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A santificação da igreja

A santificação é uma característica fundamental da igreja, “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14). Contudo, nem sempre é bem compreendida e muitas vezes negligenciada. Muitas vezes é reduzida ao aspecto exterior, como se pudesse ser forçada de fora para dentro, através de regras que proíbem certos alimentos e prescrevem em detalhes o modo de se vestir. Mas isso produz mais sepulcros caiados que santos.

Outra confusão comum é não distinguir os conceitos de justificação e santificação. A igreja romana é culpada disso e essa confusão estava no centro da controvérsia nos dias da Reforma. A justificação é um ato exclusivo de Deus pelo qual Ele declara que aquele que crê em Cristo é justo diante dele. A justificação é objetiva. A santificação, por sua vez, é uma obra que Deus realiza no crente, transformando-o contínua e progressivamente à imagem de Jesus Cristo. A santificação é, pois, subjetiva. A justificação marca o início do processo de santificação, o qual somente será concluída ao final da jornada cristã na terra.

Biblicamente, santificação significa separação e consagração de pessoas ou coisas para um propósito definido. No caso do povo de Deus, santificação é a separação do mundo para consagração ao serviço de Deus. “Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Levítico 20.26). Porque Deus é santo, isto é, infinitamente separado e exaltado de Sua criação, o caráter divino requer santidade daqueles que pertencem a Ele. “Pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pedro 1.15–16)

Dissemos que a justificação é um ato exclusivo de Deus, para diferenciá-la da santificação, que embora seja uma obra divina, é realizada em cooperação com o homem. “Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus. Guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR, que vos santifico” (Levítico 20.7–8). Deus assegura a santificação final, mas o crente é responsável por buscar a santidade, “advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim” (Colossenses 1.28–29).

A citação bíblica em epígrafe afirma que Cristo santifica e purifica a sua igreja, “para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 5.27), enfatizando o aspecto divino da santificação. “Sendo este mesmo o salvador do corpo” (Efésios 5:23), Ele santifica a igreja livrando-a do pecado. Na justificação, salva da culpa do pecado, na santificação, do domínio do pecado e na glorificação final, da presença do pecado. Dentre os meios que o Senhor usa para santificar a igreja, está a Palavra de Deus, “tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra” (Efésios 5.26). Em Sua oração sacerdotal pela igreja Ele pedia ao Pai: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17.17).

Mas do lado humano da santificação também há o que ser feito para que haja crescimento em santidade. Começa com uma aceitação do senhorio de Jesus Cristo, “a igreja está sujeita a Cristo” (Efésios 5:24). Isso leva, por consequência, à obediência dos mandamentos: “Guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR, que vos santifico” (Levítico 20.8). E quando falhar na observância dos mandamentos divinos, confessar e pedir perdão a Deus, pois “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João 1.9).

Na santificação, vemos expressas tanto a soberania de Deus como a responsabilidade do homem. Deus é soberano para santificar e é Ele quem, finalmente, produz santidade no crente. Porém este é responsável diante Dele pela obediência ao comando “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pedro 1.16). Sendo Deus três vezes santo, justificada está a declaração inicial de que sem santidade, ninguém verá o Senhor.

Soli Deo Gloria

Um diálogo sobre eleição

- Você dá a entender que a eleição é irrevogável. Mas, como explicar o caso de Israel? Foram escolhidos por Deus, no entanto não creram no Messias, vindo a se perder. Para mim, se a eleição é como você diz, então Deus não cumpriu com a palavra dada.

- Você precisa entender uma coisa. A eleição não é corporativa, ou seja, nem todos os da nação de Israel são de fato israelita. Considere Abraão. Ele teve dois filhos, Ismael e Isaque, mas nem toda a sua descedência é considerada seus filhos, somente a linhagem que parte de Isaque...

- Calma aí, você não está levando em conta duas coisas que, ao meu ver, fazem toda diferença. A primeira é que os dois filhos dele eram de mães diferentes. Ismael era filho de uma comcubina, a escrava Agar, enquanto que Ismael era filho de sua esposa legítima, Sara. Logo, é natural que só os filhos de Isaque sejam considerados descendentes legítimos de Abraão. Além disso, os garotos já eram nascidos quando Deus prometeu que a descendência seria na linhagem de Isaque. E o comportamento de Ismael era reprovável. De qualquer modo, todo Israel é descendente de Isaque, então ainda acho que Deus não cumpriu sua promessa feita a Abraão, mesmo que se refira a uma descendência espiritual.

- Você interrompeu meu raciocínio, mas em continuação a ele verá que ter os mesmos pais e um bom comportamento não é determinante para ser escolhido por Deus. Considere os dois filhos de Isaque, Jacó e Esaú. Ambos são concebidos do mesmo pai, no mesmo ato sexual e são gerados no útero da mesma mãe. No entanto, um foi amado e escolhido por Deus, enquanto o outro foi odiado e rejeitado. E tem mais, essa escolha foi feita antes deles terem nascido, ou seja, antes que fossem capazes de fazer alguma coisa boa ou má. Veja que os critérios que você propôs para a escolha, descendência natural e boas ações, são irrelevantes. De fato, com esse registro histórico Deus quer deixar claro que no tocante à eleição não importa a nação, linhagem ou família, nem atitudes ou atos, mas somente a vontade divina. A eleição é eterna e incondicional, posto que prerrogativa da soberania divina.

- E você considera isso justo? Deus escolher uma pessoa e rejeitar outra, sem nenhuma consideração pelo que elas fizeram ou viriam a fazer? Eu não consigo ver justiça nisso!

- Em que pese seu veemente protesto, Deus não é nem um pouco injusto ao escolher um indivíduo e não outro, ou mesmo escolher alguns e não a nação inteira. Pois não se trata de justiça, e sim de misericórdia. A justiça é devida, a misericórdia, não. Ninguém pode ir ao tribunal reclamar que alguém não foi misericordioso para com ele. Assim é com a eleição. Deus disse a Moisés que teria misericórdia de quem Ele quisesse ter misericórdia e se compadeceria de quem quisesse ter compaixão. Por isso a eleição não é injusta, pois não depende da pessoa querer ou se esforçar, mas de Deus decidir ser misericordioso com ele. E não é só isso. Ele também endurece aqueles que ele não escolhe, para que sirvam aos seus santos propósitos. É o caso de Faraó, a quem Ele disse que o havia colocado em sua situação histórica para fazer notório o Seu poder e glória em toda a terra, endurecendo o coração dele com esse propósito.

- Espere aí, quer dizer que Deus não apenas elege e chama quem Ele quer, mas também age naqueles que ele rejeita, para que Seu poder seja manifesto? Com que direito então Ele reclama se alguém não lhe obedece, se no fim a pessoa faz exatamente o que Ele determinou que seria feito?

- Agora você está passando dos limites! Afinal, quem você pensa que é para questionar as decisões Deus? Coloque-se no seu lugar. A obra de um artesão pode questionar o modo como foi feita? Ou não tem o artista pleno direito sobre a sua obra, para fazê-la do modo como bem entender? Da mesma maneira Deus, como um oleiro, tem direito de pegar uma quantidade de massa e dela fazer alguns vasos para uma finalidade honrosa e outros para um uso humilhante. Que direito temos de questionar se ele, da mesma massa de pecadores, prontos para a perdição, faz de uns vasos de misericórdia e de outros vasos de ira, manifestando através destes sua ira e poder ao condená-los justamente, enquanto naqueles revela a grandeza de sua glória ao ser misericordioso para com eles?

