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A Cadeia Inquebrável da Salvação

Salvação e cinco pontos remetem ao acróstico TULIP, conhecidos como os cinco pontos do calvinismo: total depravação, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e perseverança dos santos. Mas neste artigo gostaria de enfatizar outros cinco pontos, relacionados com a ordem de salvação, os quais são geralmente referidos como elos da cadeia inquebrável da salvação divina, que começando na eternidade passada, mergulha na história e continua na eternidade futura.

O texto que nos guiará é Romanos 8:29-30, citado na epígrafe. É importante, desde já, chamar atenção para alguns detalhes importantes sobre esse texto. O primeiro deles, é que os objetos das ações divinas nele mencionados são pessoas e não algo nelas ou delas. As reiteradas referências “aos que” prova tratar-se de pessoas e não de coisas, caso em que o apóstolo usaria “os que” para referir-se aos objetos. O segundo é que se trata de um grupo definido e fixo de pessoas. Novamente, a referência “aos que... também os” implica isso. Os mesmos “aos que” referidos na eternidade passada são os mesmos “aos que” referidos na história e são os mesmos “aos que” que entram na glória. Ninguém é excluído, nenhum é adicionado. Estes dois fatos devem ser levados em conta ao considerarmos os que se segue.

A expressão “de antemão conheceu” é tradução de uma única palavra: proegno. O prefixo pro- indica um conhecimento prévio e eterno e é traduzido por “de antemão” na expressão. Ele denota algo ocorrido na eternidade passada e não na história corrente. Por sua vez, egno é o modo indicativo ativo do verbo ginosko, em seu aspecto aoristo, que significa “conheceu”. Aplicado ao conhecimento divino, não é mera presciência ou previsão. Deus é onisciente, conhecendo num ato simples tudo o que há para ser conhecido, real ou possível. E sendo presciente, conhece todos os fatos desde sempre. Mas proginosko tem um significado mais profundo que o conhecimento exaustivo e infalível de todas as pessoas, coisas e eventos.

De fato, ginosko traz em si a ideia de conhecimento relacional ao invés de mera constatação antecipada de fatos. Quando Deus diz “povo que não conheci me serviu” (2Sm 22.44; Sl 18:43) e Cristo sentencia aos ímpios “nunca vos conheci” (Mt 7.23) não estão falando que não sabiam que eles existiam, mas declarando que não havia um conhecimento relacional. De igual modo, quando o Senhor declara “Eu te conheci no deserto” (Os 13.5), Jesus informa “conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim” (Jo 10.14) e Paulo assegura “o Senhor conhece os que lhe pertencem” (2Tm 2.19) a ideia envolvida não é de mero conhecimento, mas de relacionamento íntimo. Aliás, os judeus usavam a palavra conhecer para se referir à relação sexual entre um homem e uma mulher: “contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus” (Mt 1.25).

Assim sendo, ser conhecido de antemão significa ser escolhido como objeto do amor redentivo de Deus desde a eternidade. O verbo conhecer tem o sentido bíblico de conhecer intimamente com amor (Jr 1:5; Os 13:5; Am 3:2; 1Co 8:3; Gl 4:9) e expressa a peculiar complacência de Deus para com os Seus. É importante salientar que o texto não informa nada como condição para esse pré-conhecimento eletivo, sejam fé, amor, obras ou obediência. É uma decisão livre e soberana, como indica seu uso em 1Pe 1:20, com referência a Jesus.

Muitos negam que esse pré-conhecimento tenha caráter eletivo, pois ele seria determinativo e eles insistem que a presciência é meramente constatativa. Entendem que “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai” (1Pe 1.2) significa tão somente que Deus previu a fé deles e os elegeu por constatar que eles creriam Nele. Mas tanto aqui como em Paulo, não vemos a fé mencionada como objeto da presciência divina. Aliás, em lugar algum nas Escrituras fé, amor ou outra coisa qualquer é indicada como condição para a eleição. Os eleitos são conhecidos por Deus desde antes da fundação do mundo, para serem objetos do Seu amor e depositários da Sua graça salvadora, sem consideração de algo neles previsto que os diferenciasse dos demais.

Ao conhecimento eletivo de Deus segue-se logicamente a predestinação. Muitas vezes essa ordem é invertida e a predestinação é vista como tratando-se de eleição e reprovação, daí a expressão dupla predestinação, bastante comum. Porém, a ordem bíblica é eleição, seguida da predestinação dos eleitos. Biblicamente falando, a predestinação diz respeito unicamente aos eleitos, não havendo sentido bíblico falar em predestinação para a perdição. “Aos que de antemão conheceu, também os predestinou”.

O termo bíblico predestinou é tradução do verbo proorize, indicativo ativo de proorizo. O prefixo pro- tem o mesmo sentido apontado no seu uso em proegno, ou seja, indica uma ação realizada na eternidade. Portanto, não se pode distinguir uma ordem cronológica entre o conhecimento divino de Seus eleitos e a predestinação deles, embora uma ordem lógica tenha que ser admitida, com a eleição precedendo a predestinação, como mencionado. O verbo horizo carrega o sentido de destinar, determinar, ordenar, designar, estabelecer limites. Portanto, proorize significa predeterminar, decidir de antemão, destinar desde a eternidade.

A questão de quem são os predestinados é bastante clara e não admite controvérsia: são os que foram conhecidos de antemão. O ponto é a que eles foram predestinados, e o complemento esclarece que é “para serem conformes à imagem de seu Filho”. Em outro texto, o destino decidido por Deus para seus eleitos é “a adoção de filhos” (Ef 1:5). Isto de forma alguma nega que a predestinação tenha em vista a salvação, pois esta engloba tudo o que é dito nesta passagem, do conhecimento prévio à glorificação final. Podemos dizer, então, que a predestinação é a preordenação divina de todas as coisas visando conduzir seus eleitos à fé, à adoção de filhos e à progressiva conformação à imagem de Seu filho, a ser completada na glorificação final.

Se mais precisa ser dito sobre a predestinação, é destacar sua força, que vem do fato de que quem predestina é Deus, o Todo-Poderoso! Somos “predestinados segundo o propósito Daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1:11). Sugerir que um predestinado pode vir a apostatar e finalmente se perder é insultar o conhecimento, a sabedoria e o poder do Senhor. É quebrar a cadeia inquebrável. Deus decidiu o destino glorioso dos crentes, nada, nem mesmo os próprios crentes podem alterar esse decreto divino.

Conforme vimos até aqui, os termos pré-conhecidos e predestinados indicam atos realizados na eternidade passada. Mas agora a cadeia de ouro desce para o tempo para indicar a realização do propósito divino, ou seja, a etapa em que os eleitos “são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Assim, “aos que predestinou, a esses também chamou”. E como foi com os termos anteriormente tratados, aqui também requer-se uma compreensão do que seja essa chamada.

Chamar é utilizado tanto para se referir a um convite geral, externo e não eficaz, como a uma chamada pessoal, interna e eficaz. O desconhecimento desses dois aspectos do chamado leva muitos a confundirem-se quanto à sua eficácia. Quando Jesus disse que “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 22.14) estabeleceu uma diferença no número dos que são chamados e dos que são eleitos, sendo aqueles em maior quantidade que estes. Claramente Ele não estava se referindo ao chamado interior, feito pelo Espírito Santo. Porém no texto que estamos considerando, todos os que foram predestinados na eternidade são eficazmente chamados no devido tempo. Aqui, o número de chamados coincide exatamente com o número dos eleitos. Isso porque, em Paulo, ekalese, forma verbal derivada de kaleo, chamar, é sempre eficaz quando feita por Deus (Rm 4:17; 9:7,11,24; 1Co 1:9; 7:17-24; Gl 1:6,15; 5:8,13; Ef 4:1,4; Cl 3:15; 1Ts 2:12; 4:7; 5:24; 2Ts 2:14; 1Tm 6:12; 2Tm 1:9).

Da confusão entre o chamamento exterior pelo evangelho e a chamada interior pelo Espírito Santo resulta a má compreensão e a consequente oposição à doutrina da graça irresistível. Sim, os homens sempre podem resistir, e de fato resistem, ao convite geral do evangelho, o qual é acompanhado de promessa, “muitos são chamados”. Mas nos eleitos desde a eternidade, a graça vence essa resistência, pela operação milagrosa do Espírito no coração deles, “mas poucos, escolhidos”. Se alguém crê, é porque foi predestinado a isso, “creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At 13.48).

