipo, católica poderia ser considerado cristão, por exemplo.

      E sobre os concílios citados, o primeiro que ocorreu em 529, confirmou a teoria Agostiniana contra o ensino de Pelágio. E o segundo, já diz, contra-reforma, e as cincos solas é um conceito exclusivo da reforma protestante!

      E outra coisa "estranha", é você "anônimo"...pois não houve objetividade em seu comentário!



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    5. Anônimo arminiano? Eu??

      Você falou sobre a teoria do imerecimento e incapacidade. E o Concílio de Trento é claro sonbre essas doutrinas - aliás católicos creem nisso baseados em Agostinho e Aquino (além dos concílios citados). Eles creem em Sola Gratia, por mais paradoxal que você pense. Afinal, eles sobrescrevem aos seus doutores para tais ensinos - em especial Sto Agostinho e S. Tomás de Aquino.

      É claro, você pode acusá-los de redefinir os termos, mas isso não é tão importante se não tiver provas!

      Afirmar que o catolicismo é pelagiano é um atestado claro de ignorância. Arminiano, até dá pra relevar - mas claro, ninguém sabia que o molinismo (o 'bisavô' do arminianismo) nasceu na Católica...

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  12. Ser Reformado é subscrever os postulados das Confissões calvinistas.

    Por isso nem Batistas nem Pentecostais são Reformados. Entendo...

    São Protestantes? Bem, se batistas dizem que são reformados, mesmo negando o batismo infantil, pq os pentecostais não seriam protestantes?
    Quem diria que Waine Grudem não é PROTESTANTE, CALVINISTA E PENTECOSTAL, além de ser PRÉ MILENISTA?

    Uma definição de termos, que pode revelar mais problemas do que imaginamos...

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    1. Luciano, fechando no que o Leonardo Marinheiro disse acima, que foi o mesmo que tentei dizer de início é o seguinte:

      Os batistas poderiam ser considerados "reformados" porque asseguram os cinco solas, mas não podem ser considerados calvinistas por que não assegurarem todos os pontos da tulip.

      Não tente colocar os batistas no mesmo saco dos pentecostais porque a diferença é gritante!!! A reforma não é a tulip, mas os cinco solas.

      Os pentecostais anulam o sola graça e negam que só a Escritura seja a regra de fé na prática como já foi argumentado pelo Leonardo.

      Poderíamos apontar muitas outras diferenças entre os batistas e os pentecostais para mostrar que os batistas estão mais próximos da reforma do que os pentecostais.

      Ser pentecostal é desacreditar e combater a perseverança dos santos, coisa que os batistas defendem em comum com os calvinistas (teologia reformada).

      Só pela negação pentecostal da perseverança dos santos fica insustentável dizer que eles creem no Solus Christus, pois a obra de Cristo torna-se insuficiente para a salvação; Sola Fide, pois não é somente a fé mas também a obra e vigilância do crente; Soli Deo Gloria, porque a conquista da salvação tem participação humana e nisso ele pode se gloriar e muito menos Sola Gratia, já que o indivíduo é salvo pelo que faz.

      Pentecostal não chega nem perto dos cinco solas nem da tulip, que não é mais do que um desdobramento dos cinco solas.

      Agora, creio que um pentecostal pode seguir uma teologia reformada com alguns ajustes. Pelo pentecostalismo apoiar-se na continuidade (atualidade) dos dons, o falar em línguas etc, mantido estes elementos o resto precisa mudar ou ser ajustado para ser considerado reformado, mas convenhamos que será um reformado aditivado ;)

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    2. André, não coloquei pentecostais e batistas no mesmo saco. A não ser que tal 'embalagem' seja o cristianismo, onde espero estar...

      No mais, suas afirmações são corajosas, e comprometedoras se forem realmente confirmadas pelos pentecostais.

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    3. André e Luciano,

      Creio que concordamos, eu e o André, com o Cinco Solas como critério para inclusão de um grupo no clube reformado. O ponto então é se os pentecostais adotam o Solas ou não. Para ele não. Quanto a você, nossa discordância é uma pouco maior, pois você inclui a subscrição das confissões reformadas como critério e aí temos alguns questionamentos que deixaremos mais para depois.

      Por ora, gostaria de examinar os pontos levantados pelo André, quanto a conformidade dos pentecostais com os Cinco Solas. E não desejaria críticos melhor do vocês, pois sei que são amigos francos e leais, que certamente defenderão a verdade com amor.

      Gostaria de começar pelo Sola Scriptura, já que é o que primeiro se levanta contra o pentecostalismo. Minha pergunta é: a doutrina pentecostal fere o Sola Scriptura? Em que e por que?

      Em Cristo,

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    4. Olá Clovis,
      Pra começar é difícil definir aqui o que seria uma "doutrina pentecostal" e como ela poderia ferir o Sola Scriptura uma vez que nem mesmo os pentecostais têm uma doutrina definida. Foi o que tentei dizer de início, espero que os pentecostais amadureçam bem essa iniciativa de criar uma teologia pentecostal oficial (acadêmica) pra ter como defender alguma coisa como pentecostalismo e não o pentecostalismo de uma igreja pentecostal X ou Y. Entende?

      Se ser pentecostal é definido apenas pela atualidade do pentecoste, então não há o que discutir. Um pentecostal poderá crer na suficiência das Escrituras (sola scriptura) falando em línguas. O falar em línguas não fere este sola.

      Mas se ser pentecostal é definido por mais do que a atualidade do pentecoste, então podemos encontrar problemas. No geral o penteca valoriza a experiência pessoal como complemente à Escritura. O seu entendimento sobre Deus não está apenas restrito à revelação especial naquele cânon que chamados de scriptura, mas vai além. A revelação se estende para além das Escrituras englobando suas experiências - sejam elas místicas ou não. O pentecostal clássico, mesmo que negue de pé juntinho, acaba afirmando na sua prática religiosa que a revelação não está encerrada nas Escrituras. Quando há uma revelação além das Escrituras, não é mais um "Só a Escritura", mas um "Também a Escritura".

      Tenho um amigo pentecostal que sempre vem com bizarrice com base nas experiências de revelação extraordinária de alguém que foi arrebatado ou teve uma visão x ou y mas sem base bíblica. Quando isso é questionado a coisa vai pra justificativa da santidade do irmão, mulher de Deus cheia de poder, muita intimidade com Deus etc... por mais que seja uma heresia à luz da Bíblia, o que vale é a fonte extra bíblica negando o Sola Scriptura.

      No que estou errado?

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    5. continuando...