Preste atenção, o que estou lhe dizendo é que a promessa de Deus não falhou para com a grande parte de Israel. Pois Isaías já havia dito que mesmo que o número de judeus fosse como grãos de areia na praia, apenas uma pequena parte, chamada de remanescente, é que seria salva. E que esse remanescente não seria formado com base em ascendência étnica ou algo que indivíduos tenham feito ou venham a fazer, mas pelo cumprimento da promessa divina, pois o mesmo Isaías atribui a formação dessa descendência espiritual ao Senhor dos Exércitos e que se dependesse do homem, essa descendência seria mais desolada que Sodoma e Gomorra.

Soli Deo Gloria

Monarcas pagãos confessam a soberania de Deus

É óbvio que o Reino de Deus requer o conceito de Deus como Rei, o governante sobre todas as coisas criadas. Claro que Daniel conhecia o Senhor como tal, mas é importante observar que algumas das afirmações mais enérgicas dessa verdade saíram dos lábios de monarcas pagãos.

Nabucodonosor, depois de conhecer o sentido da imagem de seu sonho, confessou a Daniel: “Não há dúvida de que o seu Deus é o Deus dos deuses, o Senhor dos reis” (Dn 2.47). E ele, logo depois do salvamento dos três jovens judeus da fornalha em fogo, foi compelido a louvar o Deus deles e a admitir que “nenhum outro deus é capaz de livrar alguém dessa maneira” (Dn 3.29). Depois, o mesmo rei, em duas declarações de gratidão ao Deus de Israel, referiu-se a ele como “o Deus Altíssimo” cujo “reino é um reino eterno” e cujo “domínio dura de geração em geração” (Dn 4.2,3). Ele, Nabucodonosor, tem de “louv[ar], exalt[ar] e glorific[ar] o Rei dos céus, porque tudo o que ele faz é certo, e todos os seus caminhos são justos” (v. 37). 

O rei Dario (o meda; cf. Dn 5.30) não ficou menos convencido da soberania do Senhor. Ele, depois de testemunhar a libertação de Daniel da cova dos leões, ordenou que só o Deus de Daniel fosse adorado, “pois ele é o Deus vivo e permanece para sempre; o seu reino não será destruído, o seu domínio jamais acabará” (Dn 6.26). No que diz respeito ao assunto, o fato de ele, ou Nabucodonosor, ter crido no que disse e, assim, ter se convertido ao iavismo é bastante irrelevante para o ponto de que, pelo menos, os dois estão no registro como tendo declarado que o Senhor é Deus e que eles e toda a humanidade devem se submeter à soberania dele.

Eugene H. Merrill
In: Teologia do Antigo Testamento

O poder do Diabo está sujeito à autoridade de Deus

Quanto, porém, diz respeito à discórdia e luta que dissemos existir de Satanás com Deus, entretanto assim importa admitir que isto permanece estabelecido: que aquele nada pode fazer, a não ser que Deus o queira e consinta. Ora, lemos na história de Jó que aquele se apresenta diante de Deus para receber ordens, nem mesmo ousa aventurar-se a encetar alguma ação maligna, a não ser que a permissão seja impetradada [Jó 1.6; 2.1]. Assim também, quando Acabe tem de ser enganado, o Diabo toma a si a incumbência de ser um espírito de mentira na boca de todos os profetas, e o executa, comissionado pelo Senhor [1Rs 22.20]. Por esta razão, também se diz provir do Senhor o espírito mau que atormentava a Saul, porque, por meio dele, como por um látego, eram punidos os pecados do ímpio rei [1Sm 16.14; 18.10]. E, em outro lugar [Sl 78.49], está escrito que as pragas foram por Deus infligidas aos egípcios através de anjos maus. Em conformidade com esses exemplos particulares, Paulo atesta, generalizadamente [2Ts 2.9, 11], que o endurecimento dos incrédulos é obra de Deus, embora antes fosse dito ser ele operação de Satanás. Portanto, é evidente que Satanás está debaixo do poder de Deus e é de tal modo regido por seu arbítrio que se vê compelido a render-lhe obediência.

Consequentemente, quando dizemos que Satanás resiste a Deus e que as obras daquele são contrárias às obras deste, estamos afirmando, a um tempo, que esta incompatibilidade e este conflito dependem da permissão de Deus. Não estou falando agora em relação à vontade de Satanás, nem tampouco em referência a seu intento, mas apenas com respeito a sua maneira de atuar. Ora, uma vez que o Diabo é ímpio por natureza, está mui longe de ser propenso a obedecer à vontade divina; ao contrário, ele se inclina à contumácia e à rebelião.

Portanto, isto tem Satanás por si mesmo e por sua própria malignidade: ele se opõe a Deus com vil paixão e deliberado intento. Em virtude dessa depravação, é ele incitado à tentativa dessas coisas que julga serem especialmente contrárias a Deus. Como, porém, este o mantém amarrado e tolhido pelo freio de seu poder, ele leva a bom termo apenas aquelas coisas que lhe foram divinamente concedidas, e assim, queira ou não, obedece a seu Criador, porquanto é compelido a prestar-lhe serviço aonde quer que o mesmo o impelir.

João Calvino
As Institutas

Os decretos de Deus

12. Que são os decretos de Deus?
Os decretos de Deus são os atos sábios, livres e santos do conselho da sua vontade, pelos quais, desde toda a eternidade, Ele, para a sua própria glória, imutavelmente predestinou tudo o que acontece, especialmente com referência aos anjos e os homens.

Is 45:6-7; Ef 1:11; Rm 11:33; Sl 33:11; Ef 1:4; Rm 9:22-23.

13. Que decretou Deus especialmente com referência aos anjos e aos homens?
Deus, por um decreto eterno e imutável, unicamente do seu amor e para patentear a sua gloriosa graça, que tinha de ser manifestada em tempo devido, elegeu alguns anjos para a glória, e, em Cristo, escolheu alguns homens para a vida eterna e os meios para consegui-la; e também, segundo o seu soberano poder e o conselho inescrutável da sua própria vontade (pela qual Ele concede, ou não, os seus favores conforme lhe apraz), deixou e predestinou os mais à desonra e à ira, que lhes serão infligidas por causa dos seus pecados, para patentear a glória da sua justiça.

1Tm 5:21; Ef 2:10; 2Ts 2:13-14; 1Pe 1:2; Rm 9:17-18, 21-22; Jd 4; Mt 11:25-26.

14. Como executa Deus os seus decretos?

Deus executa os seus decretos nas obras da criação e da providência, segundo a sua presciência infalível e o livre e imutável conselho da rua vontade.

Dn 4:35; Ef 1:11.

Catecismo Maior de Westminster
Domingo 4

A soberania de Deus definida por um pentecostal

A soberania de Deus é a soma de alguns dos seus atributos naturais, como: onipotência, onisciência e onipresença, apresentadas na Escritura com um tom muito enfático. Apresenta o Criador e sua vontade como a causa de todas as coisas. Em virtude de sua obra criadora, pertencem-lhe os céus, a terra e tudo o que neles há.

A soberania de Deus submete a Ele todos os seus exércitos dos céus e os habitantes da terra. Deus sustem todas as coisas com sua onipotência, conhece todos os mistérios por sua onisciência, enche todas as coisas com sua onipresença, e determina a finalidade para cada coisa existente pela sua soberania. Deus governa como Rei no mais absoluto sentido da palavra, e todas as coisas dependem dEle e a Ele servem. Há um inestimável tesouro de evidências nas Escrituras revelando a soberania divina (Dt 10.14,17; 1 Cr 29.11,12; 2 Cr 20.6; Is 33.22).

