Eleição divina, a escolha da graça


Na igreja protestante, há dois segmentos: o Calvinismo e o Arminianismo. O Calvinismo enfatiza a eleição divina; o Arminianismo o livre arbítrio humano. O Calvinismo ensina que Cristo morreu para efetivar nossa salvação; o Arminianismo ensina que Cristo morreu para possibilitar a nossa salvação. Para um arminiano Deus escolhe o homem para a salvação, quando este crê; para um calvinista o homem crê porque foi escolhido. Vamos, examinar, agora, à luz de Efésios capítulo 1, versículo 4, a doutrina da eleição: “Assim como nos escolheu, nele, [em Cristo], antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”.

Em primeiro lugar, o autor da eleição. Deus é o autor da eleição e não o homem. Foi Deus quem nos escolheu e não nós a ele. Na verdade, jamais poderíamos escolher a Deus. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados. Éramos ímpios, fracos, pecadores e inimigos de Deus. Por isso, a escolha de Deus é incondicional. Deus não nos escolheu por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Deus não nos escolheu porque éramos bons, mas apesar de sermos maus. Deus não nos escolheu porque cremos em Cristo; cremos em Cristo porque Deus nos escolheu (At 13.48). A fé não é causa da eleição, mas seu resultado. Deus não nos escolheu porque éramos santos; Deus nos escolheu para sermos santos. A santidade não é causa da eleição, mas sua consequência. Deus não nos escolheu por causa da nossas boas obras; Deus nos escolheu para as boas obras. Somos feitura de Deus, criados em Cristo Jesus para as boas obras.

Em segundo lugar, o tempo da eleição. O apóstolo Paulo diz que Deus nos escolheu antes da fundação do mundo. Não havia em nós qualquer mérito que justificasse essa escolha, uma vez que Deus colocou o seu coração em nós antes de nós colocarmos nosso coração nele. Sua escolha foi livre, soberana, incondicional e cheia de graça. Ele não deixaria de ser Deus pleno e feliz em si mesmo se não tivesse nos escolhido. Mas, ele, por amor, nos amou com amor eterno e nos atraiu para si com cordas de amor. E isso, desde os refolhos da eternidade. Ainda não havia estrelas brilhando no firmamento. Ainda os anjos de Deus não ruflavam suas asas cumprindo as ordens suas ordens. Ainda o sol não havia dado a sua claridade, e Deus já havia nos amado e nos escolhido para a salvação.

Em terceiro lugar, o agente da eleição. O apóstolo Paulo diz que Deus nos escolheu em Cristo. Ele é o amado de Deus, o escolhido do Pai. Nele somos amados. Nele somos eleitos. Nele somos perdoados. Nele somos remidos. Nele somos salvos. Não há salvação fora de Cristo. Não há nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos. Jesus é único caminho para Deus. Ele é o único Mediador entre Deus e os homens. Jesus é a porta do céu. Não há eleição fora de Cristo. Vivemos pela sua morte. Somos purificados do pecado pelo seu sangue. O mesmo Deus que escolheu nos salvar, elegeu também nos salvar por intermédio de Cristo. Ninguém pode ser salvo e ninguém pode confirmar sua vocação e eleição, a menos que se renda a Cristo e o confesse como Salvador e Senhor.

Em quarto lugar, o propósito da eleição. O apóstolos Paulo afirma, categoricamente, que Deus nos escolheu em Cristo, para sermos santos e irrepreensíveis. Se o autor da eleição é Deus, se a causa da eleição é a graça divina, se o agente da eleição é Cristo, o propósito da eleição é a santidade. Deus não nos escolheu para vivermos no pecado; mas para sermos libertos do pecado. Cristo não morreu para que aqueles que permanecem em seus pecados tenham a vida eterna; ele morreu para que todo o que nele crê seja santo com Deus é santo. Se a santidade não é a causa da eleição, é sua evidência mais eloquente. Ninguém pode afirmar que é um eleito de Deus, se não há evidências de santidade em sua vida. Por isso, a Palavra de Deus é oportuna em nos exortar: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição…” (2Pe 1.10).