      Só poderia mesmo estar errando por particularizar, por tratar uma idiossincrasia por pentecostalismo. O problema é que não encontro um perfil desses que mencionei acima que não seja dentro do pentecostalismo. É um dilema de tostines: O pentecostalismo tem pentecostal que é assim, ou o pentecostal é assim por causa do pentecostalismo? Acho que não dá pra diferenciar.

      Acredito que seja mais fácil encontrar crentes que creem no pentecoste e falam em línguas, e este é o maior elemento que o caracteriza como pentecostal, mas é um pentecostal com menos sal ;-) pois não adere aos outros elementos constitutivos do pentecostalismo como já mencionado.

      Por fim fica o seguinte: se concordarmos que o pentecostalismo é definido apenas pela atualidade do pentecoste, tudo bem! O pentecostalismo não fere o Sola Scriptura. Mas isso não é o pentecostalismo na prática. Concorda também?

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    6. Andre,

      Vamos aos pontos.

      1. Creio que existe sim uma teologia pentecostal e ela é bem definida, ainda que de forma simples. Os chamados "credos" da Assembléia de Deus e da Igreja O Brasil Para Cristo são exemplos disso. Mesmo que você tenha em mente teologias sistemáticas, existem boas TS na perspectiva pentecostal. Indico, por exemplo, a do Stanley Horton (CPAD) e a do J. Rodman Williams (Vida). De qualquer forma, os "dois pontos do pentecostalismo são facilmente enunciáveis: batismo em/no/com o Espírito Santo como experiência distinta da conversão e atualidade dos dons espirituais.

      Com relação aos credo, transcrevo aqui dois pontos de interesse para o debate, extraídos do Credo de minha denominação:

      "2 - Cremos na inspiração verbal e plena da Bíblia Sagrada, e que a revelação necessária para o homem é expressamente nela estabelecida ou pode dela ser deduzida, o que a faz única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter do cristão, nada podendo qualquer um acrescentar, reformar ou omitir-lhe sob qualquer alegação (Ap 22:18-20).

      9 - Cremos no batismo com o Espírito Santo, como ensina a Bíblia Sagrada, tendo como uma das evidências o falar em outras línguas conforme a Sua vontade. Cremos que também são concedidos à Igreja dons espirituais pelo Espírito Santo, conforme Sua vontade, sempre com propósito muito bem definido e que convergem à edificação da Igreja e à glorificação de Deus (I Co 14:1-3; 14:12-14; 14:26-33)."

      Em Cristo,

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    7. Ok Clovis,até aí tudo bem.

      O problema continua no credo não se traduzir na prática. Mas tudo bem, você parece concordar com um dos postulados que apresentei: atualidade do pentecoste como elemento definidor do que seria o pentecostalismo. Se fecharmos aqui, tenho nada a dizer. Minha dificuldade surge quando olho para o quadro geral da imagem que tenho do pentecostalismo. Entende?

      Desculpe, Clovis, não quero ofender. Não me entenda mal! Mas a discussão me lembra o catolicismo que apesar de dizer que seu catecismo não ensina a idolatria a coisa é negada na prática dos fieis. Não conheço bem sua denominação, mas tirando pelos bleianos com quem tenho mais contato a coisa parece do jeito que estou falando. Por isso disse que meu erro pode ser o de estar avaliando o todo pela particularidade. E não vejo uma teologia pentecostal tão definida assim, vejo um pentecostalismo variando de acordo com o rótulo denominacional.

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    8. um complemento...
      Falei de teologia sistemática e trabalhos acadêmicos porque acredito que um credo ou declaração de fé será a convenção de uma determinada denominação e não representará o pentecostalismo.

      Quando a gente fala de uma teologia reformada a gente não fala da teologia presbiteriana necessariamente. Uma declaração de fé reformada não será necessariamente uma declaração de fé presbiteriana. Acho que são coisas diferentes.

      Se concordar comigo, a declaração de fé de O Brasil para Cristo não é a declaração de fé pentecostal. Faz algum sentido ou estou viajando?

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    9. 2. Outro ponto levantado refere-se a algo "mais do que a atualidade do pentecoste", ou seja "experiência pessoal como complemente à Escritura", isto sim uma violação do Sola Scriptura. Entramos na questão da prática pentecostal ou melhor dizendo, a prática dos pentecostais. Cabe algumas considerações.

      2.1 A primeira é quanto o valor da experiência para o pentecostal. O pentecostal valoriza a experiência. Mas será que no pentecostalismo a experiência complementa ou mesmo valida a Escritura? O artigo 2 da OBPC refere-se à Bíblia em termos de "revelação necessária expressamente estabelecida" e "única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter do cristão", sendo expressamente proibido "acrescentar, reformar ou omitir-lhe sob qualquer alegação".

      2.2 Desconheço qualquer obra pentecostal que coloque a experiência como normativa ou complementar à revelação bíblica. Não digo que tais obras não existam (nada mais me surpreende no meio evangélico), mas pessoalmente não tenho nenhuma obra de autor que considero sério que abra-se para essa possibilidade.

      2.3 Mas é inegável que você encontrará pentecostais prontos a basear-se em suas experiências ou impressões subjetivas. Como você vai encontrar não pentecostais que dão igual importância à tradição, por exemplo. Sem contar os que baseiam-se em suas experiências para negar a atualidade dos charismas.

      Em Cristo,

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    10. André,

      Asseguro-lhe de coração que não me ofende. Mas vamos lá.

      3. Talvez o pentecostalismo apresente mais problema que outras tradições no que se refere a transformar em prática o que está formulado num credo. Historicamente, nós temos negligenciado o estudo doutrinário, o que quero crer está mudando. Mas enfim, isso é uma falha operacional do pentecostalismo e não fundamental. E penso que talvez em menor grau, mas com certeza é um problema de outras tradições. Basta observarmos quantos arminianos existem nas igrejas que tem sólidas confissões calvinistas.

      4. Estou de acordo e agradeço-lhe por apontar que os credos denominacionais não expressam a corrente como um todo. Assembleianos divergem dos brasilcristianos, assim como presbiterianos divergem de anglicanos reformados. Portanto, o que se tem que focar são os pontos distintivos do movimento maior e não de uma denominação. O que os pentecostais em geral tem em comum e não no que divergem entre si.

      4.1 O pentecostalismo é definido em termos de separalidade entre regeneração e batismo com o Espírito Santo e atualidade dos dons espirituais, inclusive os chamados extraordinários.

      4.2 As obras pentecostais de referência divergem entre si assim como a TS do Wayne Grudem e do Strong divergem das TS do Berkhof e do Hodge, mas os dois grupos tem um núcleo comum, como você disse. Entre os pentecostais é comum divergirem quanto ao falar em línguas como evidência necessária do batismo com o Espírito Santo. Mas todas as TS pentecostais, além dos autores não sistemáticos concordam com os dois pontos mencionados acima.

