Pobres escolhidos para amar

"Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam?" (Tg 2.5)

Tiago pressupõe uma escolha divina, feita com uma finalidade: enriquecê-los com fé neste mundo e dar-lhes o reino como herança. A pergunta é retórica e a resposta é, sim, Deus escolheu uns e não outros.

Quanto às características dos escolhidos, são apresentadas duas. São vistos pelo mundo como pobres e amam a Deus. Do contexto conclui-se também que a igreja os via como pobres, e os discriminavam dos ricos em suas reuniões, o que considerado perversidade. Pois se amam a Deus não podem ser considerados pobres pelos critérios da igreja.

No entanto, não podemos extrair do texto a que eles foram escolhidos por Deus por serem pobres, nem mesmo por amarem a Deus. De fato, ao observados a comunidade dos crentes reparamos “que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento” (1Co 1.26), portanto, a maioria da família da fé é formada por pobres. Porém a pobreza não é a causa da eleição divina, que é sempre incondicional e graciosa. Deus escolheu sim os pobres, mas não por que eles eram pobres, mas porque Ele é rico em misericórdia.

O mesmo dizemos do amor. O Senhor ama seus eleitos antes que eles O amem.“Tão somente o SENHOR se afeiçoou a teus pais para os amar; a vós outros, descendentes deles, escolheu de todos os povos, como hoje se vê” (Dt 10.15). O amor divino pelo pecador e não o amor do homem pelo Senhor está na base da eleição. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). 

Os pobresque amam a Deus, o fazem porque foram escolhidos segundo o Seu decreto (Rm 8.28).

Soli Deo Gloria


Disjunções arminianas injustificadas

“Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.” (Marcos 10.9)
Na tentativa de manter a coerência do sistema, o arminianismo é obrigado a criar algumas diferenciações artificiais em seus elementos e que carecem de fundamentação nas escrituras. Algumas são defendidas conscientemente, outras afloram quando um ponto em questão é pressionado. Em todo caso, mostram como o sistema padece de robustez, em consequência de negar doutrinas que lhe parecem desagradáveis. Vejamos três casos em que disjunções aparecem, embora vários outros pudessem ser elencados.

Introduzem discórdia de propósitos na Trindade

O primeiro e talvez o mais evidente deles tem a ver com os propósitos das pessoas da Trindade na obra da salvação. No arminianismo, o Pai decidiu salvar apenas os eleitos [1], ou seja, aquelas pessoas que Ele previu que iriam crer e perseverar [2]. Já o propósito do Filho é remir todas as pessoas sem exceção [3], daí Sua morte ter abrangência universal. Ora, se o propósito do Pai é salvar apenas os que creem e o propósito da morte do Filho é expiar o pecado de todas as pessoas indiscriminadamente, então a vontade do Filho está dissociada da vontade do Pai. Jesus morreu por pessoas a quem Deus não pretendia salvar e às quais o Espírito Santo não aplica os benefícios da morte do Filho.

Em toda a Escritura a salvação é obra da Trindade e as três pessoas estão em perfeita harmonia quanto ao escopo da salvação. Não vemos Deus elegendo alguns e não outros, ao passo que Jesus morre vicariamente no lugar de toda a humanidade e o Espírito converte apenas uma parte dos que Jesus remiu. Pelo contrário, na Bíblia aqueles que o Pai predestinou são exatamente os mesmos que o Filho resgatou e aos quais o Espírito chama e regenera.

Dividem a obra sacerdotal de Cristo

No seu primeiro discurso na universidade de Lyden, Armínio escolhe como tema a obra sacerdotal de Cristo. No seu discurso ele promove uma disjunção entre a tarefa sacrificial e a tarefa intercessória de Jesus, afirmando que Jesus morreu por todos, mas intercede apenas pelos crentes [4]. O motivo dessa mudança de escopo é que se Jesus intercedesse por todos e cada um daqueles por quem morreu, todo mundo seria inevitavelmente salvo, posto que nenhuma oração do Filho deixa de ser atendida pelo Pai [5]. Subjaz nesse motivo a diferença na eficácia da morte e da oração de Jesus, pois a primeira não é em si mesmo eficaz para salvar (carece de algo externo à morte de Jesus), enquanto que a oração tem eficácia absoluta.

O sistema sacrificial do Antigo Testamento indica claramente que o sacerdote intercedia pelas mesmas pessoas em favor de quem foi oferecido o sacrifício. E o Novo Testamento reforça que Jesus intercede por quem Ele morreu, e vice-versa. Separar Sua morte sacrifical de Sua oração sacerdotal não é bíblico e implica que o Pai rejeitaria àqueles por quem Jesus ofereceu Sua vida, mas não as rejeitaria se tão somente Jesus oferecesse uma oração em favor delas. A ruptura arminiana da obra de Cristo faz com que Sua oração seja mais aceitável diante de Deus que Seu sofrimento.