Hernandes Dias Lopes

29 comentários:

  1. Artigo edificante. Penso que muitos evangélicos entendem e conhecem o Senhor Jesus Cristo como Salvador mas não o conhecem como Senhor ou não sabem o que significa Ele ser nosso Senhor sobre nossas vidas.

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    1. E o mais interessante, Ana, é que jesus não precisa ser de nosso consentimento para ser nosso Senhor. Ou seja, aqueles que não reconhecem o senhorio de Jesus não percebem que Deus continua governando todas as coisas, inclusive sua vida.

      O Senhor Reina!

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  2. Por mais que Ele Reine não seria responsabilidade deles conhecerem melhor ao Senhor como Senhor? Pois isso não produziria uma consciência totalmente voltada a Ele e faria eles terem um cuidado e uma vigilância muito maior na vida obedescendo a Deus de coração?
    Abraços!!!!!!

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    1. Claro que sim. "O SENHOR reina; tremam os povos. Ele está assentado entre os querubins; comova-se a terra" (Sl 99:1). Todos os povos devem reconhecer a domínio sempiterno do Senhor, e deixar de faze-lo é pecado contra Ele. Nabucodonosor que o diga: "Serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e te farão comer erva como os bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti; até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer. (Dn 4:25)

      Quanto aos crentes, o domínio do Senhor inspira, sobretudo, alegria. "O SENHOR reina; regozije-se a terra; alegrem-se as muitas ilhas" (Sl 97:1). Como servos do Senhor, temos que orar "seja feita a vossa vontade", especialmente em nossas vidas.

      O crente que não reconhece o senhorio de Jesus sobre si não se livra dele, mas passa por disciplina até que dobre os joelhos e confesse que Jesus é o Senhor.

      Em Cristo,

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  3. o autor desse artigo deixa claro que o livre-arbitrio é incontestavél no termo " a menos que se renda a Cristo e o confesse como Salvador e Senhor" e isso não é questão de eleição e sim de escolha (livre-arbitrio)
    "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
    Apocalipse 3:20"

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    1. Será? O fato de alguém crer em Jesus prova a eleição, ao invés de negá-la: "e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna" (At 13:48). Não é o livre-arbítrio, mas a eleição que torna certa a nossa fé em Cristo.

      Quanto a Ap 3:20, onde está o livre-arbítrio que não vi?

      Em Cristo,

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  4. visto que vc se basea neste verso de at 13;48, me explica os versos de at 13:45,46 onde os judeu rejeitam a palavra.

    foi Deus que elejeu os judeus para rejeitarem a palavra????

    me explica o verso 2 pedro 3:9 "não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se."

    explica at 17:30 "anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam"

    em ralação a ap 3:20, só ve quem quer ver!!!

    vc abriu a porta pra Jesus entrar em seu coração, ou ELE arrombou a porta???

    a graça de Cristo é oferecida a todos, mas aceita quem quer, e isso é livre-arbitrio. é o que paulo diz em at 17:30

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    1. Vou tentar explicar, de forma resumida as passagens que você menciona. Por favor, fique à vontade para apontar falhas em minha exposição ou perguntar caso alguma coisa dita não fique clara.

      Atos 13:43-46, nos informa que alguns judeus creram no ensino de Paulo, enquanto outros rejeitaram a Palavra e blasfemaram:

      "E, despedida a sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos religiosos seguiram Paulo e Barnabé; os quais, falando-lhes, os exortavam a que permanecessem na graça de Deus. E no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus. Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava. Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios" (At 13:43-46).

      Como a leitura do texto nos informa, nem todos os judeus creram, nem todos rejeitaram. Agora observemos o que é dito dos gentios:

      "E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna" (At 13:48)

      Aqui também uma leitura atenta leva à conclusão de nem todos os gentios creram. Portanto, o que diferencia os crentes dos que permanecem incrédulos não é a nacionalidade ou etnia, pois entre gentios e judeus há crentes e descrentes.