A soberania de Deus diz respeito àquela perfeição do Ser divino, por meio do qual, Ele, por um ato simples, deleita-se em si mesmo como Deus, bem como busca suas criaturas, por amor do seu próprio nome. Com referência ao Universo e todas as criaturas que há nele, Sua vontade inclui, naturalmente, a ideia de causação.

Raimundo de Oliveira
In: As grandes doutrinas da Bíblia

O Juízo Final

Finalmente, cremos conforme a palavra de Deus que, quando chegar o momento determinado pelo Senhor [1] - o qual todas as criaturas desconhecem -, e o número dos eleitos estiver completo [2], nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu, corporal e visivelmente [3], assim como subiu ao céu (Atos 1:11), com grande glória e majestade [4]. Ele se manifestará Juiz sobre vivos e mortos [5], enquanto porá em fogo e chamas este velho mundo para purificá-lo [6].

Naquele momento comparecerão perante este grande Juiz, pessoalmente, todas as pessoas que viveram neste mundo [7]: homens, mulheres e crianças, citados pela voz do arcanjo e pelo som da trombeta divina (1Tessalonicenses 4:16). Porque todos os mortos ressuscitarão da terra [8] e as almas serão reunidas aos seus próprios corpos em que viveram. E a respeito daqueles que ainda estiverem vivos: eles não morrerão como os outros, mas serão transformados num só momento. De corruptíveis se tornarão incorruptíveis [9].

Então, se abrirão os livros e os mortos serão julgados (Apocalipse 20:12), segundo o que tiverem feito neste mundo, seja o bem ou o mal [10] (2Coríntios 5:10). Sim, "de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta" (Mateus 12:36), mesmo que o mundo a considere apenas brincadeira e passatempo. Assim será trazido à luz diante de todos o que os homens praticaram às escondidas, inclusive sua hipocrisia.

Portanto, pensar neste juízo e realmente horrível e pavoroso para os homens maus e ímpios [11], mas muito desejável e consolador para os justos e eleitos. A salvação destes será totalmente completada e eles receberão os frutos de seu penoso labor [12]. Sua inocência será reconhecida por todos e eles presenciarão a vingança terrível de Deus contra os ímpios, que os tiranizaram, oprimiram e atormentaram neste mundo [13]. Os ímpios serão levados a reconhecer sua culpa pelo testemunho da própria consciência. Eles se tornarão imortais, mas somente para serem atormentados no "fogo eterno [14], preparado para o diabo e seus anjos " [15] (Mateus 25:41).

Os crentes e eleitos, porém, serão coroados com glória e honra. O Filho de Deus confessará seus nomes diante de Deus, seu Pai (Mateus 10:32), e seus anjos eleitos [16] e Deus "lhes enxugará dos olhos toda lagrima" [17] (Apocalipse 21:4). Assim ficará manifesto que a causa deles, que agora por muitos juízes e autoridades está sendo condenada como herética e ímpia, é a causa do Filho de Deus. E, como recompensa gratuita, o Senhor os fará possuir a glória que jamais poderia surgir no coração de um homem [18].

Por isso, esperamos este grande dia com grande anseio para usufruirmos plenamente das promessas de Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor.

1 Mt 24:36; Mt 25:13; 1Ts 5:1,2. 2 Hb 11. 39,40; Ap 6:11. 3 Ap 1:7. 4 Mt 24:30; Mt 25: 31. 5 Mt 25:31-46; 2Tm 4:1; 1Pe 4:5. 6 2Pe 3:10-13. 7 Dt 7:9-11; Ap 20:12,13. 8 Dn 12: 2; Jo 5:28,29. 9 1Co 15:51,52; Fp 3:20,21. 10 Hb 9:27; Ap 22:12. 11 Mt 11:22; Mt 23: 33; Rm 2:5,6; Hb 10:27; 2Pe 2:9; Jd :15; Ap 14:7a. 12 Lc 14:14; 2Ts 1:3-10; 1Jo 4:17. 13 Ap 15:4; Ap 18:20. 14 Mt 13:41,42; Mc 9:48; Lc 16:23-28; Ap 21:8. 15 Ap 20:10. 16 Ap 3:5. 17 Is 25:8; Ap 7:17. 18 Dn 12: 3; Mt 5:12; Mt 13:43; 1Co 2:9; Ap 21:9-22:5.

Confissão de Fé Belga
Artigo 37

O propósito de Deus fica firme mediante a eleição

Permitam-me então fazer um sumário do que o apóstolo diz nestes importantes versículos.

Primeiro, a promessa e o propósito de Deus só dizem respeito a algumas pessoas. Essa afirmação é tão verdadeira quanto à nação de Israel quanto todas as demais pessoas. Esse é tão somente outro modo de dizer:"nem todos os de Israel são Israel" - contrariamente fatal e errônea presunção dos judeus. Em última instância, foi essa a razão pela qual eles crucificaram o próprio Filho de Deus. Não se deram conta disso. A promessa de Deus não é universal, nem mesmo com relação à Israel, aos judeus. É só para certas pessoas.

Segundo, estas pessoas, às quais o propósito e a promessa de Deus se aplicam, são, e vieram a ser o que são, não por causa de alguma coisas delas ou nelas. Elas são o povo de Deus, são esta "semente" da qual Paulo fala, não por causa do nascimento deles, não por causa da sua nacionaliade, não por causa de algumas coisas que elas tenham feito ou façam, nem mesmo por crerem no evangelho. São o que são porque Deus as chama a ser, as chama à existência, por causa do elemento sobrenatural presente em seu nascimento, como já vimos no caso de Isaque, que, como Paulo nos diz em Gálatas 4:28-30, nasceu "segundo o Espírito".

Terceiro, noutras palavras, o propósito de Deus está sendo levado a efeito, sempre foi e sempre será, por meio desse processo de seleção e eleição, e vemos como Paulo demonstra esta verdade mediante os casos de Ismael e Isaque como de Esaú e Jacó.

Quarto, Deus põe em andamento e efetua o Seu propósito por intermédio deste processo de seleção e eleição unicamente por uma razão - porque é o único método que garante que Seu propósito e o Seu plano serão certa, segura e infalivelmente efetuados e levados a uma fruição final: "para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme". Não depende de nós de forma alguma, e sim do próprio Deus, do Seu caráter e de Sua ação.

Martin Lloyd-Jones
In: Romanos: exposição sobre o capítulo 9 - o soberano propósito de Deus

A "injustiça" de Deus

Predestinação é uma palavra que provoca alergia em muita gente. É só dizer que Deus predestinou alguns para a salvação enquanto os demais foram deixados no pecado, que a grita é geral. “Isso é injustiça!”, “Deus é injusto!”.

Bem, seja como for, os escritores sagrados falam da predestinação. Paulo, por exemplo: “Porque Deus nos escolheu nele [Cristo] antes da criação do mundo [...]. Em amor nos predestinou…” (Ef 1.4-5).

Mas o fato de Deus não ter predestinado todos para a salvação seria “injustiça”? Pensemos.

Todos os homens, sem exceção, são pecadores; portanto, se todos fossem abandonados na perdição, isso seria plenamente justo da parte de Deus. Todos e cada um receberiam a justa paga pelo seu pecado. Mas Deus, que é soberano, decidiu escolher alguns e tirá-los dessa condenação, ou seja, ele não quis que todos perecessem, mas que alguns fossem salvos.

Desse modo, ele continuou sendo justo para com os que se perdem, pois são pecadores, mas demonstrou misericórdia para com os seus eleitos, os quais ele perdou em Cristo na cruz.