      Em Cristo,

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    11. Caro André,

      Para fecharmos esse ponto, do Sola Scriptura, considerando o pentecostalismo das TS pentecostais, dos credos das igrejas pentecostais da AD e OBPC e de autores como Gordon Fee, William Menzies, Donald Gee, Staley Horton, Myer Pearlman, Antonio Gilberto, Esequias Soares, dentre vários outros, você você incompatibilidade entre o Cinco Solas e a Fé Pentecostal?

      Em Cristo,

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  13. Vou dar meu palpite:

    1) O André não teve como provar com base nas confissões pesntecostais o que ele diz que 'na prática não é assim'... >>na prática<< não é assim nem mesmo em Igrejas Presbiterianas, com sua cosmovisão reformada definida.

    Waine Grueden dá uma resposta satifatória a essa questão.

    Conheci um seminarista que o conselho de sua igreja disse que não queria ele pregando esse negócio de presdetinação na igreja... tb, lem,bro-me de um presbítero que dizia que 'Calvino só dá dor de cabeça'... e um outro me disse 'nunca vi tanta inutilidade como vejo na doutrina da presdetinação'...

    Assim sendo, mesmo que em maior escala, não acho que poderia provar que oficialmente o pentecostalismo nega os Cinco Solas (que são os únicos sinais protetantes definitivos, pois nem a TULIP é).

    André, irmão AMADO BATISTA [ENTENDA A BRINCADEIRA], se ler com atenção Myer Pearlman, ou mesmo o erudito Esequias Soares, não continuará negando a destra da comunhão PROTESTANTE aos irmãos pentecostais.

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    1. Luciano,

      Só uma detalhe. Não creio que o André negue a destra da comunhão aos pentecostais. Ele pode não reconhecê-los como reformados, mas não considera irmão apenas o reformado.

      Pelo menos é o que eu entendo do que leio dele.

      Em Cristo,

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    2. Certíssimo Clóvis. Dou paz do Senhor a todos os irmãos em Cristo e espero ver todos juntos louvando o Cordeiro que nos salvou naquele grande dia. Lamento até que haja certa segregação ainda aqui... na verdade, vejo isso como vergonhoso!

      Luciano, todos os exemplos que você citou são denominacionais e por algum motivo, não sei se estou certo, pentecostalismo significa algo além denominação.

      Hoje as denominação sofrem uma crise e tem batista em bleia, bleiano em presbiteriana etc... A identidade denominacional não é mais formada nos novos convertidos, o proselitismo carece de acompanhamento, as pessoas escolhem igrejas não pela confissão de fé que se alinha à sua, mas por comodismo, pela esposa, pelo ar condicionado no templo etc. Não acredito que no passado era assim. Tiro conclusões pelos batistas, meus irmãos professores de EBD com 20 anos de igreja e nunca leram a declaração de fé batista.

      Tomando a Assembleia de Deus como referência pentecostal a coisa é pior. O cara se converte e se em três meses ele é batizado com o dom de línguas; pronto, tá na lista para assumir um congregação ou ponto de pregação ali na esquina na casa de um dos irmãos e a coisa vai se multiplicando sem o cuidado com a formação teológica, sem o zelo por uma confissão doutrinária e por aí vai. Não adianta nem dizer que não é assim porque tenho casos na família como acabei de descrever.

      Mas, concordo que isso acontece nas Assembleias de pequeno porte, em comunidades de pessoas simples. Em Assembleias maiores a coisa tende a ser diferente, felizmente.

      Onde quero chegar, e acredito que o Clóvis concorde, o pentecostalismo não é representado por uma denominação pentecostal em particular.

      Clovis, pra fechar, não conheço as obras citadas. Pentecostalismo não é minha praia. Acredito ter deixado bem claro desde o início que minha avaliação vem pela leitura da prática religiosa, e que se concordássemos que pentecostalismo é definido apenas pela atualidade do pentecoste e afins, eu não teria nada a declarar.

      Por enquanto o placar está 1x0 pra você ;)
      Vamos para o próximo sola?

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    3. André,

      Não acredito que esteja 1x0 para mim. Pois embora o pentecostalismo não fira o Sola Scriptura em sua essência, ainda estamos longe de aplicar a Escritura de forma correta. Como você disse mais no início, e eu concordo, o Sola Scriptura deveria desembocar, necessariamente, na soteriologia reformada. Mas isso não é um defeito do pentecostalismo apenas, estão aí os batistas arminianos para comprovar.

      De qualquer forma, reconheço que o pentecostalismo falha, não na aceitação da Escritura somente, mas na interpretação da Escritura.

      Em Cristo,

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  14. Não! não disse comunhão cristã, mas '>protestante<' (pelo menos olhando para a definição do termo) na verdade estou me referindo ao rótulo...

    Sei que o 'irmão André' não iria a tanto...

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    1. Luciano,
      Somos parte do mesmo corpo queira rotular como bem desejar.

      Meu ponto é o seguinte:

      Se o rótulo é protestante porque protesta, protesta contra o que? Contra o dogma católico? Os reformadores protestaram contra os dogmas católicos e de que forma protestaram? Criando teses. A princípio foram CINCO.

      Cada tese ou sola visava combater (protestar contra) algum dogma católico. Sola Scriptura porque o catolicismo sustentava que a regra de fé não estava firmada apenas nas Escrituras. Quando o pentecostal afirma ter revelações extrabíblicas ou tem comportamento fora do padrão bíblico porque simplesmente diz ter tido uma revelação ou que "sente no espírito" que é para agir diferente, ele não é aquele tipo de protestante, ele na verdade está protestando a tese da reforma.

      Quando o pentecostal diz que entrará pelos portões do céu, não por graça ou pela suficiência do sacrifício de Cristo, mas porque ele crê na sua competência para andar em santidade e fazer-se apto para isso, ele está protestando contra o sola fide e solus christus de uma só vez.

      Na verdade o pentecostal torna-se um protestante (mas só que do próprio protestante).

      Assim como é complicado separar os cinco pontos calvinistas dos cinco solas, é complicado separar o pentecostalismo do arminianismo. Uma coisa implica a outra!

      O pentecostal, na prática, não é definido apenas pela atualidade dos dons e afins. Há todo um pacote que conflita diretamente com os cinco solas.

      Podemos discutir idiossincrasias, pentecostalismos particulares de uma denominação x ou y, mas o quadro geral não é animador para quem deseja defender os pentecas como reformados/protestantes.

      Encerro minha participação, acho que vou ficar rodando em círculos. Pelo menos até que vocês consigam me provar que o pentecostalismo é definido apenas pela atualidade dos dons sem que isso seja uma convenção ou postulado para nosso debate.

