Justificados completamente

Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou. Rm 8:29-30

A justificação somente pela fé é considerada a doutrina mais importante do Novo Testamento, é o coração da igreja. Para Lutero, essa é a doutrina pela qual a igreja cai ou permanece em pé. É triste que poucos tenham uma compreensão clara e um entendimento correto dessa verdade bíblica. Devido a isso, ao mesmo tempo que ressalto o fato de que os que foram previamente conhecidos, predestinados e chamados também foram justificados, aproveito para tentar esclarecer este importante aspecto de nossa salvação.
Justificação é o ato pelo qual Deus declara o crente justo diante dele. Dessa afirmação decorre alguns fatos. Primeiramente, a justificação é um ato e não um processo. Deus não nos torna progressivamente justos e então nos aceita, mas num único ato nos considera justos diante Dele para sempre (não confundir aqui justificação e santificação). O segundo ponto é que a justificação é uma declaração e não uma operação de Deus. A justificação é forense, no sentido de que um culpado é declarado inocente diante de um tribunal. Terceiro, a justificação é pela fé somente, pelo que se diz que Deus declara justo aquele que crê. E o que crê é justificado sem nada além da fé, o que não crê não é justificado não importa o que mais faça. E, finalmente, o crente é declarado justo diante de Deus. Embora pecadores, somos justos perante o Senhor.
Um entendimento incorreto da doutrina é a que pensa que Deus simplesmente releva, põe de lado o pecado humano, deixando de atender os requerimentos de Sua santidade e justiça. De fato, a justificação é pela graça, ou seja, não custa nada para nós, pois somos "justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rm 3:24). O texto mostra que a justificação, ainda que gratuita para nós, custou um alto preço para Deus, pois a Seu Filho "Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente" (Rm 3:25-26a). Dessa forma, punindo o pecado em Jesus, Deus torna-se "justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3:26a).
A justificação é, pois, pela graça mediante a fé em Jesus. A fé não é apenas suficiente, mas também necessária. Não fosse pela fé, teria que ser pelas obras da lei. Em verdade, Paulo declara que "os que praticam a lei hão de ser justificados" (Rm 2:13). Apesar de em tese a justificação pelas obras ser possível, na prática "ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado" (Rm 3:20) e "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3:23), assim, a única justificação possível é "a que decorre da fé" (Rm 9:30).
O apóstolo apresenta Abraão como exemplo da justificação pela fé somente. "Se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus" (Rm 4:2), contudo "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça" (Rm 4:3), a conclusão é que "ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça" (Rm 4:5). A aceitação de Abraão por Deus se deu antes de sua circuncisão, portanto, esta não lhe serviu de base para justificação, da mesma forma que as obras que os crentes realizam não é a base pela qual Deus os declara justos diante Dele. "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei" (Rm 3:28).
Voltando ao texto que encabeça esta série de artigos, pergunto, quem é justificado? Justificados são os que são chamados de forma eficaz. Nessa chamada está incluso o dom da fé, necessária para a justificação. Ocorre, contudo, que somente são chamados de forma eficaz aqueles que foram anteriormente conhecidos e predestinados. Em resumo, apenas "os eleitos de Deus" (Rm 8:33) chegam a ser justificados.
Sendo a justificação forense, não pensemos que ela não tem implicações práticas ou que existe apenas para teologizarmos sobre. Romanos diz que "veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida" (Rm 5:18). A justificação declara que somos reconciliados com Deus "justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:1) e por isso "sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira" (Rm 5:9). Há uma íntima relação entre a doutrina da justificação e a segurança eterna do crente. Não importa se nesta vida ou no juízo, "quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica" (Rm 8:33). Tendo sido justificados quando cremos em Jesus "agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8:1). Todos os nossos pecados passados, os atuais e até mesmos os futuros, foram punidos em Jesus e todos eles foram levados em conta quando Deus nos declarou justos diante Dele. Aleluia!
Soli Deo Gloria

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9 comentários:

  1. Clóvis

    Só uma pegunta: A quem Deus conheceu de atemão? Se o fato de ter Deus conhecido na eternidade é causa determinante para Ele ter predestinado para a salvação? Ele não conheceu a todos universalmete? A predestinação do texto que introduz esta postagem fala de predestinação para a salvação de perdidos? Apenas para eleitos?

    Clóvis, quase dava Amém ao teu texto. Mas no 6º parágrafo errasse do primeiro ao quinto!

    Graça e paz!

