A verdadeira fé persevera


O verdadeiro cristão persevera em sua obediência a Deus através de todas as dificuldades enfrentadas, até ao fim de sua vida. As Escrituras ensinam de modo completo que a verdadeira fé persevera; vejam, por exemplo, a parábola do semeador (Mat. 13:3-9, 18-23).

O ponto central enfatizado pelas Escrituras na doutrina da perseverança é que o verdadeiro cristão mantém-se acreditando e obedecendo, a despeito dos vários problemas que encontra. Deus permite que esses problemas surjam nas vidas das pessoas que se proclamam cristãos a fim de testar a verdade de sua fé. Então torna--se claro para eles, e muitas vezes para os outros, se realmente estão levando a sério seu relacionamento com Cristo. Esses problemas são às vezes de ordem espiritual, como uma tentação particularmente sedutora. Às vezes as dificuldades são de ordem externa, como os insultos, zombaria e perda de posses a que nosso cristianismo possa nos expor. O sinal do verdadeiro cristão é que ele persevera através desses problemas e dificuldades, mantendo-se leal a Cristo.

Eis alguns textos que relatam o exposto. "Pois tu, ó Deus, nos provaste; acrisolaste-nos como se acrisola a prata. Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas; fizeste que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passamos pelo fogo e pela água, porém, afinal, nos trouxeste para um lugar espaçoso" (Sal. 66:10-12). "Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que os amam" (Tg. 1:12). "Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Apoc. 2:10).

Admito que os verdadeiros cristãos podem se tornar espiritualmente frios, cair em tentação e cometer grandes pecados. Entretanto, nunca podem cair tão totalmente que se cansem de Deus e da obediência, e assentar-se num desagrado deliberado pelo cristianismo. Nunca podem adotar um modo de vida no qual outra coisa se jamais importante que Deus. Nunca podem perder inteiramente sua distinção do mundo incrédulo, ou reverter exatamente ao que eram antes de sua conversão. Se esse é o resultado dos problemas num cristão professo, fica demonstrado que nunca foi um verdadeiro convertido! "Eles saíram de nosso meio, entretanto não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos" (I Jo. 2:19).

Jonathan Edwards

6 comentários:

  1. Olá irmão Clóvis,

    Já estive por aqui diversas vezes, porém, essa é minha primeira participação.

    Todos concordam que verdadeiros cristãos podem tornar-se frios e até mesmo podem desviar-se do caminho; a questão crucial é se eles podem definitivamente apostatar da fé. É verdade que, seja por necessidade lógica ou por interpretação das escrituras, calvinistas e arminianos de quatro pontos defendem a perseverança dos santos a despeito da existência de diversos textos que advertem contra a apostasia. A palavra não só apresenta tais advertências, bem como incentiva os cristãos a permanecerem naquilo em que foram ensinados para que não sejam confundidos no dia da vinda dEle. Isso denota que há a possibilidade real de queda definitiva. (Hb 6.46; 10.26-30; 1Jo 2.28; 2Pe 2.20-22; Hb 2.3).

    Acredito que a afirmativa - “se esse é o resultado dos problemas num cristão professo, fica demonstrado que nunca foi um verdadeiro convertido!” – é deveras inconseqüente e precipitada. A ideia que ela carrega pode, por si só, motivar as pessoas a se omitirem da responsabilidade de socorrer aqueles se desviaram do caminho, mesmo que temporariamente.

    Quanto ao texto de 1Jo 2.19, acredito que não se trata de uma afirmação de que todos aqueles que apostatam da fé é porque nunca foram cristão verdadeiros, mas é uma constatação de que determinadas pessoas que estavam na comunidade e se apartaram, nunca haviam de fato crido que Jesus era o filho de Deus. Nunca haviam confessado a divindade de Cristo. Ao final o apóstolo ainda adverte aos crentes que permaneçam no que foram ensinados.

    Paz.

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  2. Olá Samuel - cê é o SamCou que eu tô pensando?

    O calvinista não crê de todo que 'nenhum dos que saíram porque não eram dos nossos' jamais será um dos nossos no futuro.
    Se cresse nisso, de fato seria algo trágico, equivalente ao tratamento que os TJ fazem com os apóstatas. Para todos os efeitos, ele só sabe quem é ou não de Deus na hora da morte (óbvio que o calvinista vai argumentar que isso não se aplica a ele em específico, mas não é disso que estou falando).

    Aqui, ele vai fazer uma distinção entre 'jamais foi' e 'jamais será'.

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    1. Sou eu mesmo...

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    2. Hum, bom saber! Ah, caso te interesse, tem um artigo no Arminianismo.com que analisa a segurança eterna do ponto de vista arminiano. Por mais paradoxal que possa parecer, a conclusão é essa: a pessoa é capaz de apostatar, mas ela livremente não vai apostatar!

      É como um vegetariano, que jamais comerá carne novamente mesmo sendo plenamente capaz de comer.
      Claro, um calvinista compatibilista vai confundir tudo, mas isso não importa, é só curiosidade.

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    3. Você fala do artigo do W. L. Craig?

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    4. É-xá-tamente! Bem, a leitura é pesada, cê já deve saber, mas vale a pena dar uma lida com carinho.

      Se for parar para pensar, a perseverança dos santos não é exatamente uma doutrina que conflitue com nenhum sistema soteriológico. Deus não é obrigado por vias de necessidade a manter ninguém na santidade. Se Deus mantém ou não os seus santos, se essa manutenção é ou não condicional, isso é assunto da graça divina.

      O que está claro é o ensino da parábola da videira: estando nEle, Ele estará em nós. Disso, calvinistas e arminianos não discordam de nenhuma maneira.

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"Se amássemos mais a glória de Deus, se nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a nos engajar em uma controvérsia necessária, quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordenança apostólica é clara. Devemos “manter a verdade em amor", não sendo nem desleais no nosso amor, nem sem amor na nossa verdade, mas mantendo os dois em equilíbrio (...) A atividade apropriada aos cristãos professos que discordam uns dos outros não é a de ignorar, nem de esconder, nem mesmo minimizar suas diferenças, mas discuti-las." John Stott

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