Arminianismo e adventismo: herança comum?


Os adventistas tem pontos de vista variados sobre eleição e predestinação, mas definitivamente nenhum deles é calvinista. Mas eu acreditava que tampouco eram arminianos, pois não se pode encontrar em seus escritos uma expressão clara da eleição corporativa ou pela fé antevista. Porém, parece que eles mesmos se consideram arminianos.

Pelo menos é o que se deprende da chamada para o Simpósio Internacional que começa hoje na Andrews University, em Michigan. O evento é uma celebração pelos 400 anos da Remonstrância, a publicação pelos seguidores de Jacó Armínio de um documento em que eles apresentaram cinco desvios da soteriologia reformada, o qual provocou o Sínodo de Dort e os chamados "Cinco Pontos do Calvinismo". O evento é significativamente intitulado "Arminianismo e adventismo: celebrando nossa herança soteriológica".

Depois de se referir às décadas de conflito entre calvinismo e arminianismo, os organizadores traçam a origem da doutrina da salvação sabatista afirmando que "o entendimento adventista do sétimo dia da salvação claramente encontra suas raízes na Reforma do século 16. As idéias soteriológicas dos reformadores foram melhor esclarecidas no conflito entre as teologias calvinistas e arminianas no século 17. O metodismo do século 18, que defendeu o pensamento arminiano, forma o contexto imediato para o surgimento da soteriologia dos adventistas do sétimo dia no século 19". Assim, a conferência se propõe "discutir o entendimento da salvação dos adventistas, com suas raízes no arminianismo do século 17 e nas idéias wesleyanas".

A maior parte dos palestrantes é adventista. Roger Olson, que falará sobre os temas "Teologia arminiana como teologia centrada em Deus" e "Teologia arminiana como teologia evangélica" e Barry L. Callen que discorrerá sobre "O sinergismo soteriológico e suas seduções circundantes" são dois dos conferencistas não adventistas do evento. A palestra "Perspectivas adventistas sobre a predestinação", pelo Dr. LaRondelle também promete, e como estou preparando um artigo sobre o tema, se algum arminiano comparecer ao evento, consiga uma cópia para mim, please.

Soli Deo Gloria

11 comentários:

  1. Irmãos,

    Um adventista presente ao evento, fez apontamentos sobre as palestras. O que segue é uma tradução livre, feita muito às pressas. Mas serve para as considerações dos leitores do blog.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  2. "O Dr. Hans LaRondelle iniciou sua apresentação "Divina eleição e predestinação: uma perspectiva bíblica" apontando sua preocupação pastorar em lidar com as questões das pessoas se elas fora escolhidas para a salvação.

    Dr. LaRondelle começou com uma análise exegética das passagens bíblicas sobre eleição. Começando com Dt 7:6-8 Dr. LaRondelle observou que a eleição de Israel por Deus foi baseada em seu amor condicional. Este amor se tornou um acontecimento histórico durante o êxodo, mas apontando para Oséias, observa Dr. LaRondelle que a eleição de Deus não é interpretada à parte da fé, como se Israel fosse inerentemente superior à outras nações da terra (Am 3:2). A eleição de Deus exigiu uma resposta (Dt 30:19-20), e as renovações da aliança indicam a necessidade de continuamente responder a Deus antes da eleição amorosa de Israel.

    O ato de escolherem o Deus de Israel pela guarda do sábado e manter a aliança resultaria na inclusão dos gentios crentes na comunidade eleita de Deus (Is 56:3-6). Eles também poderiam ser incluídos no remanescente de Israel, o qual passaria pelo julgamento de Deus e formaria a comunidade iria realizar a vontade de Deus (Am 9:11-12).Zc 3 mostra que aqueles que Deus escolheu, ele também justificou, santificou e glorificou, o que se conecta com Rm 8:28-30.

    Este remanescente também está ligado ao Messias escolhido, que se tornaria um teste de fé (Is 28:16; cf 1Pd 2:6). Jesus identificou-se com esse Messias, quando ele atualizou a canção da vinha de Is 5:1-7 na parábola da vinha e atribuiu o Sl 118:22 à sua experiência de rejeição. Jesus observou que muitos são chamados, mas poucos escolhidos (Mt 22:14). LaRondele acredita que os escolhidos são aqueles que respondem pela fé, como Abraão fez, em distinção aos muitos que são chamados.

    LaRondelle interpreta a declaração de Jesus “não fostes vós que me escolhestes, mas eu escolhi a vós" (Jo 15:16) no contexto de Jo 7:17: "se alguém fizer a vontade de Deus, descobrirá se meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo". Nesta passagem, Jesus está atraindo uma resposta de fé do povo escolhido, bem como dos gentios.

    LaRondelle observa que Pedro atribui o status de escolhidos de Israel a judeus e gentios unidos na igreja (1Pe 1:1,2). Mas para Pedro, uma falha em confirmar a eleição no coração e na vida conta como repúdio da eleição (2Pe 1:10).

    A mais extensiva discussão de Paulo sobre a predestinação vem em Efésio 4. A escolha de Deus para nos dar as bênçãos celestiais vem desde a eternidade e é feita no contexto de seu amor por nós (Ef 1:5; 2:4). Este plano de salvação nunca é concebido à parte de Cristo (Ef 1:3-12). Cristo é Aquele cujo amor quebra a barreira entre Jesus e os gentios e quem dá o Espírito Santo como garantia da salvação.

