Crítica histórica da Bíblia

Concluí (dia 28/12/09) a leitura de Crítica Histórica da Bíblia, de Eta Linnemann, publicação recente da Editora Cultura Cristã. O livro não chega a ser técnico, mas interessa especialmente aos que "dentro da iniciativa acadêmica, buscam ser fiéis intérpretes da Palavra de Deus".

A autora foi aluna de Rudolf Bultmann, Ernst Fuchs, Friedrich Gogarten e Gerhald Ebeling e tornou-se professora de teologia e educação religiosa na Alemanha, sendo agraciada com o título de professora honorária de Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Universidade de Philipps e recebida como membro da Sociedade para Estudos do Novo Testamento. Escreveu dois livros sobre crítica bíblica, além de contribuir para periódicos especializados. Então ele resolveu jogar fora seus dois livros e seus artigos (e pede para quem tem exemplares dessas obras que façam o mesmo) e foi ser missionária na Indonésia. O que a levou a isso?

"Por que você diz 'não!' à teologia histórico-crítica? (...) Meu 'não!' à teologia histórico-crítica vem do meu "sim!" ao meu maravilhoso Senhor e Salvador Jesus Cristo e à gloriosa redenção que Ele realizou por mim no Gólgota". (p. 17)

Mais adiante na introdução ela diz:
"De repente, fui convencida de que as promessas de Deus eram reais, que Deus é um Deus vivo, e que Ele reina. "Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele ordenou, e tudo passou a existir" (Sl 33:9). Tudo o que ouvi por meio de testemunhos em meses recentes fez sentido naquele momento. Tomei consciência da estultícia que é, dado o que Deus está fazendo hoje, sustentar que os milagres relatados no Novo Testamento jamais ocorreram. De pronto, ficou claro para mim que meu ensino era um caso de cego guiando cegos. Arrependi-me da maneira como havia enganado meus alunos." (p. 19).

Não posso dizer que a leitura seja agradável, apesar do esforço da autora de que seja uma obra popular. Mas é muito necessária numa época em que ser científico significa rejeitar a inerrância bíblica. Pois além de declarar falaciosa a teologia histórica-crítica, e fazer isso com conhecimento de causa, ela reafirma a inspiração plena e pessoal das Escrituras, chamando ao arrependimento da idolatria aqueles que comparam a Bíblia com outros livros que reinvidicam inspiração divina.

O livro está estruturado em duas partes principais. Na primeira ela discorre sobre a cristianismo e a universidade moderna. É, digamos, a parte mais acadêmica e por assim dizer mais difícil de ler. Mesmo porque a realidade da autora difere um pouco da nossa, pois nossas universidades teológicas não são estatais. Mas não significa que não valha o esforço da leitura.

Na segunda metade do livro ela analisa a relação entre a Palavra de Deus e a teologia histórico-crítica, expondo a mentalidade desta última. No capítulo final ela reafirma a posição ortodoxa sobre a Escritura Sagrada, vale dizer, sua inspiração verbal e pessoal, além da inerrância, unidade, consistência, suficiência e eficácia da Bíblia.

Esta é minha última recomendação de leitura de 2009.

3 comentários:

  1. Clóvis,

    Fiquei curioso em ler o livro. Obrigado pela indicação. Ver como uma ex-adepta da escola crítica da Bíblia mudou a casaca é interessante.

    Um Feliz ano novo!

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  2. Juber,

    Obrigado por aparecer e comentar. Sim, mas tem um detalhe importante: ela se converteu. Não foi apenas uma descoberta, foi antes uma experiência.

    Em Cristo,

    Clóvis

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"Se amássemos mais a glória de Deus, se nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a nos engajar em uma controvérsia necessária, quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordenança apostólica é clara. Devemos “manter a verdade em amor", não sendo nem desleais no nosso amor, nem sem amor na nossa verdade, mas mantendo os dois em equilíbrio (...) A atividade apropriada aos cristãos professos que discordam uns dos outros não é a de ignorar, nem de esconder, nem mesmo minimizar suas diferenças, mas discuti-las." John Stott

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