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    2. André,

      Quando você afirma:

      "Quando o pentecostal diz que entrará pelos portões do céu, não por graça ou pela suficiência do sacrifício de Cristo, mas porque ele crê na sua competência para andar em santidade e fazer-se apto para isso, ele está protestando contra o sola fide e solus christus de uma só vez".

      Eu sou forçado a perguntar qual pentecostal afirma "a [própria] competência para andar em santidade e fazer-se apto para isso"?. E, também, qual pentecostal afirma que entrará no céu "não por graça ou pela suficiência do sacrifício de Cristo"? Se me permite dizer, você está mal representando o pentecostalismo e então combatendo esse arremedo de fé pentecostal. Como lhe disse, desconheço qualquer autor pentecostal que negue a salvação pela graça, a suficiência de Cristo e afirme a santidade própria como base para entrar na glória. E tenho lido vários autores pentecostais, alguns dos quais não recomendaria de jeito nenhum, mas mesmos esses fanáticos não chegam ao ponto de afirmar a salvação retributiva.

      Quanto à salvação, fé pentecostal acredita "no perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor". O no aspecto da santificação, crê "na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus no Calvário, através do poder regenerador, inspirador e santificador do Espírito Santo, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas do poder de Cristo".

      O que falta ao pentecostal é consistência entre o que afirma em seu credo (p. ex.: "eterna justificação") e a possibilidade de perda da salvação (que não é definida em seu credo, mas amplamente aceita). E nisto concordo com você, "é complicado separar os cinco pontos calvinistas dos cinco solas". Mas os pentecostais o fazem e nisto eu creio que há inconsistência de nossa parte.

      Em Cristo,

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    3. Meu irmão André,

      Você disse que suspenderia sua participação, pelo menos "até que vocês consigam me provar que o pentecostalismo é definido apenas pela atualidade dos dons sem que isso seja uma convenção ou postulado para nosso debate". Posso fazer uma tentativa.

      Creio que devemos considerar os pontos distintivos de cada tradição se quisermos categorizá-la de alguma forma. Por exemplo, o que define um batista é um conjunto de crenças que ele tem em comum com outros ramos do protestantismo. Mas o que o distingue dos demais? Creio que se eu quiser combater a fé batista, devo me concentrar naquilo que os distingue dos demais e não naquilo que tem em comum.

      Assim também com os pentecostais. Sim, em sua maioria são arminianos. Mas tem isso em comum com metodistas, com muitos batistas e outros tantos. Portanto, seu arminianismo não lhe é peculiar. O mesmo pode-se dizer do dispensacionalismo. Embora haja pentecostais aliancistas, há reformados dispensacionalistas, batistas aos montes. Enfim, para as várias visões doutrinárias acolhidas dentro do protestantismo, haverá pontos que os pentecostais terão em comum com outras denominações.

      Mas o que torna alguém um pentecostal? Não é o arminianismo, dispensacionalismo, credobatismo, governo congregacional, tricotomia, pois outras correntes conseguem reunir tudo isso e não serem pentecostais.

      Então eu lhe digo: o que importa para o debate não é o que pentecostais tem em comum com outros grupos, mas o que os distingue dos demais. Se alguém quiser se opor ao pentecostais como tal, terá que bater nesses dois pontos.

      Em Cristo,

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  15. ([{Clóvis o blog 5 calvinistas, parou?}])

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  16. ([{Clóvis o blog 5 calvinistas, parou?}])(2)

    Rafael

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    1. Sim, o blog 5Calvinistas passa por uma certa letargia. Talvez em 2013 retome o ritmo de publicações.

      Em Cristo,

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  17. André,

    5. A segunda razão pela qual você nega que os pentecostais possam ser reformados é que eles anulam o "Sola Gratia, já que o indivíduo é salvo pelo que faz".

    Bom, aqui minha defesa já não é tão firme, pois embora eu não tenha dúvidas quando ao Sola Fide, na prática o Sala Gratia é, no mínimo obscurecido em nosso meio. Porém, permita-me argumentar que:

    5.1. Essa fragilidade não decorre do pentecostalismo em si, e sim de sua herança arminiana. O pentecostalismo não refletiu teologicamente e concluiu que o arminianismo era mais consistente com o ensino bíblico. Mas simplesmente nasceu em berço arminianos e assim cresceu. Tanto é que numa das mais antigas defesas da fé pentecostal no Brasil dizia simplesmente que ele não adotava "o fanatismo da predestinação e da salvação incondicional".

    5.2. Essa fragilidade não é exclusividade do pentecostalismo. Embora você tenha exclamado "Não tente colocar os batistas no mesmo saco dos pentecostais porque a diferença é gritante!!!", neste pormenor, o da Sola Gratia, não há diferença alguma entre o pentecostal e o batista arminiano, exceto pelo fato de que este último não tem a desculpa de não ter refletido no assunto. O arminianismo batista é mais refletido do que o pentecostal.

    5.3 Creio que deva dar a mão a palmatória também quanto algumas vertentes do pentecostalismo terem desenvolvido um sistema bastante legalista. Mas, ainda assim, devo insistir que se trata de uma corrupção do que está nos credos históricos e nos autores pentecostais confiáveis.

    Em Cristo,

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    1. Caro Clóvis e companheiros...

      a teologia pentecostal sistemática, pode sem problema nenhum, incorporada aos "ramos da grande árvore chamada protestantismo"? Sim, mas creio eu, no contemporâneo e não no histórico. E na arena da teologia filosófica pentecostal vamos encontrar basicamente duas realidades, a erudita e a leiga. E infelizmente a segunda realidade, a leiga, tomou as rédias do chamado pentecostalismo, não o teórico, mas o prático, porém devido a superficialidade teológica e o misticismo característico desses leigos, o pentecostalismo original saiu dos trilhos, veja consequência disto, os neo-pentecostais.

      Minha simplória tentativa aqui é gerar um pensamento de que, se os pentecostais reforma-se sua teologia, de onde eles partiriam?

      Minha opinião é de que eles partiriam do princípio, do sola Scriptura. E pra isso, seria necessário, abrir mão da doutrina do batismo do Espírito, como uma segunda obra do Espírito. E porque? Simplesmente pelo fato de que a Escritura neo-testamentária, não oferece sistematicamente o suficiente para sustentar essa interpretação. E também não possui essa doutrina, uma consistente e relevante cobertura nos importantíssimos escritos e tratado teológicos inspirado pelo Espírito Santo, que são as Epístolas Apostólicas.

      A cerne a teologia pentecostal está em sua doutrina do batismo do Espírito e consequentemente na continuidade dos dons apostólicos.