Dada a natureza caída do homem, em que todas as suas faculdades estão afetadas pelo pecado e o leva a se opor a Deus e a tudo o que Ele oferece, o crente deve ser imensamente grato a Deus por agir nele, tirando seu coração de pedra e dando-lhe um coração de carne, capaz de amá-lo e desejá-lo. E a certeza de que todos os que foram de antemão conhecidos e predestinados na eternidade serão irresistivelmente chamados em tempo oportuno, é um estímulo à evangelização, pois Deus chama seus eleitos à fé mediante a pregação do evangelho.

É maravilhoso considerar o que Deus fez até aqui. Elegeu, predestinou e atraiu para Si pecadores perdidos. Mas como pecadores, transgressores da santa Lei podem se aproximar dAquele que é Fogo Consumidor, sem serem fulminados? E olhando por outro ponto de vista, como pode um Deus três vezes santo e perfeitamente justo receber aqueles que até então viveram em completa rebelião contra Ele? Neste ponto temos que considerar a justificação, ou seja, “a manifestação da sua justiça no tempo presente, para Ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3.26).

Todos os homens são concebidos em pecado e tão logo nascem, começam a cometer seus próprios pecados, transgredindo a Lei. Isto os torna culpados diante de Deus, e dignos de morte, morte eterna. A justiça de Deus precisa ser satisfeita, um preço precisa ser pago. Por isso Jesus morreu na cruz, para pagar o preço, no lugar e em favor daqueles que foram de antemão conhecidos e predestinados e agora chamados. Os pecados do Seu povo foram colocados sobre Ele e o preço pago satisfez a justiça de Deus, possibilitando que Deus se tornasse justificador de pecadores sem deixar de ser justo. Ao aceitar como satisfatório o sacrifício de Seu Filho, Deus assegurou a justificação de todos aqueles por quem Jesus morreu, os quais em tempo oportuno se apropriarão dessa justiça mediante a fé, pela operação milagrosa do Espírito Santo.

Tão certo que alguém foi amorosamente conhecido por Deus na eternidade e então predestinado a ser chamado em tempo e de modo oportuno, assim é certo que será justificado. O termo edikaiose é um termo forense e significa o pronunciamento de um veredito sobre uma pessoa, de que ela atende plenamente os requerimentos da Lei de Deus. E o modo indicativo do verbo mostra que isso é realizado de uma vez por todas. Dessa forma, todos os que são chamados e creem em Cristo, são desde agora declarados inocentes no tribunal de Deus.

Paulo começa o parágrafo em análise com uma declaração de certeza. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Nos dois versos seguintes ele dá as razões para essa confiança. “Porquanto” no original é uma partícula lógica que significa porque, justificando a certeza expressa no verso anterior. E a expressão “a esses também glorificou” é o arremate dessa certeza, evidenciado pela forma como o apóstolo utiliza o verbo doxazo.

A glorificação dos justificados é ainda futura, pois se dará na volta do Senhor, porém Paulo a expressa como já realizada, tal a sua certeza na glorificação dos que são chamados segundo o Seu propósito. Mais adiante ele dirá que Deus dá “a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios” (Rm 9.23–24). Tudo o que acontece na vida do crente foi preordenado por Deus, visando o bem último daquele que foi chamado, quer dizer, a sua glorificação ou perfeita conformação à imagem do Filho!

Quando diz que os que amam a Deus foram predestinados “para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8:29) e para “a adoção de filhos” (Ef 1:5), o apóstolo tem em mente uma operação que é iniciada na conversão e que será completada na manifestação em glória do Senhor. “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-lo como Ele é” (1Jo 3.2). Os que creem em Cristo podem, e devem, ter certeza de sua eleição na eternidade, de que agora são filhos de Deus, o que o Espírito lhes testemunha no coração e que finalmente serão feitos iguais a Jesus. “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). Aleluia!

Com Rm 8:29-30 o apóstolo pretende eliminar qualquer dúvida dos que amam a Deus de que eles são objetos dos cuidados do Senhor, pois foram “predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11). Esse propósito divino não começa com a conversão deles, nem mesmo no nascimento ou concepção. Na eternidade passada eles já eram conhecidos por Deus e objetos de Seu amor. Eles podem crer que Deus “em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.4–5), muito antes do mundo existir.

O tempo não suspende este cuidado meticuloso de Deus para com seus eleitos. Eles são chamados e justificados e enquanto peregrinam neste mundo “todas as coisas cooperam para o bem” (Rm 8:28) deles, portanto o apóstolo podia dizer “estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8.38–39). Todos os aspectos de sua vida estão sob a amorosa providência de Deus, e mesmo os males redunda no bem deles.

Assim, não deve causar surpresa a certeza inexorável com que Paulo afirma que eles entrarão indubitavelmente na glória do Senhor. Esta certeza todos os que foram justificados ao crerem em Jesus devem ter. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” (Rm 5.1–2). Os sofrimentos dessa vida, que afinal são para o bem deles, não tiram essa certeza. “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18).

Diante disso tudo, o que nos resta? Nada, além de irrompermos em louvor a Ele: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef 1.3)!

Soli Deo Gloria

Pode o crente perder a sua salvação?

Uma verdade bíblica que tem ficado cada vez mais esquecida em muitos púlpitos, e consequentemente, nos corações de muitos crentes, é a doutrina bíblica de que uma vez que alguém foi salvo por Cristo, foi salvo para sempre, e nada neste mundo é capaz de fazer com que a pessoa perca sua salvação.

Em João 10.28 e 29, o Senhor Jesus declara: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebata da minha mão. Aquilo que o meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”. E ainda em Romanos 8.35, o apóstolo Paulo declarou divinamente inspirado: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?”. Muitos outros textos bíblicos nos dão base para crermos que uma vez salvos por Cristo, somos (muito mais do que simplesmente “estamos”) salvos para sempre. De perdidos pecadores fomos transformados em herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Romanos 8.17).

Quando digo que creio que uma vez salvo estou salvo para sempre, imediatamente sou lembrado pelo Espírito Santo de que fui salvo para viver em santidade de vida (cf. Efésios 1.3 e 4) e não para viver libertinamente em pecado. Quem foi salvo por Cristo delicia-se com a nova vida que recebeu em Cristo e tem vontade de estar cada vez mais longe do pecado.

Se fosse possível mesmo perdermos a salvação, eu gostaria de saber qual o pecado que eu viesse a cometer seria o causador de tamanha calamidade. Será que uma mentirinha seria suficiente para me mandar para o inferno? Ou seria preciso um assassinato? Bem, mas, essa não é a questão principal que eu quero tratar aqui.

O que eu quero tratar é: porque será que as igrejas que pregam essa verdade (uma vez salvo, salvo para sempre) dessa forma, não são “populares”, não estão cheias de gente, enquanto que igrejas que pregam o contrário, a saber, que é possível perder a salvação estão abarrotadas de pessoas? Para ser honesto tenho de admitir que essa não é a única causa para esse fenômeno, mas, que é um fator crucial isso ninguém pode negar.

Matutando aqui chego a seguinte conclusão: quando alguém crê que pode perder a salvação está dando provas claras de que sua confiança está em si mesmo e não em Deus, ao passo que quem confia que está salvo para sempre descansa no poder e promessa de Deus.

Isto posto, quem crê que é possível perder a salvação também crê que basta voltar a trás e pedir perdão a Deus e tudo estará resolvido, e assim, essa pessoa se sente no controle da situação. Sua vida ainda é “sua”. E isso faz coro com as filosofias humanistas que encharcam as igrejas colocando o homem no centro de tudo. Ao passo que aquele que crê que está salvo para sempre porque Deus é fiel e poderoso para guardá-lo seguro até o fim (leia Judas v.24 e 25), aprende o quanto antes a confiar (entregar) sua vida aos cuidados de Deus, e, assim, sabe que o controle da sua vida está nas mãos de Deus. E admitamos, essa mensagem não é nem um pouco agradável aos ouvidos dessa geração que foi iludida com a mentira de que ela está no comando de seu destino.

Muito mais do que falar sobre as heresias pregadas por muitas igrejas hoje, o que eu quero é chamar a sua atenção para essa preciosa verdade de que ter a certeza da salvação inclui ter firmeza no propósito de obedecer aos mandamentos de Deus. Na linguagem bíblica: “Grande paz têm os que amam a Tua Lei; para eles não há tropeço” (Salmo 119.165).

Não tropece nas heresias. Confie plenamente sua vida aos cuidados do Deus que é imutável, e que em Sua soberania determinou que aqueles a quem Ele quis salvar vivessem confiantes em Sua Graça a qual os capacita plenamente a viverem de acordo com a Sua vontade.

