Dízimo: uma breve história - 2


Se ainda não leu, leia a primeira parte de Dízimo: uma breve história.

Período interbíblico

Como vimos, no Antigo Testamento não tivemos uma uniformidade na forma e na regularidade da entrega do dízimo. No período que vai de Malaquias ao Novo Testamento o dízimo continua sendo a principal fonte de renda dos sacerdotes e levitas.

Os livros apócrifos do período fazem freqüente menção aos dízimos (1Macabeus 3:49; 10:31; 11:35; Judite 11:13). O Eclesiástico ordena “consagra os dízimos com alegria” (Eclesiástico 35:11), prometendo que o Senhor “recompensar-te-á tudo sete vezes mais” (Eclesiástico 35:13). O livro de Tobias dá testemunho de Tobit, da tribo de Naftali, que "dirigia-se ao templo do Senhor em Jerusalém, onde adorava o Senhor Deus de Israel, oferecendo fielmente as primícias e os dízimos de todos os seus bens. De três em três anos, dava aos prosélitos e aos estrangeiros todo o seu dízimo" (Tobias 1:6-7).

Porém, assim como no período do Antigo Testamento os judeus frequentemente deixaram de entregar o dízimo, alguns sacerdotes tomaram medidas para assegurar o seu sustento. Como os agricultores não eram considerados confiáveis no sentido de cumprir com esta obrigação religiosa, bandos eram enviados para tirarem os dízimos à força das eiras.

Neste período o dízimo sofreu algumas modificações. Inicialmente, eram sujeitos às leis do dízimo apenas os frutos da agricultura e dos animais. Mas o Mishná e o Talmude definiram que “tudo o que é utilizado para alimentação, que é cuidado e cresce sobre o solo é susceptível ao dízimo”. Por isso, os fariseus dos dias de Jesus davam dízimo de hortaliças como a hortelã e o cominho.

Os rabinos definiram cuidadosamente uma época sagrada quando as coisas deveriam ser dizimadas – havia um tempo certo para que gado, frutos da terra e das árvores fossem apresentados aos sacerdotes.

Além disso, ao dízimo foi acrescido um imposto per capita de meio siclo por ano, para sustentar o templo e seus ministros. O imposto era cobrado não apenas dos judeus da palestina, mas também dos que viviam na diáspora.

Mesmo depois da destruição do templo os rabinos destacavam a importância do dízimo. Diziam que era um dos meios pelo qual o mundo foi criado e uma das formas pela qual os israelitas escapavam da sorte dos ímpios. Os rabinos também decidiram que o dízimo que antes era destinado aos pobres, deveria ser todo ele entregue aos oficiais do templo.

32 comentários:

  1. Olá Clóvis,
    Gostei de seu estudo sobre os dízimos. Gostaria de lhe dizer que também tenho estudado sobre a história dos dízimos e tem sido muito edificante para mim. Abraços

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    1. vamos trocar a palavra dizimo por TUDO .(os irmãos vendiam TUDO)em atos

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  2. dizimo é lei nós vivemos na graça tanto quem da dizimo como o que recebe não reconhece o sacrificio de jesus POIS ESTÃO VIVENDO A LEI MOSSAICA e aquele que se justifica pela lei da graça tem caido

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    1. vivemos na graça mais não é de graça!!!!

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  3. Clóvis,

    Por favor, termine a breve história do dízimo. Tenho pensado e refletido sobre o assunto após as discussões teonômicas no 5Calvinistas, reli os seus posts e estou inclinado a considerar o dízimo como parte da lei cerimonial, portanto, abolida no NT. Sem falar que a forma como ele foi prescrito na Lei de Moisés é diferente da forma como é praticado hoje em dia, mesmo nas igrejas históricas.

    Essa série é muito importante, vale a pena terminá-la.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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    1. querido
      hoje a oferta é de amor, ñ por obrigação!!