      Então concluo que a Sola Scriptura, define que somente as Sagradas Escrituras, é a Inspirada Palavra de Deus é a regra de fé e prática, além de ser a única fonte de conhecimento sobre Deus, então porque os homens, independentes de seu tempo, capacidade intelectual, influências externas e boas intenções, buscam além Dela ou a partir Dela, uma espiritualidade aquém Dela? Porque fugir da simplicidade Dela, para autenticar pseudo-experiências em sistemas tricotados de textos, filosofias e conjecturas hipotéticas? Ignorar o simples princípio de que, se as Escrituras não é clara acerca de um tópico, porque força-La, criando sistemas rasos contextuais, afim de ser condizente a uma visão interpretativa incomum?

      O poder do Espirito Santo e os seus dons e sinais foram para dar autenticidade aos "Moisés´s" de Cristo, para que a Palavra tivesse a a autoridade que Ela tem diante de Deus e deveria ter diante da Igreja. Embora o Espirito Santo atue com Seu poder hoje, ele atua por de Sua Escritura Inspirada.

      Pentecostais, deixem de ser pentecostais para serem bíblicos na íntegra! Assim servem à todos os outros!!

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    2. Clovis,
      Minha maior tristeza é ver os batistas em cima do muro. Os Batistas têm uma forte herança dos chamados batistas particulares que eram 100% calvinistas, vejamos Spurgeon como exemplo.

      Por algum motivo, batistas diplomáticos que são, a orientação tendeu para uma suposta visão equilibrada. Não tá nem lá, nem cá. Crê no livre-arbítrio e na perseverança dos santos. Costumo dizer que pelo menos nós batistas começamos arminianos e terminamos batistas em nossa confissão de fé como deve ser ;)

      Sou obrigado a viver no meio dessa incongruência de ter livre-arbítrio para entrar, mas não ter para sair. Sempre acuso os batistas de formularem uma teologia soteriológica conveniente.

      Mas, de qualquer forma, os batistas têm muito mais em comum com os reformadores do que os pentecostais.

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    3. Leonardo,
      Concordo com você quando diz que o evento é para marcar os Moisés de Cristo. Assim como alguns eventos se repetiram com Josué para mostrar que ele era o sucessor de Moisés da parte de Deus, o evento do pentecoste se repetiu pelo mesmo motivo. Qualquer exegeta da alta crítica vai defender isso com a maior facilidade.

      Contudo, o argumento é questionável. Ainda mais do lado dos pentecas, uma vez que pela experiência o "testemunho bíblico" é validado. Testemunho bíblico aqui poderia ser também traduzido por leitura bíblica induzida pela experiência... quem sabe?

      Ainda assim, por força do argumento que são Moisés de Cristo, o que impede o pentecostal de utilizar o argumento e dizer que tal evidência dos Moisés de Cristo não terminou? Nada! Ainda tem Paulo dizendo para não proibir o falar em línguas... complica.

      Clovis tem razão quando diz que se alguém quer criticar o pentecostalismo o fará daquilo que a distingue das outras, o falar em línguas é a evidência para isso. Tanto para definir quais são as igrejas pentecostais e quais não são.

      Só por essa definição não dá pra dizer necessariamente que os pentecostais ferem os cinco solas. Mas ele também admitiu a dificuldade de separar o teórico da prática, de definir as coisas fora dessa obscuridade que existe no pentecostalismo quanto a alguns elementos dos solas.

      Por isso volta a dizer, fico feliz em ver que nossos irmãos penteca estão produzindo material "acadêmico" para formalizar e dá forma finalmente à teologia deles. Precisamos levar em conta que o pentecostalismo surgiu recentemente e é esperado que a coisa caminhe por onde está caminhando.

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    4. André,

      Se para você é questionável a teologia do término dos "dons apostólicos", e dentre eles o de falar em línguas, quanto mais a continuidade desses, no ponto de vista bíblico e experimental. Quanto ao que Paulo escreveu em I Cor 12 e 14, nada há de complicado! Pelo contrário, é nesses textos que encontramos pontos também de refutação, aos aspectos doutrinários dos pentecostais.

      E como eu disse pela ultima vez, a cerne da teologia pentecostal, está na doutrina do Espirito Santo, o batismo como segunda benção, como ato distinto da salvação, da regeneração, o que é inconsistente com a Escritura, e essa doutrina é de origem experimental e não escriturística, portanto anti-sola scriptura, por definição.

      Eu recomendo a você André e a todos que se interessar dois materiais, que irão lhes dar mais luz sobre esse assunto, para ajuda-los mais em suas conclusões.

      http://www.gty.org/files/PDF/pt451118.pdf - Caos Carismático de John Macarthur

      http://www.monergismo.com/textos/livros/prosperidade_Smalling.pdf

      Essas obras tratam também de outros aspectos relacionados ao pentecostalismo.

      Se quiserem depois discutir esses livros, me adicionem no facebook: www.facebook.com/leonardo.f.marinheiro

      Abraços!

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  18. Olha meus irmãos, dou uma opinião muito radical (apesar de não estar no debate, como André e Clóvis demonstraram)...

    Se os pentecostais rejeitam os, ou alguns, do cinco solas, posto fica uma decisão muito séria a tomar: o pentecostalismo é um movimento herético. A Igreja Pentecostal é uma seita.

    Qual problema com o Romanismo? Testemunhas de Jeová? Mórmons? Adventistas do Sétimo Dia? Espiritismo? Islã? Todos, TODOS, rejeitam um ou mais pontos dos Cinco Solas.

    Embora nenhum provou que os pentecostais negam os cinco solas, vcs estão tirando mais conclusões do que colhendo deles as suas afirmações.
    Ao contrário do que fazem com os grupos acima citados.

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    1. Luciano, não confunda as coisas.
      Não estamos discutindo denominações. TJ, Mórmom, Adventista são denominação distintas e com confissão de fé definida. É fácil concluir as coisas assim. Mas no caso aqui a discussão é quanto ao pentecostalismo, e este não é representado por nenhuma denominação em particular.

      O objetivo aqui é discutir o que define o pentecostalismo (não a denominação pentecostal x e y) e se este pentecostalismo conflita com os cinco solas. Pelo menos é isso que estou entendendo desde o início...

      Tome cuidado pois todas as denominação (igrejas) são seitas! É uma segregação, uma particularização da "religião oficial". O cristianismo era uma seita em seu início. Há diversas seitas (o secionar, uma seção) do cristianismo. Se as denominação são divergentes em alguns pontos, todas são partes de um cristianismo particular, todas são seitas.

      Os TJ não são considerados heréticos porque negam os Solas, a trindade não está em nenhuma das teses dos Solas. Negar a trindade é suficiente para acusá-los de heresia sem ter que tocar nos Solas ou relacionar quaisquer implicações com os cinco solas.