Numa coisa estão certos os que creem que é possível perdermos a salvação: se você pecar, mas, arrependido buscar o perdão de Deus você será perdoado e voltará a desfrutar da comunhão com Ele. Para nós que cremos que é impossível perdermos a salvação, também é verdade que quando pecamos trazemos à nossa comunhão com Deus sérios prejuízos, porém, ao confessarmos nosso pecado, e arrependidos buscarmos o Seu perdão teremos restaurada a nossa comunhão com Ele.

Não permita que sua comunhão com Deus seja interrompida. Se porventura isso acontecer, corra para Deus, busque o Seu perdão e confesse o seu pecado a Ele, pois “…onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5.20).

Rev. Olivar Alves Pereira

Paulo e a continuidade na salvação

Paulo descreve a salvação do indivíduo como já iniciada, mas ainda não completa. É então garantido que se completará? A pergunta é crítica e face de obstáculos apresentados por forças do mal que agora agem contra os desígnios de Deus, pela perseguição e pela tentação que ameaçam romper a continuidade da salvação e pela perspectiva do juízo final.

A questão da certeza da salvação final dos fiéis depende em parte da salvação ser totalmente obra de Deus ou também receber a contribuição de seres humanos. Para Paulo, a salvação é somente pela graça divina e assim é tão-somente obra de Deus. Os cristãos não têm nenhuma contribuição a fazer para a salvação, pois seu fracasso ao fazê-lo prejudicaria o resultado final. A ordem: “com temor e tremor ponde por obra a vossa salvação" (Fp 2:12) refere-se ao papel ativo dos fiéis baseado no fato de que (“pois”, gar) “é Deus quem opera em vós o querer e o fazer” (Fp 2:13). Essa total dependência de Deus inspira humildade e obediência (“temor e tremor”).

Além disso, Deus tenciona completar a salvação dos fiéis. Deus “os predestinou a serem conformes à imagem de Seu Filho” (Rm 8:29), [os] escolheu desde o começo para [serem] salvos... [os] chamou... a possuir a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts 2:13-14) e “não [os] destinou a experimentar Sua ira, mas a possuir a salvação” (1Ts 5:9). Paulo descreve as iniciativas divinas na salvação dos cristãos como uma “corrente dourada” na qual cada elo subtende o anterior e carrega a promessa do que vem a seguir, sendo o último elo a glorificação (Rm 8:29-30). Paulo tem certeza que a intenção de Deus será realizada: “Aquele que começou em vós uma obra excelente [de salvação] prosseguirá em sua conclusão até o dia de Jesus Cristo” (Fp 1:6).

Como Paulo remonta a verdadeira fé cristã à eleição eterna de Deus, não à história humana arbitrária nem à vontade humana, ele expressa a certeza de que essa fé alcançará a sua meta final. Ele vê outra garantia da salvação final dos fiéis na dádiva do Espírito. Este Espírito é o “Espírito prometido, o Espírito Santo” (Ef 1:13), o “Espírito dAquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos” (Rm 8:11), o “Espírito que dá a vida” (Rm 8:2). Paulo descreve esse poder divino de nova vida escatológica e esperança que habita os cristãos (cf. Rm 5:5; Tt 3:5) com a metáfora das primícias (Rm 8:23), do “adiantamento da nossa herança” (Ef 1:14; 2Co 1:22; 5:5) e do “sinete” (Ef 1:13; 4:30; 2Co 1:22). Por causa da ligação integral entre as primícias e o todo, a dádiva das primícias da salvação opera como promessa de que se seguirá a plenitude da salvação. Assim como o adiantamento obriga o doador ao pagamento total, o Espírito garante que Deus redimirá plenamente os cristãos, que são propriedades de Deus. Paulo faz trocadilho com a antiga função do sinete quando diz que os cristãos “estão marcados com o sinete do Espírito prometido [para o dia da redenção]”, o que significa que pertencem a Deus e estão sob a proteção de Deus com o propósito da salvação final.

Essas garantias da salvação final são, às vezes, consideradas referentes à igreja como um todo e não ao indivíduo; nesse caso, as garantias não eliminam a possibilidade de alguns perderem a salvação. Por outro lado, é o indivíduo que se beneficia com a obra salvífica de Deus – sendo chamado à fé, justificado, habitado pelo Espírito e, finalmente, glorificado – sendo assim, o que está predestinado a obter garantias dessas ações divinas. A audaciosa formulação de Paulo em Romanos 8:29-30 sugere que a obra salvífica de Deus continuará até estar completa em todos aqueles nos quais começou.

J. M. Gndry-Volf
In: Dicionário de Paulo e suas cartas, p. 115

Um crente pode apostatar?

Nós podemos viver em uma cultura a qual crê que todos serão salvos, que nós somos “justificados pela morte” e que tudo de que você precisa para ir para o céu é morrer, mas a Palavra de Deus certamente não dos dá o luxo de crer nisso. Qualquer leitura rápida e honesta do Novo Testamento mostra que os apóstolos estavam convencidos de que ninguém pode ir para o céu a menos que creia somente em Cristo para a sua salvação (João 14.6; Romanos 10.9-10).

Historicamente, os cristãos evangélicos têm largamente concordado sobre esse ponto. Onde eles diferem tem sido na questão da segurança da salvação. Pessoas que concordariam que apenas aqueles que confiam em Jesus serão salvos têm, por outro lado, discordado acerca de se alguém que verdadeiramente crê em Cristo pode perder a sua salvação.

Teologicamente falando, o que estamos discutindo aqui é o conceito de apostasia. Esse termo vem de uma palavra grega que significa “estar longe de”. Quando falamos sobre aqueles que se tornaram apóstatas ou que cometeram apostasia, estamos falando daqueles que caíram da fé ou, no mínimo, da profissão de fé em Cristo que eles um dia fizeram.

Muitos crentes têm sustentado que, sim, verdadeiros cristãos podem perder a sua salvação porque há vários textos no Novo Testamento que parecem indicar que isso possa acontecer. Estou pensando, por exemplo, nas palavras de Paulo em 1Timóteo 1.18-20:

Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem.

Aqui, em meio a instruções e admoestações relativas à vida e ao ministério de Timóteo, Paulo alerta Timóteo a manter a fé e uma boa consciência, e lembrar-se daqueles que não o fizeram. O apóstolo se refere àqueles que “vieram a naufragar na fé”, homens que ele havia entregado a Satanás, “para que aprendam a não blasfemar” (ARC). O segundo ponto é uma referência à excomunhão daqueles homens por Paulo, e a passagem inteira combina uma sóbria advertência com exemplos concretos daqueles que gravemente decaíram de sua profissão cristã.

Não há dúvida de que cristãos professos podem cair, e caem radicalmente. Pensemos em homens como Pedro, por exemplo, que negou a Cristo. Mas o fato de que ele foi restaurado mostra que nem todo crente professo que cai ultrapassou o ponto em que não é mais possível retornar. Nesse particular, nós devemos distinguir uma queda séria e radical de uma queda total e definitiva. Os teólogos reformados têm notado que a Bíblia está cheia de exemplos de verdadeiros crentes que caem em pecados graves e, até mesmo, em períodos prolongados de impenitência. Então, cristãos de fato caem, e caem radicalmente. O que poderia ser mais sério do que a negação pública de Jesus Cristo por Pedro?

Mas a pergunta é: acaso essas pessoas culpadas de uma verdadeira queda são irremediavelmente caídas e eternamente perdidas, ou essa queda é uma condição temporária que irá, em última análise, ser remediada pela sua restauração? No caso de um indivíduo como Pedro, nós vemos que a sua queda foi remediada pelo seu arrependimento. Contudo, o que dizer daqueles que decaem de modo definitivo? Acaso eles foram algum dia crentes verdadeiros?

Nossa resposta a essa pergunta deve ser não. 1João 2.19 fala dos falsos mestres que haviam saído da igreja como nunca tendo sido verdadeiramente parte da igreja. João descreve a apostasia de pessoas que haviam feito uma profissão de fé, mas nunca haviam sido de fato convertidas. Além disso, nós sabemos que Deus glorifica todos aqueles a quem ele justifica (Romanos 8.29-30). Se uma pessoa tem uma verdadeira fé salvadora e é justificada, Deus irá preservar aquela pessoa.