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  4. Helder,

    Obrigado por seu interesse. A terceira parte está pendente a revisão, para postagem. Assim que conseguir completá-la, publicarei.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  5. ESSE ASSUNTO ME INTERESSA MUITO. CONFESSO QUE TENHO DÚVIDAS A ESSE RESPEITO. O QUE MAIS QUERO É SER ACHADO FIEL. POR FAVOR, QUANDO PULBLICAR A 3ª PARTE ME AVISA: eduardosantoslc@hotmail.com
    Bom estudo! Que Deus te ilumine.

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  6. Antonio Marcos,

    Como judeu, cumpridor da Lei, certamente Jesus daria o dízimo se lhe coubesse dizimar. Digo coubesse, pois há fortes evidências de que o dízimo era tomado apenas do fruto da terra e do gado.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  7. Em tempo,

    Na terceira parte do estudo, abordaremos o período do Novo Testamento, vale dizer, de Jesus e dos apóstolos.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  8. O DÍZIMO receita garantida para as Igrejas. Vejo a obrigação que as Igrejas pregam aos fiéis da necessidade de Dizimar para que Deus abençoe a vida dos contribuintes. Não concordo com o que é passado para os fiéis, porque vejo que as mensagens tem sempre a finalidade de arrecadar cada vez mais e que o recurso provenientes das ofertas e dízimos não tem o destino correto. Quando ha algum membro em dificuldades tira-se nova oferta para ajuda-lo sem fazer uso do dinheiro existente para esse fim. Vemos um poço sem fundo. As Igrejas buscando desenfreadamente recursos para poderem sustentar os salários de seus Pastores e dirigentes (salários de executivo), gastando dinheiro em embelezamento das Igrejas e esquecendo o lado Social, esquecem daquelas pessoas que necessitam de ajuda espiritual e financeira. Não vemos pastores de Igrejas passarem dificuldades. Tem seus carros de luxo seus filhos em faculdades levam uma vida de marajá as custas de seus membros. Acabou o tempo que os pastores e dirigentes pregavam por amor. Hoje infelizmente são todos movidos pelo dinheiro.
    O dízimo arrecadado no AT era Lei porque a Igreja dominava o povo e necessitava dos recursos para a ajuda aos pobres, viúvas estrangeiros e os levitas. Hoje temos a Lei que nos obriga a contribuir para o INSS, IRPF e outros impostos que nos sobrecarregam. Sabemos que o Governo necessita das nossas contribuições para nós termos o direito de usufruir de Saúde, educação, aposentadoria etc... A igreja pode sobreviver sem o abuso de dizimar. Os membros sabem das necessidades e com certeza contribuirão com amor. COM A CONTRIBUIÇÃO DO DÍZIMO OU SEM, PODE TER A CERTEZA QUE DEUS ABENÇOARÁ SE REALMENTE NÓS O AMARMOS DE TODO O NOSSO CORAÇÃO.

    FIQUEM NA PAZ DO SENHOR...

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    1. II corintios 9:6
      LEIA por favor!!!
      ...o que estão fazendo com os recursos já é outra coisa!!!!!!

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    2. infelizmente a pessoas sem sabedoria,ao invez de ficar criticando,deveria sair pelas ruas evangelizando como JESUS fazia,saiba que DEUS,nunca foi nem serar coitadinho,fez ao contrario da palavra DELE vai ter seu castigo merecido.

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  9. Carlos,

    Você generaliza e isso obscurece o que você diz com acerto. Na verdade, há muitos, mas muitos mesmo, pastores que passam dificuldade, andam a pé ou de bicicleta e mal tem dinheiro para pagar o material escolar dos filhos que estudam em escolas públicas.

    O estereótipo de jogador de futebol que ganha rios de dinheiro é falso, pois a absoluta maioria ganha tão pouco que muitos desistem e vão fazer outra coisa para sobreviver. Da mesmo forma, pastores em carros de luxo e até jatinho, exibindo ternos caros e tendo do melhor da terra não são representativos dos ministros do evangelho que, via de regra, ganhariam mais fazendo outra coisa, mas diferente de um jogador, sua atividade não é um sonho, mas um chamado.