      O argumento TJ que nega a trindade é bíblico, se tomarmos o termo por sua simples definição: é bíblico porque encontra respaldo nos textos bíblicos. Um TJ poderia facilmente alegar que por sua fidelidade ao Sola Scriptura a trindade é uma conversa fiada inventada por Tertuliano, pois o termo nem sequer se encontra no texto bíblico. Há diversas passagens, ao contrário, que aparentemente demonstram a distinção entre Pai e Filho além de maior ou menor deidade entre eles... (não estou defendendo a tese, estou apenas citando como exemplo!!!)

      O problema é que as pessoas confundem "método hermenêutico" com "ser bíblico". Ser bíblico na maioria das vezes se traduz em estar em conformidade com uma determinada interpretação bíblica baseada em postulados. Todo leitor projeta no texto seu próprio entendimento ou percepção da realidade. Aqui dou as mãos a Jaques Derrida... Não tem essa de "a verdade bíblica" o que temos é "uma verdade apreendida de algum método hermenêutico do texto bíblico". Onde quero chegar?

      As implicações do Sola Scriptura entre Mórmons e Testemunhas de Jeová são diferentes. Os mórmons podem ser acusados de ferir esse sola porque as Escrituras não são a única regra de fé, aliás ele alegam que esta foi deturpada pelo desvio dos apóstolos da fé, por isso foi necessário a revelação complementar de resgate das "verdades divinas" contidas no tal Livro dos Mórmons. A "teologia Mormom" não é desenvolvida só nas Escrituras, mas também no Livro dos Mórmons. Eles negam de cara o Sola Scriptura. Os TJ são heréticos sem negar o Sola Scriptura. O erro é de ordem hermenêutica, da interpretação do mesmíssimo texto bíblico sem implicar, portanto, uma crise com o Sola Scriptura.

      Parece que estou encontrando em contradição com minhas primeiras participações no debate, mas não estou!

      Vou elaborar um pouco mais abaixo...

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    2. Continuando...

      Desde o início estou tentando diferenciar o escopo da discussão: o que define o pentecostalismo? Se o pentecostalismo é representado por todas as denominações pentecostais com suas idiossincrasias, creio que a coisa fica insustentável com o Sola Scriptura, uma vez que vejo o pentecostal na prática orientar-se mais na experiência (seja ela mística ou não) do que no "ensino" bíblico (estou colocando entre aspas porque dependerá um pouco da hermenêutica, o ensino bíblico não está lá em natura, depende de leitura e consequentemente de interpretação). E trato de questões muito particulares e extremas como citei acima. Um amigo penteca viaja em loucuras sem nenhum respaldo no testemunho bíblico, são coisas simplesmente alheias à revelação encerrada na Bíblia que são para ele orientadoras com base apenas na experiência. A Bíblia não tem nenhuma revelação apocalíptica, não há referência escatológica particular ao Brasil, mas uma irmã de poder tem uma revelação sobre o cenário brasileiro no fim dos tempo e a coisa ganha validade inspirada pari passu com Daniel e João. A coisa toma a proporção de as revelações de Jesus Cristo a João e, nesses últimos dias, a irmã Mariazinha sobre as últimas coisas que estão para acontecer. Se em João as pragas do livro são prometidas aos que deturparem a mensagem, nas revelações de Mariazinha as pragas são para os que apenas duvidarem de sua revelação.

      Mas já deixei claro que se concordarmos no postulado de que o pentecostalismo é definido apenas pela "atualidade do pentecostes e afins", não há nada que possa ser acusado frente ao Sola Scriptura até aí. Por quê? Pelo simples fato de ter o "fenômeno" respaldado na Escritura (sola scriptura) por via de uma interpretação da mesma. Se há algum erro, está no nível hermenêutico e não na acusação de que o elemento pentecostal seja oriundo de um texto extrabíblico como é o caso dos mórmons! Entende a diferença?

      Enquanto a discussão ficar restrita a "atualidade dos dons" tendo como principal o falar em línguas para definir o pentecostalismo, concordo com o Clóvis quando diz que não há nada que venha ferir o Sola Scriptura. O que pode ser questionado é se a INTERPRETAÇÃO dos pentecostais está correta com base nos textos bíblicos sobre esses dons. Veja que se há algum erro (herético) está na interpretação, mas não na base do texto (sola scriptura). Ainda que se possa alegar que a interpretação é orientada pela experiência, o erro está na interpretação apenas.

      Ainda não terminei! Segue abaixo...

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    3. Continuação...

      Vamos, por exemplo, comprar os Mórmons com os pentecostais. Os Mórmons têm uma teologia formalizada em duas fontes: a bíblica e a dos Livro dos Mórmons. O que a Bíblia não revela é respaldado pelo Livro dos Mórmons. Logo, a teologia oriunda do Livro dos Mórmons é extrabíblica. Aqui temos um clássico conflito com o Sola Scriptura porque não é SÓ a Escritura a fonte da heresia.

      No caso dos pentecostais quanto ao falar em línguas por exemplo, a coisa está totalmente baseada nos textos bíblicos, não existe outra fonte de instrução inspirada como base. Tudo está em perfeita harmonia com a tese do Sola Scriptura. Se os pentecas podem ser acusados de alguma coisa é de incorrerem num erro interpretativo dos textos bíblicos utilizados para defender o "fenômeno" que eles experimentam na prática religiosa deles. Não é como se a Bíblia nunca houvesse mencionado um dom chamado "falar em línguas" com aquelas descrições típicas do "fenômeno" observado hoje nas igrejas pentecostais, e eles utilizassem uma fonte "não bíblica" (fora da Bíblia) para validar a experiência como parte da revelação divina. É completamente diferente! Percebe?

      Podemos posteriormente (há posts no blog sobre esta questão) discutir se a interpretação pentecostal dos textos bíblicos sobre falar em línguas é correto ou não. A questão vai se desenrolar na aceitação ou não de postulados para a interpretação, o que pode ser favorecido (por parte deles e entre eles) a própria experiência, orientando, ou melhor, induzindo uma interpretação particular, ou no próprio método hermenêutico adotado. Mas devo repetir que o erro invalidará a interpretação apenas e não o texto base per se.

      Já falei demais, fico por aqui.
      Espero ouvir a opinião dos amigos. Tô viajando ou faz algum sentido?