Nesse ínterim, contudo, se o indivíduo que caiu ainda está vivo, como nós sabemos se ele é um completo apóstata? Uma coisa que nenhum de nós pode fazer é ler o coração de outras pessoas. Quando vejo um indivíduo que fez uma profissão de fé e depois a rejeita, eu não sei se ele é alguém verdadeiramente regenerado que está no meio de uma queda séria e radical, mas que em algum ponto no futuro certamente será restaurado; ou se ele é alguém que nunca foi de fato convertido, cuja profissão de fé era falsa desde o começo.

Essa questão sobre se uma pessoa pode perder a sua salvação não é uma questão abstrata. Ela nos afeta bem no âmago de nossa vida cristã, não apenas no que concerne a nossas preocupações com nossa própria perseverança, mas também com a de nossos familiares e amigos, especialmente aqueles que pareciam, por todas as evidências externas, ter feito uma profissão de fé genuína. Nós pensávamos que a profissão deles era crível, nós os abraçamos como irmãos ou irmãs, apenas para descobrirmos que eles rejeitariam aquela fé.

O que você faz, na prática, em uma situação como aquela? Primeiro, você ora e, então, você espera. Nós não sabemos o resultado final da situação, e tenho certeza de que haverá surpresas quando chegarmos ao céu. Ficaremos surpresos em ver pessoas as quais achamos que não estariam lá, e ficaremos surpresos em não ver pessoas as quais tínhamos certeza de que estariam lá, porque nós simplesmente não sabemos a condição interior de um coração humano ou de uma alma humana. Apenas Deus pode ver essa alma, transformar essa alma e preservar essa alma.

R. C. Sproul
In: Um crente pode apostatar?

Como os calvinistas explicam Hebreus 6:4-6?

“É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia. Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada” (Hb 6.4–8) .
O texto da carta aos Hebreus destacado acima é um dos mais difíceis das Escrituras. No passado o mesmo foi utilizado por grupos hereges chamados de donatistas e novacianos, os quais apelavam a ele para negar que os que uma vez negaram a fé pudessem ser readmitidos à comunhão da igreja. Diante da dificuldade de oferecer uma resposta apropriada aos hereges, muitos chegaram a questionar a canonicidade da carta.

E sobre o texto já se debruçaram estudiosos da envergadura de Calvino, Lutero, Mathew Henry, Tertuliano e um sem número de eruditos. Embora alguns deles tenham defendido a sua interpretação como sendo a correta, os mais prudentes não só reconheceram a dificuldade, como evitaram ser dogmáticos e conformaram-se em esperar a volta do Senhor para afirmar uma certeza sobre o que o autor ensina. É óbvio que escrevendo depois de homens com tal envergadura, nem sonho dizer qual estava certo, menos ainda apresentar uma interpretação inédita e melhor que a deles. Limito-me a fazer um apanhado das principais possibilidades.

O desafio arminiano. Quando um arminiano apresenta essa passagem como um desafio a um calvinista, em geral está defendendo a possibilidade de perda da salvação. Identificam os que foram “iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro” como crentes regenerados e o fato de que “caíram” significando que perderam a salvação. Não é uma interpretação livre de problemas, pois implica que “é impossível outra vez renová-los para arrependimento”, ou seja, tais pessoas não podem ser trazidas de volta à salvação. E levanta a questão de qual pecado configuraria essa queda? O escritor diz que “se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hb 10.26, ACF). Quem de nós já não cometeu tal pecado? Sugere-se que se trata de apostasia, mas a palavra apostasia não ocorre no texto em estudo.

As respostas calvinistas concentram-se principalmente em negar que o autor da carta esteja se referindo a verdadeiros crentes ou que a queda implique real perda da salvação, podendo tratar-se de um caso hipotético ou uma outra consequência real, que não a perdição eterna. Nenhuma delas é livre de dificuldades.

1. Não eram regenerados. Vários calvinistas e alguns arminianos não identificam as pessoas descritas como sendo crentes regenerados, mas falsos professantes, que estiveram perto de se converterem. Para eles “iluminados” refere-se compreender a mensagem do evangelho, “provaram” significam que apenas degustaram e o “participantes” que usufruíram de um graça comum, não necessariamente salvífica. Em geral, entendem o “caíram” como sendo apostasia total e definitiva. Sendo assim, foi do conhecimento da verdade que essas pessoas caíram, não da possessão pessoal dela, saíram de uma participação relativa do Espírito Santo, não da participação da natureza divina. Por rejeitarem o evangelho que compreenderam, chegaram a um tal endurecimento que se pode dizer que “é impossível outra vez renová-los para arrependimento”.

2. A queda é hipotética. Essa posição encontra representantes entre muitos calvinistas e alguns arminianos. Para esses intérpretes, o texto descreve crentes regenerados e uma apostasia final e irreversível. Porém, trata-se de uma situação hipotética, o que poderia, em tese, acontecer se um verdadeiro crente se apostatasse total e finalmente da fé. Se fosse possível um verdadeiro crente perder a salvação, então seria impossível para ele recuperá-la. Os que defendem essa posição o apoiam-se no fato de que o escritor não usa os pronome “nós” ou “vós” ao descrever a queda dos iluminados, como o faz nas porções anteriores e posteriores de sua mensagem (Hb 6:9).

3. A queda não é a perda da salvação. Finalmente, uma outra posição afirma que o texto descreve verdadeiros crentes, porém a queda não significa perda da salvação. A perda seria no progresso espiritual ou dos galardões. Seguindo o raciocínio de Hb 6:1-3, o autor estaria tratando do progresso na fé. Assim, o ser iluminado refere-se ao batismo, provar o dom espiritual é participar da ceia, participar do Espírito Santo é ser batizado com o mesmo e provar os poderes do mundo vindouro é receber/realizar os sinais que acompanham os que creem. Se após tudo isso a pessoa cai, vale dizer, deixa de progredir, é impossível voltar no início e recomeçar com o arrependimento, pois seria como crucificar de novo o Salvador. Por isso o autor espera de seus leitores coisas melhores, ou seja, o contínuo progresso na fé. Uma versão dessa explicação faz referência à perda dos frutos e dos galardões, representada pela terra queimada em Hb 6:8, onde o que de fato é queimado é o que a terra produziu.

Minha posição. O que eu creio é que Hebreus 6:4-6 deve ser lido e interpretado à luz do ensino do Novo Testamento sobre a segurança eterna dos crentes. Parafraseando C. I. Scofield, o “se” de Hb 6:6 não pode anular o “em verdade” de Jo 5:24. E não é o caso de contrapor um verso a outro, e sim de iluminar um texto particular com o ensino geral das Escrituras.

Jesus disse “em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Disse também que “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.28). Paulo afirma que “agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1), que fomos “selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef 1.13–14) e que sendo assim “quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Rm 8.34). Pedro completa que somos “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1Pe 1.5). As passagens bíblicas que asseguram a preservação do salvo são tantas que citar todas aqui alongaria demais esse parágrafo.

Portanto, à luz dessas passagens e muitas outras é impossível que alguém que foi eleito, predestinado, chamado e justificado se apostate total e finalmente e perca a salvação, não sendo glorificado (Rm 8:28-30). Como a Escritura não se contradiz, Hebreus 6:4-6 não pode estar ensinando que um regenerado pode perder a salvação. Restam três possibilidades: as pessoas referidas não eram crentes verdadeiros, o que se perde não é a salvação ou é uma situação hipotética. Eu não poderia afirmar com certeza qual delas é a correta (inclino-me mais para a da “queda hipotética”), mas isso não é necessário, pois sei o que o texto não ensina: a perda da salvação. O texto simplesmente não afirma que um crente pode, de fato, a perder a salvação e interpretar dessa forma força ceder a um erro parecido com os de Donato e Novaciano.

Soli Deo Gloria

Céu: garantido

A sabedoria convencional  cria uma linha no meio dessas flutuações. Aja acima dessa linha e aprecie a aceitação de Deus. Mas mergulhe abaixo dela e espere uma carta de dispensa do céu. Nesse paradigma, uma pessoa se perde e é salva múltiplas vezes por dia, dentro e fora do reino, regularmente. A salvação torna-se uma questão de tempo. Você simplesmente espera morrer em ascensão. Não tem segurança, estabilidade ou confiança.

Esse não é o plano de Deus. Ele desenha uma linha, certamente. Mas Ele a desenha debaixo de seus altos e baixos. A linguagem de Jesus não poderia ser mais forte. "Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais se perderão ou perecerão; [por toda a eternidade elas nunca poderão ser destruídas] ninguém é capaz de arrancá-las da minha mão" (Jo 10:28, tradução livre).