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  2. Aleluia mesmo Clóvis. Um dos maiores indicadores da nossa salvação é a certeza de estarmos seguros e perdoados por Deus e a nossa vida estar sendo transformada por Ele!!
    Gostaria muito que se você puder, escrevesse um artigo falando sobre a doutrina da separação, ou seja, como o cristão deve ver e combater o mundanismo na sua vida para buscar a santificação.
    Obrigada, fique com o Senhor Jesus Cristo.

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  3. Paulo,

    Sem querer parecer rude, mas sendo, ponto dois problemas em seu comentário: um de matemática e outro de leitura mesmo.

    Você diz que vai fazer só UMA pergunta e faz CINCO.

    E não leu os links indicados e que respondem as suas perguntas.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  4. Ana,

    Mais uma vez, obrigado por sua visita e comentário.

    Sobre santificaçao, se Deus der graça, falarei oportunamente.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  5. Paulo não o César25 de março de 2011 21:21

    Como sempre sendo um quadrúpede ...

    Tá nervosinho?

    Vai responder a pergunta ou prefere dar xilique

    Esse é o Clovis velho de guerra

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  6. Ele tá nervoso

    Tá sem tempo !!!!!

    Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

    Olha o xilique....

    hahahahahahahahahahahahahahhahahahahaha cansei hahahahahahahaha

    ESSE SITE É ÓTIMO

    ResponderExcluir
  7. Paulo e Anderson,

    A Bíblia não vê escarnecedores com bons olhos. Já leram Salmo 1?

    O que traz vocês aqui? Zombaria? Porque não adicionam nada ao debate? Será que pelo menos leram os textos que o Clóvis recomendou [educadamente]?

    Se não, é possível que a intenção de vocês seja apenas zombar, e não edificar.

    Pena.

    Um abraço.

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  8. Paulo,

    "Como sempre sendo um quadrúpede ... Tá nervosinho?"

    Não estou nervoso e nem tenho chiliques. Quem me conhece pessoalmente, me chama de sangue de barata. Mas acho que barata tem seis patas... então agora fiquei confuso.

    "Vai responder a pergunta ou prefere dar xilique. Esse é o Clovis velho de guerra".

    Como disse, as respostas já foram dadas nos textos indicados links do artigo. Mas tudo bem, para tentar melhorar minha imagem perante você, vou responder as perguntas novamente, de forma sucinta.


    1. "A quem Deus conheceu de atemão?"

    Os que foram chamados segundo o seu propósito (Rm 8:28).

    2. "Se o fato de ter Deus conhecido na eternidade é causa determinante para Ele ter predestinado para a salvação?"

    Sendo biblicamente preciso, não. Deus não decreta algo por antevê, mas antevê aquilo que decretou. Falando em termos de predestinação, ela não se baseia em obras ou fé previstas.

    3. "Ele não conheceu a todos universalmete?"

    A onisciência de Deus é exaustiva, ou seja, Ele conhece todas as coisas, passadas, presentes e futuras, reais e possíveis, num ato simples. Mas, quando o texto fala do conhecimento divino em relação aos Seus, está falando de um conhecimento relacional, de um amor eterno. Nesse sentido, Deus só conhece os Seus. Por isso Jesus poderá dizer a muitos "nunca vos conheci" sem contar nenhuma mentira.

    4. "A predestinação do texto que introduz esta postagem fala de predestinação para a salvação de perdidos?"

    Neste e em todos os textos em que ocorre a palavra predestinação, diz respeito e refere-se exclusivamente aos eleitos e salvos. Sendo a predestinação de Deus infalível, se dissesse respeito a todos os homens sem exceção, todos os homens sem faltar nenhum seriam finalmente salvos.

    5. "Apenas para eleitos?"

    Sim, é só ler o verso 33 diz "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica". Os justificados são aqueles que haviam sido escolhidos. E os justificados são os mesmos que foram conhecidos de antemão, predestinados, chamados e finalmente glorificados.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  9. Anderson,

    Li seu comentário e pensei o que responder a respeito. Não me ocorreu nada.

    Peço, então, que como cristão você avalie sua contribuição para o esclarecimento da verdade. E medite no quanto ele agradou ou desagradou o seu Senhor.

    Que o Senhor lhe abençoe.

    Em Cristo,

    Clóvis

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"Se amássemos mais a glória de Deus, se nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a nos engajar em uma controvérsia necessária, quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordenança apostólica é clara. Devemos “manter a verdade em amor", não sendo nem desleais no nosso amor, nem sem amor na nossa verdade, mas mantendo os dois em equilíbrio (...) A atividade apropriada aos cristãos professos que discordam uns dos outros não é a de ignorar, nem de esconder, nem mesmo minimizar suas diferenças, mas discuti-las." John Stott

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