      O que os distingue é a eleição. Todos os que creem, seja judeu ou gentio, crê porque havia sido ordenado para a vida eterna. É até onde o texto nos permite ir. Baseado nele não podemos afirmar o que faz com que alguns rejeitem enquanto outros recebem o evangelho. Temos que ir para outras passagens.

      A respeito dos que o rejeitam, Jesus diz: "E não quereis vir a mim para terdes vida" (Jo 5:40). Ou seja, é a má vontade do pecador que o indispõe ao evangelho, pois ela é escrava do pecado. Além disso, Jesus disse "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia". Ou seja, por si mesmo, além de indisposto o homem é incapaz de ir ao Senhor.

      Portanto, temos o seguinte: todos os que vão à Cristo foram ordenados para a vida e são levados graciosamente por Deus. E todos os que o rejeitam o fazem de acordo com sua vontade. De modo de que se alguém vai ao céu, não é por mérito próprio, mas se alguém vai para o inferno, vai por merecimento próprio.

      Em Cristo,

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    2. Permita-me sintetizar meu entendimento de 2Pe 3:9, que diz "O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento" (2Pe 3:9).

      Há dois grupos mencionados na passagem. Os "alguns" e "vocês". Os alguns refere-se aos "escarnecedores zombando e seguindo suas próprias paixões" questionando "O que houve com a promessa da sua vinda?" (2Pe 3:3-4). O vocês são os que esperam "novos céus e nova terra, onde habita a justiça" que "enquanto esperam estas coisas, empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis" (2Pe 3:13-14).

      Para o primeiro grupo, a volta do Senhor representa "própria destruição deles" (2Pe 3:16). Mas para os crentes, "a paciência de nosso Senhor significa salvação" (2Pe 3:15). Portanto, o que Pedro está dizendo é Ele não está retardando a sua promessa, mas sendo longânimo para com os crentes, para que eles se arrependam para que na volta do Senhor sejam encontrados "em paz, imaculados e inculpáveis" (2Pe 3:14).

      De forma alguma a passagem nega ou contraria a eleição soberana e graciosa.

      Em Cristo,

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  5. clovis vc disse:
    "Portanto, temos o seguinte: todos os que vão à Cristo foram ordenados para a vida e são levados graciosamente por Deus. E todos os que o rejeitam o fazem de acordo com sua vontade."

    o seu dizer "E todos os que o rejeitam o fazem de acordo com sua vontade" pode ter dois sentidos:

    1°- a vontade de todos os que rejeitam é do proprio homem (livre-arbitrio)

    2°- a vontade de todos os que rejeitam é do nosso DEUS

    por favor me explique

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    1. O sentido da minha frase é o que você expressa na primeira alternativa. O homem rejeita a oferta gratuita do evangelho por sua própria vontade. Isso prova o livre-arbítrio? Depende o que você chama de livre-arbítrio. Deixe-me explicar como entendo a questão.

      O homem natural, não regenerado, não destituído de vontade. pelo contrário, ele geralmente faz suas escolhas de acordo com sua vontade. Contudo, há um porém. A sua vontade não é livre, mas escravizada ao pecado. Se você considerar vontade=arbítrio, temos que o homem tem arbítrio, mas ele não é livre, é escravo do pecado.

      Eis como a Bíblia retrata o homem natural:

      - Não há ninguém que busque a Deus.
      - Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.
      - Não há quem faça o bem, não há nem um só.
      - E não conheceram o caminho da paz.
      - Não há temor de Deus diante de seus olhos.

      Em Cristo,

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  6. Olá irmãos,

    Permitam-me fazer algumas considerações.