Jesus prometeu uma nova vida que [não] poderia ser fortificada ou terminada. "Quem houve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida" (Jo 5:24). Pontes são queimadas e a transferência é completa. Fluxos e refluxos continuam, mas eles nunca desclassificam. Altos e baixos podem marcar nossos dias, mas nunca nos expulsam do reino dEle. Jesus concluiu nossa vida com graça.

Além disso, Deus reclama seu direito sobre nós. "Nos selou como sua propriedade e pôs o seu espírito em nossos coração como garantia do que está por vir" (2Co 1:22). Você fez algo parecido: estampou seu nome num anel de compromisso, gravou sua identidade em uma ferramenta ou no iPad. Os boiadeiros marcam o gado com a marca da fazenda. Estampar declara propriedade. Pelo Seu Espírito Deus nos estampa. Futuros conquistadores são repelidos pela presença de Seu nome. Satanás é rechaçado pela declaração: "Tire as mãos. Este filho é meu! Eternamente, Deus".

A salvação esporádica nunca aparece na Bíblia. A salvação não é um fenômeno repetido. A Escritura não contém nenhum exemplo de nenhuma pessoa que tenha sido salva, depois perdida, e em seguida salva de novo e, então, perdida outra vez.

Onde não há segurança de salvação, não há paz. Nenhuma paz significa nenhuma alegria. Não há alegria em uma vida baseada no medo. É essa a vida que Deus cria? Não. A graça cria uma alma confiante que declara: "Sei em quem tenho crido e estou bem certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (2Tm 1:12).

De tudo o que não sabemos na vida, sabemos isso: nós temos o cartão de embarque. "Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que creem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna" (1Jo 5:13). Confie que Deus se mantém mais firme em você do que você se mantém firme em Deus. A fidelidade dele não depende da sua. O desempenho dele não está fundamentado no seu. O amor dele não é dependente do seu. A chama de sua vela pode tremeluzir, mas não se apagará.

Max Lucado

Como o calvinismo explica Isaías 5:4?

“Que mais se podia fazer ainda à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?” (Is 5.4)

Algumas passagens bíblicas são tidas como inexplicáveis à luz do entendimento calvinista. Eu as chamo de “versículos arminianos” ou anticalvinistas. Certamente que vários calvinistas fizeram exegese dessas passagens, com grande êxito, diga-se. Sendo assim, ao considerá-las não pretendo preencher alguma lacuna, nem intenciono oferecer uma análise melhor, apenas expressar meu entendimento delas.

No caso de Isaías 5:4, a primeira coisa a ser feita é descobrir é “problema calvinista”, se é que ela apresenta algum. Considerando o verso isoladamente, ele não oferece dificuldade ao esquema calvinista. Senão vejamos. A depravação total não é negada, pelo contrário, a vinha produziu “uvas bravas”. Não trata da eleição soberana, nem da redenção particular. Se alguma tentativa de levantar versículo como objeção ao calvinismo, deve ser quanto à graça irresistível e a perseverança dos santos. Mas será que temos um problema real aqui?

A graça eficaz significa que nos eleitos a graça de Deus vence a resistência do homem, não por força violenta, mas renovando sua vontade e o inclinando às coisas de Deus. A doutrina da preservação dos santos diz que um regenerado será guardado pelo poder de Deus de modo a ser certamente salvo no final. Para que essas duas doutrinas sejam negadas pela passagem em apreço, a vinha referida na parábola deve ser eleita, ter sido regenerada e perdido a salvação no final. Vejamos se é o caso.

A explicação da parábola diz que “a vinha do SENHOR dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta dileta do SENHOR; este desejou que exercessem juízo, e eis aí quebrantamento da lei; justiça, e eis aí clamor” (Is 5.7). Porém, devemos considerar que “nem todos os de Israel são, de fato, israelitas” (Rm 9.6). Poucos versos antes o Senhor se refere aos “de Israel que forem salvos” (Is 4:2), dizendo que “os restantes de Sião e os que ficarem em Jerusalém serão chamados santos; todos os que estão inscritos em Jerusalém, para a vida” (Is 4.3). Não são todos os de Israel que serão salvos, pois “no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (Jl 2.32). Desses que foram inscritos para a vida e chamados pelo Senhor se diz que “o que escapou da casa de Judá e ficou de resto tornará a lançar raízes para baixo e dará fruto por cima” (Is 37.31), o fruto requerido pelo Vinhateiro.

A falibilidade da graça é alegada sob o falso argumento de que Deus fez tudo o que podia ser feito para salvar Israel. “Que mais se podia fazer ainda à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?” (Is 5.4). O que o Senhor estava dizendo era que no juízo, e é disso que se trata a parábola, Israel não poderia alegar que não produziu justiça por falta de condições adequadas. Ela produziu uvas bravas não por que a terra era ruim, mal preparada, tomada por pragas e vítima de invasões, mas porque era uma árvore má, pois “não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons” (Mt 7.18), por melhor adubada que seja. E Deus tratou Israel com distinguido cuidado. “São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne” (Rm 9.4–5). De Israel, mais do que qualquer outro povo sobre a terra, era justo esperar “que exercessem juízo, e eis aí quebrantamento da lei; justiça, e eis aí clamor” (Is 5.7). Mas afirmar que Deus não tinha poder para fazer mais é desonrar o Onipotente Senhor.

O juízo “tirarei a sua sebe, para que a vinha sirva de pasto; derribarei o seu muro, para que seja pisada” (Is 5.5) não implica perda da salvação, pelo fato já referido de que Israel não foi eleito como nação étnica para a salvação. Portanto, é desnecessário responder à objeção de que a parábola nega a segurança eterna dos salvos. Farei apenas a citação de uma passagem do Novo Testamento que corrobora o que foi dito anteriormente e deixa claro que o abandono da vinha por parte do Senhor não significa que os eleitos e eficazmente chamados perdem a salvação recebida e garantida gratuitamente:

“Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura refere a respeito de Elias, como insta perante Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, arrasaram os teus altares, e só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida. Que lhe disse, porém, a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça. E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos” (Rm 11.2–7). 

Soli Deo Goria 

Pode um crente nascido de novo perder a salvação?

Duas passagens da epístola aos Hebreus ressaltam para nossa compreensão, relacionadas ao desafio à doutrina da preservação dos santos, ensinada em João 10.28. Tais passagens são Hebreus 6.4-6 e 10.26-31. Ambas ensinam que o crente professo pode voltar-se contra o Senhor Jesus depois de tê-lo recebido como Salvador. Mas a verdadeira questão em tela é se uma ou outra dessas passagens tem em vista o crente regenerado.

Hebreus 6.4-6 foi bem traduzido pela NVI: "Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados [hapax phōtisthentas], provaram o dom celestial, tornaram-se participantes [metochous genētherttas] do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, se caírem, ser recuperados pelo arrependimento, pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública". Vamos examinar ponto a ponto a descrição que se faz do apóstata: 

1. Ele foi iluminado por uma clara apresentação do evangelho e pelo convite para que se arrependa e creia. Aparentemente essa pessoa fez profissão de fé e recebeu Cristo como seu Salvador.

2. A pessoa provou o dom celestial (dōrea, que não é a mesma coisa de charisma, "dom espiritual"); isto é, ela tomou parte nas atividades da igreja, na comunhão alegre dos demais cristãos no culto e na obra de Deus, e chegou a ver uma reação perante seu testemunho e apelo nas reuniões públicas.

3. A pessoa provou a bondade da Palavra de Deus. Ou seja, ela chegou à compreensão clara da mensagem bíblica e mentalmente a aprovou, tendo apreciado a apresentação fiel e ardorosa da parte dos pregadores.

4. A pessoa chegou a provar os poderes da era vindoura — da mesma forma que Judas os experimentou, quando ele voltou com os outros onze, exultando com exuberância de que no decurso de sua campanha evangelística, divididos em duplas, até os demônios se lhes sujeitavam, quando pregavam o Senhor Jesus (Lc 10.17). É evidente que ele estava tão envolvido naquele esforço que na véspera de sua traição, no jardim do Getsêmani, nenhum de seus colegas suspeitava do ato traiçoeiro que Judas tinha em mente durante a refeição pascal. (Sabemos disso porque os apóstolos perguntaram uns aos outros, ao redor da mesa, "Com certeza não sou eu!" [Mc 14.19]. Nem souberam naquele dia a quem Jesus se referia como o traidor.) 