Distinguem salvos e eleitos

Uma terceira distinção artificial que o arminiano é levado a fazer é criar duas classes de salvos. Ele é forçado a isso para poder sustentar que um salvo pode vir a perder a salvação sem com isso comprometer a infalibilidade da presciência divina. Se Deus anteviu a fé de alguns e os elegeu baseado nela, não pode estar errado quanto a eles serem salvos e, portanto, todos os eleitos seriam infalivelmente salvos. Isto implicaria que a doutrina da segurança eterna é verdadeira, o que a maioria dos arminianos não está disposta a admitir. A saída encontrada é dizer que nem todo salvo é eleito, criando duas classes de crentes, uma de meros salvos e outra de salvos eleitos, sendo que aqueles, por fim, serão condenados [6]. Por implicação, a eleição de ninguém pode ser confirmada nesta vida, exceto na mente de Deus.

É quase desnecessário dizer que a Escritura desconhece completamente essa distinção. Em toda a Bíblia os eleitos serão levados à fé e serão salvos e os salvos são aqueles que foram eleitos. Existe completa identidade entre salvos e eleitos, a distinção é extrabíblica e artificial. Não existe nenhuma insinuação escriturística de que um crente possa ser um salvo não eleito. Pelo contrário, quando ela afirma a eleição de alguém, afirma sua salvação, e vice-versa. E a eleição pessoal não apenas pode ser confirmada em vida, como os crentes são instados a confirmarem-na pessoalmente.

Conclusão

Convém considerarmos, em conclusão, a necessidade dessas disjunções artificiais. Dissemos que o arminianismo é obrigado a essas divisões como artifício para fugir de declarações bíblicas e suas implicações lógicas. Para não ser acusado de universalismo ao rejeitar a redenção definida, é forçado a manter que as vontades do Pai e do Filho diferem entre si quanto aos objetos da eleição e da expiação. Frente à afirmação bíblica de que o Pai sempre ouve o Filho, que morre em favor de todos, é levado a afirmar que Jesus não intercede por todos aqueles por quem morre. E para poder continuar sustentando que alguém comprado pelo sangue de Jesus, regenerado pelo Espírito Santo e guardado pelo poder do Pai, ainda assim pode vir a perder a salvação, tem que introduzir a estranha afirmação de que todo eleito é salvo, mas nem todo salvo é eleito.

Tão mais simples e bíblico seria afirmar que Jesus morreu com o propósito de salvar infalivelmente a todos que o Pai elegeu e ninguém mais, os quais serão levados à fé pela obra do Espírito, os quais serão guardados até o fim pela Trindade Santa.

Notas

[1] “Deus decretou salvar e condenar certas pessoas em particular” (Armínio, Obras, vol. 1, p. 227)

[2] “Este decreto tem o seu embasamento na presciência de Deus, pela qual Ele sabe, desde toda a eternidade, que tais indivíduos, por meio de sua graça preventiva, creriam, e por sua graça subsequente perseverariam, de acordo com a administração previamente descrita dos meios que são adequados e apropriados para a conversão e a fé” (Armínio, Obras, vol. 1, p. 227).

[3] “O preço da morte de Cristo foi pago por todos e por cada um” (Armínio, Obras, vol. 1, p. 288)

[4] “Mas Cristo é descrito como intercedendo pelos fiéis, e excluindo o mundo, porque, depois que havia oferecido um sacrifício suficiente para remover os pecados de toda a humanidade, foi consagrado como ‘um grande sacerdote sobre a casa de Deus’ (Hb 10.21)” (Armínio, Obras, vol. 1, p. 43).

[5] "Dessa circunstância, podemos concluir, com a maior certeza, que as orações dEle nunca serão rejeitadas" (Armínio, Obras, vol. 1, p. 43).

[6] “Os cristãos fiéis e os eleitos não são corretamente interpretados como sendo as mesmas pessoas.” (Armínio, Obras, vol. 1, p. 350). Convém considerar, porém, que mais tarde, Armínio parece defender que “a fé é peculiar ao eleito” (idem, p.255), embora arminianos modernos mantenham a distinção.

A santificação da igreja

A santificação é uma característica fundamental da igreja, “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14). Contudo, nem sempre é bem compreendida e muitas vezes negligenciada. Muitas vezes é reduzida ao aspecto exterior, como se pudesse ser forçada de fora para dentro, através de regras que proíbem certos alimentos e prescrevem em detalhes o modo de se vestir. Mas isso produz mais sepulcros caiados que santos.