    At 13:43-48
    O texto inicia com o pedido do povo para Paulo repetisse a pregação no sábado seguinte.Então, Paulo e Barnabé exortam os devotos a perseverarem na graça de Deus. (Por qual motivo Paulo os advertiu a perseverar se havia segurança na eleição? Alguém adverte sobre um perigo inexistente?) Na outra semana, quase toda cidade reuniu-se para ouvir a pregação da palavra. Os judeus cheios de inveja, começaram a blasfemar e contradizer Paulo. Ele então se dirige àqueles informando que o evangelho era pregado aos gentios pela própria rejeição dos judeus à palavra. Os gentios, ouvindo isso, glorificavam a Deus; e creram todos os que estavam ordenados à vida eterna.

    Não há nenhuma menção de reprovação ou eleição "incondicional" no texto. O termo "ordenados" (grego tetagmenoi - apontar, ordenar, arrumar) não é acompanhado pelo prefixo "pre", logo, o entendimento tradicional de que as palavras precedidas por tal prefixo referem-se ao propósito de Deus concebido na eternidade, não se aplica. Além do mais, a palavra original não é usada em qualquer outro lugar na Escritura para expressar predestinação eterna de qualquer espécie.

    O texto apresenta claramente que a rejeição dos judeus à palavra não foi causada. Entretanto, Paulo defende que a pregação aos gentios foi contingencial; ou seja, a pregação foi direcionada aos gentios pela própria rejeição livre dos judeus.

    Apesar de o texto não nomear os que creram, é possível que sejam os mesmos que pediram a Paulo e Barnabé que repetissem as palavras no sábado seguinte. Então a palavra ordenados (não pré-ordenados) pode significar literalmente "destinados", visto que já haviam cedido à ação do Espírito, e seus destinos consequentemente seria receber a fé.

    Em minha opinião, o termo "ordenados" analisado dentro do contexto do versículo 48, trata da expansão no plano de Deus aos gentios. Conforme Howard Marshall, "o plano de Deus necessitava que o Evangelho fosse primeiro pregado aos judeus, mas também, quando eles como comunidade o rejeitassem, aos gentios, conforme Is 49.6. Pois o propósito de Deus incluía a reunião dos gentios em um reino. Foi esta profecia que se cumpriu na resposta dos gentios em Antioquia. Pela razão dos gentios, como tais, terem sido ordenados à vida eterna – sob a condição de fé – que agora eles creram."

    Paz

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    1. Desculpe a demora da resposta. Não foi desconsideração pela sua pessoa. Seu comentário pedia uma reflexão antes de uma resposta, e além disso, meu tempo escasseou.

      Na sua primeira pergunta, "por qual motivo Paulo os advertiu a perseverar se havia segurança na eleição?" você desconsidera que os calvinistas entendem que a preservação do crente inclui a sua perseverança. Os calvinistas, assim como os arminianos, consideram a perseverança necessária. Ou seja, o crente deve zelar diligentemente pela sua salvação. Porém, diferente dos arminianos (nem todos), consideramos que a perseverança é tornada certa pela preservação divina, uma vez que o crente está guardado pelo poder de Deus.

      Em Cristo,

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    2. Os calvinistas, assim como os arminianos, consideram a perseverança necessária.Ou seja, o crente deve zelar diligentemente pela sua salvação.
      Neste sentido, seria um ato humano livre, livre até mesmo no sentido compatibilista do termo? Isto só faria algum sentido para quem admitisse conhecimento médio.

      Porém, diferente dos arminianos (nem todos), consideramos que a perseverança é tornada certa pela preservação divina, uma vez que o crente está guardado pelo poder de Deus.

      Taí uma curiosidade: exatamente no quê consiste tal certeza?

      Muitas das vezes que os calvinistas citam versos a favor da perseverança, eles falam da fidelidade de Deus e não da fidelidade do homem. Por exemplo, quando Jesus fala em João 10 que Suas ovelhas ouvem Sua voz e O seguem, e que ninguém é capaz de tirá-las das mãos do Pai, aqui fala do poder que o Pai despende em favor dos seus fiéis. Mas não fala que é impossível a um fiel deixar de ser fiel.

      Paulo em 1Co 10:13 fala muito bem disso (e de quebra dá um argumento contra o 'livre arbítrio compatibilista').