Veja-se que aquelas três qualidades estavam presentes em Judas. Ele havia sido iluminado, experimentado o dom celestial e provado a bondade da Palavra de Deus, ao sentar-se durante três anos ouvindo o ensino do Senhor Jesus. Enquanto havia participado da pregação do Evangelho e da expulsão de demônios, também possuía a ajuda do Espírito Santo. Todavia, nada disso implica que ele tenha sido habitado pela terceira Pessoa da Trindade; seu corpo não havia sido tomado pelo Espírito para ser o templo santo de Deus. Jamais! Cristo podia ler seu coração e ver a hipocrisia e a traição lá dentro — pois o Senhor o indicou com clareza durante a Última Ceia. Na oração sacerdotal de João 17, Jesus falou de Judas como "aquele que estava destinado à perdição" (v. 12). Nenhum esforço extraordinário da imaginação poderia fazer dele, em tempo algum, um crente nascido de novo, pouco importando quão convincente tenha sido seu desempenho perante seus colegas apóstolos. No entanto, as quatro qualidades tidas como próprias de um apóstata estavam presentes em Judas.

Fica bem claro que o tempo todo Judas esperava obter vantagens pessoais da parte de Jesus; talvez desejasse uma posição honorífica no reino vindouro de Cristo (que ele julgava ser primordialmente político e de natureza terrena). Ele nunca aceitara com seriedade Jesus como Senhor, em seu coração; jamais depositou seu corpo no altar da devoção sincera à vontade e à glória de Deus. Judas poderia ter professado essa entrega, mas jamais a levou a sério. Quando Jesus deixou bem claro que não tencionava usar seus poderes sobrenaturais a fim de obter vantagens políticas, Judas tomou a decisão de traí-lo e entregá-lo às autoridades do templo em troca de algum dinheiro. Essa iniciativa deixa bem claro que ele pretendia usar Cristo para atingir seus interesses egoístas; ele não queria entregar-se e ser útil a Jesus para seu serviço e glória.

Cedo ou tarde chega a época da provação na carreira de quem aceita Jesus como Salvador — o Senhor para quem ele quer viver, por quem está pronto a morrer — mas, mediante tal provação, sua "conversão" espúria se tornará bem patente. O verdadeiro crente, nascido de novo, do tipo que jamais é arrancado das mãos do Mestre, é aquele que passou por aquela mudança interior, transformação do coração, que o faz centralizar-se em Cristo, em vez de em si mesmo (cf. 2 Co 5.14-17). A morte da pessoa para o mundo e para o seu eu, a entrega a Jesus como Senhor, que dá acesso ao Espírito Santo, e faz com que o Espírito tome posse do convertido de modo completo e total, é uma regeneração genuína, permanente. Ainda que esse crente possa em certa ocasião voltar atrás, durante algum tempo, e experimentar de novo o peso antigo da escravidão e vergonha, ele jamais terá permissão para permanecer no estado de rebelião e derrota. O Espírito Santo não o deixará a sós, mas por esse ou aquele meio vai atraí-lo de volta ao arrependimento renovado, à fé e à entrega total.

A segunda passagem de Hebreus que devemos estudar é 10.26, 27: "Se continuarmos a pecar deliberadamente [hekousiōs também pode significar 'de boa vontade'] depois que recebermos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão-somente uma terrível expectativa do juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus". Aqui há de novo uma recepção anterior do conhecimento da verdade como a temos em Jesus (semelhante ao "iluminados" de 6.4) e uma compreensão integral do sentido da cruz. Mas infelizmente é possível tomar posse do plano da salvação como um conceito e comunicá-lo claramente a outros, como questão de ensino, e apesar disso nunca entregar-se realmente a Jesus. A Bíblia define o ato de crer verdadeiramente como aceitar a Cristo — não simplesmente o ensino de Jesus como filosofia ou teoria — como Senhor e Salvador: "... aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito..." (Jo 1.12).

O crente que recebe Jesus como Senhor com toda convicção e verdade nunca voltará com sinceridade e de boa vontade à prática do pecado, pois jamais "pisou aos pés o Filho de Deus" (Hb 10.29); nunca considerará seu sangue derramado como impuro ou profano (koinon), e jamais insultará galhofeiramente o Espírito Santo. A pessoa que consegue admitir em si mesma esse tipo de impiedade e desprezo para com seu Salvador divino, com toda certeza nunca entregou seu coração a Ele. À semelhança de Judas, pode ter pensado que apenas "tentaria Jesus" e ver até que ponto gosta do Senhor, e se poderá obter dele as vantagens e bênçãos que almeja para si mesmo, para sua própria satisfação. Visto que tal crente jamais levou a sério as afirmações de Cristo, pois nunca admitiu o senhorio dele em sua vida, tal cristão não passou de uma falsificação espiritual, desde o início. Deus jamais se contenta com falsificações. Ele só aceita o crente real, genuíno. Deus não pode deixar-se enganar, nem mesmo pela demonstração mais piedosa. Ele consegue ler nossos corações.

Archer, G.
In: Enciclopédia de temas bíblicos.

O livre-arbítrio dos regenerados

Quais são os poderes dos regenerados, e de que modo é livre o seu arbítrio. Finalmente, devemos ver se os regenerados têm e até que ponto têm livre arbítrio. Na regeneração, o entendimento é iluminado pelo Espírito Santo, para que compreenda os mistérios e a vontade de Deus. E a própria vontade não é somente mudada pelo Espírito, mas é também equipado com poderes, de modo, que ela espontaneamente deseje o bem e seja capaz de praticá-la (Rom 8.1 ss). Se não concedermos isso, negaremos a liberdade cristã e introduziremos uma servidão geral. Mas também o profeta registra o que Deus diz: “Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei” (Jer 31.33; Ez 36.26 ss). E o Senhor também diz no Evangelho: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). E São Paulo também escreve aos filipenses: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nele” (Fil 1.29). E outra vez: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus” (v. 6). E ainda: “Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (2.13).

Os regenerados operam não só passiva, mas ativamente. Entretanto, ensinamos que há duas coisas a serem observadas: Primeiro, que os regenerados, na sua eleição e operação, não agem só passiva mas ativamente. São levados por Deus a fazer por si mesmos o que fazem. Santo Agostinho muito bem afirma que “Deus é nosso ajudador. Mas ninguém pode ser ajudado, se não aquele que faz alguma coisa”. Os maniqueus despojavam o homem de toda ação e o faziam semelhante a uma pedra ou a um pedaço de pau.

O livre arbítrio é fraco nos regenerados. Segundo, nos regenerados permanece a fraqueza. Desde que o pecado permanece em nós, e nos regenerados a carne luta contra o espírito até o fim de nossa vida, eles não conseguem realizar livremente tudo o que planejaram. Isso é confirmado pelo apóstolo em Rom 7 e Gal 5. Portanto, é fraco em nós o livre arbítrio por causa dos remanescentes do velho Adão e da corrupção humana inata, que permanece em nós até o fim de nossa vida. Entretanto, desde que os poderes da carne e os remanescentes do velho homem não são tão eficazes que extingam totalmente a operação do Espírito, os fiéis são por isso considerados livres, mas de modo tal que reconhecem a própria fraqueza e não se gloriam de modo algum em seu livre arbítrio. Os fiéis devem ter sempre em mente o que Santo Agostinho tantas vezes inculca, segundo o apóstolo: “o que tendes que não recebestes? Se, pois, o recebestes, por que vos vangloriais, como se não fosse um dom?” A isso ele acrescenta que aquilo que planejamos não acontece imediatamente, pois os resultados das coisas estão nas mãos de Deus. Esta a razão por que São Paulo ora ao Senhor para promover sua viagem (Rom 1.10). E esta é também a razão pela qual o livre arbítrio é fraco.

Nas coisas externas há liberdade. Todavia, ninguém nega que nas coisas externas tanto os regenerados como os não-regenerados gozam de livre arbítrio. O homem tem em comum com os outros animais (aos quais ele não é inferior) esta natureza de querer umas coisas e não querer outras. Assim, ele pode falar ou ficar calado, sair de sua casa ou nela permanecer, etc. Contudo, mesmo aqui deve-se ver sempre o poder de Deus, pois essa foi a causa por que Balaão não pôde ir tão longe quanto desejava (Num, cap. 24), e Zacarias, ao voltar do templo, não podia falar como era seu desejo (Luc, cap. 1).

Heresias. Nesta questão, condenamos os maniqueus, os quais afirmam que o início do mal, para o homem bom, não foi de seu livre arbítrio. Condenamos, também, os pelagianos, que afirmam que um homem mau tem suficiente livre arbítrio para praticar o bem que lhe é ordenado. Ambos são refutados pela Santa Escritura, que diz aos primeiros: “Deus fez o homem reto”; e aos segundos: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36).