“Ah! Mas eu acho que ele deveria salvar todos”, diz alguém. Responde Deus: “Não me é lícito fazer o que quero do que é meu?” (Mt 20.15). Acho bom você ir se acostumando com a soberania de Deus.

José Moreno, um bispo anglicano que aceita a soberania de Deus.

Salvo para a Glória

Eu me lembro de dar uma aula sobre Efésios 1 em janeiro de 1976 como professor visitante na Bethel College. Eu desenvolvi a aula sistematicamente ao longo dos primeiros catorze versículos de Efésios e minha mente novamente foi constantemente espantada. Isso porque três vezes nos versículos 6, 12 e 14 — Paulo diz que Deus nos escolheu em Jesus antes da fundação do mundo e nos predestinou para sermos seus filhos para o louvor da glória de sua graça.

Ele escolheu você. Por quê? Para que sua glória e graça possam ser louvadas e magnificadas. Sua salvação é glorificar a Deus. Sua eleição é glorificar a Deus. Sua regeneração é glorificar a Deus. Sua justificação é para a glória de Deus. Sua santificação é para a glória de Deus, e um dia, sua glorificação será um mergulho na glória de Deus. 

Você foi criado para a glória de Deus. Isaías 43.6-7: "Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, os que criei para minha glória"

Deus resgatou seu povo Israel do Egito para a sua glória. Salmo 106.7-8: "Nossos pais, no Egito, não atentaram às tuas maravilhas; foram rebeldes junto ao Mar Vermelho. Mas ele os salvou por amor do seu nome, para lhes fazer notório o seu poder".

Em outras palavras, ele dividiu o Mar Vermelho e salvou seu povo rebelde para que ele fizesse notório o seu poder; e sua fama se espalhou até Jericó e salvou uma prostituta, de maneira que quando os israelitas chegaram lá e estavam prontos para soprar as trombetas, ela já tinha nascido de novo, pois ela disse: "Ouvimos o seu nome e o seu renome", e uma mulher e sua família creram em um Deus teocêntrico e escaparam da destruição.

Deus teve misericórdia de Israel no deserto  para a sua glória. Deus poupou Israel no deserto diversas vezes. "A casa de Israel se rebelou contra mim no deserto", disse Ezequiel citando Deus, "Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir. O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profana do diante das nações" (20.13-14). Então, finalmente Deus os envia para o julgamento na Babilônia, e após 70 anos, a misericórdia começa a se aproximar deles. Ele não se divorciará da sua noiva da aliança, e ele os traz de volta, mas por quê?

Qual é o motivo enraizado no coração de Deus? Ouça a resposta de leaíae 48.9-11: "Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar. Eis que te acrisolei, mas disso não resultou prata; provei-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem". Esse é um motivo teocêntrico para a misericórdia. 

Jesus veio e morreu para a glória de Deus. Jesus veio ao mundo por qual razão? Ah, quantas vezes já citamos João 3.16, e isso é gloriosamente verdadeiro. Antes que esta mensagem termine, espero que você veja que tal ênfase (a glória de Deus) e a ênfase que você conhece há muito tempo (sua alegria) não estão em desacordo. 

Mas por que Jesus veio? De acordo com Romanos 15.8-9, ele veio por esta razão: "Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais; e para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia". Jesus veio à terra, tornou se totalmente humano e morreu para que você desse glória ao seu Pai pela misericórdia. Ele veio por amor ao seu Pai. Essa é a razão principal de sua vinda: a glória do seu Pai, e sua glória alcança seu ápice no derramamento da misericórdia. 

Ouça esta palavra de Romanos 3.25-26: Deus propôs a Cristo, no seu sangue, como propiciação para manifestar a justiça de Deus. Isso foi para provar, no tempo presente, que ele mesmo é justo. Foi por isso que ele morreu. Ele morreu para vindicar a justiça de Deus que havia deixado impunes pecados como os de Davi, o adultério e o assassinato. 

Em algum momento você já se incomodou que Deus tenha deixado impune o adultério do Rei Davi, e Davi simplesmente continuou sendo rei? Bom, isso incomodou Paulo até às profundezas de seu ser, que Deus não seja justo e deixe pecados impunes. E não foi apenas Davi. Houve milhares de santos no Antigo Testamento (e hoje) cujos pecados Deus simplesmente esquece e ignora. E Paulo clamou: "Como tu podes ser Deus e fazer isso? Como tu podes ser justo e fazer isso? Como tu podes ser reto e fazer isso? Como tu podes ser digno de adoração e fazer isso? Se qualquer juiz aqui em Austin fizesse isso — se ele absolvesse um pedófilo, um estuprador ou um assas sino ele seria demovido imediatamente, e ainda assim Deus faz isso todos os dias. Então, podemos perguntar: "Que tipo de Deus é você?".

A cruz é a solução para um mega problema teológico, a saber: Como Deus pode ser Deus e perdoar pecados? Jesus veio para vindicar a Deus pela salvação de pessoas como você e eu. A salvação é uma coisa grandemente e gloriosamente teocêntrica. 

Jesus retornará para receber glória. Por que ele voltará? Jesus está voltando, e deixe-me te dizer por que ele está voltando e o que você pode fazer quando ele voltar, para que você esteja pronto e o faça. 2 Tessalonicenses 1.8-10: "Os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus (...) sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando ele vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia". Você consegue ver essas duas coisas? Ele está vindo para ser glorificado (magnificado) em seus santos e para ser admirado. Se você não começar isso agora, você não será capaz de fazê-lo quando ele voltar. 

Esta conferência existe para acender um fogo em seus ossos e para iniciar um incêndio em suas mentes e em seus corações, a fim de prepará-los para encontrar o Rei Jesus, de maneira que vocês continuem por toda a eternidade fazendo o que ele criou vocês para fazerem; a saber, admirá-lo e magnificá-lo.

John Piper
In: Uma paixão consumidora por Jesus (obtenha o ebook completo, gratuitamente, clicando no link)

Um governo absoluto

O governo de Deus é uma monarquia absoluta. Nenhuma restrição exterior lhe é imposta. Ele não que respeitar um equilíbrio de poderes com o Congresso e a Suprema Corte. Deus é o presidente, o Senado, a Câmara de Deputados e a Suprema Corte, todos entretecidos em um só, porque Ele está investido da autoridade de um monarca absoluto.

A história do Antigo Testamento é a história do reino de Jeová sobre Seu povo. O tema central do Novo Testamento é a realização, na terra, do reino de Deus, através do Messias, a quem Deus exalta à destra de autoridade, e coroa como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele é o Rei supremo. Aquele a quem devemos lealdade e obediência total.

Uma das grandes ironias da história é esta: quando Jesus, que era o Rei cósmico, nasceu em Belém, o mundo era governado por um homem chamado César Augusto. Falando em termos corretos, a palavra augusto é apropriada somente para Deus. Ela significa "de dignidade ou grandeza suprema; majestoso, venerável, eminente". Deus é o cumprimento superlativo de todos estes termos, porque o Senhor Deus onipotente reina.

R. C. Sproul
In: Deus controla tudo?

Jesus chora por Jerusalém

Jesus fala com a cidade de Jerusalém. A cidade que mata os profetas e apedreja os que lhe foram enviados. Jesus disse: “Quantas vezes eu quis reunir os teus filhos como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo de suas asas, mas vós não quisestes” (Mt 23:27).