    Quanto ao dízimo, você está certo ao se referir a formas inadequadas de arrecadar, bem como desvios de finalidade. Minha posição sobre sua prática hoje estou reservando para depois que terminar a série de artigos.

    Em Cristo,

    Clóvis

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    1. por favor leia os versiculos anteriores

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    2. Quais versículos, Machado?

      Em Cristo,

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  10. eu acredito que dízimo mesmo nos dias de hoje é tudo que é extraido da terra,o dinheiro para mim é oferta,e oferta é oque voce da com alegria e não os 10% que muitos ensinam.eu acredito que o certo é oque esta escrito em 2 corintios cap:9 vers:7,8.

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  11. Não normatização quanto ao dízimo no NT. Logo, a Igreja não precisa dizimar, mas os cristãos devem ser generosos. Para a generosidade não há fronteiras; o dízimo, digamos, nivela por baixo.

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    1. Zwinglio,

      Vou nessa linha.

      Em Cristo,

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    2. Clóvis, o Dízimo é bíblico e anterior à lei cerimonial. É bíblico porque o próprio Deus chamou de ladrão quem estava retendo (Mal. 3:8), e Jesus disse sobre o dizimo que “deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas”(Mat. 23:23). E, dizimar em dinheiro não era proibido nem pecado, ou seja, podia dizimar em dinheiro( Deut. 14: 24,25,26). Logo, cai por terra qualquer argumentação contra o dizimo em dinheiro ou que é exclusivamente o que é extraído da terra, gado e etc,. E, é anterior à lei cerimonial, pelo fato de a lei cerimonial ter sida dada muitos anos depois de Abraão e Jacó. Contudo, as Escrituras é clara e explicita que “Abrão” antes de ser circuncidado e ter seu nome mudado para Abraão “ DE TUDO LHE DEU ABRÃO O DIZIMO” (Gen. 14:20). E , Jacó declarou que: “DE TUDO QUANTO ME CONCEDERES, CERTAMENTE EU TE DAREI O DIZIMO” (Gen. 28:22). Há de ser ressaltado que eles não tinham apenas bois e ovelhas, mas também ouro e etc, ou o dinheiro da época.E, Palavra de Deus declara que DE TUDO LHE DEU ABRÃO O DIZIMO”. Será que esse TUDO excluiu o ouro ou o dinheiro da época? Creio que não.
      Em Atos 2: 41 e 42 nos são declarado que os que aceitaram a “Palavra e foram batizados perseveraram na doutrinas dos apóstolos e na comunhão”. E qual é a doutrina dos apóstolos senão o que está escrito em João 2: 22, João 7:38,39-João 8:51, Escrituras essa, que não pode ser anulada(João 10:35). Escrituras essa, que inclui Deut.. 14: 24 a 26 e Malaquias 3:8, que não tem nada haver com as cerimônias que foram cravados na Cruz. Digo, o ato de dizimar (Mat. 23:23), já que antes das leis cerimônias Abrão de tudo deu dizimo a Melquesedeque (Heb. 7: 1 a 10) Quero lembrar que Jesus mencionou a oferta da Viúva pobre em dinheiro.
      Osmar Ferreira-nadanospodemoscontraverdade@bol.com.br

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  12. Estudos sobre o assunto revelam que o ato de dizimar era um costume entre as nações pagãs antes mesmo da chamada de Abraão. Este quando foi chamado por Deus era pagão (gentio), e como tal, certamente havia aprendido determinadas práticas como o ato de dizimar que já era um costume entre os povos da antiguidade, como os gregos e os chineses, onde os reis se utilizavam dessa prática para aumentarem seus rebanhos e fazendas. O dízimo era uma forma de imposto cobrado pelos monarcas antigos.