O que é completa redenção?

"Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção". 1Co 1:30
Mas o que é a redenção do corpo em comparação com a parte melhor, a nossa alma? Devo, portanto, dizer-lhes, irmãos, o que o anjo disse a João, "Sobe aqui", para obterem a visão mais clara possível da redenção que Cristo comprou para vocês, e que logo lhes dará como fato consumado. 

Vocês já estão justificados, já estão santificados, e portanto estão libertos da culpa e do domínio do pecado; mas, conforme já observei, o pecado ainda existe e habita em vocês. Deus acha por bem deixar alguns amalequitas na terra, para manter Seu Israel ativo. Estou convicto de que o cristão mais perfeito deve concordar que, segundo um dos nossos artigos de fé: "a corrupção da natureza permanece até mesmo nos regenerados; que a carne sempre luta contra o espírito, e o espírito contra a carne". Sendo assim, os crentes não podem fazer coisas para Deus com a perfeição que desejam. Esse fato aflige suas almas justas dia após dia e leva-os a exclamar com o grande apóstolo: "Quem me livrará do corpo desta morte?" 

Dou graças a Deus que nosso Senhor Jesus o fará, mas não de modo completo antes do dia da nossa morte. Então será destruída a própria existência do pecado, e a corrupção inata que em nós habita será eternamente desfeita. E não é esta uma grande redenção? Tenho certeza que os crentes assim a consideram, pois não há nada que mais entristece o coração de um filho de Deus do que os restos do pecado que nele habita. Demais disso, os crentes freqüentemente sentem pesar por causa de numerosas tentações. Deus acha que é necessário e bom que eles sejam assim, e embora sejam altamente favorecidos e imersos na comunhão com Deus, até mesmo ao terceiro céu, ainda assim um mensageiro de Satanás é freqüentemente enviado para esbofeteá-los, para não ficarem ensoberbecidos com a abundância das revelações.

Mas não fiquem abatidos, nem tenham a mente desfalecida, pois aproxima-se o tempo da sua redenção completa. No céu o maligno cessará de perturbar vocês e suas almas abatidas desfrutarão do repouso eterno; os dardos inflamados de Satanás não podem alcançar aquelas regiões de bem-aventurança. Satanás nunca mais voltará para apresentar-se juntamente com os filhos de Deus, nem para perturbá-los, nem para acusá-los, depois do Senhor Jesus Cristo fechar a porta. 

Dia após dia suas almas justas são afligidas diante da conversa ímpia dos transgressores; agora o joio cresce no meio do trigo, os lobos aparecem vestidos como ovelhas, mas a redenção mencionada no texto libertará suas almas de todas as ansiedades decorrentes de tais coisas. A partir de então, vocês desfrutarão de uma perfeita comunhão de santos; nada que é impuro ou profano entrará no santo dos santos, que lhes é preparado lá em cima. De todas as formas do mal vocês serão libertos, quando a sua redenção for aperfeiçoada no céu. 

Não somente isso, também entrarão no pleno gozo de todo o bem. É verdade que nem todos os santos terão o mesmo grau de felicidade, mas todos serão tão felizes quanto seu coração possa desejar. Crentes: vocês julgarão os anjos maus, e terão conversação familiar com os anjos bons; vocês se assentarão juntamente com Abraão, Isaque, Jacó e todos os espíritos dos justos aperfeiçoados, e para resumir toda a sua felicidade numa só palavra, vocês verão Deus Pai, Filho, e Espírito Santo. E, ao verem a Deus, ficarão cada vez mais semelhantes a Ele, e passarão de glória em glória para toda a eternidade.

Mas preciso parar. As glórias dos lugares celestiais entram na minha alma tão rapidamente, e em tão grande medida, que fico engolfado na contemplação delas. Irmãos, a referida redenção é inefável; o olho não viu, nem o ouvido ouviu, nem entrou no coração dos homens mais santos que existem, conceber quão grande ela é. Se eu fosse entreter-lhes durante eras inteiras com um relato dela, vocês, ao chegarem ao céu, teriam que dizer conforme a rainha de Sabá disse: "Nem metade, nem a milésima parte nos foi contada". Tudo quanto podemos fazer nesse caso é subir ao monte Pisga, e, com o olho da fé, contemplar uma vista distante da terra prometida. Podemos vê-la de longe, como Abraão viu a Cristo, e nos regozijar nela; mas aqui somente a conhecemos em parte.

Louvado seja Deus, porque virá um tempo em que o conheceremos conforme somos conhecidos, e Ele será tudo em todos. Senhor Jesus, completa o número dos Teus eleitos! Senhor Jesus, apressa a vinda do Teu reino!

George Whitefield
In: Cristo: sabedoria, justificação, santificação, redenção

A corrente dourada dos privilégios do crente

"Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção". 1Co 1:30
Esta é de fato uma corrente de ouro! E, o que é melhor de tudo, nenhum elo poderá ser separado dos demais. Se não houvesse outro texto no livro de Deus, só este bastaria para provar a perseverança final de todos os crentes verdadeiros, pois nunca Deus justificou um homem sem o santificar, nem santificou alguém que não redimiu e glorificou completamente. Não. Quanto a Deus, Seu caminho e Sua obra são perfeitos. Ele sempre continuou e terminou a obra que começou. Assim foi na primeira criação, assim também é na nova criação. Quando Deus diz: "haja luz", há luz que brilha mais e mais até ser dia perfeito, no qual os crentes entram no seu descanso eterno, como Deus entrou no dEle. 

Aqueles a quem Deus justificou, Ele com efeito glorificou, pois como o merecimento do homem não foi a causa de Deus lhe outorgar a justiça de Cristo, assim também sua falta de merecimento não será o motivo de remover essa justiça. Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento, e não posso pensar que aqueles que negam a perseverança final dos santos têm noção clara da justiça de Cristo. Receio que eles entendem a justificação naquele sentido baixo em que eu mesmo a entendia há poucos anos, como sendo nada mais do que a remissão dos pecados. Entretanto, não somente significa a remissão dos pecados passados, mas também um direito constitutivo a todas as coisas boas do porvir. Se Deus nos tem dado o Seu Filho, como não nos dará com Ele livremente todas as coisas? Por isso, o apóstolo, depois de dizer "o qual se nos tornou da parte de Deus justiça", não diz: talvez Ele nos seja feito santificação e redenção, e sim que Ele já Se tornou essas coisas, pois há uma conexão eterna e indissolúvel entre esses privilégios abençoados. Da mesma maneira como a obediência de Cristo é imputada aos crentes, a Sua perseverança naquela obediência é também imputada a eles. 

Levantar objeções contra isso evidencia grande ignorância da aliança da graça e da redenção.

George Whitefield
In: Cristo: sabedoria, justificação, santificação, redenção

Cristo, nossa justiça

"Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção". 1Co 1:30
A totalidade da justiça pessoal de Cristo é imputada a eles e considerada como deles. Sendo capacitados pela fé a firmar-se em Cristo, Deus Pai apaga suas transgressões, como se fossem uma nuvem espessa; dos seus pecados e iniqüidades não Se lembra mais; são feitos justiça de Deus em Jesus, que é o fim da lei para a justiça de todo aquele que crê. 

Em certo sentido, Deus agora não vê neles nenhum pecado; a aliança das obras é inteiramente cumprida neles; são realmente justificados, absolvidos e considerados justos aos olhos de Deus; são perfeitamente aceitos no Amado; estão completos nEle; a espada flamejante da ira de Deus, que antes girava em todas as direções, agora é removida, e livre acesso é dado à árvore da vida; são capacitados a estender o braço da fé, colher o fruto, e viver para todo o sempre. 

É daí que o apóstolo, consciente deste privilégio abençoado, irrompe nessa linguagem triunfante: "é Cristo quem justifica, quem condenará?" O pecado condena? A justiça de Cristo liberta os crentes da culpa do pecado; Cristo é seu Salvador, e Se tornou uma propiciação pelos seus pecados; quem, portanto, intentará acusação contra os eleitos de Deus? A lei condena? Ora, tendo a justiça de Cristo imputada a eles, estão mortos para a lei, a qual era aliança de obras; Cristo a cumpriu para eles, e no seu lugar. A morte os ameaça? Ora, não precisam temer. O aguilhão da morte é o pecado, a força do pecado é a lei; mas Deus lhes deu a vitória, imputando a eles a justiça do Senhor Jesus.