Outra confusão comum é não distinguir os conceitos de justificação e santificação. A igreja romana é culpada disso e essa confusão estava no centro da controvérsia nos dias da Reforma. A justificação é um ato exclusivo de Deus pelo qual Ele declara que aquele que crê em Cristo é justo diante dele. A justificação é objetiva. A santificação, por sua vez, é uma obra que Deus realiza no crente, transformando-o contínua e progressivamente à imagem de Jesus Cristo. A santificação é, pois, subjetiva. A justificação marca o início do processo de santificação, o qual somente será concluída ao final da jornada cristã na terra.

Biblicamente, santificação significa separação e consagração de pessoas ou coisas para um propósito definido. No caso do povo de Deus, santificação é a separação do mundo para consagração ao serviço de Deus. “Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Levítico 20.26). Porque Deus é santo, isto é, infinitamente separado e exaltado de Sua criação, o caráter divino requer santidade daqueles que pertencem a Ele. “Pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pedro 1.15–16)

Dissemos que a justificação é um ato exclusivo de Deus, para diferenciá-la da santificação, que embora seja uma obra divina, é realizada em cooperação com o homem. “Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus. Guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR, que vos santifico” (Levítico 20.7–8). Deus assegura a santificação final, mas o crente é responsável por buscar a santidade, “advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim” (Colossenses 1.28–29).

A citação bíblica em epígrafe afirma que Cristo santifica e purifica a sua igreja, “para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 5.27), enfatizando o aspecto divino da santificação. “Sendo este mesmo o salvador do corpo” (Efésios 5:23), Ele santifica a igreja livrando-a do pecado. Na justificação, salva da culpa do pecado, na santificação, do domínio do pecado e na glorificação final, da presença do pecado. Dentre os meios que o Senhor usa para santificar a igreja, está a Palavra de Deus, “tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra” (Efésios 5.26). Em Sua oração sacerdotal pela igreja Ele pedia ao Pai: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17.17).

Mas do lado humano da santificação também há o que ser feito para que haja crescimento em santidade. Começa com uma aceitação do senhorio de Jesus Cristo, “a igreja está sujeita a Cristo” (Efésios 5:24). Isso leva, por consequência, à obediência dos mandamentos: “Guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR, que vos santifico” (Levítico 20.8). E quando falhar na observância dos mandamentos divinos, confessar e pedir perdão a Deus, pois “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João 1.9).

Na santificação, vemos expressas tanto a soberania de Deus como a responsabilidade do homem. Deus é soberano para santificar e é Ele quem, finalmente, produz santidade no crente. Porém este é responsável diante Dele pela obediência ao comando “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pedro 1.16). Sendo Deus três vezes santo, justificada está a declaração inicial de que sem santidade, ninguém verá o Senhor.

Soli Deo Gloria

Os deveres missionários do cristão


Você já teve ter ouvido a expressão “todo crente é um missionário ou um impostor”. Não é apenas uma frase de efeito, é uma verdade a ser considerada com seriedade. Também é possível que você tenha ouvido dizer “tudo o que a igreja faz é missões”. Essa frase, porém, é enganosa e serve de pretexto para que a igreja faça muita coisa que não tem nada a ver e que não contribui com nada ou muito pouco com a obra missionária. “Se tudo é missões, nada é missão”, já foi dito em resposta a essa afirmação. O texto que hoje iremos considerar reafirma a primeira afirmação e serve de base para questionarmos a segunda. Eis o texto:
“Depois disto, o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir. E lhes fez a seguinte advertência: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho.” (Lucas 10.1–4)

Jesus faz uma advertência

O “depois disto” aponta para o início do capítulo 9 onde Jesus dá instrução aos doze apóstolos e os envia “a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos (Lucas 9.2). Além dos doze, “o Senhor designou outros setenta”. No capítulo final ele ordena a todos “que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lucas 24.47). A partir do doze, Jesus amplia o número dos que devem anunciar o evangelho, para incluir todos “aqueles que creem” (Mc 16:15-18). Mas a expressão “depois disto” também pode ser referir aos versículos 57-62 do capítulo precedente, onde Jesus testa os que querem lhe seguir, terminando com a advertência “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lucas 9.62).

A advertência feita aos setenta é que “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Passados vinte séculos e tendo o evangelho avançado muito além da Palestina nesse período, a advertência continua válida para a igreja de hoje. A tarefa continua gigantesca. Há muitos povos ainda não alcançados e línguas para as quais a Escritura ainda não foi traduzida. Há muitos lugares no mundo onde Cristo ainda não foi anunciado, onde o povo em trevas sem saber aguarda o cumprimento da promessa “hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito” (Romanos 15.21). Apesar do tamanho da tarefa, “os trabalhadores são poucos”. A igreja tem sido omissa em prover ao mundo obreiros para completar a tarefa de proclamar a Cristo em todo o mundo. Os crentes investem muito pouco de seus recursos na obra missionária e poucos se dispõe a ir aonde o evangelho ainda não chegou.