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    3. Quanto significado do verbo tetagmenoi, o mesmo é traduzido como "destinados" (ARA), "ordenados" (ACF), "designados" (NVI), "escolhidos" (NTLH). As principais traduções em inglês também usam palavras como "ordained", "appointed" e "destined".

      O verbo está no tempo perfeito, é uma ação completada no passado, uma vez por todas, não necessitando ser repetida. A ausência da preposição pre não é determinante. Como você disse, ela normalmente é vista como situando o evento na eternidade, mas nem toda situação na eternidade requer o uso da preposição. É certo, no entanto, que a ordenação para a vida eterna precede lógica e cronologicamente a fé.

      Notemos também a voz passiva do verbo. Significa que o agente da ação não foram eles próprios, mas Deus. Assim, uma paráfrase para o texto seria "e todos os que Deus ordenou para vida eterna, creram". Ora, se foi Deus que os ordenou para a vida eterna, que isso se dá na eternidade é claramente corroborado por outras passagens bíblicas, com e sem o uso do prefixo "pre".

      Em Cristo,

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    4. Quanto à rejeição dos judeus você diz que ela "não foi causada". Se ela não foi causada, foi o que, aleatória? Acredito que você quis dizer que ela não foi causada por Deus ou por nada fora deles. Se é isso que quis dizer, não vou me opor, mesmo porque Deus ordenar uns para a vida eterna não requer necessariamente que Ele imponha barreiras para que outros creiam.

      Mas voltando aos gentios que creram, você diz que "é possível que sejam os mesmos que pediram a Paulo e Barnabé que repetissem as palavras no sábado seguinte", o que admito como possível. Mas quando diz que como "já haviam cedido à ação do Espírito... seus destinos consequentemente seria receber a fé". Aqui faço umas rápidas considerações.

      1. O texto coloca os gentios como passivos quanto à ordenação e ativos quanto à fé. Você parece inverter isso, pois diz que eles cederam à ação do Espírito e receberam a fé como consequência na semana seguinte.

      2. O que significa "ceder à ação do Espírito Santo", senão responder com fé à mensagem do evangelho? Creio que Lucas está apresentando um resumo da história e não se referindo apenas aos que creram exatamente naquele sábado.

      3. Você coloca os eventos na seguinte ordem: ceder ao Espírito, ser destinado, receber a fé (crer). Porém, o primeiro evento é presumido por você. E mesmo que o admitamos, resta demonstrar que ele precede à ordenação divina.

      Em Cristo,

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    5. Eu concordo que o verbo "tetagmenoi" demonstra uma ação executada por Deus completada no passado, no entanto, é incrível como as interpretações são diversas. David Willians diz que alguns entendem que o verbo está na voz média, e não na passiva. Todavia, o entendimento de que o termo seja referente a uma ação realizada por Deus no passado, concorda com o fato de que Deus destinara anteriormente, conforme sua promessa, a salvação aos gentios. E essa ideia para mim é clara no texto. Deus não limitou a salvação à alguns, mas estendeu a promessa aos gentios, contrastando com o exclusivismo judaico. O texto não mostra uma ação limitada ou exclusiva, mas uma ampliação da ação misericordiosa de Deus para quem anteriormente não era alvo da pregação (gentios). Eis o motivo da inveja dos judeus. Repito que a palavra original não é usada em qualquer outro lugar na Escritura para expressar predestinação eterna de qualquer espécie e que concluir que "ordenados" refere-se a um decreto eterno é uma conclusão baseada puramente em pressuposições predestinacionistas.

      Cabe demonstrar também no contexto que a escolha dos que creram foi irresistível. Obviamente que isso não está nem implícito no texto. Qualquer coisa que se venha a discutir sobre isso será baseada em extrapolações de outras referências bíblicas que, da mesma forma que este texto, deveriam ser interpretadas dentro de seus contextos.