George Whitefield
In: Cristo: sabedoria, justiça, santificação e redenção

A diferença entre união e comunhão


Crentes estão unidos a Cristo em Deus pelo Espírito. Essa união é uma ação unilateral de Deus, na qual aqueles que estavam mortos são vivificados, aqueles que viviam nas trevas começam a ver a luz e aqueles que estavam escravizados ao pecado são libertos para serem amados e para amar. Quando se fala em “união”, deve ficar claro que o ser humano é meramente receptivo, sendo objeto da ação graciosa de Deus. Essa é a condição e o estado de todos os santos verdadeiros.

A comunhão com Deus, no entanto, é distinta da união. Aqueles que estão unidos a Cristo são chamados para responder ao amor atrativo de Deus. Enquanto a união com Cristo é algo invariável, a experiência que uma pessoa tem da comunhão com Cristo pode oscilar. Essa é uma distinção teológica e empírica importante, pois protege a verdade bíblica de que somos salvos pela livre e radical graça divina. Além do mais, essa distinção também protege a verdade bíblica de que os filhos de Deus têm um relacionamento com o seu Senhor e de que há coisas que os crentes podem fazer para contribuir ou atrapalhar tal relacionamento.

Quando um crente lida confortavelmente com o pecado (pecados propositais ou de omissão), isso invariavelmente afeta seu nível de intimidade com Deus. Não é que o amor do Pai aumente ou diminua por seus filhos de acordo com suas ações, pois seu amor é constante. Não quer dizer que Deus se afasta de nós, mas nós nos afastamos dele. O pecado isola o crente, fazendo que se sinta distante de Deus. Depois, vêm as acusações – tanto de Satanás como de nós mesmos – que podem fazer o crente preocupar-se e entender que está sob a ira de Deus. Na verdade, no entanto, os santos não estão sob a ira, mas sob a sombra segura da cruz.

Embora a perseverança de um crente na oração, na adoração comunitária e na meditação bíblica não seja o que faz Deus o amar mais ou menos, tais atividades contribuem para promover uma bela experiência de comunhão com Deus. Entregar-se às tentações e negligenciar a devoção a Deus ameaça a comunhão, mas não a união. É essa união que encoraja o crente a retornar do pecado para Deus, que é rápido em perdoar, cheio de compaixão e fiel em seu amor infinito.

Kelly Kapic
In: Comunhão com o Deus Trino

Cinco argumentos em favor da segurança eterna do crente


"Quem nos separará do amor de Cristo?" Rm 8:35

A ênfase desta última seção é sobre a segurança do cristão. Não precisamos temer o passado, o presente ou o futuro, pois estamos seguros no amor de Cristo. Paulo oferece cinco argumentos para provar que o cristão não pode ser separado de seu Senhor.

Deus é por nós (v. 31). O Pai é por nós e provou esse fato entregando seu Filho (Rm 8:32). O Filho é por nós (Rm 8:34) e o Espírito também (Rm 8:26). Deus faz todas as coisas cooperarem para nosso bem (Rm 8:28). Deus é por nós em sua Pessoa e em sua providência. Por vezes, lamentamos como Jacó: "Todas estas coisas me sobrevêm" (Gn 42:36), quando, na verdade, tudo está trabalhando em nosso favor. A conclusão é óbvia: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?".

O cristão precisa começar cada dia ciente de que Deus é por ele. Não há nada a temer, pois o Pai amoroso deseja apenas o que é melhor para seus filhos, mesmo quando precisamos passar por provações para receber o que ele tem de melhor a oferecer. "Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais" (Jr 29:11).

Cristo morreu por nós (v. 32). Vemos aqui uma argumentação em ordem crescente. Se, quando éramos pecadores, Deus nos deu seu melhor, agora que somos filhos de Deus, acaso ele não nos dará tudo de que precisamos? Jesus empregou essa mesma argumentação quando tentou convencer as pessoas de que era inútil se preocupar e temer. Se Deus cuida dos pássaros e das ovelhas, e até mesmo dos lírios, certamente cuidará de nós! Deus se relaciona com seus filhos com base na graça do Calvário, não com base na Lei. Deus concede todas as coisas em abundância aos que lhe pertencem!

Deus nos justificou (v. 33). Isso significa que nos declarou justos em Cristo. Satanás deseja nos acusar (Zc 3:1-7; Ap 12:10), mas, em Cristo Jesus, somos justos diante de Deus. Somos os eleitos de Deus - escolhidos em Cristo e aceitos em Cristo. Uma vez que é Deus quem nos justifica, por certo não nos acusa. Para ele, acusar os seus seria o mesmo que dizer que sua salvação falhou e que continuamos vivendo em nossos pecados.

Podemos experimentar paz no coração quando entendemos o significado da justificação. Quando Deus declara que o pecador que crê foi justificado em Cristo, trata-se de uma declaração inalterável. Nossas experiências com Cristo mudam cada dia, mas a justificação é sempre a mesma. Podemos nos acusar a nós mesmos ou sofrer a acusação de outros, mas Deus jamais nos acusa. Jesus já pagou o castigo, e estamos seguros nele.

Cristo intercede por nós (v. 34). A segurança do que crê em Cristo se deve a uma intercessão dupla: o Espírito intercede (Rm 8:26, 27) e o Filho de Deus intercede (Rm 8:34). O mesmo Salvador que morreu por nós intercede por nós no céu. Como nosso Sumo Sacerdote, pode nos dar a graça de que precisamos para superar a tentação e derrotar o inimigo (Hb 4:14-16). Como nosso Advogado, pode perdoar nossos pecados e restaurar nossa comunhão com Deus (1Co 1:9 - 2:2). Essa intercessão significa que Jesus Cristo nos representa diante do trono de Deus e que não precisamos nos defender.

Paulo deixa esse ministério de intercessão subentendido em Romanos 5:9, 10. Não apenas somos salvos por sua morte, mas também por sua vida. "Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7:25). Pedro pecou contra o Senhor, mas foi perdoado e restaurado à comunhão por causa de Jesus Cristo. "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos" (Lc 22:31,32). Ele está rogando por todos nós, e esse ministério garante que estamos seguros.

Cristo nos ama (vv. 35-39). Em Romanos 8:31-34, Paulo prova que Deus não falha conosco; mas será que podemos falhar com ele? E se vacilarmos em meio a alguma grande provação ou tentação? O que será de nós? Paulo trata desse problema nesta última seção e explica que nada nos separará do amor de Jesus.

Em primeiro lugar, Deus não nos protege das dificuldades da vida, porque precisamos delas para nosso crescimento espiritual (Rm 5:3-5). Em Romanos 8:28, Deus garante que as dificuldades da vida trabalham a nosso favor, não contra nós. Deus permite que venham as provações, a fim de usá-Ias para nosso bem e para a sua glória. Uma vez que suportamos as provações por amor a ele (Rm 8:36), é possível nos abandonar? De modo algum!

Antes, quando passamos pelas dificuldades da vida, ele está mais próximo de nós. Além disso, ele nos dá o poder de conquistar a vitória (Rm 8:37). Somos "mais que vencedores"; literalmente, somos "supervencedores" por meio de Jesus Cristo! Ele nos dá vitória sobre vitória! Não precisamos temer a vida nem a morte, nem as coisas do presente, tampouco as do futuro, pois Jesus Cristo nos ama e deseja nos dar a vitória.

Não se trata de uma promessa condicional: "Se fizermos isso, Deus fará aquilo". Essa garantia em Cristo é um fato comprovado, e nos apropriamos dele porque estamos em Cristo. Nada pode nos separar de seu amor!

Podemos crer nessa verdade e nos regozijar!

Warren W. Wiersbe
Comentário Bíblico Expositivo

A fonte de poder contra aflições e tentações

O único poder pelo qual seja possível para os santos enfrentar toda oposição e resistir as aflições, tentações, perseguições e provas, recebem-no de Jesus Cristo, o qual é o Capitão de sua salvação, sendo feito perfeito pelo sofrimento e quem tem colocado seu poder para ajudá-los em todas suas aflições e para sustentá-los sob as tentações e para salvaguardá-los por seu Poder para seu Reino Eterno.

Artigo 32
Primeira Confissão Londrina, 1642/44

A justificação de todos os pecados


Os que são unidos com Cristo são justificados pelo sangue de Cristo, de todos os seus pecados, os do passado, os do presente e os que ainda estão por vir. Compreendemos que esta justificação é o perdão gratuito e livre dado por Deus, da culpabilidade de todo pecado. E que vem pela satisfação que Cristo fez com sua morte e aplicou ao pecador por meio da fé.

Artigo 28
Primeira Confissão Londrina, 1642/44.