A ilustração aqui é esta: Uma galinha tem seus pintinhos ao seu redor mas, voando lá no alto há uma águia que vai mergulhar e pegar um dos pintinhos e o matar. A galinha vem correndo para os seus pintinhos, abre suas asas e os pintinhos correm e se refugiam debaixo das asas da sua mãe que fecha as asas para protegê-los. Lá está tudo completamente escuro e os pintinhos não podem ver nada e estão seguros junto ao corpo seguro e aquecido da mamãe. O mundo de perigo está longe deles e eles não podem ver o perigo porque a mamãe vai resolver tudo. Os pintinhos estão dependendo de sua mãe e se sentem completamente seguros. Jesus fala como uma pessoa divina e infinita e diz que vai abrir suas asas infinitas e reunir cidades inteiras até os confins da terra; Jesus tem a capacidade de reunir todos debaixo de suas asas infinitas.

Isso é a grande benignidade do Senhor Jesus que é manifestada e declarada na pregação do Evangelho. Não é uma proclamação que revela Seu propósito eterno de salvar a todas as pessoas, pelo contrário, é uma declaração de Sua vontade revelada. É uma proposta condicional. Quando os pecadores confiarem em Cristo, o Senhor estará disposto e preparado para salvá-los. Se rejeitarem a Cristo e não demonstrarem desejo de vir até Ele, no dia do juízo uma parte da condenação deles será porque viram e ouviram tamanha benignidade tendo o evangelho sido colocado à sua frente e tendo-lhes sido feito o convite de vir a Cristo, mas o rejeitaram. Eles serão condenados por causa desta rejeição também. 

Paulo diz em Romanos 1:21 que eles serão condenados por causa do pecado da ingratidão: “porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu”. Você não é ingrato para com um ato que não é misericordioso, mas a ingratidão acontece quando alguém fez um ato de misericórdia, um ato de benignidade para com você e você não lhe é grato.

Sherman Isbell
In: A bondade de Deus e a relutância humana

A doutrina inibe o agir do Espírito?

Hoje, ouvi de uma pessoa - muito simpática, atenciosa e certamente seguidora de Cristo - o seguinte comentário a respeito de um culto por que participamos durante a manhã: "Aqui há uma boa valorização da Palavra e da doutrina, mas a liturgia é muito 'fechada' e o Espírito Santo não tem liberdade para agir" (parafraseando). Estávamos em uma paróquia protestante.

Essa declaração me fez recordar as inúmeras semelhantes que já ouvi, geralmente, de irmãos carismáticos. "Este culto é muito mecânico", "tanta doutrina atrapalha o agir do Espírito Santo", "aqui não há espaço para o Espírito trabalhar", etc. Mas será que essas declarações estão corretas à luz da Escritura? Será que tais afirmações são portadoras de uma compreensão acurada sobre o Espírito de Deus, sobre a instrumentalidade da Palavra e sobre a teologia do culto? A resposta é: não. E eis algumas razões que justificam meu parecer.

Primeiramente, Deus é um ser todo-poderoso. Ele é onipotente. Nada e ninguém pode limitá-lo, cerceá-lo, restringi-lo, manietá-lo, conduzi-lo, impedi-lo, atrasá-lo ou influenciar sua operação de qualquer maneira, em qualquer nível. Isaías 46.10 diz: "... Meu propósito permanecerá em pé, e farei tudo o que me agrada", e no v. 11 completa: "Do oriente convoco uma ave de rapina; de uma terra bem distante, um homem para cumprir o meu propósito. O que eu disse, isso eu farei acontecer; o que planejei, isso farei". E Deus diz, em Isaías 43.13: "Agindo eu, quem o pode desfazer?”. Diante desses poderosos testemunhos bíblicos e, lembrando que o Espírito Santo é Deus, resta ainda algum espaço para defendermos uma posição na qual o Espírito - o próprio Deus - está limitado por alguma situação em particular? É claro que não! Como poderia o Deus criador de todas as coisas, inclusive da nova vida aos pecadores espiritualmente mortos, ver-se "limitado" por qualquer coisa? Uma obra muito mais difícil de ser concebida pela mente humana, a de dar nova vida a pessoas mortas em seus pecados e delitos (Ef 2.1), nós conseguimos aceitar pela fé, por que não haveríamos de aceitar o fato de que nada pode impedir e nem mesmo dificultar a operação do Santo Espírito de Deus? Segue-se que o Espírito opera quando quer, como quer, independentemente de nossa permissão[1]. Liturgias mais elaboradas e menos "intuitivas" não restringem o agir do Espírito Santo de maneira alguma. Nem circunstancialmente nem ontologicamente o Espírito do Senhor é ou pode ser limitado.

Em segundo, a Palavra de Deus, bem como a doutrina por ela revelada são os principais e maiores instrumentos de santificação do qual o Espírito se vale para operar nos corações e mentes dos regenerados. Jesus, em João 15.3 diz: "Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado". O texto de Efésios 6.17 nos diz que a Palavra é a espada do Espírito, o instrumento empregado por Ele. A segunda carta de Pedro diz: "Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça" (1.4); e sabemos que as mencionadas promessas, neste contexto, são figuras para toda a Palavra de Deus. Pedro também diz: "Agora que vocês purificaram a sua vida pela obediência à verdade..." (1Pe 1.22); lembrando também que a verdade objetiva só pode ser encontrada na Escritura Sagrada, como revelação especial de Deus para nós. Portanto, uma conclusão é inevitável aqui: a Palavra de Deus não somente NÃO atrapalha o agir do Espírito Santo como, justamente ao contrário, o consolida e torna eficaz. Um crente só é santificado pela instrumentalidade da Palavra sob a operação do Espírito. Um crente só é aperfeiçoado na consciência do evangelho mediante a Palavra de Deus, que imprime significado e promove contraste objetivo na interpretação dos fatos e conceitos. Logo, a carga doutrinária de um culto está diretamente ligada às possibilidades de transformação VERDADEIRA de caráter nas pessoas. Um culto repleto de atividade musical, manifestações emotivas e participações livres e espontâneas podem agradar a uns que carecem de uma maior "interatividade", por assim dizer, mas não são eficientes para a operação de santificação dos salvos e, portanto, não podem ser considerados como verdadeiros cultos a Cristo. Uma verdadeira e transformadora reunião precisa ser, do início ao fim, pautada e imbuída na Palavra do Senhor, com forte conteúdo doutrinário e sólido ensino na sã doutrina.

Portanto, voltando à afirmação de que um culto bem organizado liturgicamente e fundamentado no ensino inibe o agir do Espírito Santo, concluímos que tal assertiva é deveras equivocada. Com efeito, essas características não apenas não podem limitar a operação do Espírito Santo como são os verdadeiros conduintes da ação santificadora da Terceira Pessoa. Correndo o risco de me repetir, reafirmo algo em que venho insistido: não existe vida espiritual à parte da Escritura como ferramenta de aperfeiçoamento empregada pelo Espírito.
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Notas

1. O fato de o Espírito Santo ser soberano em seu agir não significa que não exista ummodus operandi passível de identificação em suas operações, segundo a Escritura. Deus é absolutamente soberano, porém, revelou a nós as formas usuais pelas quais opera.