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    4. Clóvis e amigos pentecostais,

      Não uso o termo "fenômeno" para o "falar em línguas" no sentido pejorativo, não quero depreciar a experiência religiosa de ninguém aqui.:-)

      Paz a todos,
      André R. Fonseca

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    5. Mas André,

      O Luciano não mencionou nenhuma denominação, não que tenha visto. Ele citou o termo igreja pentecostal, o que eu entendo como, um grupo de crentes à teologia pentecostal. Entendo o radicalismo dele, ao colocar os pentecostais no patamar daquela lista citada de seitas. No campo da exegese, compreendo que os pentecostais não seguem, repito, não seguem o sola scriptura, ainda que eles afirmem que sim, o que de fato seria absolutamente natural de quem comete uma heresia afirmar. E qual é a temática central da teologia pentecostal? É de lá que começa o desvio!

      Eu gostaria de também, André, comentar sobre o que você disse sobre o falar em línguas. Vejo que você ainda tem algumas lacunas vazias em seu entendimento sobre esse tema, pra isso recomendo novamente aqueles livro que citei em minha ultima postagem. Mas deixa-me dizer algo. Quando é usado o termo fenômeno para o "falar em línguas", não se está cometendo nenhum ato pejorativo, porque? Por que essa manifestação não só característico dos pentecostais, mas também de outras religiões pagãs, é um evento sem explicação cientifica e racional, embora se faz tentativas de se explicar teologicamente.

      E diante não só da história da fé cristã, mas também das evidências bíblicas, há de sobra, uma porção de razões para se descartar a interpretação dos pentecostais, no que se trata as 'línguas estranhas', como também, porque não, sua ênfase teológica. Por exemplo, como posso provar que esse dom de línguas extático e sem sentido dos pentecostais é bíblico, se em Atos o dom de línguas era línguas maternas, estrangeiras. E quanto ao que Paulo ensina em I Cor 14, o fato de haver uma verdadeira bagunça e desequilíbrios acerca desse dom, levou o Apóstolo a minimizar a importância desse dom, mesmo não proibindo, e sim colocando em ordem o culto. Outro ponto é, qual o propósito desse dom no começo e qual seria em outros tempos e hoje. Paulo mesmo disse no versículo 22, que línguas era sinal para os infiéis e não para os crentes. O contexto da igreja de Coríntios era diferente de outras igrejas de Paulo, e pra essas Paulo não instrui sobre os dons, mas sim com doutrina, teoria moral e encorajamento na fé. Não creio na continuidade desse dom, mas se tivesse até nossos dias, com certeza não seria como vemos entre os pentecostais, que é o mesmo que o Montanismo do segundo século, reprovado pela igreja como heresia.

      É longo o assunto, mas sintetizei um pouco como vejo essa questão!

      Abraços

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    6. Leonardo,
      Não há lacuna alguma na minha compreensão do assunto. Tenho opinião definida e já manifestei minha opinião sobre o assunto no post dedicado ao dom de falar em línguas neste mesmo blog.

      Mas o assunto aqui é outro e se não estou atacando o falar em línguas como você acha que deveria dentro do seu dogmatismo, perdoe-me. Estou tentando manter o foco do debate que não é nada difícil de compreender: Se o falar em línguas é o que define os pentecostais então os pentecostais não podem ser acusados de ferir o sola scriptura pois a prática (seja ela mística ou não) está viciada na base INTERPRETATIVA das Escrituras e não da fonte escriturística!

      Você diz: Quando é usado o termo fenômeno para o "falar em línguas", não se está cometendo nenhum ato pejorativo, porque? Por que essa manifestação não só característico dos pentecostais, mas também de outras religiões pagãs, é um evento sem explicação cientifica e racional, embora se faz tentativas de se explicar teologicamente.

      Talvez quem tenha lacunas que precisam ser preenchidas é você. Talvez você deveria não se deter apenas na leitura dogmática do assunto, mas também analisar a questão pelo lado do fenômeno religioso (é nesse sentido que estou empregando o termo) e detendo-se nisso pergunto: Qual o comportamento religioso que não se encontra paralelo em qualquer outra religião? Se fosse o comportamento religioso legítimo definido pela sua singularidade quanto fenômeno, não existiria religião alguma!

      Outra coisa, seu emprego do termo "bíblico" ou "ser bíblico" que você já usou várias vezes me dá comichão!:)

      Os TJ podem ser considerados bíblicos pela simples definição da palavra!!! Acho que falei o suficiente arriba. Você está utilizando o termo para significar "interpretação correta" e nossa discussão aqui, repito, não é sobre a interpretação da Bíblia, mas se a Bíblia é a única fonte. Entende?

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    7. Ok André,

      pentecostalismo não pode ser considerado protestantismo, não pela temática dos dons, que inclusive diverge entre eles, mas pela centralidade da teologia deles, o batismo do Espirito Santo a doutrina do Espirito deles. Pronto!

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  19. comento só para corrigir a última frase do post de Clóvis. Não foi Calvino quem disse "Igreja Reformada sempre se reformando". A frase é do reformado holandês Gisbertus Voetius em um contexto de combate ao arminianismo. Voetius não estava querendo dizer que a Igreja deveria evoluir na descoberta de novas doutrinas ou práticas, mas que novamente se reformasse na medida em que novos erros de teologia ou de prática retornassem. O arminianismo, nome diferente para o semi-pelagianismo, estava ganhando corpo na Igreja Reformada holandesa. O cânones do Sínodo de Dort foram um novo libelo de reforma. A propósito, leiam o que o Dr. Augustus Nicodemus escreveu sobre esta memorável frase no conhecido blog "O Tempora, O Mores" - http://goo.gl/bWTBy

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  20. André, eles negam a trindade, também.

    Mas eles negam os Cinco Solas. 1. O corpo governante é o mesmo correpondente da tradição católica. 2. a salvação está na organização. 3. a salvação é pela fé E obras. 4 o deus deles não pode receber a glória de tudo pois eles creem no deus limitado do teísmo aberto.

    Os mórmons são claros na negação de 4 pontos dos 'solas'. Adventistas ferem Somente as Escrituras e Somente a graça.

    Se os pentecostais negam (O QUE NÃO ACONTECE) seriam seitas.

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  21. Queria deixar a visão do Doutor Augusto Nicodemos sobre a questão de existir a possibilidade de uma Igreja pentecostal ser reformada,primeiro postarei a pergunta de um rapaz e em seguida sua resposta:


    José André diz: "Do ponto de vista da apologética reformada é possível termos igrejas pentecostais-reformadas?"

    Augusto Nicodemos- RESPOSTA -- Depende do que queremos dizer com reformada e pentecostal. Estritamente falando, há doutrinas nos dois campos que são bem antagônicas e há divergências profundas quanto a alguns pontos. Todavia, existem tentativas de se criar comunidades que abraçam os cinco pontos do calvinismo ao mesmo tempo em que têm um culto no estilo pentecostal. Como ainda é uma coisa muito recente, estamos todos observando para ver o que vai acontecer.