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    6. Quanto à rejeição da palavra pelos judeus, peço perdão por ter exposto minha ideia de forma dúbia. Você foi feliz ao entender que minha intenção foi declarar que ela (a rejeição) não foi causada por Deus ou por nada fora deles. Pelo menos, o texto não apresenta esta ideia.

      Sobre as suas considerações numeradas:

      Apenas apresentei tal explicação como alternativa de interpretação do texto, entretanto sou partidário ordenação corporativa (ampliação da misericórdia aos gentios). Eu disse: "Apesar de o texto não nomear os que creram, é possível que sejam os mesmos que pediram a Paulo e Barnabé que repetissem as palavras no sábado seguinte. Então a palavra ordenados (não pré-ordenados) pode significar literalmente destinados, visto que já haviam cedido à ação do Espírito, e seus destinos consequentemente seria receber a fé."

      1. Não inverti nada. Os gentios continuam passivos quanto à ordenação visto que a ação consequente (assim como a antecedente) é do Espírito; e eles continuam ativos quanto à fé, visto que voluntariamente recebem (não resistem) o dom de Deus.

      2. "Ceder à ação do Espírito Santo" significa "deixar de resistir ao Espírito", o que não necessariamente significa um resposta instantânea com fé.

      3. Sim, o primeiro evento é presumido por mim, e vou explicar como chego a esta conclusão: Concordamos que há possibilidade de que os que creram sejam os mesmos que pediram anteriormente para ouvir novamente a pregação. Neste caso, entendo que ninguém poderia estar sedento pela palavra de Deus sem a prévia ação do Espírito. Desta forma, o fato dos judeus implorarem para ouvir novamente a palavra, significa que eles estavam cedendo à ação Espírito mediante a exposição do evangelho por Paulo, no entanto, a revelação de Deus à eles foi gradual pois vieram a ter fé somente na semana seguinte (Quanto ao fato de eles pedirem para ouvir, qual é a sua interpretação? Foi uma ação totalmente humana?).

      Abraço

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  7. Clovis,

    Antes de comentar sua interpretação sobre 2Pe 3:9, quero parabenizá-lo pela participação no BTcast. Respeito seu posicionamento teológico, ainda mais que você não concorda com a doutrina lógica (e não bíblica) da predestinação para reprovação.

    A leitura de 2Pe 3:9, a partir de sua interpretação fica da seguinte forma:

    "O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam os escarnecedores. Pelo contrário, ele é paciente com os eleitos, não querendo que nenhum eleito pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento".

    Certamente essa interpretação é inconsistente com a eleição incondicional, afinal, há alguma possibilidade dos eleitos não se arrependerem?

    É bom notar que o versículo 17 apresenta uma advertência:

    "Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que pelo engano dos homens perversos sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza;"

    Parece que Pedro adverte aos destinatários da carta a não deixarem-se levar pelo mesmo pensamento dos escarnecedores. Mas é claro que isso não combina com a eleição incondicional.

    Veja que a carta não foi destinada a um grupo de eleitos; Pedro não faz essa distinção. Entretanto, se você admitir que Pedro fala somente com eleitos, terá de admitir que eles podem não se arrepender, ou que Pedro escreveu coisas irrelevantes, ou ainda que Pedro não conhecia a eleição incondicional.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Clóvis,

    Você diz:

    "O Calvinismo ensina que Cristo morreu para efetivar nossa salvação; o Arminianismo ensina que Cristo morreu para possibilitar a nossa salvação."

    É importante fazer um complemento para não haver nenhum mal-entendido sobre o arminianismo. O arminianismo ensina que Cristo morreu para possibilitar a salvação a todos os homens e efetivar a salvação daqueles que crêem.

    Em outro momento comentarei o restante.

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    1. Samuel, aproveite e leia este artigo que traduzi recentemente. Nele, o autor nota que Pedro fez uma citação a um livro dos Apocrypha da Septuaginta, o livro de Sirach:
      http://credulo.wordpress.com/2012/07/14/traducoes-rapidas-2pedro-39-por-godismyjudge/

      (agora minha vontade de comprar a Bíblia de Jerusalém dobrou, hehe!)