Paulo Ribeiro

A soberania de Deus na distribuição de riqueza

Sem dúvida, tenho chegado a entender que o giro dos dados não é assunto de sorte, pois “a sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda decisão” (Pv 16.33). Deus é soberano inclusive sobre os assuntos mais mundanos de Sua criação. Agora me dou conta de que todas as vitórias e todas as derrotas de todos os eventos esportivos na história tem sucedido conforme o plano soberano de Deus. Isto pode ser duro de aceitar, como o foi para mim quando Christian Laettner fez um lançamento "milagroso" no torneio de 1992 na NCAA, com o qual venceu meus amados Kentucky Wildcats. Sem dúvida, o Deus que as trevas e a luz e que ordena a adversidade para Seus próprios propósitos (Is 45:7) teve por bem propor que meus Wildcats caíssem naquela tarde. Portanto, ainda que todo atleta cristão devesse expressar gratidão por cada vitória e inclusive pelas derrotas, nenhum cristão deve pensar que tais vitórias são um sinal de favor de Deus sobre certa equipe ou indivíduo dessa equipe. Deus não necessariamente faz cálculos precisos de valor ou mérito espiritual e então recompensa os pesos pesados espirituais com uma vitória. A fé grande nem sempre resulta numa libertação milagrosa. Em outras palavras, para cada história de Davi e Golias há muitas histórias de cristãos que aparentemente são derrotados nas mãos de inimigos ímpios. O autor de Hebreus abordou este assunto em seu "Quem é Quem no Hall da Fama da Fé":

“Outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa” (Hb 11.36–39).

Portanto, não devemos pensar que o povo de Deus será mais saudável, próspero e estará mais tranquilo que os ímpios. Não devemos pensar que de alguma maneira Deus será mais glorificado convertendo a Seus filhos em milionários para mostrar aos perdidos que cristãos também podem fazer dinheiro. Ainda que alguns cristãos sejam ricos, não devemos crer que esses homens e mulheres tem algum favor único da parte de Deus que poderia ser nosso se nós, de alguma forma, preenchamos certos requisitos divinos. Deus, para Seus próprios propósitos, derrama misericordiosamente Deus dons como Ele considera melhor.

Esta outorga divina de dons é certa também para os ímpios, pois Deus abençoa os ímpios com muitos de seus dons misericordiosos. Asafe foi testemunha disto, igual ao que fizeram outros homens na Bíblia. Não estamos falando apenas de chuva, alimento ou ar para respirar. O rei Davi escreveu sobre a generosidade de Deus para com o ímpio:

“Levanta-te, SENHOR, defronta-os, arrasa-os; livra do ímpio a minha alma com a tua espada, com a tua mão, SENHOR, dos homens mundanos, cujo quinhão é desta vida e cujo ventre tu enches dos teus tesouros; os quais se fartam de filhos e o que lhes sobra deixam aos seus pequeninos” (Sl 17.13–14).

Longe de crer que os ímpios são arquitetos de sua própria riqueza e comodidade, Davi deixou assentado que era Deus quem derramava sobre eles tesouros de saúde, riqueza e tranquilidade. Não há homem que tenha se feito a si mesmo, e não existem histórias de sucesso por auto-realização. Jeová é um Deus pessoal, atuando e controlando por Sua própria sabedoria todos os aspectos da vida. O fato é, quer gostemos ou não, que Ele dá a todos os homens como Ele o deseja. Ele não simplesmente pôs em movimento leis físicas para governar o universo, preferindo distanciar-se de Sua criação, mas propriamente Ele soberanamente confere dons a todos os homens, seja eles seus filhos ou não. Desde Abrãao e o rei Salomão, até Donald Trunp e Bill Gates, todos eles devem a origem de sua riqueza unicamente a Deus.

O fato de que Deus distribui saúde e riqueza é um ponto importante. Para muitos cristãos professantes, Deus não é absolutamente soberano. Eles olham o homem como um ser que controla seu próprio destino. A riqueza vem nada mais que do uso dos meios estabelecidos por Deus, do trabalho duro e dos investimentos. Outros olham a riqueza como originando-se num "golpe de sorte", tal como no caso de uma bilhete de loteria. E outros veem a Deus como alguém caprichoso. Creen que Ele pode ser influenciado pela vida santa, a oração ou a fidelidade para dar-lhes os desejos de seu coração, mesmo quando esses desejos não são para glória de Deus.

Não nos enganemos neste ponto. Não estou dizendo que Deus não recompensa a oração, a fidelidade e a santidade, nem estou dizendo que Deus vai anular as leis que Ele estabeleceu para dar ao preguiçoso uma grande riqueza. Não obstante, o que estou dizendo é que toda a prosperidade e o sucesso provém, em última instância, da mão divina da Providência. O servo de Abraão não lhe deu o crédito pela riqueza de seu amo como se esta proviesse da gennialidade de Abraão, e sim da bondade de Deus sobre ele.

Stevan Henning
In: Cuando las cosas buenas le suceden a gente mala: El cristiano y la envidia.

Soberana vontade e soberano poder

A soberania de Deus pode ser dividida em duas partes. Podemos pensar em sua soberana vontade e em seu soberano poder. A vontade de deus é seu desejo, prazer ou agrado. A vontade de Deus é seu livre poder de escolha (Dn 4:35; 6:18), o qual Ele exerce em favor de Sua glória e Sua criação, de uma maneira pessoal. Seu poder é aquela capacidade de Deus pela qual Ele executa a Sua vontade. É o seu poder onipotente para efetuar sem falhar tudo o que deseja, tanto na criação como na redenção.

Até onde se estende a vontade de Deus? Segundo a Escritura, a vontade de Deus se estende à toda vida, inclusive:

1. Tudo se deriva da vontade de Deus (toda criação e sua preservação): “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Apocalipse 4.11).

2. Os governos humanos são estabelecidos pela Sua vontade: “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina” (Provérbios 21.1).

3. Cristo sofreu segundo a vontade de Deus: “dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lucas 22.42) e “porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram” (Atos dos Apóstolos 4.27–28).

4. A eleição e reprovação se determinam segundo a vontade de Deus: “Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão” (Romanos 9.15).

5. A regeneração dos filhos de Deus: “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tiago 1.18).

6. A santificação: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2.13).

7. Os sofrimentos dos crentes são determinados por Sua vontade: “porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal” (1Pedro 3.17).

8. Toda a vida e nosso destino são determinados por Sua vontade: “Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo” (Tiago 4.15, ver também At 18:21 e Rm 15:32).

O soberano poder de Deus é a Sua capacidade de efetuar ou realizar tudo o que deseja. A Bíblia diz:

1. “Não te espantes diante deles, porque o SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, Deus grande e temível” (Deuteronômio 7.21, ver também Is 1:24).

2. “Tu usas de misericórdia para com milhares e retribuis a iniquidade dos pais nos filhos; tu és o grande, o poderoso Deus, cujo nome é o SENHOR dos Exércitos” (Jeremias 32.18).

3. “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Salmos 115.3).

4. Ver também: Jó 9:4; 36:5; Sl 24:8; Mt 11:25; 28:18; 2Co 6:18; 1Tm 6:15; Ap 1:8; 22:5.

Sua vontade Seu poder são soberanos porque são supremos e ilimitados, no sentido de que nada na criação os limitam. Sua vontade somente é limitada por Sua própria natureza.

Nicolás Lammé
In: Una mente cristiana
Tradução: Cinco Solas

A magistratura e o dever do cidadão

A magistratura vem de Deus. A magistratura em todas as suas formas foi instituída por Deus mesmo para a paz e a tranqüilidade do gênero humano, devendo pois, ter o lugar mais importante no mundo. Se o magistrado for inimigo da Igreja poderá entravar a sua ação e perturbá-la muito; mas sendo amigo ou membro da Igreja, torna-se o mais útil e excelente entre os seus membros, podendo ajudá-la muito e dar-lhe assistência melhor do que todos os demais.