    No mesmo estudo vemos a pergunta de uma mulher ao Augusto nicodemos dizendo o seguinte:

    "Somente uma dúvida me assalta: eu não sabia que os pentacostais não aderem à doutrina da graça. O que significa dizer que eles não a abraçam? Na prática, eles crêem na salvação pelas obras? Seria isso?
    Um grande abraço!"

    Resposta do Augusto Nicodemos: "Os pentecostais crêem na doutrina da salvação pela graça mediante a fé em Jesus Cristo.

    Creio que a confusão é que o termo "as doutrinas da graça" é usado para se referir TAMBÉM à doutrina da eleição e predestinação, com as quais os pentecostais em geral têm grande dificuldade."


    Rafael


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    1. Olá Rafael,
      Todavia, existem tentativas de se criar comunidades que abraçam os cinco pontos do calvinismo ao mesmo tempo em que têm um culto no estilo pentecostal.

      Parece que o doutor não está fazendo uma diferença que nós estamos fazendo aqui. Reformado = cinco solas, mas parece que na cabeça do doutor Augustus Nicodemus reformado = cinco pontos calvinistas.

      Cinco solas e cinco pontos calvinistas são coisas diferentes, apesar de concordarmos que uma coisa vai dar na outra.

      Entendeu?

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  22. Por isso que tenho destacado aqui que falta sintonia no que estão dicutindo('defina seus termos' Voltaire)...

    Se vcs forem coerentes com isso:

    1. Protestante: defende os cinco solas (batistas, metodistas, presbiterianos,pentecostais,congregacionais, arminianos, etc, etc).
    2. Reformado: subscreve confissões calvinistas históricas(Presbiterianos e Reformados).
    3. Calvinista: defende a TULIP (qualquer cristão que adota-a).

    Não iriam dizer o que estão dizendo dos pentecostais.

    André, quem são os autores dos 'Cinco Solas'?

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  23. Onde o Luciano chegou que eu queria chegar.



    Rafael

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  24. Se Jesus perdesse tempo lendo os textos acima, certamente, repetiria o que lemos no texto de São Lucas, 10, 21:

    "Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado. (São Lucas 10,21)"

    E mais a frente, irá confirmar:

    "Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará. (São Lucas 18,17)"

    O que será que isso significa? receber como uma criancinha?

    Gente, como conseguem pensar nessas picuinhas todas, classificações, tipos, categorias, linhas, b linhas......... como conseguem?

    Abaixo, um pequeno texto de Dom Estevão Bittencourt, que todos conheceram e respeitavam e ainda hoje seus textos inspirados pelo Espírito Santo:

    É bíblico o protestantismo?
    Provavelmente todos já ouviram de um protestante a seguinte frase:

    “Nós cremos somente na Bíblia, e a Bíblia inteira é a única regra de fé para o cristão”

    Está frase é como que um dogma para o protestantismo e reflete todo o pensamento da fundamental doutrina deste ramo religioso a “Sola Scriptura” ou somente as escrituras. Negam, portanto, os ensinamentos transmitidos oralmente por Cristo e os apóstolos conhecidos como Sagrada Tradição.

    Baseados nisto vamos agora mostrar que há várias INVERDADES no uso desta frase por parte de protestantes e mostrar que de bíblicas suas principais doutrinas nada tem.

    “A Tradição oral remonta ao próprio Cristo e aos Apóstolos. Ela é anterior à Escritura e se exprime nela. O ponto em que mais aparece a necessidade de algo anterior à Escritura, é a que se refere ao Cânon Bíblico: Com saber se um livro é ou não inspirado?

    O próprio protestantismo, que afirma só reconhecer a Escritura, recorre necessariamente à TRADIÇÃO Oral em 2 ocasiões:

    1. Sem a Tradição oral, não se pode definir o catálogo sagrado, pois em nenhuma parte da Escritura está escrito quais os livros que, inspirados por Deus, a devem integrar. É preciso procurar a definição dos livros sagrados fora da Escritura: na Tradição. Ora Lutero e o Protestantismo recorreram a Tradição dos judeus da palestina, enquanto a Igreja Católica, seguindo o uso dos Apóstolos, optara pela Tradição dos judeus de Alexandria.

    2. Na sua maneira de interpretar a Bíblia, os protestantes também recorrem a uma Tradição. Pois embora o texto bíblico seja o mesmo para todas as denominações evangélicas, estas não concordam entre si, por exemplo, no que toca ao Batismo de criança, à observância do sábado ou do domingo, etc. As divergências não provêm do texto bíblico, mas da interpretação dada a este texto por cada fundador. Ou seja, dependem da Tradição oral ou escrita que cada fundador quis iniciar na sua congregação. Assim, embora queiram rejeitar a Tradição Oral, o cristão a professa sempre: professa a Tradição oriunda de Cristo e dos Apóstolos, ou a Tradição oriunda de Lutero, Calvino… Cada “profeta” protestante faz o que Lutero fez: rejeita a Tradição protestante anterior e começa uma nova Tradição: sim, lê a Bíblia ao seu modo e dela deduz proposições de fé e de moral que, segundo a sua intuição humana falível, lhe parecem mais acertada.

    Assim, a Escritura, só, não pode ser, NEM É NO PROTESTANTISMO, A ÚNICA FONTE DE FÉ.
    Por outro lado, a Tradição Oral e o Magistério da Igreja só tem sentido se fazem eco à Sagrada Escritura(1).”
    (Dom Estevão Bettencourt, OSB; Apostila “Diálogo Ecumênico” , Escola Mater Ecclesiae)

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  25. Esqueci de colocar a referência sobre o texto Anônimo12 de novembro de 2012 10:33

    http://www.bibliacatolica.com.br/blog/seitas-e-heresias/e-biblico-o-protestantismo/

    Leiam mais lá.

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    1. Anônimo, vamos repetir mais uma vez.
      Se há divergência sobre o mesmo texto, o erro é de ordem hermenêutica.

      Se a divergência vem da utilização de textos diferentes, então podemos dizer alguma coisa contra o Sola Scriptura.

      Há uma tradição interpretativa? Sim. Mas a divergência não é textual, é interpretativa. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... já dizem por aí!

      O autor do texto citado não está fazendo esta distinção básica!
      O autor está claramente misturando alhos com bugalhos!!!

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"Se amássemos mais a glória de Deus, se nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a nos engajar em uma controvérsia necessária, quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordenança apostólica é clara. Devemos “manter a verdade em amor", não sendo nem desleais no nosso amor, nem sem amor na nossa verdade, mas mantendo os dois em equilíbrio (...) A atividade apropriada aos cristãos professos que discordam uns dos outros não é a de ignorar, nem de esconder, nem mesmo minimizar suas diferenças, mas discuti-las." John Stott

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