      Sobre perseverança dos santos em geral, tô traduzindo uma série bem interessante. Pegue o primeiro post dela, que lá se explica exatamente como os calvinistas costumam interpretar a perseverança dos santos.

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  9. clovis , eu entendi sua colocação, mas ainda assim vou lhe fazer
    uma nova pergunta com base no que vc falou: " Contudo, há um porém. A sua vontade não é livre, mas escravizada ao pecado. Se você considerar vontade=arbítrio, temos que o homem tem arbítrio, mas ele não é livre, é escravo do pecado."

    a minha pergunta é: quem torna o homem escravo do pecado, Deus ou o proprio homem????

    evandro

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    1. Nossos primeiros pais não eram escravos do pecado, foram criados com capacidade para pecar e não pecar. Mas pecaram, tornando-se escravos do pecado.

      Nós herdamos deles nossa natureza pecaminosa. Logo, é o próprio homem que nos faz (nos tornou) escravos do pecado.

      Em Cristo,

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  10. Foi a desobediência à lei divina dos primeiros pais que os levou a serem escravos do pecado. Deus fez o homem justo e nunca seria o autor do mal. Peço que você leia um ótimo artigo escrito pelo irmão Clóvis chamado:O livre-arbítrio e Romanos 8:8
    Lá explica claramente essas coisas.
    Deus o abençõe e te ilumine.

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  11. Sobre alguns equívocos comuns em Efésios 1:

    O texto diz que Deus escolheu 'nós que cremos' *em Cristo* antes da fundação do mundo. Nós não fomos eleitos PARA Cristo, mas EM Cristo. Há uma diferença clara entre os dois.

    Aliás, se eu levar isto a sério, a própria eleição incondicional calvinista teria que ser reformulada. Afinal:
    * Estamos em Cristo desde antes da fundação do mundo;
    * Nenhuma condenação há para quem está em Cristo Jesus (Rm 8:1);
    * Todo ser humano nasce filho da ira, em pecado é concebido, se aliena desde a madre, etc - depravação total, enfim.

    Obviamente, estas três hipóteses não podem ser todas verdadeiras ao mesmo tempo...

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    1. Credulo,
      Quando o escritor bíblico utiliza da linguagem "desde a fundação do mundo" para algo que tem um início claramente em algum ponto da nossa vida, ele está apenas, de sua maneira, falando que o "plano" ou "designo" é desde antes da coisa ser concretizada. E como foi ELE quem planejou, nada sai do programado! Não é que estamos em Cristo desde a fundação do mundo, mas que o plano de colocarmos unidos com Cristo é desde a fundação do mundo.

      Aquela sua forçação de barra de utilizar a lógica pra tudo - querendo dizer que uma coisa não pode ser ou não-ser ao mesmo tempo - acaba sendo uma exposição ingênua de quem ignora o gênero literária para ler a Bíblia.

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    2. Hum - taí algo interessante. De onde você deduz/induz este significado para a expressão 'desde [antes da, a] fundação do mundo'?

      Aliás, o texto não deixa claro o 'nos colocar unidos com Cristo', mas fala somente 'em Cristo'. Também duvido que ele trate, em Ef 1, de indivíduos qua indivíduos. Mas sobre isso eu penso depois.

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"Se amássemos mais a glória de Deus, se nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a nos engajar em uma controvérsia necessária, quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordenança apostólica é clara. Devemos “manter a verdade em amor", não sendo nem desleais no nosso amor, nem sem amor na nossa verdade, mas mantendo os dois em equilíbrio (...) A atividade apropriada aos cristãos professos que discordam uns dos outros não é a de ignorar, nem de esconder, nem mesmo minimizar suas diferenças, mas discuti-las." John Stott

Sua leitura deste post muito me honrou. Fique à vontade para expressar suas críticas, sugestões, complemetos ou correções. A única exigência é que seja mantido o clima de respeito e cordialidade que caracteriza este blog.