    Comprando Rm 8 e Ef 1, Dr. LaRondelle colhe as idéias a seguir:

    1. Um padrão de avanço do plano de Deus para a salvação, que termina com a glorificação do eleitos

    2. O verbo "predestinar" indica a certeza do triunfo do plano de Deus

    3. Ambos os capítulos descrevem a origem do ato redentivo de Deus na tempo pretemporal

    4. Ambos descrevem o mesmo propósito nos atos predestinadores de Deus: a adoção dos crentes cristãos como filhos de Deus

    5. Ambos implicam uma ordem de realização: chamada para fé em Cristo, recebimento do perdão como justificação pela fé, com a garantia da herança ou glorificação.

    6. Paulo não trata de indivíduos, mas de todos os crentes cristãos como comunidade eleita.

    Continua...

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  3. ... continuando:

    A seguir, Dr. LaRondelle compartilhou suas reflexões teológicas. O perigo da eleição de Deus é que o eleito comece a colocar sua reinvidicação a Deus. Portanto, Deus ordenou a renovação da aliança para que Israel sempre lembrasse da fonte de suas bênçãos. Isto traz à tona a teologia dos remanescentes dos profetas, o remanescendo sendo aqueles que permanecem na fé em Deus e tornam-se representantes da fidelidade de Deus para seus escolhidos.

    É através de Jesus que Deus cumpre o seu propósito predestinado. Não há vontade de Deus separada da vontade de Jesus. Então, de acordo com LaRondelle, nós devemos entender Rm 8 (em conjunção com Ef 1) como pertencente ao propósito de Paulo em assegurar os crentes de sua salvação, em oposição à dupla predestinação. Rm 8:29-30, na visão de LaRondele, refere-se não às ações humanas, mas à perspectiva divina de nossa salvação. Dessa forma, como Wesley observou, esta passagem não nega que o crente não pode cair, mas afirma o caminho pelo qual Deus nos leva ao céu.

    Ao longo destas linhas, LaRondelle argumenta que as declarações de Paulo sobre a predestinação não se relacionam ao nosso destino à parte de Cristo, mas nosso destino em Cristo. Portanto, para Paulo, não há tensão entre soberania e a graça de Deus, porque Deus vem ao nosso encontro em Jesus, que nos chama para Deus, que só pode ser reconhecido através de uma resposta de fé. Para LaRondelle, especulações sobre o decreto divino não é possível a partir de nossa perspectiva, porque o amor de Deus, mais que Sua soberania é o fundamento da decisão divina para salvar."

    David Hamstra

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  4. Clóvis, veja o comentário que estou esperando no site do leandro:

    "O seu comentário está aguardando moderação.

    6 de outubro de 2010 às 0:18
    Que os adventistas são seita, isso é um fato. O esforço presente já é uma evidencia disso. Afinal, como já disse, o adventismo possuí em sua creñça fundamental (número 18) a crença em Ellen White. Isso é prova que a IASD é uma seita.
    O Clóvis do 5 solas mostrou que o pionerismo adventista era ariano.
    http://cincosolas.blogspot.com/2010/08/eram-os-adventistas-arianos.html?showComment=1284489389825
    Fato é fato.
    E o ano de 1844 não um simples item doutrinário:

    veja sobre 1844: http://mcapologetico.blogspot.com/2010/07/1844-obsessao-adventista.html

    http://mcapologetico.blogspot.com/2010/09/leandro-quadros-na-mira-da-verdade.html
    http://mcapologetico.blogspot.com/2010/09/leandro-quadros-precisa-de-ajuda.html

    Responder Deixe o seu comentário"
    http://novotempo.com/namiradaverdade/2010/09/29/adventistas-um-%e2%80%9cgrupo-aberrante%e2%80%9d/

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  5. Clóvis,

    você comenta essas anotações em algum post?

    Agradeço desde já.

    Em Cristo,

    Cauê

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  6. Refere-se às anotações da palestra de LaRondelle? Não, ainda não comentei.

    Na verdade, sei que ele tem uma apostila sobre o tema, e queria consegui-la, para ter uma visão mais ampla do pensamento dele, embora o que eu tenha lido seja suficiente para escrever alguma coisa.

    A propósito, o Leandro cita LaRondelle que pretensamente cita Berkower, que teria dito à igreja dele para reformular a doutrina da eleição. Estou lendo aobra citada e até agora tudo vai na direção contrária.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  7. Clóvis,

    beleza. Caso tu faças o comentário eu vou dar uma olhada. Não conhecia muito da doutrina adventista, agora que estou tendo algum contato.

    Em Cristo,

    Cauê

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  8. Gracias por las publicaciones y comentarios. Eso afirma mi sospecha que de hecho el arminianismo que fue sostenido mas temprano por el catolico romano rival de Lutero quien se le conoce como Erasmo de Rotterdam a quien Lutero llamo su sistema como salvación por obras bien disfrasado. Finalmente si el adventismo ignorantemente defiende el arminianismo esta alegando algo en contra de la reforma, estaria defendiendo la salvación por obras.

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  9. O que não for calvinista é contra mim! Brilhante

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    1. Caro Anônimo,

      Os arminianos não são contra mim. Podem divergir de mim em pontos importantes da soteriologia, mas ainda concorda nos pontos essenciais. O que não muda o fato do adventismo se dizer arminiano.

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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"Se amássemos mais a glória de Deus, se nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a nos engajar em uma controvérsia necessária, quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordenança apostólica é clara. Devemos “manter a verdade em amor", não sendo nem desleais no nosso amor, nem sem amor na nossa verdade, mas mantendo os dois em equilíbrio (...) A atividade apropriada aos cristãos professos que discordam uns dos outros não é a de ignorar, nem de esconder, nem mesmo minimizar suas diferenças, mas discuti-las." John Stott

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