    Na Grécia, por exemplo, vemos os dízimos incluídos nos escritos de Heródoto. Esse homem, conhecido como o pai da história, foi um historiador grego que viveu de 484 AC até 420 AC. Em seus escritos, Heródoto narrou acontecimentos envolvendo povos como gregos, egípcios, fenícios entre muitos outros. O dízimo citado por Heródoto era muito semelhante ao de Abraão, visto que se tratava de despojos de guerra.

    Logo abaixo estão dois trechos dos escritos desse historiador:

    Heródoto 1.89- “... exijam de tuas tropas os despojos, sob o pretexto de que é preciso consagrar a décima parte a Júpiter." Heródoto 9-80 Calíope- "A décima parte desses despojos foi destinada aos deuses... Separada a décima parte dos despojos, foi o resto distribuído aos guerreiros, a cada um segundo o seu merecimento... As Pausânias coube também uma décima parte dos despojos, incluindo mulheres, cavalos, dinheiro (talentos), camelos e várias outras preciosidades."

    Os Fenícios e cartagineses também tinham a prática de dizimar e na antiga Grécia, mercadores, davam os dízimos de seus lucros a Hércules. Hércules era um deus da mitologia grega, suposto filho de Zeus e da humana Alcmena.

    Persas e babilónios também davam dízimos. Fenícios do século 14 A.C, também dizimavam, pois em Ungarit na Felícia foi achado relatos dessa prática. Na Mesopotâmia no período sumério, dizimistas davam dízimos nos templos.

    Ao estabelecer as leis ao povo de Israel, o Senhor JEOVÁ determinou a este povo que somente após tomarem posse da terra que haviam de conquistar é que eles haveriam de dar os dízimos daquilo que a terra produziria na forma de cereais e das primícias dos rebanhos.

    Mais informações: http://www.crentefeliz.blogspot.com.br/2012/10/dizimo-o-que-era-e-o-que-nao-e.html

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    1. Tá na bíblia que o dízimo foi abolido ? 1000X NÃO!!!

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    2. Olá
      Não existe depois da ascenção de Jesus uma mandamento para os cristãos e cristãs continuarem a dizimar.
      em Hebreus 7 - Abrãao fez uma ato voluntário para com um sacerdote de Deus que era um homem que foi Melquisedeque, naõ tinha nenhum mandamento para isso.

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  13. Para o próximo comentário, sugiro a leitura de: Brevíssima História dos DÍzimos

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  14. Até os judeus- que ainda vivem debaixo do Antigo Testamento- pararam com a prática do dízimo, depois da destruição templo, no ano 70 D.C.
    Paulo nunca falou sobre o dever de entregar o dizimo.O ensinamento dos apóstolos era sobre ofertas, para ajudar os pobres e sustentar os que trabalhavam tempo integram na palavra.

    Mas não quero ser confundido como se eu defendesse que o crente não desse nada, ou somente desse migalhas.

    Ler o Dízimo do Velho Testamento versus o Dadivar do NT -- Anderson
    (http://www.solascriptura-tt.org/VidaDosCrentes/ComRiquezas/DizimoVT-X-DadivarNT-Anderson.htm).
    É o artigo que acho mais equilibrado sobre o assunto, mais bíblico, mais neo-testamentário, o artigo com que mais me identifico.

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    1. Ferreira,

      O artigo indicado é realmente bom.

      Em Cristo,

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"Se amássemos mais a glória de Deus, se nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a nos engajar em uma controvérsia necessária, quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordenança apostólica é clara. Devemos “manter a verdade em amor", não sendo nem desleais no nosso amor, nem sem amor na nossa verdade, mas mantendo os dois em equilíbrio (...) A atividade apropriada aos cristãos professos que discordam uns dos outros não é a de ignorar, nem de esconder, nem mesmo minimizar suas diferenças, mas discuti-las." John Stott

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