O que podemos fazer

Está claro que estamos sob o dever de anunciar a salvação ao mundo e não precisamos nos estender em demonstrar essa obrigação. Mas o que podemos fazer efetivamente? Jesus nos apresenta a mais necessária das tarefas, a oração. “Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”. Aí está algo que todo crente pode fazer. Uma irmã que tinha muito desejo de se dedicar a obra de Deus sofreu um acidente, ficando paralítica. Ao lamentar-se com seu pastor de que não mais poderia trabalhar na seara do Senhor, ouviu dele que poderia orar pelos missionários. Assim ela passou a orar todas as manhãs pela obra missionária num dos hemisfério, e à tarde, pelo outro hemisfério do mundo. Você pode estar orando pela obra missionária. Mas pode orar mais, e orar mais intensamente. E deve orar especificamente para que Deus levante novos missionários, apresentando-se em oração como alguém que Ele pode enviar, se assim o quiser. Que “eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6.8) também seja sua oração.

Se essa for sua oração, talvez você ouça de Jesus “Ide! Eis que eu vos envio”. Há muitas formas do evangelho chegar em terras longínquas. O rádio e a televisão têm se mostrado efetivos para veicular a mensagem do evangelho em lugares de difícil acesso. Mais recentemente, a Internet tem alcançado pontos impensáveis e tem sido uma ferramenta útil. Porém, nada substitui a presença física do missionário. A proclamação do evangelho é a principal atividade do esforço, mas não é tudo. Atender necessidades locais, plantar igrejas, formar líderes nativos, tudo isso requer o envolvimento pessoal do missionário. Portanto, o ide não é um imperativo supérfluo hoje, mas uma necessidade real. E o fato dos missionários serem enviados “como cordeiros para o meio de lobos” não deve arrefecer a disposição de ir.

A terceira tarefa, na qual toda a igreja deve se envolver é o sustento missionário. Jesus não afirma isso categoricamente no texto, mas fica explícito quando Ele diz “Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias” (Lucas 10.4). Um missionário não deveria ter que se preocupar com seu sustento, a igreja deve encarregar-se disso. Como missionário, Paulo não buscava ofertas e donativos, mas a igreja de Filipos tomava a iniciativa de enviar-lhe o necessário, e até mais que isso. “Recebi tudo e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (Filipenses 4.18). A igreja da Galácia, por sua vez, recebe o testemunho de seu missionário “de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar” (Gálatas 4.15). Infelizmente, há igreja que gasta mais com copos plásticos no bebedouro que com missionários no campo e outras que faz um grande esforço para instalar ar condicionado no templo enquanto missionários sofrem carências básicas.

Eu quero acreditar que você ora por mais missionários e em favor deles e que tem contribuído generosamente para o sustento deles. De fato, sou movido a dar graças a Deus pela sua dedicação nessa causa. Porém, será que não podemos fazer um pouco mais? Andar a segunda milha? Dedicar mais um pouco do seu tempo de oração para os missionários espalhados pelo mundo? Abrir mão de algo supérfluo ou que poderia ser adiado e enviar uma oferta especial para um missionário que esteja necessitando? A secretaria de missões pode te orientar sobre isso.

O que podemos esperar

Voltando ao primeiro versículo, lemos que “o Senhor designou outros setenta; e os enviou”. No verso seguinte descobrimos que o Pai é “Senhor da seara”. Logo, os enviados são arautos de Jesus, que levantam seu estandarte e em Seu nome estendem os limites do Seu reino aqui na terra. E os que o apoiam com oração e sustento estão envolvidos na causa do Senhor. Não há maior honra que proclamar o nome do Senhor onde Ele ainda não foi invocado e nenhuma outra causa na terra é tão nobre quanto o Seu reino. O Senhor está realizando Sua missão no mundo e para todo crente é um privilégio único fazer parte de Seu projeto para as nações. Missões não é uma parte importante da nossa vida cristã, nossa vida inteira deve fazer parte da missão de Deus.

Além disso, temos uma promessa que deve nos animar em nosso esforço pela causa de Cristo no mundo. Jesus “os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir”. Os missionários são arautos, que tocam trombetas para preparar a chegada do grande Rei. Onde o missionário proclama o evangelho, Jesus se faz presente. “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...e eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28.19–20). O êxito do empreendimento missionário não depende de nossa oração, de nosso serviço e nem de nossas ofertas, embora Deus use tudo isso como meio. A garantia que temos é que o próprio Senhor se apresentará e fará frutificar o trabalho missionário. Disso advém a certeza de que “quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (Salmo 126.6).

Soli Deo Gloria