O dever do magistrado. O principal dever do magistrado é garantir e preservar a paz e a tranqüilidade pública. Indubitavelmente, ele nunca realizará isso com tanto sucesso como quando é de fato temente a Deus e religioso. Quer isso dizer, quando segundo o exemplo dos mais santos reis e príncipes do povo do Senhor, promove o magistrado a pregação da verdade e a fé sincera, extirpa as mentiras e toda a superstição, juntamente com toda impiedade e idolatria e defende a Igreja de Deus. Certamente, ensinamos que o cuidado da religião pertence especialmente ao santo magistrado.

Tenha ele, pois, em suas mãos a Palavra de Deus, tomando cuidado de que não se ensine nada contrário à mesma. Governe também o povo, que lhe foi confiado por Deus, por meio de boas leis, elaboradas segundo a Palavra de Deus, conservando-o na disciplina, no dever e na obediência. Exerça o seu ofício de magistrado, julgando com justiça. Não faça acepção de pessoas, nem aceite subornos. Proteja as viúvas, os órfãos e os aflitos. Use sua autoridade para punir os criminosos e até bani-los, bem como aos impostores e bárbaros. Pois, não é sem motivo que ele traz a espada. (Rom 13.4).

Portanto, desembainhe a espada de Deus contra todos os malfeitores, sediciosos, ladrões, homicidas, opressores, blasfemadores, perjuros, e contra todos aqueles, a quem Deus lhe ordenou punir e mesmo executar. Reprima os hereges incorrigíveis (verdadeiramente heréticos), que não cessam de blasfemar contra a majestade de Deus, e de perturbar e mesmo pôr em perigo a Igreja de Deus.

Guerra. E, se for necessário preservar pela guerra a segurança do povo, que o magistrado declare guerra em nome de Deus, desde que tenha primeiramente procurado por todos os meios possíveis fazer a paz, não podendo pois, salvar seu povo a não ser pela guerra. Quando, pela fé pratica o magistrado estas coisas, serve a Deus por aquelas obras, que são verdadeiramente boas, e recebe a bênção do Senhor.

Condenamos os Anabaptistas que, ao negarem possa o cristão exercer o ofício de magistrado, negam também que o homem possa ser, com justiça, condenado à morte pelo magistrado, ou que este possa declarar guerra, ou que se prestem juramentos ao magistrado, e coisas semelhantes.

O dever dos súditos. Como Deus efetua a segurança do povo através do magistrado, a quem deu ao mundo para ser como uma espécie de pai, assim ordena a todos os súbditos que reconheçam este favor de Deus no magistrado. Que os súditos, pois, honrem e respeitem o magistrado como ministro de Deus; que o estimem, colaborem com ele, orem por ele como por um pai, e obedeçam às suas decisões justas e legítimas. Finalmente, paguem fiel e prontamente todos os impostos e taxas e todos os demais direitos. E se a segurança pública do país e a justiça o exigirem, e vir-se o magistrado obrigado a empreender uma guerra, dêem até suas vidas e derramem o seu sangue pela segurança pública e pela do magistrado. E o façam em nome de Deus, espontaneamente, com bravura e alegria. Pois, quem se opõe ao magistrado provoca contra si mesmo a severa ira de Deus.

Seitas e sedições. Condenamos, portanto, todos quantos desprezam o magistrado - os rebeldes, os inimigos do estado, os vilões sediciosos, enfim, todos os que aberta ou astuciosamente se recusam a cumprir qualquer das obrigações, que lhes competem. Oramos a Deus, nosso mui misericordioso Pai do Céu, para que abençoe os governantes, a nós e a todo o seu povo, mediante Jesus Cristo, nosso único Senhor e Salvador, a quem seja o louvor e a glória, e as ações de graças, para todo o sempre. Amém.

A universalidade da soberania de Deus e as missões

A universalidade da soberania de Deus é um dos temas mais preponderantes em todo o saltério. Quando o salmista exclama “Pois o SENHOR Altíssimo é tremendo, é o grande rei de toda a terra” (Salmo 47.2, RA) e continua dizendo “Deus é o Rei de toda a terra; salmodiai com harmonioso cântico. Deus reina sobre as nações; Deus se assenta no seu santo trono. Os príncipes dos povos se reúnem, o povo do Deus de Abraão, porque a Deus pertencem os escudos da terra; ele se exaltou gloriosamente” (Salmo 47.7–9, RA), está afirmando que Ele é o dono absoluto de toda a criação e Deus de todos os reinos humanos, o Criador por excelência.

Este tipo de exclamação de júbilo de parte dos poetas tem levado a alguns estudiosos dos salmos a sugerir que o tema teológico central, que de alguma maneira une e entrelaça todos os salmos é "Jeová Reina" (Yhwh malak). Esta pequena frase, cuja tradução é muito debatida, declara que Jeová não somente reina, mas que é o dono de tudo o que existe e, portanto, tem direito absoluto sobre a terra e seus habitantes. 

Este conceito é realmente revolucionário para o mundo antigo. Os deuses das distintas nações vizinhas de israel são deuses que estão limitados em termos geográficos. Seus poder e jurisdição não vão além dos limites geográficos que delimitam uma nação. A declaração de que há um Deus cujo poder não está restrito por fronteiras humanas é, em si mesma, uma afirmação missiológica radical. A soberania e senhorio de Jeová que reina é absoluta e abrange toda a criação. Isto tem pelo menos duas implicações significativas. Em primeiro lugar, o Deus de Israel, o povo do pacto, não é patrimônio exclusivo de Israel. Se bem que é verdade que Jeová decidiu usar o povo de Israel como instrumento de bênção para todas as nações, Israel não pode reclamar direitos absolutos sobre a deidade. Em segundo lugar, isto indica que tudo o que Deus significa, isto é, tudo o que Ele é, está ao alcance de todas as nações. Deus, através de Sua soberania universal, se converte em um recurso inesgotável para toda a criação.

Esta realidade articulada nos Salmos tem uma repercução missiológica notável, em especial se se considera a frase do poeta quando declara que os líderes dos distintos povos se reúnem com o povo do Deus de Abraão para enalter ao único Deus. O fato de que Deus, em sua soberania absoluta, seja Deus dos imperios da terra sugere fortemente que isto deve ser proclamado a todo aqueles que ainda não o sabem ou não o entendem.

É aqui, então, que é importante introduzir de que maneira essa soberania universal produz ou gera esperança. O poeta diz, em outro contexto, que em Deus “está o manancial da vida; na tua luz, vemos a luz” (Salmo 36.9, RA). Aqui temos outra declaração que define a realidade tal como tem sido explicado anteriormente à luz da proposta de Mowinckel. A vida não provém de uma casualidade cósmica, nem de outros deuses cujas jurisdições estão limitadas por fronteiras geográticas. A vida provém de Deus criador de todas as coisas, cuja soberania é absoluta e universal. Esta vida articulada nos Salmos pelos poetas hebreus é o que oferece mais esperança ao nosso mundo contemporâneo. Em termos de uma proposta missiológica, sugerimos a proclamação de um Deus que é fonte, autor e gerador de toda a vida representa, talvez, a mensagem mais poderosa e relevante para um mundo que está empenhado em destruir a vida.

A pos-modernidade na qual estão imersas as sociedades deste mundo define a realidade de maneira que a vida, a esperança, o ideal, a utopia já não existem. Como parte dessa definição de realidade, o importante é sobreviver em termos individualistas, sem nenhum tipo de preocupação "pelo outro", nem tampouco "por Deus".Este marco teórico conduz a uma frustração e a um vazio carente de esperança e vida. O poeta hebreu, por outro lado, define a realidade em termos de vida uma vida e uma esperanças entregues, dadas por um Deus que não pode ser manipulado nem controlado por interesses humanos que intentam definir a realidade em termos que não conduzem à vida. Esta alternativa poetizada pelos hebreus oferece uma menagem relevante que todo crente deve abraçar com o propósito de fazer missão. Quem encarna esta definição da realidade poderá unir-se ao poeta e proclamar a todo ser humana que “Com tremendos feitos nos respondes em tua justiça, ó Deus, Salvador nosso, esperança de todos os confins da terra e dos mares longínquos” (Salmo 65.5, RA).

Padilla, Catalina R.
In: Bases bíblicas de la misión: perspectivas latinoamericanas.
Tradução: Cinco Solas

A importância de se conhecer a Deus

Em Romanos 1, o apóstolo Paulo diz que Deus revelou-se através das coisas criadas tão claramente, e tão manifestamente, que cada pessoa neste mundo conhece o eterno poder e a deidade de Deus. E ainda assim o pecado primário da raça humana é tomar esse conhecimento de Deus e puxá-lo para baixo, como diz o apóstolo Paulo em Romanos, suprimir a verdade pela injustiça, e então trocar esta verdade por uma mentira. E servir a criatura ao invés do Criador. A troca é entre o Incorruptível, Transcendente e Santo Deus pela corrupção de coisas semelhantes a criaturas. Em outras palavras, amigos, o mais básico pecado que nós, não apenas pagãos em terras longínquas aborígenes ou em tribos primitivas, mas que nós cometemos, é o pecado da troca, a propensão à idolatria. E idolatria envolve religião.

Mas até mesmo a religião cristã pode ser idólatra, quando nós despimos Deus de seus verdadeiros atributos e colocamos no centro de nossa adoração algo que não seja o próprio Deus.

Se formos olhar para a essência da Teologia Reformada, eu tenho que dizer a vocês que o foco mais rigoroso da Teologia Reformada é na teologia! No conhecimento do Deus Verdadeiro.

Nós vivemos numa época em que as pessoas dizem que a teologia não é importante. Era isso que David Wells estava desacreditando em seu livro “Sem Lugar para a Verdade”. O que interessa é se sentir bem. Ser ministrado em nossas necessidades psicológicas. Ter um lugar onde possamos sentir o calor e a comunhão, e ter um senso de pertencer a algum lugar e relevância. E teologia é algo que divide. Algo que atiça controvérsias e debates. Dizem: “Nós não precisamos de doutrina! Precisamos de vida!”

No coração da Teologia Reformada está a afirmação de que teologia é vida. Pois teologia é o conhecimento de Deus. E não há conhecimento mais importante para informar nossas vidas do que o conhecimento de Deus.

É disso que se trata toda a Reforma. Havia escândalos no clero, havia problemas de imoralidade, tanto entre o povo católico romano, quanto entre o povo protestante. E Lutero naquele tempo disse: “Erasmo ataca o Papa em sua barriga, eu o ataquei em sua doutrina.” E Lutero ainda admitia que se encontrava comportamento escandaloso entre nosso próprio povo, mas o que nós estamos tentando fazer em primeiro lugar é chegar a um são entendimento de Deus. Pois nossas vidas nunca serão reformadas, nunca serão trazidas à conformidade com Cristo, antes de termos um claro entendimento da Forma Original, do Modelo, do Ideal, da verdadeira humanidade que é encontrada em Cristo. E isso é uma questão de teologia. Então comecem com o claro reconhecimento de que a fé reformada é uma teologia. Uma teologia que permeia toda a estrutura.

R. C. Sproul

3 Atitudes esperadas diante de um Deus Onipotente

Bem que deveriam tremer todos, diante de um Deus tal! Tratar desconsideradamente Aquele que pode esmagar-nos mais facilmente do que nós a uma traça, é suicídio. Desafiar abertamente Aquele que esta revestido de onipotência, que pode rasgar-nos em pedaços ou lançar-nos no inferno na hora que quiser, é o cúmulo da insanidade. Para reduzi-lo ao seu plano mínimo, é simplesmente parte da sabedoria dar ouvidos à Sua ordem: "Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se inflamar a sua ira..."  (Sl 2:12).

Bem que a alma iluminada deve adorar um Deus tal! As estupendas e infinitas perfeições de um Ser como Deus requerem fervoroso culto. Se homens de poder e renome reclamam a admiração do mundo, quanto mais deve o poder do Onipotente encher-nos de assombro e mover-nos a prestar-Lhe homenagem. "O Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, terrível em louvores, obrando maravilhas?" (Êx 15:11).

Bem que o santo pode confiar num Deus tal! Ele é digno de implícita confiança. Nada Lhe é demasiado difícil, Se Deus fosse limitado em poder e força, aí sim, poderíamos ficar desesperados. Mas, vendo que Ele Se reveste de onipotência, nenhuma oração é tão difícil que Ele não possa responder, nenhuma necessidade é tão grande que Ele não possa suprir, nenhuma cólera é tão forte que Ele não possa subjugar, nenhuma tentação é tão poderosa que Ele não nos possa livrar dela, nenhuma miséria é tão profunda que Ele não possa aliviar, “... o Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?" (Sl 27:1). "Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém" (Ef 3:20-21).

A. W. Pink
In: Os Atributos de Deus.

A verdadeira fé

Que é a fé? A fé cristã não é opinião e convicção humana, mas confiança extremamente firme, e o claro e inabalável assentimento do espírito, e finalmente a apreensão certíssima da verdade de Deus apresentadas nas Escrituras e no Credo dos Apóstolos, assim como apreensão do próprio Deus, o supremo bem, e especialmente da promessa de Deus e de Cristo, que é o cumprimento de todas as promessas.

A fé é dom de Deus. Mas esta fé é simplesmente um dom de Deus, que só ele pela sua graça, segundo a sua medida, concede aos seus eleitos quando, a quem e quanto ele quer. E ele realiza isso pelo Espírito Santo, pela pregação do Evangelho e pela oração fiel.

O aumento da fé. Essa fé pode também ser aumentada por Deus; se assim não fosse, o apóstolo não teria dito: “Senhor: aumenta-nos a fé” (Luc 17.5). Tudo o que até aqui temos dito com respeito à fé, os apóstolos ensinaram antes de nós. São Paulo disse: “Ora, a fé é hypostasis ou a certeza das cousas que se esperam, a elegchos, isto é, a convicção dos fatos que se não vêem” (Heb 11.1). E noutro passo ele diz que todas as promessas de Deus são sim por Cristo, e pelo mesmo Cristo são amém (II Co 1.20). E aos filipenses ele disse que a eles lhes foi dado crer em Cristo (Fil 1.29). Noutro passo: Deus concedeu a cada um a medida da fé (Rom 12.3). Noutro ainda: “Nem todos têm fé” e, “Nem todos obedecem ao Evangelho” (II Tes 3.2; Rom 10.16). Também Lucas atesta, dizendo: “Creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At 13.48). Eis porque São Paulo também a chama “a fé dos eleitos de Deus” (Tit I.1 ), e outra vez: “A fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Rom 10.17). Em outras partes, com freqüência, manda que os homens orem pedindo fé.

Fé eficaz e ativa. O mesmo apóstolo chama a fé “eficaz” e “que atua pelo amor” (Gal 5.6). Ela também acalma a consciência e abre um livre acesso para Deus, de modo que podemos aproximar-nos dele com confiança e dele conseguir o que é útil e necessário. A mesma (fé) conserva-nos no serviço que devemos a Deus e ao próximo, fortalece-nos a paciência na adversidade, molda uma verdadeira confissão e manifesta-a: numa palavra, produz bons frutos de todas as espécies, e boas obras.